Paulo News
Capítulo 5
A Prova Final

Paulo M. Goulart, ©2008

O barulho causado pelas vozes de Renato e Marine ao mesmo tempo assustaram um Lukas distraído fazendo-o soltar uma grande exclamação e derrubar um pequeno vaso de azaléia, que por sorte não se quebrou ao cair no chão.
- O que...!? Quem...!? Quando...!? Onde...!? É uma Carta Sakura...!? Onde ela está...!?
Marine e Renato nem deram atenção ao que Lukas tinha feito e ao que perguntava.
- Você é a garota que estava em meu sonho...
- Não... Você é que é o garoto que estava em meu sonho.
Ambos ficaram mais confusos do que já estavam. Calaram-se um pouco para poderem organizar suas perguntas. Passaram-se minutos de silencio, a única coisa que se ouvia eram os pingos de chuva batendo na porta e no telhado. Agora Lulas os observavam com muita atenção para não perder nada da cena. Marine então pronunciou primeiro.
- Você também teve aquele sonho com uma garota em cima de uma torre rosa? – Marine pronunciava as palavras com uma grande velocidade, que elas saiam quase emendadas.
- Sim tive... E você... E você... Estava lá...
- Você Também estava no meu sonho, – Marine pensou mais um pouco e completou – você e mais uma grande fera vermelha.
Renato olhou imediatamente para o guardião, agora bastante atento a toda conversa. Pela primeira vez Lukas falou, quebrando o dialogo eufórico dos adolescentes.
- Do que vocês estão falando? – perguntou Lukas, fazendo expressões de ansiedade se revelar em seu rosto claro.
Lukas fitava Renato e Marine tentando arrancar alguma informação dos dois garotos. Mas nada acontecia... Apenas recebia um olhar indagador de Renato e o confuso de Marine.
Renato quebrou o silencio que se formou entre eles. O som da chuva se tornara cada vez mais forte, agora misturado com o barulho das arvores remexendo lá fora.
- Lukas... Eu tive um sonho antes de tudo isso acontecer... – Renato tentava procurar as palavras para explicar tudo ao guardião que esperava impaciente por respostas. – Um sonho com uma garota em uma grande torre rosa...
- Tinham cartas que caiam do seu... – Marine o interrompeu – você também viu isso...?
Renato não respondeu, apenas lembrou-se da carta vento e do livro guardados em sua mochila as suas costas. Voltou-se novamente para Lukas, tentando terminar de lhe dizer sobre o sonho.
- Você estava nesse sonho... – olhou fixamente para Lukas, e este retribuía com um olhar serio e concentrado. – Você, mais três garotos e mais três guardiões...
- Renato!!! Isso é uma coisa muita séria... No passado a antiga Card Captor também tinha sonhos que serviam como premonições. – Lukas começou a levantar o seu tom de voz, fitando seriamente o outro – Você devia tem me contado isso, não devia ter escondido...
- Eu ia lhe contar, mas esqueci... Ontem você já dormia quando eu lembrei e hoje teve os trabalhos da faculdade e o Rodrigo... Desculpe-me Lukas... Prometo que não se repetirá novamente, contarei qualquer informação que possam ajudar a localizar as cartas...
- Devia ter me acordado... Qualquer pista que tivermos será de vital importância... Precisamos capturar as 51 Cartas Sakura que faltam, antes que elas causem algum acidente nesse mundo...
Marine escutava tudo com muita atenção, sem nem piscar para não ter o risco de perder nada. Mas decididamente não estava entendo o que estavam falando. O som da conversa dos garotos estava ficando quase inaudível à medida que o som da chuva crescia sobre o telhado. O frio agora era maior que antes e a ventania havia aumentado drasticamente. Todos ali da floricultura nem notaram o instante que uma das árvores do outro lado da rua tinha caído e estava sendo arrastada pela enorme correnteza que se tornara a enxurrada, a essa altura já ocupando toda a dimensão da rua.
- Me desculpe, mas... – Marine interrompeu, procurava por respostas. A discussão sobre contar ou não contar dos garotos já havia lhe enchido a paciência. – Do que vocês estão falando...!? – Falou um pouco alto para que pudessem escutá-la – Ainda estão nesse mundo, ou enlouqueceram de vez...?
