Paulo News
Capítulo 2
O Livro das Cartas

Paulo M. Goulart, ©2008

Fechou o jornal e o jogou em cima da mesa se concentrando agora no doce que passava na torrada. A noticia não o surpreendera muito, apenas se perguntava o motivo de ter sido escrita em um jornal, algo extremamente sem importância, pensava enquanto comia a sua torrada. Terminou de comer o que havia colocado ali e tomar o café que Rodrigo havia deixado para ele, como fazia todas as manhãs, era uma espécie de irmão mais velho que se preocupava com o bem estar do outro.
Renato se dirigiu ao seu quarto, agora totalmente iluminado pela luz que invadia o local. Olhou com certo desanimo para a pilha de livros que ainda estava na sua mesinha de estudo. Sentou em uma cadeira que encontrava a poucos metros da cama, ficou girando nela um bom tempo pensando nos livros que teria que pegar na biblioteca. Estava com muita preguiça de ir à biblioteca, mas teria que ir, não havia maneiras de escapar. Pegou um de seus lápis que estava em um estojo e começou a fazer algumas anotações na contra capa de um livro que segurava. Em seguida começou a escrever em uns rascunhos e em questões de minutos já estavam cheios de cálculo matemáticos e químicos. Ficou ali fazendo contas e pensando durante horas. Grandes quantidades de papeis se acumulavam em vários lugares, muitos outros tinham como destino o cesto de lixo.
O sol já beirava o meio dia e ainda se encontrava ali sentado fazendo os seus trabalhos. Já estava exausto, não tinha mais paciência para tudo aquilo. Resolveu ir até a cozinha onde preparou um almoço bem rápido, não caprichou muito, apenas fez algo bem simples que lhe tomaria pouco tempo. Após comer voltou para o seu quarto e pegou cartão da biblioteca e seu capacete que estava em cima de uma de um pequeno criado junto com outros artigos de ciclismo.
Voltou para a sala e foi saindo dela para a rua. Fechou a casa com a sua chave e ao observá-la lembrou-se do sonho que não saia de sua cabeça. Quanto mais tentava esquecê-lo, mais ele se fixava e se tornava mais nítido em sua memória. Renato levantou sua cabeça procurando sua bicicleta, a qual a encontrou encostada perto do pequeno portão que separava o terreno da rua. Retirou-a das correntes que a prendiam e subiu nela indo em direção a rua.
- Tomara que eu não caia dessa bicicleta. Como minha mãe sempre diz: praga não é uma coisa bem vinda, se muito desejada, acaba acontecendo – falou para si mesmo encima dela e começando a pegar uma velocidade na rua.
Foi descendo em direção a avenida, mas no meio do percurso mudou de caminho e passou em uma pequena viela que tinha um pequeno mercado no final. Desceu com rapidez e entrou com simpatia e foi recebido com a mesma. Foi até o fundo do mercado e pegou uma caixa de cereal que estava lá no fundo.
“Deus me livre ficar sem café por uma semana... Mal consigo ficar três dias, ainda mais uma semana, além do mais meu café é horrível”
- Vai levar só o cereal hoje? – Indagou uma mulher que atendia no local.
- Somente o cereal. Acho que será o suficiente para uma semana...
Retirou com cuidado o dinheiro do bolso e o entregou a mulher, que o recebeu e o guardou em um pequeno pote. Renato pegou sua compra e voltou para bicicleta que estava lá fora, montando e seguindo novamente seu percurso rumo à biblioteca.
As paisagens passavam muito rápido ao seu lado, mal podia se ver as pessoas que estavam nas calçadas. Fez várias curvas e logo chegou à biblioteca. Estacionou sua bicicleta do lado de fora e com as corrente que estavam pressas nela a prendeu em um poste de metal que estava ali, não muito a vista.
A fachada estava bem cuidada. As azaléias floresciam ali, juntamente com os arbustos que geravam um ambiente bem aconchegante. Entrou por uma porta toda de vidro que dava acesso a recepção do local, com enormes quadros e pinturas feitas nas paredes que lembravam insígnias de magia.
