Paulo News
Capítulo 12
A Esfera Negra
Paulo M. Goulart, ©2008

- Lukas!!! Lukas!!! Cadê você, onde você se meteu... – Renato falava desesperadamente enquanto corria em direção ao lugar onde o guardião sumira.
Marine e Lana vieram atrás, correndo com passos longos, encontrar Renato. Todos procuravam para todos os lados sinais de Lukas, mas nada encontravam. A densa nevoa negra começou a se dissipar, deixando mais claro onde eles estavam.
Renato gritava o nome do amigo para todos os lados, esperando que de algum lugar ele pudesse sair e dizer que tudo havia sido uma brincadeira, mas nada. Lukas não apareceu, nenhum dos seus pertences foi encontrado. E sumiu após descobrir a identidade da carta que procuravam e foi antes de poder dizer a todos qual era.
Os garotos ainda estavam confusos com o que tinha acontecido, tudo foi muito rápido. Renato se culpava por deixar o amigo ir sozinho, queria estar com ele para não deixar que fosse “seqüestrado”, essa era a melhor palavra que vinha em sua cabeça. A floresta os mantinham reféns e agora a carta seqüestrou seu melhor amigo. Marine começou a chorar sem nenhum receio ou vergonha, escorou-se no ombro de Lana derramou seu pranto; estava muito assustada, o dia anterior ainda estava muito forte em sua cabeça e não conseguia esquecer o desastre causado pela chuva, tinha medo que algo de ruim pudesse acontecer com Lukas.
Lana mantinha-se impassível, não chorava, muito menos demonstrava qualquer sinal de fraqueza. Estava com os olhos fixos a frente, onde supostamente algo chamava sua atenção. Colocou a mão na cabeça da amiga e pronunciou alguma coisa que ela não conseguiu escutar, nem Renato que não parava um minuto de gritar e se lamentar pelo sumiço do amigo.
- Lukas!!! Droga, - falou entre soluços, as lágrimas começaram a escorrer do nada de seus olhos – foi tudo culpa minha... Se eu tivesse com ele, talvez eu poderia salvá-lo.
- Não chore agora Renato... – Lana disse com toda a seriedade que tinha, longe das risadas e das habituais brincadeiras, o que fez a atenção do garoto recair sobre ela. – Você precisa ser forte agora. Eles foram por ali – disse apontando para o lugar onde tanto olhava. – Vamos segui-los ainda dá para alcançá-los. Eu trouxe nossas mochilas...
- Como você sabe que eles foram por ali Lana? – Marine levantou a cabeça para perguntar à amiga, pegando a sua mochila da mão da garota. Queria ter certeza de que havia chances de Lukas ainda estar vivo.
- Eu posso sentir um pequeno fragmento da magia dele... Mínima, quase imperceptível, isso quer dizer que ele ainda está vivo... Ainda podemos alcançá-lo.
- Certo! – Disse Renato enxugando suas lágrimas e tomando a liderança do grupo. – É por aqui mesmo...?
- É... Está bem a frente de nós, por isso é melhor corrermos... – Lana puxou Marine pelo braço e começou a acelerar as passadas, logo estavam correndo.
Renato a frente, olhando para todos os lados, liderava o grupo com coragem e garra, nem parecia o mesmo que agora apouco chorava como uma criança indefesa.
“É... Chorar não resolverá nada... Eu sou forte e vou conseguir salvar você Lukas, pode ficar tranqüilo.” Os pensamentos de Renato estavam concentrados em salvar Lukas, custasse o que custar.
Correram, sempre em frente, mudando o curso algumas vezes por causa de galhos e pedras que surgiam no caminho. As vezes as mochilas ficavam presas nas árvores, mas a pressa era tanta e a preocupação era imensa que eles mal se preocupavam em tirá-las com cuidado; destruíam os galhos que as prendiam e seguiam correndo, nem ao menos olhavam o estado que ficava seus pertences.
- Por aqui! – gritou Lana entre Marine e Renato. – Está ficando mais forte...
Lana tomou a frente e mudou um pouco a rota.
- Ele ainda está vivo, eu sei que está! – Renato falava entre os dentes, suas lágrimas não caiam mais. Agora seu semblante era de severidade e determinação. Tinham que encontrar Lukas a todo custo, a vida do amigo dependia deles.
Renato foi se cansando, o grupo já havia corrido por um longo percurso e nenhum sinal deles, mas Lana não cansava de dizer que sentia um mínimo do fragmento de magia de Lukas e afirmava que estavam bem próximos. A cada galho afiado que passavam em seus corpos se formava um novo corte, no entanto isso não tinha importância, a vida de Lukas era mais importante que qualquer pequeno corte que viesse a ocorrer. As mochilas já apresentavam sinais de desgaste, a velocidade intensa fazia com que elas se prendessem com mais freqüência em alguns galhos, por causa disso estavam rasgando suas laterais. A mochila de Marine parecia não agüentar por muito tempo, o bolso lateral já estava quase todo corroído e uma das alças estava por um fio.
Lana mudou mais uma vez a direção, entrando em uma clareira que ficava cada vez mais aberta. Logo puderam avistar uma coisa que flutuava em sua frente. Dentro dela algo se mexia violentamente, tentava com todas suas forças se soltar, mas nada resolvia, suas forças não eram suficiente para escapar de dentro da esfera negra.
- Alí estão eles – gritou Lana, correndo mais rápido do que podia -, vamos corram! Precisamos alcançar-los...
E correram o mais que puderam, a ponto de suas pernas começarem a adormecer. Os olhos de Lana já estavam molhados de suor, o que dificultava um pouco sua visão; fez um gesto para que Renato passasse a sua frente, e este logo o fez. Renato tentava lutar contra os números galhos que vinham em sua direção, partindo de todos os lados. Com um gesto bem decido e levou a mão direita em seu pescoço e retirou a chave mágica do sol, segurando-a com as últimas de suas forças. Estava para se entregar, mas a amizade que sentia pelo garoto era forte demais para impedi-los.
- Parece que está parando... – Marine disse entre afagos, vendo que a esfera começara a parar. – é a nossa chance... temos que alcançá-los agora.
Marine tinha razão, a massa negra estava diminuindo sua velocidade, ficando cada vez mais lenta. Flutuava serenamente sobre algo desconhecido, apenas o reflexo de um pequeno feixe de luz era visível apesar de toda a escuridão e a densa camada de sombras que os cercavam. A imagem que tinham da carta ficava cada vez mais visível ao passo que os garotos corriam em sua direção.
A densa esfera, então, parou completo, permanecendo imóvel sobre alguma coisa. Ainda flutuando mostrava em seu interior a figura do guardião lutando para sair, mas era bem fácil perceber que a vida estava se extinguindo ali dentro. A cada segundo que passava era um tormento para Lukas que, ainda tentava desesperadamente tentava se libertar da armadilha da carta, mas já não tinha forças nem para levantar o braço.
Os garotos entraram por um pequeno corredor de folhas secas e chegaram a enorme clareira onde a esfera se encontrava. Tudo então se clareou e eles puderam ver onde a carta havia parado. Flutuava estaticamente no centro do lago da floresta, não muito longe da água, mas decididamente longe da margem.
- Ela está no meio do lago... – disse Lana pensativa, correndo os olhos a volta da clareira.
- Por que ela parou no meio dele...? – Marine revelou um pouco de medo ao pronunciar suas mínimas palavras –. Não estou gostando nadinha disso.
Os três garotos ficaram a observar algum movimento da carta. Entretanto nada acontecia. E Lukas se desesperava cada vez mais para sair. O ar estava acabando e o guardião, agora totalmente indefeso, respirava o que lhe restava e ficava inconsciente. Sua mão caiu para o lado, seus olhos se fecharam e seu corpo gelou como o mais gélido ar frio da noite.
- Não! Lukas... Não!!! – Renato gritou o mais alto que pode ao ver aquela cena a sua frente.
- Rápido! Temos que fazer alguma coisa... – Marine dizia já retirando sua chave do seu pescoço.
- Certo! – confirmou Renato.
Renato colocou sua mão a frente e a abriu, revelando a pequena chave caída sobre sua palma e com a voz firme pronunciou o encantamento que já ansiava por fazer a algum tempo.
- Chave que guarda o poder do Sol. Mostre seus verdadeiros poderes sobre nós. E ofereça-os ao valente Renato que aceitou essa missão. LIBERTE-SE!!!
O báculo seguro em uma de suas mãos apontava para o céu e com a outra pegou a sua única carta que estava dentro de seu bolso.
- Tomara que funcione... – pronunciou para si mesmo.
Desceu o báculo que estava no alto para sua frente em direção a carta que já estava no ar.
- Vento!
A delicada mulher com fios de brisa surgiu entre eles, trazendo uma leve e quente brisa a todos eles.
- Vento tente destruir a barreira da carta! Tente salvar o Lukas... Por favor...!
A carta nem esperou que Renato completasse e foi em direção a esfera negra no centro do lago. Suas brisas se tornaram fortes ventanias e mudaram do suave para o hostil. Em poucos segundos a encontrou, batendo de frete e empurrando-a para a margem do outro lado.
Em poucos segundos as duas Cartas começaram a brigar violentamente soltando raios de energia a todos os lados e grandes estrondos soavam a todos os cantos. A massa negra tentava desviar de todos os ataques de Vento, mas tudo era em vão, os movimentos de Vento eram totalmente calculados, cada investida, cada ataque, acertava em cheio a esfera, mas não estava sendo o suficiente para libertar Lukas.
- Vento tente transpassá-la...! Só assim você conseguirá tirar ele lá de dentro. – gritava Renato correndo em direção a margem onde elas brigavam em fúria.
Vento entendeu muito bem o recado de seu mago. Parou com as investidas, recuando uma pequena distância acima e voltando para o ataque decisivo. Com certeza não teriam mais chance de salvar Lukas com vida caso esse falhasse.
A carta avançou em direção a outra, mergulhando de cabeça com toda sua energia. De suas laterais saíram inúmeras correntes de vento, que com a velocidade se tornaram flechas prontas ao ataque. Em volta da carta as flechas estavam prontas e afiadas, todas elas circulando uma flecha ainda maior e mais poderosa, que era a própria Carta Vento.
A chuva de flechas estava caindo em um único alvo. A massa negra tentou desviar, porém sem nenhum sucesso. A Carta Vento desferiu um ataque certeiro, que atravessou por completo a esfera, provocando uma explosão. Rajadas de vento foi lançados para todos os lados, da mesma forma que traços da escuridão foram espalhados por todo o lago.