Lukas e Renato, agora em consenso, se viraram a encarar Marine, que segurava uma das flores rosa que estava postada sobre o balcão. Lukas não pode deixar de reparar em seus grandes cabelos negros e os tons azuis de sua roupa. Lembrou-se de como a garota a sua frente se parecia com uma velha conhecida, outro dos quatro guardiões. Renato não tirava os olhos de Lukas, esperando que o amigo lhe ajudasse, a sensação de silencio já estava se tornando insuportável.
- Muito bem... – Disse Lukas pensativo – Mas antes me contem com detalhe o que vocês dois – apontou de Marine a Renato – sonharam na noite passada. Quero ter certeza dos fatos e confirmar o que eu suspeito.
Os dois garotos começaram a contar o sonho para o Guardião com muita ansiedade, às vezes um cortando o que o outro falava. Demoraram um pouco até conseguirem entrar em acordo. Marine não deixava que Renato esquecesse um fato se quer, sua memória era perfeita, parecia um computador humano. Os minutos iam se passando e eles ainda descreviam minuciosamente o sonho, que era ouvido com atenção redobrada pelo loiro. Não pararam de falar nem mesmo quando um forte baque se fez ao longe. Mais uma arvore naquela rua havia caído e estava sendo arrastada pelo rio que fora formado pela chuva. Incessantes e detalhistas, chegaram ao fim do sonho com suas observações particulares e uma delas em comum.
- Tinha um garoto escorado em um poste de sustentação de algo que eu não lembro o que era...
- Um jardim suspenso... – atropelou Marine – Era nisso que ele estava escorado
- É... É mesmo. Estava escorado em um poste de um jardim suspenso e o ser ao seu lado se parecia com um anjo. Tinha uns cabelos prateados que lembrava a luz lua.
- Yue... – Foi o que Lukas conseguiu pronunciar, mas não foi ouvido pelos outros dois.
- O mais estranho é que todo mundo ali parecia bem eufórico e surpreso com aquilo tudo que estava acontecendo. Era muito incrível... – Marine falava como se revisse novamente aquele momento. – Mas esse garoto nem demonstrava alegria e satisfação, estava em outro mundo... O sonho já é outro mundo... Ah sei lá... – Marine perdera um pouco de controle ao falar – Para dizer a verdade nem sei o que estou fazendo... Contando um sonho que eu tive a duas pessoas que eu nem conheço.
- Então Lukas...? O que acha...? – Renato agora estava impaciente – Dá para descobrir algo através disso...?
- Pouco provável... O que vocês me contaram não ajuda a encontrar as Cartas Sakura... Isso foi apenas um sonho, mas encarem-no como uma premonição... – Lukas olhava fixamente para Marine, que retribuiu a expressão – De alguma forma vocês tem algum elo que os une a uma coisa em comum... Vocês e mais dois garotos.
Fechou os olhos suavemente, depois os abriu encontrando as Azaléias bem colocadas a um estante. Tinha confirmando o que suspeitava: não havia só um Card Captor, mas sim quatro. Onde eles estariam, onde...? Onde...?
- E quanto aos outros guardiões? Quem são eles...? – Perguntou Renato que não agüentava de tanta curiosidade, tirando o guardião das suas reflexões, trazendo de volta ao mundo real.
- Pela descrição que me deram devem ser Spinel, Ruby e...
- E quem...? – Marine o atropelou com a pergunta. – Você não sabe quem é o outro...?
- Yue...
- Spinel... Ruby... E Yue... Onde eles estão...?
- Ta bom... Já escutei asneiras de mais... Só posso ter ficado louca. Bem que minha mãe me disse para não ficar lendo muito sobre essas plantas orientais... Isso é o que dá... Agora me aparecem dois estranhos dizendo um monte de coisa sem lógica... Eu realmente devo estar ficando louca...
- Você não está louca... Qual é mesmo o nome que você disse que se chamava...? – perguntou Lukas, disposto a esclarecer suas duvidas.
- Eu não disse... Nem me apresentei, vocês não deram tempo. Chegaram já falando do sonho e depois de umas cartas e guardiões... Como queria que eu me apresentasse...? Telepaticamente...?