Ao olhar tudo aquilo começou a sentir algo o incomodando, uma espécie de ansiedade o dominava. Parecia que estava sendo vigiado. Começou a sentir algo estranho, que invadia todo seu corpo. Uma sensação que lhe gerava calafrios junto calor. Parecia estar sentindo a presença de alguma coisa que o dominava cada vez mais. Aos poucos o sonho da noite anterior veio em seus pensamentos, ainda mais nítidos, mostrando com detalhes o que havia sonhado. Estava entrando em uma espécie de transe, mergulhando em um grande abismo. A garota da grande torre estava lhe preparando para dizer algo.
- Algum problema senhor? Precisa de ajuda? –Perguntou preocupada uma das recepcionistas colocando uma mão em seu ombro. - Está se sentindo bem?
- Ah sim me desculpa... Só tive uma pequena tontura, mas já passou...
“O que está acontecendo? O que deve ser este sonho? Cada vez se parece mais com uma visão”
Com pouco cuidado retirou um papel que estava em seu bolso desde aquela manhã e caminhou em direção ao balcão da recepção.
- Por favor, onde posso encontrar esses livros? – disse entregando o papel a um homem que estava na frente de um computador fazendo um levantamento de uns livros que acabara de chegar.
- Deixe-me ver... – respondeu pegando o papel das mãos de Renato e examinando com cuidado e consultando o seu monitor. - Termoquímica e Cinética Química de Luiz Ricardo você irá encontrar na seção 326 na terceira estante na linha D. O outro... Cálculo Numérico na Química de Dan Lincoln está na mesma seção, mas está na segunda estante na linha A.
O recepcionista ficou um bom tempo procurando em seu monitor o terceiro livro que faltava, mas não estava encontrando. Foi até a sala dos fundos e logo depois voltou, sentando novamente na frente do monitor.
- Esse último livro é bem antigo, pensei que não o tínhamos aqui. Os Segredos do Balanceamento de Wiliam Marco está na em uma seção de livros mais antigos no ultimo andar. Você terá um pouco de trabalho para encontrá-lo. Nós não temos o numero da estante, mas está na seção 12. Se precisar de alguma ajuda para procurá-lo é só chamar um dos encarregados da seção. São aqueles de camiseta azul, – disse apontando para uma garota, que estava organizando alguns livros em uma estante – é só pedir que eles lhe ajudarão.
- Muito obrigado. Caso eu precise de ajuda os chamarei. Respondeu atencioso ao recepcionista anotando todas as localizações que lhe foi dado em um papel. – Por favor, onde fica a escada? Acho que irei procurar no último andar primeiro.
- A escada está logo à direita, depois daquela estante ali...
- Ta certo, valeu... - acenou para o homem e foi em direção a escada.
Subiu até o último andar da biblioteca chegando a um local não muito iluminado. Não era muito grande ali. Observou tudo a sua volta e percebeu que estava sozinho naquele lugar. Havia uma enorme sala à direita com uma placa ao lado da porta, que estava fechada, dizendo que se tratava da coordenação do instituto.
Procurou a seção 12 em todo local, mas não estava conseguindo encontrá-la. Já estava prestes a pedir ajuda a um dos encarregados. Mas como se algo houvesse lhe chamado o fez olhar para o fundo a direita e viu talhado em madeira no alto de uma das estantes o numero 12.
Foi bem rápido para a seção, queria encontrar aquele livro e sair logo dali, não estava se sentindo muito bem naquele lugar. Começou a sentir novamente a sensação que sentira agora apouco. Na medida em que se aproximava daquele lugar a sensação ficava mais forte. Não havia duvida estava sentindo a presença de alguma coisa que estava naquele lugar.
Procurou pelo livro em todas as estantes da seção, restando apenas a ultima. Ao virar para entrar no último corredor a presença aumentou ainda mais sua intensidade. Pouco a pouco foi procurando entre a linhas que se dividiam em A, B. C. D, E e F. Olhando com atenção, para não precisar procurá-lo de novo. O encontrou na linha F, a última que ficava no topo da estante. Subiu em um pequeno banco para retirá-lo do alto. Ao ficar de frente para o livro não pode deixar de reparar em outro que estava caído ao lado do que procurava. Com uma das mãos o pegou e o levantou. A presença que estava sentindo chegou ao máximo. Por um instante se desequilibrou fazendo-o apoiar com a outra mão, que estava livre, na parede ao seu lado. No livro que segurava tinha na capa a imagem de quatros insígnias muito bem desenhadas. Uma lua, uma estrela, um planeta e o último que conhecia muito bem era um sol. O mesmo sol de seus sonhos. O mesmo que estava marcado em sua mão. Era todo rosa, na mesma tonalidade da torre que estava aquela garota e tinha feixes dourados na lateral.