A Carta Vento logo se refez como se nada tivesse acontecido, a frente dos garotos com seu rosto determinado e ameaçador. Lukas havia caído próximo a Renato e este foi ampará-lo o mais rápido que pode. Correu rapidamente entre os gravetos e arbustos. O medo o invadia, temia que algo de ruim pudesse ter acontecido. A figura de Lukas caído, imóvel, despertava nele a pior das sensações.
- Lukas! Lukas! Lukas! Você está bem...?! Fale comigo! Por favor...! – Renato tentava reanimar o garoto ainda inconsciente. Lágrimas escorriam por seu rosto. As palavras se misturavam com os soluços.
- Sombra... – gemeu Lukas, fazendo o máximo de esforço para pronunciar as poucas palavras que saiam de sua boca. – Sombra... É a Carta da Sombra...
- Lukas!!!
Um forte abraço envolveu os dois garotos, as palavras de Lukas, fracas e finas, foram sufocadas pelo forte abraço do garoto. Segurou-o bem forte, deixando que as lágrimas se seguissem por seus rostos.
- Acho que já disse isso... para você... Não vai ficar livre de mim tão cedo... – disse Lukas abrindo um pequeno sorriso.
- Nem você vai ficar livre de mim tão cedo. – replicou Renato entre soluços e sorrisos.
O medo que Renato sentiu foi um dos mais fortes de sua vida, só perdia para um que sentiu a quatro anos atrás, mas agora estava passando. Lukas com o enorme sorriso em seu colo fazia com que seu medo se transformasse em coragem e fúria. Depositou a cabeça do amigo no chão, ajeitando-o em uma posição confortável e levantou-se com os olhos ardendo em fúria.
- Temos que encontrar a carta, para onde ela foi – sussurrou para si mesmo.
Marine e Lana vinham correndo, circulando o lago e driblando os gravetos espalhados pelo chão. Lana vinha à frente, ofegante e preocupada. Pedia para que Lukas estivesse bem e que nada de mal acontecesse com ele. Apesar das discussões gostava muito dele, se conheciam a séculos, desde quando o Mago Clow os criou como guardiões das cartas. Não iria permitir que nada de mal acontecesse com ele.
Marine, por sua vez, estava muito atrás. Cada galho e arbusto faziam com que a garota se atrasasse cada vez mais. O fato de só viver na cidade e não ter o hábito de entrar na floresta fazia com que a garota ficasse meio desajeitada. De longe Marine pode ver Lana encontrando os garotos e dando um forte abraço em Lukas e também pode ver as lágrimas que escorreram dos olhos dela.
Mas agora outra coisa chamava mais a atenção da garota. O lago estava ficando, negro uma substancia cobria a superfície, como uma densa nevoa negra. Parecia que só Marine estava vendo aquilo se formando no lago. Claro, todos os três garotos estavam conversando euforicamente e não estavam prestando atenção no que acontecia atrás deles.
A substância negra começou a se juntar no centro do lago, tomando a forma de algum ser. Marine que já andava bem devagar parou completamente para observar o que estava acontecendo. Lukas e Lana conversavam e Renato os ouvia com um grande sorriso no rosto.
- O que está acontecendo...? Só pode ser ela...
Toda a névoa que cobria a superfície se juntou completamente construindo uma figura no centro do lago, parecia ser alguém envolto em uma capa, que o cobria da cabeça aos pés. A Carta Sombra tinha assumido sua verdadeira.
Marine pensou em avisar os garotos gritando-os, mas isso faria eles perderem tempo. A Carta Vento estava acima deles, girando em círculos desde que libertou Lukas, não podia contar com ela, já que só obedecia as ordens de Renato. Não demorou para que a Carta Sombra começasse a deslizar sobre a água indo em direção dos garotos. Aumentou sua velocidade, logo chegariam até eles e os pegariam de surpresa.
- Mas não vai mesmo...
- Chave que guarda o poder da Galáxia, mostre seus verdadeiros poderes sobre nós. E os ofereça-os a valente Marine que aceitou essa missão. LIBERTISSE!!!
O báculo da galáxia tinha tomado forma em suas mãos, as elipses começaram a circular o planeta avermelhado suavemente. Marine tirou sua carta do bolso e a jogou no ar.
- Chuva!!!
Os garotos viraram-se para a garota ao escutá-la dizer as palavras mágicas, o báculo do planeta já estava em suas mãos pronto para libertar uma das entidades mágicas. A carta da Chuva tomou forma, desta vez tinha a aparência dócil e comportada, sem nenhuma traquinagem.
Os garotos, principalmente Lana, não entendiam o que estava acontecendo. Tentavam imaginar o motivo que fez Marine libertar a carta da chuva.
- Cuidado! – Marine gritou apontando para o outro ser que avançava sobre eles. – Rápido!!! Saiam daí!!!
Renato e Marine não tiveram muito tempo para pensar, tampouco para agir, agarraram Lukas e o levantou pelos braços, fazendo o apoiar em seus ombros. Olharam por um pequeno instante para trás a tempo de ver a Carta Sombra surgir atrás deles, pronta para atacar. Do outro lado vinha rapidamente, impulsionada pela força da água do lago, a Carta Chuva, com seus ornamentos goticulares balançando e brilhando com as gotas de chuva, que já começavam a cair.
- Chuva faça do mesmo jeito que você fez ontem... crie uma tromba d’água para prender a Carta da Sombra... Você se lembra...
Marine fez gestos com as mãos para que a sua carta pudesse entender o que deveria ser feito, mas não era preciso. Sombra havia parado seu ataque e se preparava para um novo, mas dessa vez seu alvo era a carta que estava vindo em sua direção.
- Vamos Lukas, tente andar mais rápido... – Lana dizia em suspiros ao amigo; do seu lado, Renato já demonstrava sinais de cansaço. – Vamos deixá-lo ali...! – Lana apontou para uma árvore que estava adiante deles.
Renato e Lana deixaram Lukas, ainda sem forças, encostado na árvore, acomodando seu corpo suavemente sobre os galhos e folhas. Lukas sentiu algo o incomodar, mas logo passou.
A Carta Chuva alcançou Sombra, a qual fugiu para o centro do lago, mas definitivamente havia sido uma péssima escolha. Chuva iniciou uma espécie de dança, circulando em torno da de Sombra, já no meio do lago. Os círculos ficaram mais velozes e mais vorazes, em poucos segundos a tromba d’água foi tomando forma, encurralando a Carta Sombra.
- Perfeito Chuva, continue assim! – disse Marine ao ver seu plano dando certo. – Agora feche mais o circulo e prenda a prenda de vez...!
E assim a carta obedeceu sua dona. Chuva subiu até o alto da tromba, suas gotas de chuva caiam por todos os lados e aumentou a velocidade dos círculos, com isso fez o que Marine ordenara: a tromba estava fechando seu cerco e prendia em seu interior, agora indefesa, a Carta Sombra.
- Renato use o báculo agora! – Gritou Lukas, que agora se levantava para não perder a cena que veria a seguir.
- Certo... – Renato tomou o báculo em suas mãos e o ergueu em direção a tromba d’água. – Volte à forma humilde que merece... Carta Sakura!!!
Uma carta vazia se materializou na ponta do báculo do sol e uma forte rajada de vento, um pouco amarelado, atingiu em cheio o turbilhão de água, arrastando-os para a direção de Renato.
- Chuva solte-a... deixe agora com Renato. – disse Marine para a carta e esta fez o que sua mestra dizia.
A entidade mágica ainda tentava fugir, mas a forma que a puxava era maior e mais resistente. Em poucos segundos a carta vazia era preenchida com mais uma das entidades criada por Clow Red e transformada por Sakura Kinomoto. A carta, agora aprisionada deus alguns giros no ar, as cartas chuva e vento, libertas sobre o lago, a faziam rodopiar por todos os lados, até que voltou ao lugar e que Renato estava. A carta caiu lentamente, encaixando em suas mãos prontas a apará-la.
- Até que enfim... – falou Renato, enquanto se jogava na margem do lago, deitando de costas sobre a relva molhada pela chuva.
- Bota enfim nisso, já não agüentava mais correr atrás dessa carta, pelo amor de Deus, a gente passou horrores... Olha só o nosso estado, olha só meus pés! Estão me matando e além do mais eu preciso daquele seu creme de mãos Marine para... – Lana falava e falava, feito um brinquedo que acabou de ganhar pilhas novas.
Só Lukas, ainda tonto, e Marine, que já se reunia ao grupo, davam atenção ao discurso inacabado da guardiã. Renato detinha toda sua atenção a carta rosa e a entidade mágica, agora aprisionada em seu interior, tinha o formato de uma capa de viagem, vazia, a não ser por uma escuridão que preenchia todo seu interior. Em baixo da figura do ser mágico uma tira, assim como nas outras cartas, informava o nome do ser: The Shadow; e em cima, no centro da estrela uma inscrição Kanji dizia o mesmo, porém em japonês. Renato rapidamente retirou uma caneta de seu bolso e com ela escreveu seu nome na sua nova carta, logo abaixo da fita de identificação.
As cartas Vento e Chuva voltaram ao seu estado de carta. Renato tinha agora, duas, das 52 cartas, em suas mãos e Marine apenas uma. “Até quando isso vai durar” pensou ele, recordando-se dos últimos três dias desde aquele sonho.
- E agora, o que faremos...? Devem ser umas três horas da manhã... como sairemos daqui. – Lana ainda continuava a falar, de certo não havia parado um segundo se quer com o seu monologo de reclamações e exigências.
- Bom... – disse Renato se levantando e se juntando ao grupo. – Já que já são três da manhã não custa nada esperar o amanhecer, que por sinal não deve demorar muito.
- Eu também concordo com o Renato – disse Marine, fazendo com que o inevitável acontecesse, o encontro de seus olhos com os de Renato. – Assim a gente pode descansar um pouco... – disse com seu rosto já avermelhado.
- Então está certo, ficaremos aqui até que amanheça. – disse Lukas, se ajeitando um pouco, para tirar um pouco do incomodo que sentia. – Podemos beber água desse lago e dormir um pouco... por que, sinceramente, estou muito cansado. – disse soltando um bocejo e fechando seus olhos.
- Ei!!! Então quer dizer que ainda ficaremos aqui nessa prisão até de manhã. – Disse Lana em replica aos argumentos dos garotos. – Eu não acredito! Eu quero logo um banho quente... Ei!!! Vocês três não durmam, não me deixem falando sozinha... Acordem!!!