- Então Marine, você não está louca... Você teve um sonho que na verdade é uma espécie de premonição lhe avisando sobre a missão que você teria a cumprir. E não foi só você que sonhou isso. Se eu estiver certo mais quatro pessoas também sonharam e receberam a missão de capturar as Cartas Sakura.
- Mas que coisa... Vocês dois estão a horas falando sobre essas tais Cartas Sakura... O que têm elas? E como assim, têm que ser capturadas. – Marine já totalmente irritada, com umas das veias em sua testa já visível. – Afinal que coisas são essas...? Isso só pode ser uma brincadeira que armaram para mim.
- Não é palhaçada nenhuma Marine. – Renato tomou a frente e começou a explicar para ela. – Lembra as cartas que estavam caindo do céu naquele sonho?
- Lembro sim, e daí...?
- Bem essas cartas... - Renato olhou para Lukas pedindo ajuda, tentando fazer o amigo lhe confirmar com a cabeça se poderia dizer tudo a Marine.
- Não vejo problema em contar tudo a ela. Acho que de um jeito ou de outro ela acabará sabendo e descobrindo tudo sobre as Cartas e seus poderes. É melhor que contemos agora para evitar que caia de susto assim como você... – Lukas deu uma leve risada ao terminar a ultima frase. Renato olhou com um olhar mortal, assim como cedo, teriam disparado lazers um ao outro.
Renato tomou um pouco de fôlego criando coragem e contou tudo o que aconteceu para Marine. O dia anterior não fora nada agradável, ainda tremia um pouco em se lembrar da sensação da biblioteca. Descreveu como encontrou o livro e como, por acidente, libertou todas as cartas que estavam presas em seu interior. Às vezes era ajudado por Lukas, pois Renato esquecia alguns detalhes que mereciam atenção. Marine ouviu tudo perplexa. Não sabia se acreditava ou não, mas tendia a não acreditar. Tudo era muita fantasia para ela. Ficou petrificada quando Renato lhe contou sobre a carta vento e como que a capturou. Cada vez mais Marine duvidava da realidade dos fatos. Já estava pensando que tudo isso não se passara de uma pegadinha. Mas como podia ser/ ela mesmo não contou seu sonho a ninguém. Não havia possibilidade de estarem brincando com ela. Por fim Renato chegou ao final de sua mini aventura, contando também sobre a chave que se tornara um báculo mágico que serviu para capturar a carta que fugiu. Isso foi o fim para Marine, já não sabia mais o que pensar... Tinha quase certeza que só podiam estar brincando com ela.
BAM!
Mais um estrondo foi ouvido na rua, dessa vez não muito longe. Uma terceira árvore havia caído próximo a floricultura com a força da chuva. As fiações da avenida estavam se danificando com a enorme ventania, causando constantes curtos-circuitos e pequenas explosões na em alguns postes de energia. Decididamente a chuva estava ultrapassando os limites e perdera o controle. Destruía tudo a fora, não era algo normal, a simples chuva já se tornara uma tormenta. Não era ouvidos trovões e nem raios eram vistos, apenas água e vento agiam. As ruas se tornaram grandes rios, as vazões que se encontravam próximo as esquinas eram insuficientes para suportar todo aquele volume de água que passava, ficando intransitáveis. Não demorou muito que água alcançasse as casas, invadindo-as e destruído os lindos jardins das suas frentes. Nada era percebido pelos garotos dentro da Floricultura, que estava em um nível maior que as demais casas, por isso a água ainda não chegara a invadir o estabelecimento.
TAC! TAC! TAC! BAM!
Os fios de um dos postes entraram em contato causando um grande curto-circuito, em seguida originando uma explosão. Vários fios de alta tensão se soltaram dos pinos que os prendiam e outros simplesmente arrebentaram caindo na água. O fato foi o suficiente para deixar a rua toda sem energia, mas isso não era o mais grave. Os fios que caíram na grande enxurrada causaram mais curtos e em conseqüência a tornaram eletrificada. Todos que se encontravam ali estavam totalmente ilhados.
