Capítulo 4
A Casa das Pétalas
Paulo M. Goulart, ©2008
A Casa das Pétalas
Paulo M. Goulart, ©2008
Dois homens andavam lado a lado de um dos lados da rua. Um alto com roupas vermelhas, o outro de estatura mediana com roupas verdes. Iam a um caminho já conhecido, atravessando a rua.
- Novidades? – perguntou o menor com a mão na cabeça, tentando arrumar o cabelo que era bagunçado pelo vento.
- Não muitas... Ultimamente o conselho anda desligado dos assuntos da presidência, não estão se importando. Na verdade, acho que eles nunca se importaram. Querem a penas o lucro mensal para gastar tudo com sei lá o que... Por aqui. – Apontou a uma esquina, mostrando-lhe o caminho. – A floricultura da minha família fica logo em frente.
- Estou ansioso para conhecê-la, você fala tão bem dela em todos esses anos que trabalhamos juntos.
- É verdade... Há alguns anos abrimos está floricultura aqui em Andara. Pra minha esposa e filha não se sentirem sozinhas. Mas eu não pensei que seria um empreendimento que desse tão certo. – Sorria o homem alto, enquanto falava e lembrava-se de alguma coisa do passado.
Andaram por mais um tempo, passando por casas bem construídas, com enormes jardins decorando a sua frente. No asfalto podia se viver uma pequena miragem de uma poça d’água. O calor que estava fazendo foi além do normal do que costumava ser. Sem duvida aquele era o dia mais quente de todo o ano.
- É aqui. Chegamos... Eu lhe apresento a Floricultura Nadesico – O homem com roupas vermelhas adentrava o local com intimidade convidando o outro a entrar.
Havia uma placa no alto da construção intitulada com o mesmo nome que o homem alto havia falado. Flores rosa e violeta decoravam a entrada, combinado com a tinta azul claro que era pintada a loja. Um doce perfume de jasmim inundava todo o ambiente, trazendo conforto e tranqüilidade.
Bem na portaria tinha um balcão de mármore, também decorado com flores rosa, as mesmas da entrada. Uma garota com longos cabelos negros encontrava-se sentada atrás da bancada esperando por clientes que viessem a aparecer. Usava roupas em tons claros, do azul ao verde. Apresentava ter uns 19 anos, com um corpo feminino completamente formado. Tinha uma pele bem cuidada, em um tom moreno claro. Eram poucos os acessórios que usava, tudo muito simples e bastante delicados. Sentada em uma cadeira lia um livro com o título Flores Ornamentais do Oriente. Decididamente concentrada em decorar todos os nomes, suas funções e seus ambientes. Essa era sua principal virtude, estudar e aprender tudo que estava a sua volta e o que lhe exigiam.
- Marine, você ainda está lendo esse livro minha filha? Pensei que já houvesse terminado. – O homem alto vestido com uma camiseta vermelha perguntou para garota, olhando-a com muito carinho e afeição, mostrando que era o seu pai.
- Bem... Eu já terminei pai. Eu só estou revendo alguns conceitos, só isso. – respondia a garota com uma voz suave, daquelas que não se cansa de ouvir. – Além do mais, tem vários nomes difíceis de lembrar, são tantas rosas e tantas funções.
- Mas você não precisa decorar isso tudo minha filha, esse livro era apenas para você se distrair, esquecer um pouco do curso de Geopolítica. – o homem passava sua mão na cabeça de Marine fazendo-lhe um carinho suave.
A garota deu apenas um sorriso para o pai, agora já na entrada da casa, uma pequena porta no fundo da loja.
- Filha esse é o Pedro, trabalha comigo na faculdade e é um grande amigo de seu pai. Veio tomar uma xícara de chá com a gente, depois que terminar aí, se é que vai terminar, venha para dentro comer uns biscoitos.
- Ta certo, vou sim. Mas não prometo nada. – deslocou o olhar do livro e olhou para o outro homem – Prazer, eu sou Marine Nadesico. Como vai?
- Bem obrigado... É uma honra conhecer uma garota linda como você Marine. – Falou olhando fixamente para garota enquanto apertava sua mão. – Você tem uma filha muito linda e educada Jorge. Você e sua esposa fizeram um ótimo trabalho. – dizia enquanto olhava para Jorge, escorado na porta dos fundos. Voltou então a Olhar para a linda Garota. – Seu pai fala muito de você, precisa ver. Se colocarmos um prato embaixo de sua boca, é capas de matar a sede do mundo com tanta baba.