Agora sim, o final do arco 4... Até que enfim... Mas não pensem que a aventura termina aqui, ainda tem muita pedra no caminho! Aguardem e comentem!
Bem pessoal, estou em uma correria agora, estão chegando as provas finais e estou ficando louco com isso (tomare que eu passe em IEL).
Esse capítulo só pode ir para essa galera que passamos 4 meses juntos. Até agora, os 4 meses melhores que já tive. Turma do 1° Periodo A, vocês são um máximo!

Paulo M. Goulart


Cards Infinity
O Lago de Cristal
Capítulo 12
A Esfera Negra
Paulo M. Goulart ©2007 – 2008
Finalizada em 15 de Junho de 2008

Cards Infinity – O Lago de Cristal
TryMax ©2008
Paulo M. Goulart ©2007 – 2008
História Original: Clamp ©1996; Japão
Alguns nomes e imagens são de autoria do Estúdio Clamp e possuem direitos autorais reservados as autoras. Os demais nomes, tipologias e símbolos são de direitos autorais do autor desta história

Brasil, 2008
Paulo News
Capítulo 11
Perdidos no Frio da Noite
Paulo M. Goulart, ©2008

O suor pingava em sua roupa, a dor insuportável não permitia que se levantasse, seu corpo exigia eu repouso absoluto.
Reuniu todas as forças que lhe restavam e levantou-se, apoiando no grosso tronco da árvore onde estava; seu braço ainda repousava sobre seu colo, agora já estava bastante inchado e os hematomas se espalharam ficando bem maiores do que antes, as veias se tornaram mais evidentes e os simples movimentos que fazia era motivo para soltar um gemido de dor.
Foi de encontro ao enorme paredão por onde tinha rolado até chegar a esta pequena clareia, com outro barranco ao lado, que parecia ter uma queda mais violenta do que a outra. Os cipós pendiam por todos os lados, a folhar mexiam inquietantemente. O sol, já chegando ao entardecer, insidia sobre as folhas, fazendo com que a iluminação ficasse um verde alaranjado. Em poucas horas o sol estaria se pondo e sabia mais do que ninguém que teria que sair da floresta antes que isso acontecesse, afinal era a noite que os animais saíam em busca de comida.
Com muito custo chegou ao imenso paredão, aqueles metros que caiu pareceu durar eternamente, e seus efeitos estavam durando até agora. Leonardo olhou para o ninho de galhos onde repousava o livro, se perguntando com o tiraria daquele lugar, estava bem próximo ao barranco e um salto para pegá-lo acarretaria em outra queda, e com certeza disso ele não precisava, já bastava uma que quase o matou.
- Será que isso é forte para agüentar o meu peso... – disse segurando um cipó que estava ao seu lado.
Era grande o suficiente para balançar até o livro e voltar para o lugar onde estava. Parecia ser firme e resistente, era a única opção que lhe restava. Subir o morro estava fora de seus planos, seu braço o impedia de tamanho esforço, e os outros cipós ou eram frágeis de mais ou eram pequenos e mal chegariam à metade do caminho.
- Eu não sou tão pesado assim... bem que estou um pouco fora de forma... – disse segurando firme com a mão direita.
Deu uma puxada bem forte na corda improvisada, esperando algo acontecer, mas nada veio a não ser pequenas folhas caindo em seu cabelo bagunçado. Puxou pela segunda vez e nada. E puxou mais uma vez, a terceira, esperando que dessa vez fosse acontecer algo, mas decididamente nada ocorreu.
- É... – disse olhando para cima, procurando onde o cipó nascia. – Parece ser seguro, dá para ir...
Desistiu de procurar, a luminosidade estava se tornando fraca, e cada vez mais o sol se aproximava do horizonte.
Leonardo sabia que todas as suas respostas sairiam daquele livro, algo em seu interior o dizia. Ele ansiava pelas respostas que não conseguia encontrar. Principalmente como os garotos em seu sonho tomaram forma e surgiram entre aquele grupo de amigos. Era a coisa mais importante para ele neste momento: desvendar todos esses mistérios que estavam acontecendo há dois dias.
Pegou o cipó e foi para o lado oposto dos galhos onde estava o livro para pegar um impulso e conseguir chegar até lá em cima, respirou fundo como se fosse um atleta de ginástica olímpica preste a executar um movimento complicadíssimo. Mas aqui não havia nenhum júri para avaliá-lo, nem platéia para vê-lo, o que estava em jogo aqui não era nenhuma nota e sua própria vida. O livro estava muito próximo da ladeira seguinte e um movimento errado seria o fim, ele cairia novamente e desta vez não sobreviveria para descobrir todo o mistério.
O pensamento de seus pais veio a sua cabeça; sua gritando hoje logo pela manhã por causa de uma torneira quebrada, seu pai pacifico e tranqüilo. Mas o que mais ocupou seus pensamentos foi seu irmão Marcelo, queria viver, tinha que viver para poder dizer o que tinha para dizer para seu irmão. Mas tinha que ser feito, o livro tinha que ser pego o quanto antes, antes que a coité caísse e o deixasse ali sem aparo e proteção. Leonardo tinha certeza que alguma coisa o chamava, um arrepio e uma forte sensação o rondava, se somando a dor e a agonia; tinha certeza que a solução de tudo estaria ali, era só pegar o livro, como se fosse uma coisa simples.
Segurou firme, era agora... Os cortes, a roupa rasgada e o fato de estar segurando o cipó o fez sentir como um Tarzan Inglês, só restava gritar quando balançasse até pela clareira.
- É agora ou nunca... – pensou um pouco e completou. – Não gostei dessa frase, espero que a segunda opção não aconteça...
Segurou firme com uma mão apenas, o outro braço ainda estava apoiado em seu colo. Só poderia contar com uma mão e só teria uma chance de agarrá-lo, não teria forças para realizar o mesmo movimento duas vezes. Com um impulso puxou o cipó e empurrou seus pés de uma árvore, preparando para o ato de força, resistência e muita coragem. Aos poucos seus pés foram se soltando do chão, ganhando altura e velocidade.
Já estava no meio da clareira, a luz do sol vinha ao seu encontro. A velocidade estava cada vez maior. Suas forças estava se esgotando, já tinha dúvida se agüentaria até o final.
“Vamos, mais um pouco” pensava, enquanto formava a imagem do livro aberto em sua cabeça.
Já estava perto, a poucos metros de alcançá-lo e voltar para o lugar de onde saiu e poder repousar tranquilamente. A velocidade foi diminuindo e o cipó, juntamente com seu corpo preparava-se para voltar. O impulso não tinha sido o suficiente, ainda mais com o seu peso. Ele não ia conseguir alcançar o livro, e não conseguiria fazer o mesmo movimento. A corda chegou ao seu limite máximo, estando menos de um metro do ninho de galhos e folhas.
Então veio a única solução: soltar o cipó. Era uma solução extremamente arriscada, caso fizesse correria o risco de passar dos limites da clareira e cair novamente pelo outro barranco, mas não tinha saída. Não esperou que o cipó retornasse, então o soltou, se arremessando entre os galhos percorrendo o pequeno espaço que separava ele do bem que desejado.
Ele chegou mais perto ficando a centímetros de distancia, podia sentir a energia que vinha dele e uma voz ou um canto que o tranqüilizava, além das sensações que disparavam em seu corpo. Então o abraçou com os dois braços, segurando fortemente para que não houvesse o risco de soltá-lo e perde-lo na floresta. Seu corpo se arrepiou completamente com o contato e sua mão direita começou a formigar.
Leonardo não conseguia visualizar direito o que estava acontecendo, seu corpo caía por entres folhas que refletiam a fraca luz do sol e pelas flores amarelas. A única coisa que conseguiu avistar foi a clareira ficando cada vez mais próxima, mas algo estava errado.
A velocidade e o impulso foram muito maiores do que o previsto quando soltou o cipó, o garoto havia passado dos limites do pequeno lugar firme onde poderia descansar, e agora se dirigia para um novo barranco bem mais alto e com uma queda mais selvagem. “É o fim” pensou angustiado. Como um flash tudo veio a sua cabeça, sua família, seus amigos, seu irmão que amava tanto, a universidade. Tudo por causa de um sonho e um bendito livro. Se sua teimosia não fosse tanta em querer apanhá-lo agora estaria seguro, a espera de alguém que, com certeza, viria salvá-lo.
Como queria voltar atrás, mas percebeu que certas decisões não têm volta. Lembrou mais uma vez de seu irmão enquanto seu corpo despencava ainda ao ar livre, sem nenhuma rocha ou galho ralando em seu corpo, queria poder dizer aquilo que estava guardado para ele, esperando a hora certa chegar. O sol o iluminava no horizonte, agora mais próximo do crepúsculo, era como uma despedida fúnebre que o aguardava mais embaixo quando encontrasse o chão novamente.
Uma lágrima foi o que ocorreu em seguida. Uma lágrima, não de dor, mas de remorso por saber que não poderia ver novamente sua família e seus amigos, e que estaria se despedindo de vez desse mundo.
“Mamãe... Papai... Marcelo... Eu amo todos vocês” era a única coisa que pensava. De seus olhos caiam mais lágrimas de tristeza. Descia agarrado ao livro, e seu corpo próximo a encontrar o solo.
Aos poucos o vento e a velocidade da queda foi fazendo Leonardo perder a consciência, embora com o brilho fosco do sol ao entardecer tudo foi ficando escuro. As sensações estavam deixando de existir, suas dores estavam sumindo, e aos poucos seus olhos foram fechando.
Um brilho muito forte vindo de seu peito foi a única coisa que conseguiu ver, antes de sentir uma superfície macia e bem felpuda surgir por baixo, fazendo com que a velocidade diminuísse. Sentiu seu corpo sendo suavemente acolhido pela uma superfície confortável, o carregando cuidadosamente para um lugar seguro. Entretanto a dor intensa, as constantes sensações e as idéias desorganizadas em sua mente o fez desprender completamente do mundo real, afogando em seu subconsciente.