- Vocês estão loucos... E ainda por cima querem me deixar também... – Marine falava com ironia em sua voz. Saiu decidida do caixa e foi em direção aos garotos para ficarem frente a frente. A flor rosa que segurava caiu no meio do pequeno percurso. – Não esperam que eu acredite nisso, esperem!? Já está virando uma brincadeira sem graça, é melhor vocês pararem, não está me fazendo muito bem. Se ao menos pudessem me comprovar tudo isso... Ah céus...! O que estou dizendo...? É claro que eles não podem comprovar isso...
- Não é uma brincadeira... Estamos falando sério... Custa você acreditar...!? Renato já se alterara e não tentava esconder sua ira.
- Para dizer a verdade, sim! Sim, me custa acreditar nisso tudo...
- E temos como provar – desta vez foi Renato que cortou o que Marine falava. – O que você me diz disso aqui!?
Renato retirou de dentro da camisa a pequena chave em forma de sol presa à delicada corrente e mostrou à Marine. A garota não fez nenhum sinal de surpresa, apenas chegou mais perto e apanhou o objeto ainda preso no pescoço de seu dono.
- O que é isso...!? Que estranho... Se parece com uma chave que segurei em meu sonho... Mas a minha era diferente...
- É claro... – Lukas agora tomava a frente. – Existem quatro tipos de chaves diferentes e conseqüentemente quatro báculos diferentes...
Marine olhou na palma de sua mão vendo a pequena marca. As finas elipses entravam em harmonia com um circulo, formando um lindo desenho.
- Mas o que isso tem haver? Isso é só uma chave... Você pode tê-la pegado em algum lugar e agora está afirmando que é a mesma do seu sonho... Não vai conseguir me enganar com isso...
- Tem razão... A chave não servirá de nada para fazer você acreditar, só eu vi no meu sonho, assim como você só viu a sua. – Renato replicou colocando-a novamente dentro da camiseta. – Mas tem outra coisa... Acho que isso será o suficiente...
Renato retirou a mochila presa às suas costas, abriu o zíper começando a procurar um conteúdo que tinha colocado ali mais cedo. Entre vários papéis e canetas encontrou um grosso livro rosa. Protegendo, dentro dele, uma única Carta Sakura. Entregou-o a Marine, agora muito ansiosa para pegar o livro das mãos do garoto.
- Reconhece alguns dos símbolos?
O coração da garota falhou uma batida ao ver entalhado na capa o mesmo símbolo que tinha na ponta da sua chave e a marca na sua mão. Passou os delicados dedos sobre a figura, contornando toda sua forma e contemplando a imagem. Uma estranha sensação passou pelo corpo da garota, calafrios e arrepios a invadiram fazendo soltar o livro, deixando cair no mármore perto a um vaso de bromélia. Ao encontrar a superfície lisa e fria do chão a capa se soltou do feixe que a prendia, soltando pequenas faíscas vermelhas, revelando o conteúdo em seu interior. Marine viu do alto a única carta guardada. Abaixou-se para examinar com mais cuidado o artefato mágico. Encaminhou sua mão tremula até a carta e a pegou. Tudo veio como um furacão em sua cabeça...
- Essa carta... Foi a que passou perto do meu rosto, a mesma que eu tentei pegar...
- Então... Agora acredita? – Renato a olhava com ternura e pedia a difícil compreensão da garota. – Estamos falando a verdade... E para a carta e o livro não existe nenhum contra-argumento que você possa usar.
Os garotos estavam certos. Não havia como contra-argumentar. O fato era que ela estava segurando a carta que tentou agarrar na noite passada e no livro havia o mesmo sinal da palma da sua mão esquerda. Mas ainda era muito estranho tudo o que estava acontecendo...
Marine foi se mergulhado em uma tempestade de pensamentos e teorias. A ciência convencional e física lhe impedia de acreditar nisso tudo, mas seu coração e sua alma lhe forçava a acreditar e aceitar essa verdade como parte da sua vida. Mas por quê? Por que ela? Perguntava-se o que eu tinha a ver com isso. Por mais que tentasse as respostas não lhe surgiam, foi uma das poucas vezes que não soube o que dizer.
- Marine... – Lukas colocou a mão sobre o ombro da garota, tentando ajudá-la a compreender. – Essas não são simples cartas. Cada uma delas possui uma magia diferente que se baseia em diferentes entidades da natureza...