- É mesmo... – Marine estava horrorizada, mas fazia o possível para não demonstrar o seu nojo. – Meu pai é meio exagerado...
- Não é exagero nenhum minha linda, você é tudo o que eu falo e muito mais. – Os olhos de Jorge se enchiam de brilho só de poder falar bem da filha. – Eu se sua mãe lhe amamos muito...
Marine queria que fossem logo para dentro, aquela conversa a estava incomodando e também a deixando sem jeito. Tentava o Maximo possível não prolongar o assunto. Dava respostas diretas, não dando chance para que fizessem uma nova pergunta.
- Vamos entrar Pedro, depois a Marine entra. Acho que não haverá problema deixar a loja sem ninguém por um pequeno momento, já que hoje está muito quente e não estão aparecendo fregueses.
- Você tem razão Jorge, o dia o hoje está muito quente, mais do que o normal. O noticiário de ontem disse que esse seria o dia mais quente dos últimos 50 anos – Pedro falava enquanto andava na direção da porta, onde Jorge o aguardava pacientemente. – Parece que tudo vai derreter se continuar desse jeito. Tomara que possa chover mais tarde. Dizem que sempre chove no final de um dia muito quente...
Pedro foi falando até atravessarem a porta e entrarem pela casa, sua voz deixou de ser ouvida quando a porta foi levemente fechada instantes depois. Realmente estava fazendo muito calor, as ruas encontravam-se desertas. Nada além dos pássaros passava por ali. Era grande o numero e miragens que podia ser visto no asfalto. Uma brisa suave soprava por ali, mas não era o suficiente para levar todo o calor para longe.
Marine se detinha apenas em folhear livro. Entretanto, depois de certo tempo, as páginas passavam sem serem notadas por ela. Seus pensamentos não estavam mais concentrados ali, pensava em outras coisas que a deixavam distante e sem qualquer tipo de ação. A brisa entrava pela janela balançando seus cabelos e empurrando as folhas de um jornal em cima do balcão. Estava aberto em uma matéria que fora destacada com um pequeno clipe verde. Marine fixou os olhos naquela matéria, começando lê-la. Já havia feito isso muitas vezes desde que o recebera nesta manhã. Não sabia o motivo, mas algo lhe chamava muita atenção no que estava escrito
Meteoro dentro da cidade por Marco Covaline
Meteoro designa o fenômeno luminoso observado quando da passagem de um meteoróide pela atmosfera terrestre. Este fenômeno pode apresentar várias cores, que são dependentes da velocidade e da composição do meteoróide, um rastro, que pode ser designado por persistente, se tiver duração apreciável no tempo, e pode apresentar também registro de sons. Um meteoro é também por vezes designado de estrela cadente.
Bem, isso é a convenção adotada pelos astrônomos. Mas ontem a cidade de Andara presenciou um fenômeno que vários estudiosos ainda não conseguiram decifrar. Vários raios de luz foram vistos em todos os lugares da cidade. Vagavam com uma velocidade surpreendente, sendo captado por poucos, sem nenhuma direção. O mais incrível é que algumas testemunhas afirmam terem vistos esses raios de luz atravessarem casa, prédios, arvores e diversos outros objetos sólidos, desaparecendo logo em seguida.
Diferente de meteoros originais nenhum som foi ouvido, apenas raios eram vistos. A grande concentração desses fenômenos foi observada na região norte da cidade, próximo a antiga mansão Kinomoto. “Vi quando um monte deles saíram de um único lugar, acho que era uma casa. Mas saíram como flashes em todas as direções atravessando tudo que viam pela frente, seguidos de uma luz rosa que iluminou o céu por um pequeno momento” afirma um homem que passava perto do local quando o fenômeno ocorreu.
Os Institutos de Física e Astronomia da Universidade de Andara procuram por uma solução desde ontem à tarde, hora que foi confirmado o evento. Algumas câmeras da cidade captaram os feixes luminosos em diferentes pontos, o que serviram de base para os Institutos citados admitissem o fenômeno como verídico.
Nenhuma hipótese ainda foi levantada. Um grupo de pesquisadores está fazendo uma busca pelo local a fim de encontrar qualquer pista ou vestígios dos feixes de luz. Mas será que encontrarão? “Em nosso trabalho não aceitamos ‘será’ ou ‘talvez’ como respostas, queremos a verdadeira causa disso e empenharemos o Maximo possível para conseguir” afirma Harlow Niesp, um dos cientistas responsáveis pelas investigações.