***


- Idiota!!! Eu te falei... Não devíamos ir pelo atalho, olha agora como estamos... PERDIDOS!!! – Lana gritava com Lukas, descarregando toda sua fúria em cima do pobre garoto.
- Ta bom, ta bom, me desculpe... Eu pensei ter ouvido o som da água e achei que por aqui chegaríamos ao lago mais rápido... – tentou se defender.
- Pensou!? Pensou!? Francamente... Olha o que seu pensamento e seu “achei” trouxe a gente...
Lana gritava a cada passo que davam rumo ao desconhecido. Se surgisse uma fera ali com certeza ela não os atacaria, seria coagida pela raiva e descontrole da guardiã.
Estavam perdido a quase três horas, não viam sinal de lago nem do garoto que procuravam. Embrenhavam-se cada vez mais pela mata virgem, a procura da saída ou do garoto, que supostamente seria o novo Card Captor.
Renato e Marine não falavam muito, não estavam com raiva, pelo contrario riam entre os dentes dos ataques de fúria de Lana e pelo modo que os guardiões se atarracavam.
O sol estava para se por, o crepúsculo estava em seu estágio final, em poucos minutos, a noite chegaria e eles ali, no meio daquela floresta, sem nenhum tipo de ajuda ou kit de sobrevivência; se sentiram como os quatro irmãos do Conto da Floresta, perdidos, em busca do caminho de casa, ansiando por um caminho que os levasse para fora. A busca pelo garoto havia perdido sua importância, o que prevalecia agora era sair daquela selva. Os boatos não eram sobre coisas boas, e a cada passo que davam encontravam uma armadilha. Por pouco Lukas, não pisou em uma ao se disparar na frente de todos para procurar, sem sucesso algum, o caminho certo.
Marine não dizia muita coisa, além do mais, com os gritos de Lana se tornava impossível dizer algo, mas estava preocupada com o que pudesse acontecer com eles. As cartas que tinham, Vento e Chuva, talvez não os ajudassem muito nessa situação. Manteve-se calada por muito tempo, comentou algumas coisas com Renato que agia da mesma forma. O frio estava tomando conta do seu corpo. Sentia estranhas sensações que a deixavam arrepiada.
- Será que é verdade...? – perguntou para Renato.
- O que? – respondeu de costas para a garota.
Renato estava atento a cada passo que davam, estava na frente conduzindo o grupo, mas sem nenhum sucesso, não conseguia encontrar a trilha muito menos o outro garoto. As vezes via-se como inútil, mas não sabia de onde encontrava forças para continuar.
- Que a floresta é mal assombrada como o povo diz...? –perguntou enquanto retirava uma blusa de frio e se agasalhava com ela.
- Você acredita nisso Marine? Nessas besteiras de assombrações e espíritos atormentados que o povo conta? – devolveu a pergunta rindo.
- Bom, deixe-me pensar...
Fez um gesto como se mergulhasse em uma profunda concentração, colocou sua mão no queixo, esfregando-o. Olhou para cima, como os olhos vagos e continuou com um tom sarcástico.
- Humm! Primeiro tenho um sonho esquisito. Depois algumas coisas acontecem, como as pessoas que estavam no meu sonho começarem a surgir de repente, uma báculo e uma guardiã sair de um livro e por fim uma carta com poderes mágicos causar um temporal que quase destruiu o meu bairro... – Olhou para Renato que agora mantinha os olhos fixos nela. – É... eu acredito sim nessas histórias que o povo conta. Comparado ao que aconteceu isso é fichinha...
- Ta certo, você tem razão linda...
Renato não soube como, mas as últimas palavras escaparam de sua boca. Ficou completamente vermelho, agradeceu por estarem naquela penumbra e não poderem notá-lo.
- Depois do que aconteceu com a gente, acho que não podemos duvidar de mais nada. – acrescentou virando-se rapidamente, retomando a direção do grupo.
Continuaram a seguir a procura da trilha, mas se viam cada vez mais perdidos e encurralados pelas árvores. Todas pareciam iguais aos seus olhos, nenhum era especialista no assunto e por várias vezes passavam pelo mesmo caminho. Andavam em círculos, estavam completamente perdidos.
Não demorou e a noite surgiu, encobrindo o crepúsculo alaranjado, fazendo a penumbra dar lugar a escuridão, no céu as estrelas já haviam preenchido toda a imensidão, a lua estava um pouco fosca, parecia que nada ajudava nessa hora. Além de estarem perdidos, não havia luz para continuar andando.
Lana parou de discutir com Lukas havia algum tempo, agora estava agarrada a ele com frio. Marine comentou que a raiva da garota era passageira, não conseguia ficar com raiva de uma pessoa por muito tempo. Essa era uma das qualidades mais apreciadas da garota, “Não consegue guardar rancor” dizia Marine bem baixo, para que apenas Renato a escutasse.
Renato seguia a frente com o apoio de todos, mas nada de lago, nada de trilha e nada de saída. Marine seguia atrás dele e a frente dos guardiões que observavam tudo atentamente e se posicionavam em ataque a qualquer ruído suspeito.
- Acho que é melhor pararmos por aqui... – disse Renato. Foi a única solução que lhe veio. – A noite está bem mais escura hoje, e podemos nos perder mais...
- Está falando para a gente passar a noite aqui!? – exaltou Marine.
- Ele tem razão Marine. – Lana colocou a mão em seu ombro. – Com essa escuridão vamos só conseguir nos perder ainda mais. E ainda por cima, ficar andando por aí à noite nos tornaria uma presa muito fácil...
- Quando amanhecer nós retomaremos e sairemos bem rápido daqui, não se preocupe. – Concluiu Lukas.
- Mas será que não é perigoso ficarmos aqui...? - perguntou ela para os guardiões, ainda em dúvida sobre a proposta deles.
- Bem... Perigoso é, mas... – começou Lukas...
Mas Lana o cortou como sempre fazia, o que deixava furioso.
- Mas não se preocupe, o Lukas e eu ficaremos atentos e protegeremos vocês... temos nossos artifícios... – disse piscando para o outro guardião.
- Está bem... confio em vocês... – Marine disse sorrindo para eles, mas por dentro estava muito preocupada, não sabia que artifícios eram esses e se realmente os protegeriam dos perigos da noite.
- Vamos dar uma olhada aqui em volta para ver se esse lugar é realmente seguro... – disse Lukas.
- Vamos aproveitar e buscar um pouco de madeira para fazer uma fogueira. – completou Lana.
Os guardiões saíram juntos na mesma direção. Sumindo por uns instantes.
Marine se sentou próximo a uma árvore, repousando seu corpo, exausto de tanto caminhar, nela. Esticou seus pés que estavam doloridos e se abraçou ainda mais, tentando se esquentar por causa do frio. Colocou a mochila ao seu lado, retirando de dentro a Carta Sakura e a colocou sobre seu colo. Estava preparada e atenta caso algo acontecesse.
- E em mim...? Você confia...? – Renato a surpreendeu, retirando sua jaqueta e colocando-a em volta de seu corpo para poder aquecê-la mais... Olhou com os olhos fixamente aos de Marine.
- É claro que confio... que pergunta Renato... – respondeu tentando desviar do olhar do outro. Estava ficando corada com a situação, mas a escuridão impedia que ele pudesse vê-la assim.
- Não parece... – disse sem mover um centímetro, ficando frente a frente.
- Mas eu confio sim... e muito. – replicou com a voz mais suave. – Não duvide disso...
- Ta bom, não duvidarei mais. – também disse com a voz mais suave, quase sussurrando...
Renato notou que se aproximava cada vez mais, ficando frente a frente, fitando os olhos e sua face da garota. Ficou mais vermelho que antes, a aproximação deles sempre causava isso. Deixava se levar em uma viajem que parecia não ter fim, rumo ao desconhecido; perdido no mais profundo subconsciente, desconectando-se do tempo real e perdendo-se no seu olhar castanho, meigo e enigmático da garota. Seu corpo dissipava sensações estranhas, seu rosto corava e seu coração disparava de ansiedade.
Saiu de perto dela o mais rápido que pode, encobrindo seu rosto na vasta escuridão da noite. Nos momentos seguintes ficou a analisar o céu estrelado e as nuvens que vagavam ao desconhecido, guiadas pelo vento. Como queria estar sendo guiado para longe dali, de volta para sua casa, longe da presença de Marine... Ela o deixava completamente desconcertado e não tinha nenhuma explicação para isso.
- Acha que encontraremos a saída pela manhã...? – perguntou Marine, afastando-o de seus pensamentos desconexos. – E se nos perdermos mais...
- Não se preocupe Marine... – Renato virou-se sorrindo para a garota. – Amanhã todos nós estaremos descansados e inteiros de novo... E com as energias recuperadas será mais fácil sair daqui.
- Estamos totalmente presos nessa floresta, é como uma prisão de folhas. Irônico né?
- Eu diria que somos reféns dela. Não sei por que, mas parece que ela quer nos impedir de sair daqui. E mais...
- O que? – perguntou curiosa, fitando-o com surpresa.
- Parece que... Tem algo mais... Alguma coisa que ta nos impedindo de sair. Eu não sei bem o que é, mas posso sentir... – olhou para o céu meio estrelado, um pouco confuso. – Deu para entender?
- Deu sim... Eu... Também estou tendo a mesma sensação...
- Mas não se preocupe... Amanhã você estará em casa, cuidando das suas flores. Eu te garanto! – disse sorrindo, fechando o punho e virando-se novamente para a garota, deixando de lado o céu meio fosco.
Marine concordou com a cabeça, sorrindo da forma encantadora que sempre fazia, passando as mãos pelos cabelos e agitando-os suavemente. “Como ela é linda...” era uma das poucas coisas que a cabeça de Renato conseguia captar em um momento daqueles.
Marine fechou os olhos e escorou sua cabeça no troco da árvore e descansou um pouco, o dia havia sido bem desgastante e estava demorando a terminar. Pensava em sua família, com certeza seus pais estariam preocupados com ela, disse que voltaria mais tarde, mas não tão tarde como já estava agora.
- E o Leonardo...? Como vamos encontrá-lo agora? – Perguntou com os olhos ainda cerrados. - Ele já deve estar em casa...
- E com o livro ainda por cima... – respondeu Renato, enquanto procurava por algo na pequena clareira.
Demarcou com um círculo um espaço no chão, em seguida colocou algumas pedras em volta.
- Mas acho que o encontraremos logo, estamos com a mochila dele, com certeza ele deve precisar de alguns papeis que está lá dentro. – disse continuando a mexer nas pedras. – Acho que amanhã mesmo falamos com ele, meu celular está lá dentro e com o número da minha casa, ele deve ligar...
- Falando em celular... Que falta de sorte o meu ter acabado a bateria na palestra hoje cedo, e também esse garoto não tem nenhum dentro da mochila... Que mundo será que ele vive...? – disse rindo. Observava Renato recolher aquelas pedras e colocá-las no circulo. – O que você está fazendo!?
- É para a fogueira... Se outros voltarem com madeira... Não tenho muita certeza...
- Não conte com os ovos que a galinha ainda não botou! – disse Lana surgindo do nada no meio das árvores, com um ar de vitória.
Carregava em suas mãos alguns galhos que serviam como lenha para uma fogueira, tinha alguns cortes, mas eram apenas superficiais. Lukas surgiu logo atrás carregando alguns galhos, bem mais do que a garota tinha nos braços. Estava mais soado e seu fôlego escasso, seu peito subia e descia velozmente...
- Eu escutei o que você disse Renato! E está aqui a madeira... – exclamou Lana, enquanto as depositava no lugar indicado por Renato.
- O que houve Lukas? Parece muito cansado e abatido... – Perguntou Renato, um pouco preocupado, nem deu importância ao comentário que Lana fazia com Marine.
- Não foi nada... Aquela louca me passou um susto e me fez correr como um condenado. – exclamou apontando para Lana, que falava algo para Marine entre pequenas risadinhas. – Na certa está contando tudo para ela.
Renato tentou esconder a risada, afinal o estado do garoto era deplorável: cansado, soado e tremendo. Tentava imaginar a cena, nos gritos que Lukas deve ter dado e nos tombos que levou.
- Não tem graça... – disse Lukas fechando a cara para o amigo. – Acho que você teria feito coisa pior se fosse com você, assustado do jeito que é...
O guardião não terminou de dizer a frase, suas expressões mudaram completamente, e rapidamente ficou em posição de guarda. Seus olhos não se concentravam mais em um lugar fixo. Lukas olhava para todos os lados, com uma cara séria, e os olhos cerrados a procura de algo. Renato ficou se perguntando o que teria acontecido, por que o amigo estava agindo daquela forma. Mas a resposta veio sem ele precisa perguntar. Seu corpo sentiu aquela estranha sensação que já havia sentindo duas vezes. A sensação de que alguma coisa estava perto, e que os olhava, vigiava. Seu corpo se arrepiou todo e assim como Lukas também se pôs de guarda, procurando atentamente para todos os lados.
Do outro lado da fogueira, onde estavam as meninas, não se ouvia mais nenhuma gargalhada e nenhuma conversa. Lana também já estava em posição, à procura. Marine já estava de pé novamente, mesmo que para ela isso fosse novo já entendia muito bem o que estava acontecendo. Procurava atentamente para os cantos onde estavam e Lana olhava para o céu.
- É uma Carta Sakura? – perguntou Marine, ainda na dúvida, apesar de que a sensação que estava sentindo foi a mesma de quando viu pela primeira vez a carta da chuva.
- Isso mesmo! – respondeu Lana, com uma firmeza e seriedade desconhecida até então por Marine. – Está por aqui... Em algum lugar...
- Mas será que dá para saber qual é? – replicou a garota, procurando sem saber ao certo do que se tratava por uma bifurcação a sua direita.
- Não há como, todas possuem a mesma magia do criador. Apesar de assumir diferentes entidades, a magia delas tem a mesma essência.
- Tomara que não seja uma carta monstro ou fantasma...
- Não... – Lana sorriu. – Não existem cartas desse tipo... Alguma coisa Lukas? Conseguiu ver alguma coisa por aí?
- Não... Até agora nada... – Disse se afastando um pouco de Renato para poder checar uma entrada logo adiante. – Mas está perto... E se aproximando...
O silêncio agora tomava conta de todo o ambiente, nada se escutava além dos estalos dos gravetos que foram lançados à fogueira. E esta, por sua vez se esmaecia a cada segundo, ofuscando ainda mais a visão de todos, mergulhando a clareira em um breu profundo.
- Parece que está vindo dessa direção, – apontou Lukas para a entrada que olhava – vou dar uma olhada...
- Tome cuidado Lukas... – disse Marine, ainda um pouco confusa. – Qualquer coisa chame a gente...
- Não se preocupe Marine, ele sabe se virar. – replicou Lana ainda de costas para a garota procurando pela carta.
Lukas adentrou pela floresta em busca do que procurava, e a cada passo que avançava era mais forte a presença da Carta Sakura, vindo logo à frente. Lukas escutava ainda bem audível os comentários de Marine e Lana a respeito de qual carta poderia ser. Particularmente ele achava que não seria muito agressiva.
- As cartas agressivas tem hábitos diurnos...
Disse, mas ninguém o escutou, disse para si mesmo. Era um hábito de Lukas, desde a última caça pelas cartas possuía essa estranha mania de falar sozinho.
- Pessoal, venham por aqui, ela está por aqui, eu tenho certeza, está bem próximo agora...
Lukas sentiu-se estranho, seus pés soltaram do chão, sua visão se escureceu totalmente e seu corpo começou a ser envolvido por alguma coisa que nunca sentiu antes. Era frio e ao mesmo tempo sufocante, sentiu o ar faltando aos seus pulmões e uma dor seguiu em seguida em sua cabeça.
- Mas o que é isso...!
A “coisa” estava o aprisionando em uma espécie de esfera negra, fria e viscosa. Quanto mais tentava se solta mais preso ficava, como uma vespa tentando se soltar da violenta ação da seiva de uma árvore, era assim que se sentia: indefeso e inevitavelmente refém da massa negra.
Lukas não estava conseguindo resistir mais, então, como último ato, reuniu todas as forças que tinha para expulsar o pouco de ar que restava em seus pulmões na forma de palavras.
- Pessoal!!! Aqui!!! Eu a encontrei, está aqui...! Rápido!!! É a carta da...
Lukas não conseguiu terminar a frase. A massa negra o cobriu completamente, tirando todas as suas forças, estava totalmente preso e o pior, nada que fizesse conseguiria sair dali, pelo contrario iria se prender mais.


Bem... Depois que começou a facu fiquei sem tempo... Você não tem vida, tem faculdade...
Tudo bem, aqui está a continuação do arco 4, que promete muita ação... aguardem novidades...
Esse capítulo não poderia deixar de ir para três pessoas em especiais: Fernando, Leandro e Victor. Os três caras com quem eu falei primeiro na univerisdade.