Um misto de susto e pensamentos tomou conta de sua cabeça, não o deixando raciocinar direito. O lugar estava cada vez mais sombrio e a presença estava lhe perturbando muito. Pegou os dois livros e saiu dali o mais rápido que pode, esbarrando em alguns livros derrubando-os no chão. Por pouco não tropeçou nos degraus da escada.
Procurou os dois últimos livros o mais rápido que pode, sem tirar os olhos do outro que estava firme em suas mãos. Foi bem rápido, não estavam muito difíceis de ser encontrados. Sentiu um grande alivio, quanto mais cedo saísse dali melhor seria.
Por um instante pensou ter visto um pequeno brilho amarelo ao entregá-los ao recepcionista. A ânsia de abri-lo era enorme, sentia que todos esses mistérios que estavam acontecendo, os sonhos e a forte presença, estariam perto de ser resolvida.
- O cartão da biblioteca, por favor.
Retirou-o do bolso da calça e o entregou sem dar muita atenção, nem percebendo que havia se cortado. Sua atenção estava voltada apenas para o livro e nada mais. Após assinar o formulário de locação procurou saída e tentou sair dali o mais rápido possível nem dando atenção ao “bom dia” que lhe falava uma senhora que estava na entrada.
Com grande impaciência retirou a bicicleta do poste onde estava presa e a montou com pressa. Sua velocidade pelas ruas aumentava cada vez mais e em nenhum momento tirou os olhos do livro que estava na bolsa entreaberta que carregava. O vento zumbia em seus ouvidos. A cidade passava ao seu lado como um flash, nem dava para ver o que havia em sua volta. A ansiedade de abrir aquele livro ultrapassava qualquer tipo de medo que poderia existir. As ruas foram ficando estreitas, passando de avenidas para ruas residenciais e ao longe se avistava sua casa. Em pouco tempo chegou ao pequeno portão de madeira e sem nenhum cuidado deixou sua bicicleta jogada no meio do jardim. Entrou na casa, fechando sua porta e escorando na mesma. Seu pulmão fazia um movimento acelerado para cima e para baixo, o que lhe deixou encostado ali por um longo prazo.
“Agora eu vou descobrir o que está acontecendo comigo. Os sonhos, a marca e essa forte presença desconfortante”
Os outros livros que estavam dentro da bolsa nem chegaram a sair, apenas o misterioso livro, seguro em suas mãos. Por mais que tentasse entender apenas em pensamento não conseguia. Tinha certeza que todo o mistério estava dentro daquele livro e estava preste a ser desvendado. A marca da chave em suas mãos começou a latejar no instante que começou a forçar o lacre que prendia o livro. Desta vez teve certeza, o sol desenhado na capa começo começou a brilhar com um amarelo muito intenso. Renato começou a sentir uma forte energia que vinha dentro do livro, a mesma presença que sentiu no decorrer do dia.
Não podia mais esperar, apressou-se para o lacre, mas antes que pudesse abri-lo esse o fez sozinho, soltando faíscas violetas no espaço. O livro agora estava pronto para ser aberto. Sua capa frontal já estava um pouco levantada, esperando para ser puxada. Com uma das mãos a ergueu, com certo receio com o que pudesse encontrar escrito ali dentro. Mas o que viu o surpreendeu, foi diferente de tudo que havia visto na vida.
Dentro do livro não havia páginas, apenas um fundo falso, que guardava algo que ele já havia visto antes em seu sonho. As cartas que caiam do céu estavam ali, como um grande baralho, todas eram rosa, com uma tonalidade bem forte. Tinha em seu interior a figura de um ser e, na maior parte delas, a figura de uma mulher, todas diferentes umas das outras. Pelo que deu para notar se tratavam de diferentes entidades. Retirou uma delas com cuidados, deixando as demais dentro do livro, seguro na outra mão.