O Instituto de Ciências de Andara confirmou que nas últimas semanas uma série de fenômenos similares ocorreram pela cidade. Todos sem nenhuma explicação. Muito menos resolvidos
Em visão disso, uma grande pergunta assola os moradores de Andara: será que cidade mística está de volta? Basta saber o que está por trás de tudo isso. Ou será um sinal nos avisando de algo? Isso só o tempo dirá.
De alguma forma essa reportagem fazia Marine se lembrar de um sonho que havia tido na noite anterior que a deixou muito intrigada. Podia lembrar-se perfeitamente do que tivera sonhado, era tudo muito claro, parecia real.
Lembrou-se deu uma garota em uma enorme torre rosa a chamado, dizendo pra não ter medo. Havia cartas de cores rosa caindo do céu com brilhos que as acompanhavam. Era tudo magnífico, ficaria horas ali admirando toda a visão. Não se esquecia de uma criatura com grandes cabelos negros e lindas asas, que lembravam as de borboletas, pousar ao seu lado. E lhe falar para irem à torre porque já estava na hora. A garota a chamava de Card Captor, lhe dizendo sobre uma missão que teriam que cumprir. Podia se lembrar com clareza dos três garotos que estavam em seu sonho. Nunca os tinham visto antes ou não se lembrava. Perguntava-se quem seriam eles.
Segurava uma pequena chave vermelha, talhada em um material que não conhecia. Tinha na parte oposta aos dentes uma pequena esfera vermelha sendo contornando por pequenos anéis violetas, formando elipses. Parecia uma miniatura de um lindo planeta.
No outro dia, ao acordar, sentiu uma pequena dor em sua mão direita. Ao olhá-la percebeu que estava marcada, como se estivesse segurado algum objeto com muita força. Percebeu que a marca desenhava igualmente a chave de seu sonho. Era possível ver claramente os anéis e a esfera pressionados em sua mão. Não tinha mais explicações para justificar tudo isso. Sua mão estava assim há dois dias
A notícia no jornal retratava um fato ocorrido na tarde do dia anterior. O mesmo horário que sentiu uma estranha sensação percorrer o seu corpo. Uma sensação que lhe dava cala-frios. Sentia como se algo a chamasse, sentia-se observada. Uma presença que a incomodava.
Enquanto pensava, grandes nuvens de chuva se formavam no céu ensolarado. O vento começou a mudar um pouco a direção, tornando mais fresco. Algumas folhas começavam a cair da arvore, dando sinal de que a força do ar havia aumentado. Os pássaros, antes infestados e cantantes, migravam para outro lugar, saindo aos bandos das grandes arvores que havia nas ruas.
- É... Aquele sujeito estranho parece que tem razão... Está parecendo que vai chover. E não uma simples chuva daquelas de verão, vem algo forte por aí.
As páginas do seu livro voltaram a ser folheadas. As plantas orientais desenhadas no papel não podiam sentir a mudança do tempo, cada vez mais crescente. O céu agora estava completamente coberto. Eram poucos espaços que os raios solares tinham para atravessar as nuvens. O céu já assumia uma cor bastante acinzentada.
- Novidades? – perguntou o menor com a mão na cabeça, tentando arrumar o cabelo que era bagunçado pelo vento.
- Não muitas... Ultimamente o conselho anda desligado dos assuntos da presidência, não estão se importando. Na verdade, acho que eles nunca se importaram. Querem a penas o lucro mensal para gastar tudo com sei lá o que... Por aqui. – Apontou a uma esquina, mostrando-lhe o caminho. – A floricultura da minha família fica logo em frente.
- Estou ansioso para conhecê-la, você fala tão bem dela em todos esses anos que trabalhamos juntos.
- É verdade... Há alguns anos abrimos está floricultura aqui em Andara. Pra minha esposa e filha não se sentirem sozinhas. Mas eu não pensei que seria um empreendimento que desse tão certo. – Sorria o homem alto, enquanto falava e lembrava-se de alguma coisa do passado.
Andaram por mais um tempo, passando por casas bem construídas, com enormes jardins decorando a sua frente. No asfalto podia se viver uma pequena miragem de uma poça d’água. O calor que estava fazendo foi além do normal do que costumava ser. Sem duvida aquele era o dia mais quente de todo o ano.
- É aqui. Chegamos... Eu lhe apresento a Floricultura Nadesico – O homem com roupas vermelhas adentrava o local com intimidade convidando o outro a entrar.