Paulo M. Goulart



Cards Infinity
O Lago de Cristal
Capítulo 11
Perdidos no Frio da Noite
Paulo M. Goulart ©2007 – 2008
Finalizada em 04 de Maio de 2008

Cards Infinity – O Lago de Cristal
TryMax ©2008
Paulo M. Goulart ©2007 – 2008
História Original: Clamp ©1996; Japão
Alguns nomes e imagens são de autoria do Estúdio Clamp e possuem direitos autorais reservados as autoras. Os demais nomes, tipologias e símbolos são de direitos autorais do autor desta história

Brasil, 2008
Paulo News
Capítulo 10
O Desfiladeiro da Raposa
Paulo M. Goulart, ©2008

Palmas, assovios exaltados e olhares de confirmação, de que apreciaram o conto de Lana, surgiram entre eles. Os garotos presentes ficaram satisfeitos com o desempenho da garota e antes que pudessem dar os parabéns Lana ainda continuou.
- Essa história é de um antigo mag... ai. – deu um pequeno grito quando Lukas deu uma cotovelada em sua barriga. – Red... Clow Red... “ai” “ai” – exclamou bem baixo para que ninguém pudesse ouvi-la.
Renato quis rir da cena, era engraçado ver como Lukas e Lana se entendiam tão bem, cada vez se surpreendia mais com os assuntos desconexos da garota e como Lukas a controlava; e esta por sinal tinha nele um grande amigo, pois nunca brigaram pelos atos que o Guardião faz com ela. Não era por menos se conhecem a anos, teria que ser uma amizade solida e concreta. Estava compreendendo, com a ajuda dos amigos, o que era uma amizade real; essa não era sonho, existia e ficava mais forte a cada dia que se passava.
Todos ainda estavam em volta da garota perguntando-lhe varias coisas: se os garotos eram bons ou maus, se conseguiram voltar para casa, se foi real... Mas Renato tinha os olhos apenas para a pessoa sentada ao lado, atenta e entusiasmada com o que a amiga explicava: Marine. Como seus cabelos eram lindos, pensava. Como podia ser tão linda e ao mesmo tempo ter um gênio tão complicado. Não sabia ao certo o que estava acontecendo com ele, mas sentia a necessidade de estar perto, poder tocá-la, sentir seu calor, o seu perfume. O que estaria acontecendo com ele, eram as perguntas que não deixava Renato em paz. Agora, alem das Cartas Sakura, havia mais algo que prendia sua atenção, mais algo que o deixava sem sono nas noites.
Sua atenção foi logo cortada quando viu mais a frente dos garotos uma mão pegando uma das mochilas jogadas no monte. Percebeu instantaneamente que era a mochila idêntica a sua. Olhou para os lados, mas não o encontrava. Marine ainda admirava Lana explicando pela terceira vez o seu conto a uma garota que insistia em colocar defeitos e contestá-la; Lukas estava ao lado dele, porem de olhos fechados, concentrava-se em alguma coisa, nem quis atrapalhá-lo com isso.
Ao virar-se encontrou Leonardo em pé conversando com Lúcia, estavam do lado oposto à saída. Se saísse com certeza passaria por ali e seria notado por eles, pensou Renato, retornando sua atenção para Marine: contemplando-a a cada sorriso e agito nos cabelos.
Decorridos alguns minutos de discussão os garotos retornaram ao seu lugar para um novo conto começar entre eles. Lana ainda falava mal da garota que teimava em dizer que não havia sentido uma floresta em cima de um desfiladeiro e Lana replicava a tudo, sem se importar com o que pensasse dela. Para Lana aquilo era uma ofensa, se considerava uma excelente contadora de estórias, tinha encontrado ali entre esse grupo diferente o seu lugar.
- Bem pessoal, vamos continuar com os contos...? Deixem as discussões para depois, acho que nossa querida Lana irá sempre nos lisonjear com sua presença... – disse o garoto baixinho – Agora será o Leonardo... Para onde ele foi!? Ele estava aqui agra mesmo. Para onde pode ter ido...? – Disse Gabriel procurando para todos os lados.
- Ele foi embora... – respondeu Lúcia – Disse que estava com fome. Mas também né Gabriel, já passou da hora do almoço – disse consultando o relógio – é quase duas horas. E você sabe como ele é... se passar da hora de comer fica desesperado...
- É... Comida é uma das cinco necessidades do Leonardo, somando com dormir, patinar, estudar, ler e ir a um parque de diversões...
Lúcia e Gabriel discutiam sobre quem seria o próximo a contar estórias, ambos indicavam nomes diferentes e era quase impossível se entenderem, não havia nenhum consenso e muito menos acordo. Lúcia insistia que os convidados contassem mais um conto para depois vir um contador da grupo deles.
Renato ainda procurava vestígios do garoto, mas nada encontrava. Marine também fazia o mesmo, olhava em todas as direções procurando, chegou a perguntar uma garota para onde ele tinha ido e por onde tinha passado. Enquanto a garota explicava para Marine, Lukas e Lana não se importavam com o que tinha acontecido, estavam atentos e vigilantes a cada som que irrompia da floresta, viravam as cabeças constantemente procurando por algo.
Então os guardiões se levantaram ao mesmo passo que os Card Captures. Todos partiram de seus lugares encontrando todos na saída, no estreito corredor arbóreo. Lukas fazia gestos com cabeça para Lana e ela assentia e continuava a procurar por algo. Marine chegou com as respostas de Renato.
- Ele foi para casa dele... fica do outro lado da floresta...
- Mas como não o vimos sair? Estávamos todos atentos... menos a ela... – Renato disse apontando para Lana, que ainda tentava despistar a garota que ainda a contestava por causa do conto.
- Ele mora do outro lado da floresta como eu disse... Por isso ele atravessou ela pelo outro lado. Por isso não o vimos sair... preocupamos tanto com a saída e acabamos nos esquecendo do resto...
- Mas nunca íamos saber que ele ia fazer isso... – disse Lukas. – Mas será que não é perigoso atravessar essa floresta...? Parece ter muitas coisas perigosas aí dentro.
- Bem, parece que ele já está acostumado. A Garota que me contou disse que ele faz isso direto e nunca aconteceu nada...
Lana se juntou ao grupo depois de alguns minutos, estava pondo um fim na discussão com a arquiinimiga que acabara de conseguir. Renato se adiantou e contou para ela o que tinha acontecido: haviam perdido o garoto de vista mais uma vez, já era a segunda naquele mesmo dia. Lana culpou Lukas por não estar prestando atenção e a Renato por ter perdido ele de vista estão sentado do seu lado.
- Já disse... – exclamou Renato com um pouco de irritação. – Ele saiu pelo outro lado, entrou pela floresta para ir embora... O que queria que eu fizesse...? Só se tivesse olhos na cabeça...
- Mas você tem... – Marine tentou fazer uma piada, tentando dissipar aquele pesado clima entre eles. – Um par ainda... Que por sinal são bem lindos...
Renato ficou um pouco vermelho com o elogio de Marine, foi o suficiente para eliminar toda sua fúria, suas palavras e suas mãos tinham um poder fora do comum para fazer isso. O garoto abriu um sorriso tentando esconder sua face rubra e deu uma pequena gargalhada e continuou.
- É... tenho um par sim, mas na frente e não atrás... Se eu tivesse, eu seria...
- Um monstro. Com certeza um mostro... além disso iria olhar mais ainda para Marine... – Lukas entrou também na brincadeira, deixando Lana de lado ainda contrariada com eles. – Você não tira os olhos dela...
Renato teve uma ânsia de avançar no pescoço do amigo e o fazer engolir as palavras que tinha dito, mas de nada adiantaria... elas já haviam saído, deixando sua face mais avermelhada. Marine também não ficou atrás, teve um pequeno susto e em seguida seu rosto corou, mostrando que também havia ficado sem jeito com a afirmação do amigo. Já estava se tornando algo constrangedor, os olhares dos amigos caiam sobre eles com pequenas risadinhas. Renato se esforçou para mudar de assunto, procurou e sua cabeça algo banal para poderem, ele e Marine, saírem daquela situação. Lana perdeu toda sua raiva e agora se divertia junto com Lukas ao ver o estado dos dois garotos, era engraçado ver como eles ficaram atordoados com a resposta de Lukas. Marine mudou de assunto, ajudando a Renato que, até então, não havia encontrado nenhum outro para substituir aquele tão constrangedor para eles.
- Bom... a gente vai ter que voltar para casa... – disse ela, menos vermelha do que antes.
- É. Não faz mais sentido ficar aqui. – concordou Renato. – Vamos para casa, estou com fome também e cansado. Procuramos por ele na semana que vem...
- Mas por que na semana que vem!? Ainda estamos na quinta- feira. Precisamos reunir os Card Captures para fazer um busca mais meticulosa pelas Cartas Sakura... – disse Lana se exaltado novamente.
- Mas não há como... – respondeu Renato. – Não sabemos onde ele mora... e na semana que vem começa as aulas na Universidade, dia 10 de fevereiro. Essas palestras e esses trabalhos iniciais são trabalhos de férias e a abertura do ano letivo, – explicou percebendo a expressão intrigada da garota. – de fato as aulas ainda não começaram. E quando começar teremos mais chances de vê-lo pelos pátios do instituto.
- É mesmo, ele tem razão. – reforçou Marine. – É melhor irmos embora. Preciso tomar um banho e comer alguma coisa... Estou morrendo de fome.
Lana e Lukas não discutiram após os argumentos dos garotos, apenas deixaram se levar pela mesma vontade que os seguiam, a fome.
Marine e Lukas foram até a grande pilha de mochilas e pegou a sua e Lukas pegou a do Renato, que estava um pouco pesada. Levaram até eles e se dirigiram para mais perto da saída.
- O que você leva aqui dentro Renato...? tem uma coleção de pedras na sua mochila? Está muito pesada, que isso...? – disse atirando-a para o garoto.
- E olha que hoje eu nem trouxe todos os meus livros, apenas os da palestra de química, para poder acompanhar o que eles diziam... – disse ao garoto, mas curvou-se um pouco quando a segurou. – Nossa... Está pesada mesmo... Não me lembro de estar assim quando eu saí. Acho que coloquei menos livros.
Renato abriu com curiosidade sua mochila para se certificar que era a sua. Puxou o zíper que guardava o compartimento de livros. Havia inúmeros livros com papeis amassados e alguns panfletos que haviam sido empurrados a força para caberem ali dentro. Suas suspeitas se confirmaram, Lukas pegou a outra mochila do monte e não a sua...
- Essa não é minha mochila Lukas... Você deve ter confundido, tem outra igual aminha lá, eu vi quando eu entrei e deixei lá.
- Você deve estar enganado... Só tinha essa lá. Não tinha nenhuma outra igual a sua... – replicou Lukas. – E Marine ainda me viu revirando todas elas, por que a sua estava bem no fundo...
- Mas eu a deixei por cima de todas... Não foi Marine...?
- Foi... – respondeu ela – Eu achei estranho estar no fundo porque tinha visto você deixá-la perto da minha...
- É bem simples... – disse Lana pegando a mochila das mãos de Renato, estremecendo um pouco com o peso. – Vamos perguntar de quem é, talvez o dono dela esteja aqui e tenha pegado a sua por engano...
- É mesmo... pergunta aí Lana – disse Lukas já mostrando um pouco de preocupação na voz.
Lana voltou mais para dentro do circulo de garotos, onde um novo conto havia se iniciado. Uma menina meio redonda estava em pé contando um conto que parecia ser sobre vampiros. Lana colocou sua mão em seus ombros, pedindo sua atenção.
- Me desculpe... Posso lhe atrapalhar um pouquinho? Vai ser bem rápido... – pediu Lana.
A garota confirmou com um sim, balançando a cabeça e sorrindo sinceramente para ela.
- Me desculpem todos vocês... Mas, quem tem uma mochila igual a essa? – perguntou estendendo a mochila, com um pouco de força, na frente dos garotos.
Todos ficaram em silencio, mas curiosos...
- É que havia outra igual a essa ali no monte. O dono dessa aqui – disse apontando para o objeto – deve ter se enganado e pegado a outra, a que pertence ao meu amigo.
- Perai!? – Gritou uma voz no meio da roda. Eu conheço essa mochila... – Lúcia chegou mais perto de Lana – É do Leonardo...
- Como é...!? Do Leonardo...? – Uma voz surgiu atrás deles, Renato emergiu subitamente pela trilha, trazendo, colado logo atrás, Marine e Lukas. – Então ele deve estar com a minha...
- Mas acho que dá tempo de você o alcançar... – Ele disse que passaria em um lago que fica na próxima clareira para pegar uma espécie de planta para estudar. Acho que ele deve estar chegando lá e até encontrar a planta vocês terão tempo de alcançá-lo.
- Por onde ele foi? – perguntou Marine.
- Por esse caminho aqui... - Lúcia apontou para uma trilha não muito usada, mas havia sinal de invasão por ali, pequeno e quase imperceptível. – É só vocês segurem essa pequena trilha que o alcançarão no lago.
- Vamos...? – Lana perguntou.
- Vamos, - respondeu Marine – temos que alcançá-lo antes de sair do lago. É melhor corrermos...
- Além tem algo que está lá dentro que... – Renato não concluiu e seguiu até a pequena trilha. – Vamos logo... – acenou com o braço chamando a todos.
Todos o seguiram até a entrada. Lana foi a última a sair de onde estavam, agradeceu Lúcia pela informação e está retribuiu com um convite à garota.
- Volte mais vezes Lana... Você é uma ótima contadora de Estórias...
- Obrigado... Eu gostei muito daqui e de todos vocês... Voltarei assim que puder... – Lana sorriu e apertou a mão de Lúcia. – Bom, agora tenho que ir. Até mais...
Lana entrou pela rilha, encontrando seus amigos logo a frente discutindo sobre a mochila que estava no poder de Leonardo. Pegou a conversa pela metade, mas soube do que se tratava.
- ...tem o que dentro dela? – perguntou Marine, arrancando um pouco de galhos que enganchavam em seu cabelo.
- Lá está o livro mágico... – respondeu ajudando a garota a retirar os galhos. Por sorte a Carta Vento e a chave estão comigo.
- Também... A chave e Carta Chuva estão comigo também... Lana me aconselhou levá-los para todos os lugares, talvez uma carta surja do nada... Também disse para eu escrever meu nome nela para obedecer só a mim, senão se libertaria de novo e... Não quero nem pensar, já bastou por ontem...
- Bem lembrado Lana. Esqueci de dizer isso ontem, ainda bem que você se lembrou...
Lana lançou um olhar mortal a Lukas, qualquer ser que pudesse ver ficaria com medo, até mesmo o mais feroz dos animais. Em seguida fechou o seu punho e bateu com força na cabeça de Lukas, fazendo cambalear para o lado clamando de dor.
- O que pensa que eu sou!? – disse exaltada. – Uma retardada...? Sou uma guardiã assim como você... É lógico que eu sei que a dono tem que escrever o nome na carta, para poder obedecê-lo, não sou lezada... Imbecil...
- Calma, calma... me desculpe... Eu só agradeci por você ter dito a ela... – Lukas respondeu com as mão na cabeça. – Não quis dizer que você não sabia...
- Mas disse!!! – gritou Lana
- Ei, ei, ei... Parem vocês dois. Temos que alcançar o Leonardo antes que ele saia da careira e vá embora... – Marine interveio
- Ela tem razão... se perdermos ele hoje as coisas ficarão mais encrencada do que já estão... – Renato também se colocara no meio, ajudando a conter o gênio difícil desses dois guardiões.
- Ta bom. Vocês têm razão... – Lana a baixou seu tom de voz e seguiu a frente de todos. – Mas pense antes de dizer besteiras Lukas... Era só o que me faltava... – continuou resmungando até virar a uma curva a direta deixando os outros para trás...
- Ei espere pela gente... –disse Renato.
Todos seguiram a garota, ainda emburrada, pela pequena trilha, atravessando uma selva que parecia não ter fim. Invadiram mais a fundo, a sombras ficaram mais densas, os ruídos silvestres se atenuaram e escutavam os sons dos grilos, pássaros, , rugidos, galhos se quebrando, folhas se mexendo e caindo... As vozes dos contadores de contos desapareceram atrás deles...