A presença que sentira antes parecia ter cessado. Estava mais tranqüilo agora, as sensações ruins haviam sumido, parecia que tudo havia acabado. Começou então a caminhar em círculos pela sala, olhando a figura da carta que segurava.
Uma mulher com longos fios de cabelo estava com seus braços em um formato de X assumindo uma posição de ataque. Usava uma tiara na testa e usava uma capa que parecia ser um par de asas que cobria o seu corpo. Na parte superior da carta havia uma estrela dentro da qual se encontrava um ideograma japonês.
- O que será que deve ser isso? Parece uma carta de tarô...
Na parte inferior havia uma faixa com uma escrita ocidental. Abaixo da faixa havia um nome que podia se ler muito bem.
- “Sakura”... O que quer dizer isso? Parece o nome de uma pessoa... – falou em voz alta ainda caminhando pela sala. – O que será que deve estar escrito nesta faixa? Humm... Está escrito “Wind”... Mas o que será que isso significa...
Continuou seu caminho pela sala, pensando no que poderia significar aquela palavra. Ficou ali por vários minutos. Até que parou no centro da sala, o livro ainda em suas mãos e a carta na outra.
- Ah! É isso... – pronunciou alto, aliviado por lembrar-se do significado da palavra – VENTO!
Ao pronunciar a palavra, a forte sensação voltou a percorrer todo seu corpo. Suas mãos gelaram e a marca ficou mais visível. Aos seus pés apareceram traços rosa fazendo um minucioso desenho pelo chão, formando uma insígnia mágica. No centro onde se encontrava, havia uma estrela e nas laterais, um sol e uma lua. Era formada por doze pontas inscritas em um circulo, representando as entidades zodiacais. A mulher desenhada na carta abriu os olhos fazendo Renato dar um salto de susto deixando-a cair. Antes de chegar ao chão houve um brilho muito intenso. A mulher, antes presa, saiu de dentro da carta, ganhado vida na frente de seus olhos causando uma enorme ventania com correntes de ar verdes. Percorreu em círculos por toda a sala, fazendo seus fios de cabelo dançar na mesma intensidade do vento.
Tudo começou a sair do lugar. Folhas de papel voavam de todas as partes para todas as direções. Os moveis começaram a sair do lugar, derrubando os objetos. Os que eram de vidro já se encontravam em estilhaços no chão. Em pouco tempo tudo já havia sido arrastado pela força do vento, tornando a casa irreconhecível com uma grande quantidade de objetos quebrados e fora do lugar.
O livro mágico em sua mão abriu a capa entreaberta fazendo as cartas voarem por todas as direções, formando uma tempestade de cores rosa que refletia a pouca luz existente. Todas as cartas saíram do livro e continuaram a girar pela sala seguindo as correntes de ar. Em seguida todas as cartas começaram a brilhar com muita intensidade, como havia sido com aquela carta que segurava há pouco. A insígnia mágica no chão não parou de girar nem um minuto se quer, aumentando a presença que sentia.
Uma aurora parecia ter adentrado a casa, a luz intensa não parava de girar sobre sua cabeça. Percebeu uma das cartas subir até o limite do teto. Ao chegar a uma altura se transformou em um feixe de luz atravessando as paredes da casa e saído sem direção ao céu lá fora. Renato estava abismado com o que acontecia. Não teve muito tempo para raciocinar. As outras cartas que ficaram foram se transformando em feixes de luz, assim com a outra. Em questão de segundos todas haviam sido levadas dali, atravessando as paredes e o teto. Parecia que uma chuva de meteoros eclodia de dentro da casa. Não sabia quantas eram, mas todas foram dispersas pelas correntes de ar, levadas sem rumo para algum lugar distante.
O vento começou a cessar lentamente até assumir novamente a forma da mulher. Tudo parecia mais calmo, o ser ainda voava pacificamente acima de sua cabeça. Renato olhava incrédulo para o que acontecia. O livro em sua mão agora estava vazio. E pode perceber em sua contra capa uma mensagem que não tinha visto antes, com tanta ansiedade em abrir o livro não notou nada mais além das cartas, agora sabe se lá onde.