Havia uma placa no alto da construção intitulada com o mesmo nome que o homem alto havia falado. Flores rosa e violeta decoravam a entrada, combinado com a tinta azul claro que era pintada a loja. Um doce perfume de jasmim inundava todo o ambiente, trazendo conforto e tranqüilidade.
Bem na portaria tinha um balcão de mármore, também decorado com flores rosa, as mesmas da entrada. Uma garota com longos cabelos negros encontrava-se sentada atrás da bancada esperando por clientes que viessem a aparecer. Usava roupas em tons claros, do azul ao verde. Apresentava ter uns 19 anos, com um corpo feminino completamente formado. Tinha uma pele bem cuidada, em um tom moreno claro. Eram poucos os acessórios que usava, tudo muito simples e bastante delicados. Sentada em uma cadeira lia um livro com o título Flores Ornamentais do Oriente. Decididamente concentrada em decorar todos os nomes, suas funções e seus ambientes. Essa era sua principal virtude, estudar e aprender tudo que estava a sua volta e o que lhe exigiam.
- Marine, você ainda está lendo esse livro minha filha? Pensei que já houvesse terminado. – O homem alto vestido com uma camiseta vermelha perguntou para garota, olhando-a com muito carinho e afeição, mostrando que era o seu pai.
- Bem... Eu já terminei pai. Eu só estou revendo alguns conceitos, só isso. – respondia a garota com uma voz suave, daquelas que não se cansa de ouvir. – Além do mais, tem vários nomes difíceis de lembrar, são tantas rosas e tantas funções.
- Mas você não precisa decorar isso tudo minha filha, esse livro era apenas para você se distrair, esquecer um pouco do curso de Geopolítica. – o homem passava sua mão na cabeça de Marine fazendo-lhe um carinho suave.
A garota deu apenas um sorriso para o pai, agora já na entrada da casa, uma pequena porta no fundo da loja.
- Filha esse é o Pedro, trabalha comigo na faculdade e é um grande amigo de seu pai. Veio tomar uma xícara de chá com a gente, depois que terminar aí, se é que vai terminar, venha para dentro comer uns biscoitos.
- Ta certo, vou sim. Mas não prometo nada. – deslocou o olhar do livro e olhou para o outro homem – Prazer, eu sou Marine Nadesico. Como vai?
- Bem obrigado... É uma honra conhecer uma garota linda como você Marine. – Falou olhando fixamente para garota enquanto apertava sua mão. – Você tem uma filha muito linda e educada Jorge. Você e sua esposa fizeram um ótimo trabalho. – dizia enquanto olhava para Jorge, escorado na porta dos fundos. Voltou então a Olhar para a linda Garota. – Seu pai fala muito de você, precisa ver. Se colocarmos um prato embaixo de sua boca, é capas de matar a sede do mundo com tanta baba.
- É mesmo... – Marine estava horrorizada, mas fazia o possível para não demonstrar o seu nojo. – Meu pai é meio exagerado...
- Não é exagero nenhum minha linda, você é tudo o que eu falo e muito mais. – Os olhos de Jorge se enchiam de brilho só de poder falar bem da filha. – Eu se sua mãe lhe amamos muito...
Marine queria que fossem logo para dentro, aquela conversa a estava incomodando e também a deixando sem jeito. Tentava o Maximo possível não prolongar o assunto. Dava respostas diretas, não dando chance para que fizessem uma nova pergunta.
- Vamos entrar Pedro, depois a Marine entra. Acho que não haverá problema deixar a loja sem ninguém por um pequeno momento, já que hoje está muito quente e não estão aparecendo fregueses.
- Você tem razão Jorge, o dia o hoje está muito quente, mais do que o normal. O noticiário de ontem disse que esse seria o dia mais quente dos últimos 50 anos – Pedro falava enquanto andava na direção da porta, onde Jorge o aguardava pacientemente. – Parece que tudo vai derreter se continuar desse jeito. Tomara que possa chover mais tarde. Dizem que sempre chove no final de um dia muito quente...
Pedro foi falando até atravessarem a porta e entrarem pela casa, sua voz deixou de ser ouvida quando a porta foi levemente fechada instantes depois. Realmente estava fazendo muito calor, as ruas encontravam-se desertas. Nada além dos pássaros passava por ali. Era grande o numero e miragens que podia ser visto no asfalto. Uma brisa suave soprava por ali, mas não era o suficiente para levar todo o calor para longe.