***


- Bromelus cuniatus... Onde vou achar isso...? – Coçou a cabeça fazendo uma cara de descrença. – Será que tem aqui nesse lago...
Leonardo havia chegado a algum tempo no lago, cruzou por um pequeno atalho para que chegasse mais rápido. Colocou sua mochila perto de uma árvore, sentando ao seu lado. Do bolso, entreaberto, tirou uma folha de papel com uma lista de plantas que pegaria para seu estudo de Botânica nesse semestre.
Ainda estranhava o fato de sua mochila estar tão leve, mas concordou em ser apenas impressão, também considerou o fato de entregar alguns livros para Lúcia antes de sair. Porém, o que mais achou estranho foi ela estar por cima das outras. Pelo que lembra foi um dos primeiros a colocá-la naquele monte, mas talvez pudessem ter revirado, e assim ela talvez tenha ficado por cima das outras. Eram as respostas que despendiam rapidamente de sua cabeça. Para tudo era assim, procurava uma resposta para cada nova questão que lhe surgia na cabeça, era muito difícil deixar uma com meias palavras.
Contornou o lago reparando em sua água, meio esverdeada, mas era possível ver no fundo alguns peixes e outros animais aquáticos que não soube o que era. Ficou um bom tempo contemplando essas espécies enquanto circulava o perímetro a procura da Bromelus cuniatus. Sua atenção foi desviada pelas vitórias-régias mais ao centro, algumas eram enormes; “Acho que me agüenta”, pensou. Seguindo em frente se deparou com um arbusto bem florido encrespado no topo de uma ladeira, seus espinhos, grandes e secos, saltavam para todos os lados, as folhas tinham o formato de estrelas e suas bordas serrilhadas. Leonardo olhou em sua lista e para planta. E um vislumbro de alivio aflorou em sua face.
- Achei!!! – gritou alto – Nem pensei que conseguiria... Pensei que tivessem me zuando quando me disseram que tinha isso aqui – disse contente por encontrar o que procurava...
Colocou a mão livre em seu bolso traseiro procurando um saco plástico para que pudesse recolher uma muda da espécie, mas nada alem de papel de balas e lembretes inúteis estavam ali. Sua mochila, do outro lado do lago foi imediatamente fitada pelo garoto. Contornou de volta o lago até a árvore, observando sua mochila estranhamente mais leve, suas alças foram erguidas e ele a colocou em suas costas, olhando mais uma vez a lista e a pequena imagem da planta após o lago e no topo de um barranco.
Pela terceira vez fez o mesmo trajeto contornado o lago e seguindo mais adiante. As vitórias-régias haviam se deslocado mais para a margem. Leonardo teve que se segurar para não pular em cima de uma delas, tinha que tirar sua dúvida: agüentaria seu peso?
A planta novamente se refez aos seus olhos. Ao chegar mais perto percebeu que seus espinhos eram mais pontiagudos do que vira ao longe, e suas folhas mais serrilhadas e mais estreladas. Suas flores eram amarelas e agora que estava percebeu que exalava um perfume enjoativo, mas lhe fazia arrepiar até o último fio de cabelo. “Não dá para perceber as coisas de longe”, pensou observando como tudo era mais especial e exótico do que viu antes.
- Pelo visto você é uma das agressivas. – passou o dedo por uma folha, reconhecendo sua face peluda e as serras na borá bem afiadas. – E parece ser afrodisíaca também, com esse cheiro... – riu, mas logo fechou a cara, o perfume se intensificou mais.
Percorreu os arredores do arbusto procurando por um lugar de onde pudesse ser retirada uma muda, mas estava difícil. A todo lugar que se olhava estava infestado de espinhos ou então não servia para ser retirada, morreria logo em seguida. Circulou-a mais de três vezes até que encontrou um lugar, bem no centro, que daria uma ótima muda. Voltou para sua mochila; os sacos que não estavam em seu bolso traseiro deviam estar nos bolsos laterais da mochila.
Virou-a trazendo para frente, encostando-se a seu peito. O zíper, laranja, estava meio emperrado.
- Esse zíper nunca deu problema... – disse puxando com impaciência – Por que agora vai dar...
O zíper finalmente abriu, mas os sacos que procurava não estavam ali dentro. Havia papeis de pesquisa, lapiseiras, canetas douradas e prateadas usadas como marcadores e uma tabela com uma lista de símbolos que logo reconheceu serem elementos químicos. Tinha também um telefone celular, meio arranhado e grandes marcas de danos em alguns pontos, no visor, alem da data, hora, transmissão e menu tinha no auto o nome do seu dono.
- Renato Kazushi? Mas quem é esse...? Não conseguia se recordar de nenhum amigo com esse nome.
Recolocou o celular no bolso e voltou a observar o arbusto, girou em sua volta até ficar de costas para o barranco, lá embaixo havia apenas mais mato e mato.
Abriu o zíper principal para ter certeza do que imaginava, e assim foi. Não encontrou nenhum dos seus livros, tampouco seu papeis com anotações e rabiscos. Sua mochila tinha sido trocada, e ele na pressa de ir embora nem percebeu a troca.
Outros livros estavam guardados no interior da bolsa, estavam mais organizados que os seus e os papeis com anotações estavam dispostos de forma a facilitar a sua busca. Foi retirando uma a um os livros do interior.
- Pelo visto o dono dessa mochila estuda química, só tem livros disso aqui... – disse analisando os primeiros livros tirados.
Devolveu ao seus lugares de origem e retirou mais uma remessa, novamente com o mesmo assunto, geral: química. Eram na maioria cálculo químico e poucos tratavam de assuntos adversos, como a química orgânica e a eletrosfera.
- Será que o dono dessa mochila não tem nenhum saquinho aqui dentro...? Assim eu poupo meu trabalho de voltar depois... – disse revirando tudo, tornando bem o seu estilo meio desorganizado.
Passando os dedos sobre os papeis e os livros notou a presença de mais um escondido entre vários papeis, preso no tecido que forrava a parte de trás da mochila. Os entalhos na sua lateral aparentavam ser de capa dura e os detalhes revelavam grande luxo. Sua capa rosa e seu formato lembravam um caderno de anotações. “Um diário”, pensou ele. Mas não tiraria suas conclusões antes que pudesse vê-lo e, se de fato, fosse mesmo um diário não ousaria abri-lo.
No primeiro toque firme Leonardo sentiu um forte arrepio percorrer todo seu corpo, suas mãos adormeceram, seu olhos começaram a arder e do livro que mal segurava houve a liberação de faíscas vermelhas e um pequeno barulho saiu de dentro da mochila, onde o livro estava.
Olhou para os lados tentado disfarçar a sensação que sentia e tentar confundir o próprio corpo que tudo estava em ordem. Voltou os olhos para o livro, ainda preso em muitos papeis, e segurou mais firme dessa vez. A marca em sua mão ardeu instantaneamente quando começou a puxá-lo, por um momento pensou ser um brinquedo eletrônico: desses que davam choques em quem pegava. Foi erguendo devagar, revelando as figuras e formas que estampavam a capa rosada e luxuosa. Mais faíscas soltaram do mesmo lugar de antes, dessa vez Leonardo pode ver de onde elas saiam: do pequeno feicho que lacrava o livro. Seguindo de mais um estalo, soltando, por completo, o feicho que lacrava o livro.
O barulho da mochila caindo no chão não foi ouvido por ninguém, nem mesmo a pequena exclamação que soltou. O livro na altura de seus ombros lhe mostrava a imagem de quatro insígnias: o sol, o planeta, a lua e a estrela. Passou os olhos por todos, mas sua atenção se deteve apenas na lua, azul e com uma inscrição kanji na lateral; formada por duas circunferências dispostas uma dentro da outra, em extrema lateral.
Sua mão que soltou a mochila devido ao grande choque, pegou o livro, deixando a outra livre. Com os olhos atentos olhou do livro e para sua mão direita aberta na mesma altura do livro, da mão para o livro, do livro para a mão... Os símbolos eram fidedignos nem mesmo a inscrição se alterava em um traço.
Ajeitou em suas mãos segurando mais firme do que antes e não se importou com seus princípios de não mexer em coisas que não lhe pertenciam, havia algo mais em jogo, não se tratava apenas de mistérios a serem resolvidos, mas algo também o chamava, convidando a abrir o livro.
Como uma explosão, seu sonho de três noites atrás tornou a sua cabeça mais nítido do que poderia se lembrar. As perguntas que estavam dispersas em sua mente procurando por respostas começaram a encontrá-las. As estranhas faces que lhe pareceu família no clube dos contos viream a tona, se tratavam das mesmas pessoas que estavam em seu sonho; a cor do livro era a mesma da torre rosa e as figuras do verso tinham certa semelhança com os seres que surgiram ao lado dos garotos.
- Mas como é possível...?
Muitas perguntas tiveram suas respostas concedidas, porem outras tantas eram formadas em pouco tempo, deixando todas desorganizadas. Agora, mais do que nunca tinha que encontrar o garoto que se sentou ao seu lado naquela roda de adolescentes e pedir a ele explicações, tinha que encontrar a menina que estavam com eles também, ela era peça fundamental desse quebra-cabeça que se formava.
Tinha que abrir o livro, sua consciência pedia isso, mas um pequeno medo ainda o prendia na metade do caminho, com a mão em cima do livro. Mas esse logo foi vencido e então puxou bem devagar a capa do livro receando com o que pudesse conter ali dentro.
Mais um susto abalou seu corpo e sua mente. Dentro do livro não havia nada. Continha apenas um compartimento, mas esse também estava vazio. Sua paginas eram de um rosa bem leve e confortante, mas estavam em branca, nenhuma letra estava escrita, nenhum rabisco, desenho ou símbolo havia naquelas páginas. Ao lado. Porém havia uma mensagem deixada a mão, com um fina caligrafia. Leonardo leu atenciosamente, se afastando um pouco do arbusto, que agora o espetava com um dos seus enormes espinhos.
- Clow Red...? – perguntou para si, mas nada sabia ou conhecia a respeito desse nome. – E essas cartas que ele menciona aqui, o que devem ser...? Será que são...
Novamente seu sonho veio à tona, enfocando a visão das cartas caído do céu semi-nublado da noite. Várias cartas despendiam do nada e caiam profusamente, seguindo as direções do vento. Varias imagens de pessoas e criaturas eram vistas no interior delas. Leonardo leu mais uma vez o recado na capa do livro, e releu, e releu, se afastando cada vez mais do arbusto. Não notou que o espinho não o espetava mais, mas mesmo assim deu dois passos para trás.
No último passo ele não sentiu seu pé firmar no chão. Um grande calafrio invadiu seu corpo e ele se viu caindo e rolando por entre galhos e pedras do barranco, que estava as suas costas. A queda se tornava mais íngreme e mais tortuosa na mediada que descia desgovernado ladeira abaixo. Vários galhos passavam rasgando sua roupa e seu corpo, por onde passava deixava rastros de tecidos desfiados presos nos galhos. Seu corpo foi se enchendo de ferimentos, já estava dolorido com tantas pancadas de pedras em que batia.
A ladeira foi se foi se distanciando mais e mais do barranco, era bem maior do que parecia ser. Vista de cima era tão inofensiva, mas a queda não perdoava, seu corpo estava pedindo socorro, não suportava mais os ferimentos e as batidas. Seus olhos foram se fechando e aos poucos foi perdendo a consciência. A queda suavizou no momento certo, o terreno ficou mais plano, e alguns galhos o seguraram, impedindo de continuasse a descer.
Demorou muito para que, finalmente abrisse seus olhos. Seu corpo estava todo machucado e vermelho, sangrava de todas as partes e era difícil decidir qual doía mais ou estava mais feio.
Mexeu. Tentou se virar, mas um grito muito forte saiu de sua boca, ecoou por todos os lugares, mas ninguém o escutou para vir ao seu socorro. Seu braço esquerdo permaneceu imóvel e ensangüentado, caindo sobre os galhos que o detiveram. Tentou levantá-lo novamente, mas mais u grito veio. Uma dor descomunal invadiu seu corpo surgindo daquele lugar. Seu braço havia se quebrado, no lugar onde foi fraturado houve a formação de um grande hematoma. A dor era a maior que já tinha sentindo, e qualquer movimento aumentava ainda mais.
Juntou todas as suas forças para poder se levantar, os galho que o seguravam se agitavam; segurou um que viu ao alto e com um impulso se levantou. Cambaleou para os lados, a queda ainda o deixava tonto, teve que se segurar com bastante firmeza aos galhos para que não caísse novamente. Seus olhos ainda estavam embaçados, mal conseguia visualizar de onde despencou. Gotas de sangue e suor percorriam seu corpo e a cada movimento uma dor nova surgia em algum lugar. O suo não contribuía nada, além de deixá-lo com uma horrível sensação contribuía para deixá-lo desnorteado a cada gota que invadia os seus olhos.
Aos poucos as imagens a sua volta foi se formando, a colina da qual caiu ganhou forma diante dos seus olhos, a selva mais densa se formou a sua volta. Conseguiu ver a roupa toda rasgada e manchada com o seu sangue. Viu o seu braço esquerdo, quebrado, escorado inconscientemente sob seu corpo. As imagens se tornaram mais claras e recobrou completamente os sentidos.
Ainda estava muito confuso com o que tinha acontecido. Tudo foi muito rápido, em segundos estava no alto lendo a mensagem de Clow Red, segundos depois havia despencado por dez metros indo parar onde estava agora.
Com um olhar quase clinico reconheceu seu braço quebrado e os vários cortes em todos os lugares. A mão ainda estava dormente e mais uma forte sensação de estar sendo chamada e observado se juntava a tudo o que estava passando.
Seus olhos, agora mais secos, olhavam para marca na mão direita, nesses últimos minutos ela ficou mais forte e mais evidente, assim como a imagem do livro.
- Ah... Onde foi parar o livro...? Será que eu deixei ele lá em cima...?
Seus olhos reviraram toda a clareira onde estava, mas nada alem das folhas amassadas e galhos quebrados pode ver. Não desistiu muito fácil, queria ter certeza se ele havia ficado na margem do lago, próximo ao barranco ou se havia despencado junto com ele.
Leonardo não o viu em lugar algum já estava convicto que ele ficara no exato lugar de onde despencara dez metros de altura.
Desistindo de procurá-lo sentou-se escorado em uma das inúmeras árvores que o circulava, escorou sua cabeça em seus joelhos e com a mão direita segurou, com bastante cuidado o braço, imóvel e quebrado, depositando em seu colo. A dor era muito forte, nunca sentiu algo assim, pode concluir que quebrar um osso não era lá uma experiência muito boa.
A dor abria um novo caminho para o medo, seus ouvidos ficaram atentos a cada som que denunciasse alguma fera. Algo o chamou de seu profundo pensamento e sua atenção se perdeu dando lugar ao som que pairava por todo o lugar. Um canto, uma lamuria triste vinha do alto encontrá-lo em seu estado de agonia. Ao olhar para cima procurando o causador do barulho um tanto irritante encontrou um pássaro vermelho, que pousara em um dos galhos não muito altos. Porém o pássaro foi ignorado, Leonardo se interessou mais pelo que havia ao lado dele. Preso entre alguns galhos, o livro era sustentado, fora ali que ela tinha ficado; nem na margem do lago, nem na clareira, estava a poucos metros de distancia muito bem preso, aninhado entre as folhas.
- Mas essa agora... Como vou conseguir tirá-lo dali.