Essas são as Cartas Clow que criei com minha magia para tentar ajudar o mundo com seus poderes e tentar amenizar os problemas de uma sociedade desiludia de sonhos e desejos.
As diferentes cartas representam diferentes entidades, divididas em quatro tributos principais: água, fogo, vento e terra. Todas possuem uma magia diferente, que se combinadas serão capaz de realizar os mais lindos e espetaculares fenômenos...
Cada tributo tem o seu guardião regente, sendo então quatro protetores das Cartas Clow.
Mas cuidado! A magia usada de forma errada pode ser desastrosa, destruidora e muitas vezes sem volta. Esteja ciente ao usá-las.

Clow Red - 1850

- 1850? Isso já tem 160 anos... Como uma coisa pode ser tão antiga?
Mal terminou de ler o recado na contra capa do livro quando um amarelo conhecido começou a emanar das da capa. Com um gesto abrupto virou-o e pode ver o pequeno sol soltar faíscas violetas, e começar a emanar uma energia amarelada que já tinha visto antes.
Aos poucos uma criatura foi saindo do feixe onde a chave em forma de sol estava cravada. Foi ganhando forma e ocupando um grande lugar fazendo Renato se distanciar um pouco. Duas enormes asas se abriram ocupando mais espaço. Suas patas encontraram o chão, pisando-o suavemente. Em sua cabeça um elmo em formato de sol reluzia fazendo tudo se iluminar a sua volta. Seu pelo tinha cor de chamas amarelas com listras vermelhas em alguns pontos de suas patas.
Abriu sua enorme boca mostrando seus ferozes dentes afiados, com presas que dariam medo a qualquer pessoa. Renato estava esperando um rugido bem forte e por um instante achou que seria atacado. O vento, ainda no alto começou a contornar a pele do feroz ser, que mais lembrava um leão com asas.
Uaaaa... – bocejou olhando em volta tentando reconhecer o lugar onde estava, mas tudo era diferente. Seus olhos encontraram o corpo de um adolescente que estava a menos de um metro a sua frente. – Quem é você? Você sabe me dizer onde estou? Não faço a mínima idéia... – perguntou bastante educado e de uma maneira muito inocente.
A voz era a mesma de seu sonho, sem nenhuma modificação. O mais impressionante é que não lhe dava medo. Tinha uma confiança muito grande naquele ser, não sabia de onde, mas confiava.
- Você está bem? Parece que alguém comeu sua língua... – falou humildemente e com pouca sonolência. Caminhou com suas enormes patas até chegar mais perto. – Nossa! Você parece muito assustado... Aconteceu alguma coisa? E por favor, sabe onde estou? Não me lembro nadinha desse lugar.
- É... Sabe o que é...
- Sim! Sim!
- Eu tive um sonho essa noite. Você estava lá e varias cartas caiam do céu. Também tinha uma garota em uma torre rosa que me chamava...
- Sim! Sim!
- Aí uma luz brilhou na minha mão e nela apareceu uma chave. No outro dia a marca da chave apareceu na minha mão...
- Sim! Sim!
- Então eu achei esse livro na biblioteca que tinha o mesmo desenho da chave. – mostrou o livro enquanto terminava de falar. - E você está na minha casa.
- A sim! Esse é o livro Clow. É um poderoso livro mágico onde se guardam todas as Cartas Sakura... Eu sou Querberos um dos quatro guardiões que protegem as cartas Sakura e evitam que caiam em mãos erradas.
- Cartas Sakura!?
- É... São essas aqui... – apontou para o livro aberto nas mãos de Renato. Porém, não havia nada ali dentro. O que!!!? Cadê!? Cadê!? Cadê!? – procurava desesperado por todos os lugares ali perto – Onde estão!? Onde estão!? Você não as viu? Perguntou desesperado para Renato que respondeu com receio na voz.
- Sabe o que é...?
- Sim! Sim!
- Eu abri o livro e retirei uma carta lá dentro...
- Sim! Sim!
- Aí eu falei a palavra Vento...
- Sim! Sim!
- Teve uma ventania daquelas, que bagunçou tudo aqui... Arrastando tudo e quebrou muitas coisas...
- Sim! Sim!
- Com esse vento todas as cartas saíram voando do livro...
- Sim! Sim!
- E se transformaram em grandes flashes de luz e desapareceram...
- Ah! Sim... – falou, não dando muita importância ao que Renato disse.
- Doido ne?
- Muito... – raciocinado um pouco, mudando suas expressões de alegre para espanto. – O que!!!? Como!? Como elas puderam escapar!? Como deixou isso acontecer!?



Vamos lá, o segundo capítulo veio, hehehe! Eu mesmo estou acreditando nesta história. Acho que ela é a minha única forma de escape que eu tenho...
Esse capítulo vai para minha grande prima Valéria que adoro de mais!!!

Paulo M. Goulart



Cards Infinity
O Lago de Cristal
Capítulo 2
O Livro das Cartas
Paulo M. Goulart ©2007 – 2008
Finalizada em 02 de Dezembro de 2007

Cards Infinity – O Lago de Cristal
TryMax ©2008
Paulo M. Goulart ©2007 – 2008
História Original: Clamp ©1996; Japão
Alguns nomes e imagens são de autoria do Estúdio Clamp e possuem direitos autorais reservados as autoras. Os demais nomes, tipologias e símbolos são de direitos autorais do autor desta história

Brasil, 2008