Marine se detinha apenas em folhear livro. Entretanto, depois de certo tempo, as páginas passavam sem serem notadas por ela. Seus pensamentos não estavam mais concentrados ali, pensava em outras coisas que a deixavam distante e sem qualquer tipo de ação. A brisa entrava pela janela balançando seus cabelos e empurrando as folhas de um jornal em cima do balcão. Estava aberto em uma matéria que fora destacada com um pequeno clipe verde. Marine fixou os olhos naquela matéria, começando lê-la. Já havia feito isso muitas vezes desde que o recebera nesta manhã. Não sabia o motivo, mas algo lhe chamava muita atenção no que estava escrito
Meteoro dentro da cidade por Marco Covaline
Meteoro designa o fenômeno luminoso observado quando da passagem de um meteoróide pela atmosfera terrestre. Este fenômeno pode apresentar várias cores, que são dependentes da velocidade e da composição do meteoróide, um rastro, que pode ser designado por persistente, se tiver duração apreciável no tempo, e pode apresentar também registro de sons. Um meteoro é também por vezes designado de estrela cadente.
Bem, isso é a convenção adotada pelos astrônomos. Mas ontem a cidade de Andara presenciou um fenômeno que vários estudiosos ainda não conseguiram decifrar. Vários raios de luz foram vistos em todos os lugares da cidade. Vagavam com uma velocidade surpreendente, sendo captado por poucos, sem nenhuma direção. O mais incrível é que algumas testemunhas afirmam terem vistos esses raios de luz atravessarem casa, prédios, arvores e diversos outros objetos sólidos, desaparecendo logo em seguida.
Diferente de meteoros originais nenhum som foi ouvido, apenas raios eram vistos. A grande concentração desses fenômenos foi observada na região norte da cidade, próximo a antiga mansão Kinomoto. “Vi quando um monte deles saíram de um único lugar, acho que era uma casa. Mas saíram como flashes em todas as direções atravessando tudo que viam pela frente, seguidos de uma luz rosa que iluminou o céu por um pequeno momento” afirma um homem que passava perto do local quando o fenômeno ocorreu.
Os Institutos de Física e Astronomia da Universidade de Andara procuram por uma solução desde ontem à tarde, hora que foi confirmado o evento. Algumas câmeras da cidade captaram os feixes luminosos em diferentes pontos, o que serviram de base para os Institutos citados admitissem o fenômeno como verídico.
Nenhuma hipótese ainda foi levantada. Um grupo de pesquisadores está fazendo uma busca pelo local a fim de encontrar qualquer pista ou vestígios dos feixes de luz. Mas será que encontrarão? “Em nosso trabalho não aceitamos ‘será’ ou ‘talvez’ como respostas, queremos a verdadeira causa disso e empenharemos o Maximo possível para conseguir” afirma Harlow Niesp, um dos cientistas responsáveis pelas investigações.
O Instituto de Ciências de Andara confirmou que nas últimas semanas uma série de fenômenos similares ocorreram pela cidade. Todos sem nenhuma explicação. Muito menos resolvidos
Em visão disso, uma grande pergunta assola os moradores de Andara: será que cidade mística está de volta? Basta saber o que está por trás de tudo isso. Ou será um sinal nos avisando de algo? Isso só o tempo dirá.
De alguma forma essa reportagem fazia Marine se lembrar de um sonho que havia tido na noite anterior que a deixou muito intrigada. Podia lembrar-se perfeitamente do que tivera sonhado, era tudo muito claro, parecia real.
Lembrou-se deu uma garota em uma enorme torre rosa a chamado, dizendo pra não ter medo. Havia cartas de cores rosa caindo do céu com brilhos que as acompanhavam. Era tudo magnífico, ficaria horas ali admirando toda a visão. Não se esquecia de uma criatura com grandes cabelos negros e lindas asas, que lembravam as de borboletas, pousar ao seu lado. E lhe falar para irem à torre porque já estava na hora. A garota a chamava de Card Captor, lhe dizendo sobre uma missão que teriam que cumprir. Podia se lembrar com clareza dos três garotos que estavam em seu sonho. Nunca os tinham visto antes ou não se lembrava. Perguntava-se quem seriam eles.
Segurava uma pequena chave vermelha, talhada em um material que não conhecia. Tinha na parte oposta aos dentes uma pequena esfera vermelha sendo contornando por pequenos anéis violetas, formando elipses. Parecia uma miniatura de um lindo planeta.