Começa agora o arco 4... Muitas aventuras estarão por vir...
Esse capítulo vai para todos os companheiros do cursinho que fizeram o vestibular para Letras, todos aprovados... 'É NOIS LÁ!

Paulo M. Goulart


Cards Infinity
O Lago de Cristal
Capítulo 10
O Desfiladeiro da Raposa
Paulo M. Goulart ©2007 – 2008
Finalizada em 05 de Fevereiro de 2008

Cards Infinity – O Lago de Cristal
TryMax ©2008
Paulo M. Goulart ©2007 – 2008
História Original: Clamp ©1996; Japão
Alguns nomes e imagens são de autoria do Estúdio Clamp e possuem direitos autorais reservados as autoras. Os demais nomes, tipologias e símbolos são de direitos autorais do autor desta história

Brasil, 2008
Paulo News
Capítulo 9
O Conto da Floresta
Paulo M. Goulart, ©2008

- E aí... Tudo bem com vocês...? – O garoto se levantou e seguiu em direção aos garotos que se endireitaram.
- Ah... sim, obrigado. – respondeu Lukas
- Sejam bem vindo a casa dos contos... Apesar de ser uma floresta...
Dizendo isso o garoto abriu os braços e girou em torno de si mesmo contemplando a abobada de folhas. Ficou em um momento de transe, deixando os garotos aturdidos e sem reação. Por sorte uma garota com o uniforme do curso de filosofia também veio ao encontro deles, apertando a mão de todos e com um largo sorriso os convidou para sentarem ao seu lado, e que aceitaram prontamente. Explicou mais uma vez com seriedade onde eles estavam, e, um a um, apresentou os membros que compunham a roda de adolescentes.
- Deixem suas mochilas aqui... – disse ela ao passarem por uma montanha de mochilas, bolsas e pertences. – Não faz sentindo vocês ficarem com elas em suas costas...
Os garotos não as retiraram e se entreolharam com desconfiança, o que foi percebido pela garota.
- Mas se quiserem continuar com elas nas costas, sem problemas... Só queria ajudar... – disse se sentando em um toco perto deles.
Renato e Marine perceberam que a garota se ofendera e retiraram rapidamente suas mochilas, depositando sobre o monte tentando concertar a situação. Renato notou uma mochila cruelmente idêntica a sua, com todos os detalhes e até o zíper era igual. Pensou de quem seria, mas não se importou com isso, realmente era algo banal demais para se preocupar.
- Bom... – falou um garoto baixinho usando óculos com uma armação prateada – Temos uma tradição... Para todos os novos integrantes ou visitantes...
- É verdade... – confirmou um outro garoto ao lado do primeiro. – Mas não se preocupem... Não é nenhum tipo de brincadeira ou prova que vocês terão que fazer...
- Isso mesmo – o de óculos retornou. – Não somos a favor de baixarias como essas...
- Então o que quer de nós...? – perguntou Marine desconfiada.
- Queremos algo muito simples... – Leonardo irrompeu com sua voz.
Agora que estavam pertos, Marine e Renato puderam o estudar atentamente e chegaram à conclusão que era ele. Marine e Renato o Fitaram e este fez o mesmo. Leonardo teve um choque de susto se engasgando um pouco com sua própria saliva e curvando-se para o lado.
- Algum problema... – perguntou uma menina ao lado dele. – Parece que se engasgou...
- Não... Não foi nada... – Mentiu olhando para eles. – Não foi nada...
- Queremos que vocês contem-nos um conto... – disse Stevem, um garoto sentado ao lado de Lúcia.
- Um conto...? – os quatro jovens perguntaram quase em uníssono.
- É... – disse Lúcia. – pode ser de fadas, terror, com uma moral ou romântico... tanto faz, dede que seja um conto...
Os garotos se entreolharam mais uma vez. Já estava virando rotina essa troca tão repentina de olhares, parecia ser combinado, mas tudo obra do acaso. Nem Marine nem Renato demonstraram afeição pela idéia. Para dizer a verdade eles não sabiam o que fazer nesse momento. Ambos, aturdidos, mergulharam em suas cabeças procurando, escondido em suas memórias um conto qualquer, mas nada além de lembranças inúteis nesta hora surgiram a eles.
Leonardo esta a poucos metros de distancia, mas agora não era o momento de falar, não naquele aglomerado de pessoas. Teria que ser a sós, em particular, esperavam o momento que fosse embora para poderem surpreendê-lo. Mas agora com essa idéia de contar um conto tudo parecia estar indo pelos ares. Sem o tal não poderiam permanecer no local, os garotos não deixariam, e acabariam perdendo Leonardo de vista mais uma vez. Quanto mais rápido pudessem contá-lo sobre todos os segredos envolvendo os Card Captors, mais rápido teriam um aliado na busca pelas cartas e quem sabe mais um amigo.
Lana olhou de esguelha para Lukas esperando uma resposta, que veio rapidamente. Lukas temeu o que poderia acontecer, mas era a única saída: deixar Lana tagarelar como sempre faz.
- Eu tenho um... – disse euforicamente como braço erguido, chamando a atenção.
Todos olharam surpresos para ela, esperando que fosse uma brincadeira ou apenas para quebrar o silêncio. Mas ela não mudou sua expressão, levando a crer que realmente tinha uma história para contar...
- Chama... O conto da floresta...
Renato, Marine e Lukas suplicavam esperançosos para Lana, pedindo que não enrolasse muito. Toda a atenção foi direcionada a garota, que agora estava de pé se preparando para contar sua estória.
- “Tudo começa com a surpreendente jornada de quatro irmãos, que destemiam o mundo, procurando todos os seus mistérios, segredos e aventuras. Eles moravam em uma aldeia estruturada por crenças, mitos e lendas. Algumas florestas, aldeias vizinhas, rios e lagos, campos e montanhas a rodeava, dando uma visão encantadora do lugar onde viviam. Era sem dúvida um lugar aconchegante e perfeito para se viver. Mas, próximo às montanhas uma floresta com aparência repulsiva e fechada se erguia; os moradores da pequenina aldeia jamais ousavam violá-la, evitavam até a aproximação da região por onde ela se estendia. Diziam que espíritos agourentos estavam presente naquele lugar, e, uma vez dentro, jamais sairiam”
“No entanto, em uma noite de lua cheia, parcialmente coberta por nuvens carregadas de chuva esses irmãos adentraram por esta floresta. Riam e cantarolavam por entre as árvores; os animais, assustados com tanta gritaria, escondiam-se em seus ninhos protegendo seus filhotes e tentavam não serem vistos por aquele enfadonho grupo.”
“Depois de tanto andarem sem direção e sem destino eles se deram conta de que haviam se perdido no coração da floresta. Começaram a procurar desesperadamente a saída, e sem sorte alguma não a encontraram. O frio foi se tornado mais intenso e a fome desmoronou sobre eles. O grupo que antes ria e cantarolava, agora estava triste e com fome. Nem por causa disso pararam de caminhar, e, após horas e horas andando por entre as folhas e gravetos, depararam com uma cena jamais vista por outra pessoa antes.”
“Uma imensa arvore prateada crescia no interior da floresta, seus galhos jorravam luz para todos os lados e suas folhes cintilavam a cada movimento. Ao chegarem mais perto perceberam que além de galhos e folhas brilhantes havia quatro frutos dourados do tamanho de uma bola de gude. Os quatro irmãos, como muita fome e sede, correram desenfreados até chegar a iluminada árvore e com brutalidade arrancaram os seus frutos.”
“Uma mulher se materializou entre eles assim que o último dos irmãos arrancou o último fruto. Ela usava um grande vestido branco, seus cabelos eram negros como a noite e por onde passava nascia pequenas árvores. Ela caminhou em volta da árvore prateada e viu que os irmãos tinham lhe arrancado os seus frutos. Horrorizada e perplexa resolveu falar com eles, suplicar pelo que tinham levado.”
“A mulher emanou uma voz doce e suave pedindo aos irmãos que devolvessem os pomos para a árvore da vida. Com muita humildade e serenidade explicou a todos eles que aquela era a árvore que dava sustentação a toda a vida da selva onde estavam. E implorou para que devolvessem de bom coração para a árvore que tinham tirado a força.”
“Sem esses pomos a floresta não poderia existir. O primeiro representava a harmonia entre os seres; o segundo representava a o nascimento naquele solo fértil e amplo; já o terceiro simbolizava a mutualidade entre os seres, um ajudando o outro a sobreviver; e o ultimo marcava o espaço e o tempo, onde e quando as árvores deviam nascer e quando deveriam deixar de existir. Os quatro agem como irmãos inseparáveis e se um deles se perder os outros não darão conta de desempenhar sua tarefa e assim tudo estaria perdido. Desta forma a mulher explicou e suplicou pelos pomos mais uma vez.”
“O irmão mais velho ficou comovido com história e devolveu de bom grado o que segurava. A mulher disse que por causa de sua compreensão ela lhe daria o que quisesse pedir. Ele pensou apenas por instante e pediu para que ela lhes indicassem saída daquela floresta, para que pudessem retornar sãos e salvos para casa. Falando isto, um caminho surgiu frente à eles, rodeado por grossos troncos e o mais sombrio possível. Não era nem um pouco convidativo, mas era a única opção que ela lhes ofereceu.”
“O segundo irmão também fez o mesmo, devolveu-lhe com todo o carinho e entendimento o pomo que segurava. E da mesma forma que a mulher ofereceu um desejo ao irmão anterior ofereceu a este também. Nem precisou pensar no que iria pedir, seu estomago a muito tempo pedia por comida e viu que os seus irmãos também ansiavam por isso. Desejou que a mulher lhes fornecessem comida até a sua casa, onde poderiam descansar e nunca mais perturbar o coração da floresta. Da mesma forma que surgiu o caminho sombrio, varias árvores, desse mesmo caminho, brotaram grandes frutas, vermelhas e suculentas, com aparência vistosa.”