- Por favor... – Marine disse com os olhos cheios de lágrimas – Vão embora, isso não tem mais graça... Eu não sei como vocês descobriram tudo isso... Mas agora já perdeu a graça... – Marine se desabou no choro, colocando suas mãos sobre o rosto.
- É melhor irmos embora Lukas, já não há nada que possamos fazer... Nossa presença aqui está fazendo mal a ela. – Remato disse se agachando e pegando o livro e a carta nas mãos de Marine, guardando tudo novamente dentro da mochila.
Marine se levantou e enxugou o rosto com uma manga da sua camiseta azul claro. Ainda não conseguia digerir toda essa história. A confusão dentro da sua cabeça era tanta que nem notou que mais uma árvore, a quarta, fora tombada na rua e, assim como as outras, estava sendo levado pela correnteza. O coração de Marine pedia para que acreditasse em toda essa história, mas estava sendo muito difícil, pedia apenas mais uma, uma única prova concreta de que tudo o que Renato contara com a carta vento fosse verdade. Pareceu, por um pequeno instante, que Lukas pudesse ter lido os pensamentos de Marine. Sua boca abriu, cortando mais uma vez o silencio formado por aquele pequeno grupo.
- Você precisa de mais uma prova Marine...? É isso que você quer? Mais uma prova...? – perguntou para a garota com um tom meigo.
Marine não respondeu nada, apenas assentiu com a cabeça. Seus olhos, agora secos, suplicavam por mais uma prova.
- Não há nada que podemos fazer Lukas, vamos embora... Não vamos perder tempo aqui. – Renato já se dirigia para porta, quando foi parado pela voz de Lukas:
- Espere Renato... – Lukas segurou em um dos braços do garoto e o puxou de volta – Na verdade ainda há uma coisa a fazer...
- O que!?
- Mostre a ela...
- Mostrar o que...?
- Use o báculo e carta vento.
Uma esperança saltou do fundo da barriga de Renato. Tinha mesmo uma prova a mostrar e com certeza bastante convincente.
- É CLARO!!! Como não pensei nisso antes, me esqueci completamente... – Virou-se para Marine – Agora você vai acreditar, não tem nem como fugir ou inventar alguma desculpa.
Marine viu Renato tirar novamente o livro de dentro da mochila. Com cuidado pegou a carta vento dentro dele, ia usar a magia para comprovar toda a história para Marine. Deixou os objetos mágicos aos cuidados do amigo e com suas mãos livres tirou a chave de dentro da camisa.
Renato ia começar a pronunciar as palavras mágicas para transformar a chave em báculo, mas um forte estrondo chamou a atenção de todos ali dentro. Um dos postes da rua tombou sobre um carro estacionado na calçada. Os fios se romperam, causando mais curtos e mais explosões. Assim como no outro poste de energia, os fios caíram na água, tornando-a mais eletrificada.
- O que foi isso...? – Marine perguntou assustada, esperando que alguém soubesse lhe responder. – Parece que foi lá fora...
Marine foi em direção a porta da floricultura e a abriu com dificuldade. Ao olhar o lado de fora ficou perplexa e muito surpresa.
- Meu Deus... O que está acontecendo aqui...
Com o espanto e as palavras de Marine fizeram com que Lukas e Renato fossem ao seu encontro. Ao chegarem à porta e ver toda a rua alagada, arvores e postes caídos as suas expressões se igualaram a de Marine.
- Nossa!!! O que aconteceu aqui... – Renato falou enquanto via algumas latas de lixo serem levadas pela correnteza. – Como vamos embora.
- Essa chuva parece mais um dilúvio...
Lukas nem completou o que ia dizer quando sentiu uma estranha sensação. Não foi só ele, pois logo em seguida Renato e Marine também sentiram o mesmo.
- Lukas... É uma... – Renato olhou surpreso para Lukas e este retribuiu.
- Sim... Eu também senti a presença de uma Carta Sakura aqui por perto.
- Uma carta aqui...? – perguntou Marine saindo da loja, ficando no ultimo degrau da escada, onde o nível da água ainda não havia alcançado. – Onde... Não estou vendo nada... Querem se aproveitar dessa chuva para voltar novamente a esse assunto das cartas...
Renato e Lukas a seguiram, ficando os três no mesmo lugar. A tenda presa na parede não deixava que se molhassem. Dava para notar com o nível da água subia rapidamente, invadindo casas e destruído os jardins...
- AHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!
Marine deu um enorme grito fazendo Lukas dar um salto de susto e Renato se afastar para trás...
- Meu... meu... meu jardim... Meu jardim... – Marine estava quase sem fala, ficando cada vez mais muda – Todo... todo... des... des...truído...
A cena do seu jardim sendo destruído pela enxurrada quase a deixou em estado de choque. Ficou paralisada por alguns instantes e mal conseguia pronunciar uma palavra se quer.
- Meu jardim... destruído... Eu não acredito... o quanto eu cuidei dele, e agora todo... destruído.
- Sentimos muito Marine... – Renato sentiu a necessidade de consolá-la, chegou mais perto. – ajudaremos você a construir outro e não fique triste por que...
- O que é aquilo!? – Marine nem deu ouvidos ao que o outro falava. Levantou abruptamente o braço, batendo as costas da mão no nariz de Renato, golpeando seu rosto.
Renato se afastou um pouco e levou a mão ao seu nariz. Umas gotas de sangue começaram a cair em sua roupa. Ainda meio tonto com a pancada falou alguma coisa entre exclamações e pequenos gemidos...
- Você me acertou legal...
Marine ainda olhava fixamente para o céu, apontando para um pequeno ponto que se aproximava em zig-zag. Ia de um lado para o outro e cada vez que mudava de posição a intensidade da chuva se alterava, ora mais forte ora mais fraca. Ao se aproximar os contornos se tornaram visíveis dando forma a uma garota toda vestida de rosa, com grandes gotas ornamentadas em sua roupa e um gorro dançando nas gotas da chuva.
- Isso é... – Marine tremia dos pés a cabeça ao ver àquela cena bizarra – É uma... Uma garota...? Mas como... Como uma garota pode estar...
- Isso não é uma simples garota...! É uma... É uma carta Sakura...!!! – Lukas elevou o seu tom de voz, trazendo de volta a realidade um Renato ainda choroso com as mãos no nariz ensangüentado. – ... Renato, rápido... A chave... Pegue a chave...
Renato ainda estava meio confuso com tudo o que acontecia; seu nariz doía muito e não parava de sangrar, sentiu uma pequena poça se formar na sua mão que aparava as gotas que a caiam. Com a outra mão livre invadiu sua camiseta procurando a minúscula chave com muita pressa para poder transformá-la em báculo. As palavras saíram quase em um murmúrio de sua boca:
“Chave que guarda o poder do Sol, mostre seus verdadeiros poderes sobre nós. E os ofereça-os ao valente Renato que aceitou essa missão... Liberte-se!”
Marine viu, a sua frente, a minúscula chave desaparecer dando lugar a um magnífico báculo com um sol na sua ponta. A carta se aproximava dançando pelas gotas da chuva e a estranha sensação que sentia tornou-se mais forte. Ficou completamente aterrorizada e estarrecida. Percebeu como Renato tinha certa familiarização com o artefato e como o manuseava com destreza. Sentiu-se encurralada em seus próprios conceitos sobre ciência e física, muitos que havia dedicado anos de sua vida os organizado em sua cabeça. Agora não havia como duvidar da veracidade dos fatos. Realmente existiam as tais cartas Sakura e realmente a chave que Renato lhe mostrou tornara um báculo com raios saindo em todas as direções da sua ponta...



Quinto capítulo! Bom, agora que ando mais livre vou sempre postar, isso se eu não achar outra coisa para fazer... rsrs
Esse capítulo vai para uma amiga muito especial, Luana te adoro de mais sua doida!

Paulo M. Goulart



Cards Infinity
O Lago de Cristal
Capítulo 5
A Prova Final
Paulo M. Goulart ©2007 – 2008
Finalizada em 15 de Dezembro de 2007

Cards Infinity – O Lago de Cristal
TryMax ©2008
Paulo M. Goulart ©2007 – 2008
História Original: Clamp ©1996; Japão
Alguns nomes e imagens são de autoria do Estúdio Clamp e possuem direitos autorais reservados as autoras. Os demais nomes, tipologias e símbolos são de direitos autorais do autor desta história

Brasil, 2008