No outro dia, ao acordar, sentiu uma pequena dor em sua mão direita. Ao olhá-la percebeu que estava marcada, como se estivesse segurado algum objeto com muita força. Percebeu que a marca desenhava igualmente a chave de seu sonho. Era possível ver claramente os anéis e a esfera pressionados em sua mão. Não tinha mais explicações para justificar tudo isso. Sua mão estava assim há dois dias
A notícia no jornal retratava um fato ocorrido na tarde do dia anterior. O mesmo horário que sentiu uma estranha sensação percorrer o seu corpo. Uma sensação que lhe dava cala-frios. Sentia como se algo a chamasse, sentia-se observada. Uma presença que a incomodava.
Enquanto pensava, grandes nuvens de chuva se formavam no céu ensolarado. O vento começou a mudar um pouco a direção, tornando mais fresco. Algumas folhas começavam a cair da arvore, dando sinal de que a força do ar havia aumentado. Os pássaros, antes infestados e cantantes, migravam para outro lugar, saindo aos bandos das grandes arvores que havia nas ruas.
- É... Aquele sujeito estranho parece que tem razão... Está parecendo que vai chover. E não uma simples chuva daquelas de verão, vem algo forte por aí.
As páginas do seu livro voltaram a ser folheadas. As plantas orientais desenhadas no papel não podiam sentir a mudança do tempo, cada vez mais crescente. O céu agora estava completamente coberto. Eram poucos espaços que os raios solares tinham para atravessar as nuvens. O céu já assumia uma cor bastante acinzentada.
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Os ventos mudaram de sentido instantaneamente para o leste. As folhas de algumas árvores caíram em meio a rua deserta e clara. Em uma das casas via-se um garoto loiro escorado em uma janela, suas mãos apoiadas no vidro um pouco suado com o ar que saia de seu nariz. Tinha um piercing na sobrancelha que o deixava com um estilo bastante rebelde. Seus cabelos loiros, arrepiados para trás, lhe dava a aparência de um roqueiro. Combinando vestes negras com detalhes vermelhos com os braceletes e correntes de prata.
Seus pensamentos estavam longe. A concentração que fazia era fora do comum, bem mais do que para um simples ser humano. Os olhos atentos a um livro sobre a mesa de estudo, onde uma carta em que se lia “Wind” fora deixada com bastante cuidado sobre ele. Havia também uma minúscula chave, com formato de sol em sua ponta superior caída sobre o mesmo livro.
- Alguma coisa Lukas? – Renato entrava no seu quarto com uma jarra de suco e um prato de bolo com dificuldade. – Já conseguiu localizar o paradeiro das Cartas Sakura?
- Não, nadinha... Parece que se esconderam. Por alguma razão eu não consigo encontrá-las. Por mais que eu me esforce e concentre não aparece nada em minha cabeça... – Lukas passou a mão sobre a cabeça esfregando-a um pouco e bagunçando mais um pouco seu cabelo.
- É melhor comer um pouco. Já tem horas que você está se concentrando para tentar localizar as Cartas Sakura, precisa descansar... Pegue... – Estendeu a bandeja que segurava para Lukas, oferecendo-lhe o bolo e um copo de suco que acabara de encher. – Não sou um bom cozinheiro, mas lhe garanto que não vai morrer de fome... – Entregou o suco com um grande sorriso. Parecia surreal tudo aquilo que estava acontecendo: Báculo do Sol, Cartas Sakura, magia e um guardião que já tinha como grande amigo.
- Não se preocupe, eu estou bem... Alem do mais você é um ótimo cozinheiro. Sabe fazer muitas coisas deliciosas... – Lukas também ria. Comia e demonstrava o quanto estava feliz por estar ali.
“É... Eu sei é comprar comida pronta, isso sim... O que seria de mim se não existisse comida industrializada? Com certeza morreria de fome... ou envenenado com as experiências que cozinho...” pensou Renato enquanto Lukas devorava tudo que havia trazido.
A tarde passou normalmente. Renato começou a fazer alguns trabalhos e analisar os livros que pegou na biblioteca no dia anterior. Lukas voltou a se concentrar encostado na janela, tentando localizar o paradeiro das cartas. Não estava fácil, por mais que tentasse, não conseguia nenhuma pista de onde as cartas foram parar.
O sol se deslocou para o poente, escondendo nas nuvens que se formavam e ganhavam mais força. As ruas estavam desertas, também era meio de semana. A luminosidade foi caindo e ficando cada vez mais escuro. O imenso calor tinha dado lugar a uma suave brisa, anunciando a chegada da chuva.