“O terceiro também repetiu o ato dos irmãos mais velhos e devolveu o pomo à mão da mulher. Também foi concedido a esse um único desejo, já que os anteriores foram presenteados pelo mesmo ato. Como o primeiro irmão pediu uma saída da floresta e o segundo comida para todos eles, ele refletiu no que mais precisavam e a conclusão chegou logo que sua boca engoliu a poça saliva que tinha, deixando-a mais seca. Pediu que ela lhes dessem água para tomarem, pois a sede era grande, além do mais depois de comer isso se atenuaria. Dessa forma, com um leve movimento dos braços da mulher, uma fonte de água pura e cristaliza surgiu em uma das paredes arbóreas do caminho que fora lhes dado, parecia ser bem funda e muito abundante, para que não corressem o risco de faltar e beber o quanto quiserem.
“O último deles, o mais novo e também o mais inteligente, não confiou nem um pouco na voz suave e meiga da mulher, desconfiava que algo maior estava por trás daquilo tudo. Então pensou por um longo tempo, deixando a todos inquietos e nervosos. Seus irmão queriam logo desfrutar da água e da comida e sair daquela selva onde se embrenharam. Ele refletiu e refletiu, então, por fim comunicou seu pedido; devolveu o pomo a mulher e em seguida pediu o que lhe pareceu o mais sensato: um bastão feito da mais nobre madeira, inquebrável, indestrutível, grande o suficiente para suas necessidades e ainda por cima teria que cair como uma luva para quem o portasse. Todos o olharam aturdidos e perguntando com um olhar para o que necessitaria daquele objeto. Mas nada respondeu, permaneceu imóvel e decido a ter seu desejo realizado.”
“E assim foi feito: a mulher andou até a maior árvore que estavam entre eles e colocou sua mão, pálida, no troco. Em instantes um bastão, todo vermelho com uma empunhadura bem talhada de forma ondulada se materializou ao seu lado, ela o segurou com as duas mãos e caminhou vagarosamente ao irmão mais novo, entregando-lhe o bastão. Todos os irmãos se perguntaram por que ele queria aquilo, mas não o contestou, pelo fato de ser o caçula e também acreditavam que era o mais imaturo.”
“Após terem seus desejos realizados, os quatro irmãos seguiram pelo caminho sombrio, mas compensava pelo fato de ter comida e água. O mais novo agarrou ao seu bastou, bem posicionado, e seguiu os irmãos mais velhos por trás, atento ao que acontecia nas laterais do corredor; olhava entre os ombros, como se esperasse que algo de ruim, ou uma fera os surpreendessem. Mas tudo parecia perfeito, nada nem ninguém os ameaçava.”
“Ao passarem pela primeira árvore que nascia frutos de todos os tamanhos o irmão mais velho pegou um e comeu com muita ansiedade. No momento seguinte sua face foi ficando roxa e suas mãos se agarraram com fúria em seu peito. Havia se engasgado com a semente escondida no seu interior, pequenina, porém mortal. Não demorou que caísse de joelhos, pedindo por ar que não chegava aos seus pulmões. Seus irmãos tentavam de tudo para lhe ajudar, mas não conseguiam reanimá-lo nem tirar o caroço que estava preso na garganta. Tudo parecia estar perdendo o brilho e nada alem dos gritos dos seus irmãos ele ouvia. A mulher observava tudo encostada à árvore prateada com um ar de superioridade e euforia. Abriu um sorriso maligno e perverso ao ver o garoto se contorcer de dor e clamando por ar. No momento seguinte ele sentiu uma forte batida no peito, uma batida ardente, forte, impiedosa, que deixou dolorido e uma marca no local. A semente que entalara em sua garganta foi atirada ao longe, se perdendo da visão de todos. O irmão mais novo estava a sua frente, segurava seu bastão ao meio e sua ponta ainda estava próxima ao seu peito. Ele com sua astucia usou o bastão para retirar a semente da garganta do irmão batendo em seu peito.”
“A mulher não gostou nadinha do que ele tinha feito, mas não demonstrou sua fúria, apenas sorriu quando eles a olharam. Então seguiram, ainda salvos pelo caminho até chegarem à fonte de água cristalina. Era possível ver o fundo da fonte de tão límpida que era a água. O segundo irmão, sedento por água a horas, não resistiu, indo ao encontro da margem. A água estava perfeita, todos a apreciaram, exceto pelo irmão mais novo, que ainda ficava na espreita.”
“Entretanto o segundo irmão, que saciava sua sede, se desequilibrou sobre a margem, caindo dentro da fonte. A força d’água que emergia o descontrolou, deixando tonto e cego por uns instantes. A água apresentou mais fria do que era, seus nervos pareciam se congelar a cada movimento que fazia tentando escapar dali, mas de nada adiantava, apenas se perdia no interior da fonte. Os gritos dos irmãos surgiram mais uma vez naquele ambiente e novamente a mulher, a espreita, abriu seu largo sorriso maligno. Ele já havia perdido a força, seus irmãos tentavam chegar até ele, oferecendo seus braços, mas estes eram pequenos demais e fracos para conseguirem puxá-lo. Mas algo surgiu ao seu lado, uma madeira bem lisa e bem feita, não era uma qualquer, não poderiam ter retirado de uma árvore, mas que diferença isso fazia. Ele a segurou com toda a força que tinha, depositando todas as suas esperanças de se salvar nela. Então começou a trazê-lo de volta a margem, devolvendo-lhe o ar e a visão. Ao recuperar os sentidos, ainda difusos, conheceu o irmão mais novo segurando a outra ponta da madeira, o bastão vermelho, exatamente do tamanho que precisava para salvar sua vida. Agora aumentava para dois o número de vidas salvas. A mulher não gostou nem um pouco do que viu, contava com a morte desse, mas ainda assim tinha mais um plano para prendê-los de vez na floresta, e estava logo por acontecer.”
“Não quiseram olhar para trás, decidiram seguir caminho. Nenhuma fruta era mais apanhada das arvores, a água que beberam foi o suficiente para agüentarem mais um pouco, afinal estava perto e faltava pouco para que retornassem ao aconchego de seu lar. Uma luz cintilante e prateada os surpreendeu, puderam ver a luz da lua brilhando sobre eles e logo à frente puderam ver o campo aberto indicando que chegaram ao fim da floresta.”
“Riram e abraçaram-se, tudo havia terminado, conseguiram sair são e salvos da floresta mágica. Decidiram em comum acordo olhar para trás, mas não conseguiram ver nada além das árvores, o brilho da árvore prateada se extinguiu e a mulher desapareceu na selva. Então continuaram seguindo em frente se deparando com algo que lhes retirou toda sua alegria, felicidade e esperança de regressarem para casa. Estavam e frente a um desfiladeiro e a mais a frente havia outro sendo separados por poucos metros.”
“Olharam atentamente para os lados procurando outra saída, mas só a floresta surgia a todos os lados. Tudo estava perdido, por mais que se empenhassem não conseguiriam pular o desfiladeiro para alcançar a outra parte, e se retornassem para a floresta a morte seria certa. Lagrimas de tristeza saíram de seus olhos, a motivação foi-se embora com a esperança. Sentaram em frente, esperando que a morte os levasse; por fome, por frio, ou por um ataque de uma fera. E assim ficaram.”
“O irmão mais novo, ainda de pé, portando seu bastão, seguiu rumo ao desfiladeiro e atirou-o em direção a outra ponta. Caiu como uma luva, os dois se desfiladeiros se encontraram com o bastão, o tamanho foi exato para unirem os dois. Então sem dar nenhuma explicação o garoto cruzou o penhasco, andando sobre o bastão, inflexível e inquebrável, com o equilíbrio, chegando ao outro lado. Feito isso chamou os irmãos, que ainda estavam do outro lado, com uma chama de esperança que incandesceram seus rostos. Todos se postaram de pé e atravessaram, sobre o bastão, o enorme penhasco, encontrando com o irmão do outro lado, que os receberam com fortes abraços. Agora sim, tudo havia terminado, estavam salvos e retornariam ao seio de seus lares.”
“O irmão mais novo pegou seu bastão, e amarrou uma fina corda de cipó em suas pontas, então o lançou sobre suas costas, levando consigo para onde fosse. Daí seguiram caminho para sua casa, onde seus pais os esperavam aflitos e preocupados. Da floresta pode-se ouvir um grito de fúria, ao que concluíram ser o da mulher, enraivecida por estarem vivos e retornando para casa.”
“No caminho discutiram sobre o que tinha ocorrido e chegaram a uma conclusão; Nunca confie cegamente naqueles que lhes oferecem a mão, pois podem estar interessados em algo maior do que simplesmente ajudar.”
- Esse é o Conto da Floresta... – concluiu Lana.


Com esse capítulo termino o terceiro arco da história... A partir de agora, posso adiantar, as coisas ficarão mais quentes e com mais aventuras... O que espera nossos herois e futuros herois...? Perguntas serão repondidas nos próximos capítulos!
Por hora, quero dedicar esse capítulo ao meu afilhado, primo, amigo de aventuras e artes. Te amo demais Luíz Felipe!

Paulo M. Goulart


Cards Infinity
O Lago de Cristal
Capítulo 9
O Conto da Floresta
Paulo M. Goulart ©2007 – 2008
Finalizada em 08 de Janeiro de 2008

Cards Infinity – O Lago de Cristal
TryMax ©2008
Paulo M. Goulart ©2007 – 2008
História Original: Clamp ©1996; Japão
Alguns nomes e imagens são de autoria do Estúdio Clamp e possuem direitos autorais reservados as autoras. Os demais nomes, tipologias e símbolos são de direitos autorais do autor desta história

Brasil, 2008