- É parece que vai chover... – Lukas pronunciava em sussurros para não atrapalhar muito o que Renato fazia tão concentrado.
- É mesmo, mas acho que é só uma chuva de verão... – Replicou enquanto pensava em algo. Fechou o seu livro e o deixou em um canto. – Eu já ia me esquecendo. Tenho que ligar para uma floricultura e pedir umas rosas para decorar o auditório da universidade, amanhã terá uma palestra sobre meio ambiente com a turma de biologia e eu não posso esquecer de comprar essas flores. Se não sou um cara morto.
- Então compre logo essas flores, você não pode morrer antes de capturar todas as Cartas Sakura. – Lukas dava um simples sorriso, mas não estava nada tranqüilo com essa situação. Tinha bastante medo do que as cartas podiam fazer.
- Eu se, eu sei... Não me precisa me lembrar disso. Só de pensar me dá calafrios e medo. Além do mais, não jogue toda culpa em cima de mim, você também tem uma parcela de culpa nisso.
Lukas olhou para Renato com os olhos cerrados, não gostou nada do que acabara de ouvir. Entretanto Renato tinha razão, Lukas era um dos quatro guardiões e não devia ter dormindo em sua tarefa de proteger as Cartas Sakura. Em sua cabeça só tinha espaço para pensar nas cartas e nos outros guardiões. Onde eles estavam e porque não foram libertados do livro assim como ele? Sua cabeça humana processava inúmeras perguntas a todo instante.
- Mas cadê a droga do telefone!!! Parece que o Rodrigo o esconde de propósito. – Renato gritava da sala enquanto o procurava. - Hoje cedo falei com ele... Você ainda estava dormindo, nem parecia que dormiu por 30 anos. Ele saiu de casa quase voando, tinha um trabalho para levar hoje e como sempre estava atrasado. Ele me disse que não tem problema nenhum você ficar aqui...
- Sério?! – Lukas descia a escada com o telefone na mão.
- Sério... Ele disse que não tinha importância, desde que você ajude nas despesas. Ficou de lhe conhecer a noite quando chegar. Você vai gostar dele, é um cara super legal... e meio atrapalhado... – Falava procurando desesperadamente o telefone, não percebendo que Lukas o segurava.
- Está procurando por isso...? Balançava-o de um lado para o outro tentando mostrar para Renato o que segurava. – Tava encima de uma mesinha no corredor do segundo andar.
- Não ia achar nunca, obrigado Lukas. – Pegou da mão do outro e começou a discar os números de um cartão que segurava.
“Floricultura Nadesico... No momento nossas linhas estão em manutenção pela equipe técnica Harlok Tell. Pedimos desculpas pelo transtorno e agradecemos desde já sua compreensão. As vendas só estão disponíveis somente na própria loja no endereço rua 27, número 18, Alameda das Petúnias na cidade de Andara.”
- Que lixo... As linhas estão em manutenção. Vamos ter que ir até lá... – jogou o telefone sobre o sofá e sentou próximo de onde Lukas estava. – Não é muito longe daqui, fica uns 15 minutos se formos a pé.
- Então vamos antes que comece a chover, não quero ficar molhado... – Lukas se arrepiou todo só em pensar na situação. Qual é o nome da floricultura?
- É Floricultura Nadesico, fica na Alameda das Petúnias, não é longe daqui...
Renato subiu as escadas correndo e voltou em poucos instantes trazendo consigo um pouco de dinheiro, um cartão da floricultura que estampava a promoção que iria aproveitar. Em seu braço direito estava apoiado o Livro Rosa que mudara totalmente sua vida.
- Lukas... Será que seria bom se eu levasse o livro e a carta? Só por precaução...
- Bem pensado... É bom mesmo levar a Carta Vento e a chave... Aliás, sugiro que de agora em diante use a chave como um colar, para que fique sempre preparado e protegido. É imprevisível o momento que as Cartas Sakura podem aparecer.
- Certo... – Renato pegou delicada corrente de ouro que usava e prendeu a chave em forma de sol nela, como um pingente.
- Mas não vejo necessidade de você levar o livro. Ele serve somente para guardar as Cartas Sakura...
- Tem razão... – Renato pensou um pouco, mas algo lhe dizia para levá-lo. De alguma forma sabia que teria alguma utilidade. – Vou levá-lo por via das duvidas...
- Como quiser... É você quem vai carregá-lo mesmo. Tome cuidado com ele, não vai perdê-lo. – falava para Renato enquanto ajeitava o cabelo em frente a um espelho da sala.
- Até parece que eu sou descuidado... Não fui eu que dormi 30 anos... – os olhares dos dois se encontraram. Se fosse possível iriam disparar laser um ao outro.
- Você tem sempre que me lembrar disso...
- Não se preocupe... Eu não deixarei você esquecer... – disse colocando o livro em sua mochila.
Renato foi para porta, seu largo sorriso no rosto evidenciava o quanto ele gostava daquela situação. Saiu de casa seguido por um Lukas meio contrariado. Fechou com a sua chave normal, guardando esta em um dos inúmeros bolsos de sua calça. Foi na frente até o pequeno portão de madeira com Lukas logo atrás dele. Uma estranha sensação se passava com o guardião, não sabia ao certo o que era, mas suspeitava ser uma Carta Sakura. Começou a se concentrar, mas logo se desligou ao ouvir a voz de Renato o Chamando. Renato começou a falar da faculdade, dos amigos e a contar da cidade. De certa forma Renato tinha agora um novo amigo que podia confiar, um amigo que esperou por longos anos.
Caminharam por um pequeno tempo até chegar a um lugar onde todas as casas tinham um jardim a sua frente. Em uma pequena placa na esquina podia se ler “Alameda das Petúnias”. Tudo ali era bem feito, as flores todas bem cuidadas, tudo bem simples e ao mesmo tempo belo. Não demoram a chegar à Rua 27, podiam ver, bem perto, a Floricultura Nadesico.
O céu já estava completamente coberto por nuvens pesadas, o vento estava mais gélido e as árvores faziam barulhos com suas folhas. Um fino chuvisco começou a cair. Os dois rapazes não aceleraram, nem se importaram. O chuvisco se tornou mais forte, e do nada começou a chover violentamente. Foi o suficiente para que ambos se disparassem rumo a Floricultura antes que pudessem se molhar muito.
- Boa Tarde... Sejam bem vindos a Floricultura Nadesico... – Uma bela moça atrás do balcão os atendia com um largo sorriso. Deixou o livro sobre plantas orientais sobre a mesa, logo ao lado de um jornal bastante revirado. Apoiou-se no balcão com seus finos e delicados braços. – Em que posso ajudar...? Procuram por alguma flor em especial?
- Ah sim... Boa tarde. – Replicou Renato, também sorrindo para Marine. – Preciso de rosas lilás, você tem aqui? É que eu preciso para uma decoração em um auditório...
Seus olhares se encontraram, chamando um ao outro. De alguma forma aquele sorriso o atraia, sentia algo familiar em Marine, mas não consegui se lembrar o que era. Marine também sentia o mesmo que Renato, não sabia o motivo, mas cada vez mais o olhava com ternura.
No momento seguinte tudo veio à tona na cabeça de Renato: o sonho, a chave, o báculo, a carta, os guardiões e os Card Captures. Marine não ficou para trás, também se lembrou do sonho que a perturbou na noite anterior. Com certeza, pensava ela, esse garoto que estava olhando era o mesmo de seu sonho. Renato teve a mesma certeza. Nem deram atenção ao que Lukas fazia, com as hortênsias colocadas sobre uma das estantes. Os olhos dos dois estavam cada vez mais perdidos... Até que não puderam mais segurar o que estavam preparando para dizer. Os olhos fixos ao outro, pronunciaram em uníssono.
- VOCÊ!!!
Bem, já estamos no quarto capítulo. Pelo menos até aqui eu cheguei, acho que vou longe... Tomara né! Até que enfim os vestibulares acabaram!!! Já estava exausto... agora pelo menos um mês sem ir no cursinho... e tomare que eu não vá para lá e sim para a universidade.
Esse capítulo é para Cynara, Rodrigo, Natalia. Amigos que me identifiquei muito por nossos gostos em mangás, animes, J-music, e... anime! Cara, adoro vocês!
Paulo M. Goulart
Cards Infinity
O Lago de Cristal
Capítulo 4
A Casa das Pétalas
Paulo M. Goulart ©2007 – 2008
Finalizada em 13 de Dezembro de 2007
Cards Infinity – O Lago de Cristal
TryMax ©2008
Paulo M. Goulart ©2007 – 2008
História Original: Clamp ©1996; Japão
Alguns nomes e imagens são de autoria do Estúdio Clamp e possuem direitos autorais reservados as autoras. Os demais nomes, tipologias e símbolos são de direitos autorais do autor desta história
Brasil, 2008

