Capítulo 7
O Manto Verde
Paulo M. Goulart, ©2008
O Manto Verde
Paulo M. Goulart, ©2008
A floresta era, sem duvida, o lugar de refugio daqueles que queriam um pouco de silêncio e um momento para refletir. A copa das árvores não deixava muita luz do sol adentrar a pequena selva; iluminava apenas o essencial para se poder caminhar, revelando entre pequenas distâncias uma nova surpresa: flores exóticas, lindos pássaros, micos de varias cores, animais silvestres, grandes árvores do tamanho de prédios e, infelizmente, ações do homem pairavam a toda volta. Freqüentemente, armadilhas eram sempre encontradas, entretanto, muitas vezes seu destino acabava sendo utilizado para fins contrários, capturando adolescentes que vinham até ali para namorar e outras vezes ferindo-os gravemente, assumindo uma posição de contraste entre beleza e perigo. Inúmeras entidades procuravam protegê-la, retirando invasores, exploradores ilegais e recolhendo as armadilhas.
No entanto havia um grave problema: sempre que um grupo de guardas florestais eram recrutados para patrulhar o perímetro acabavam se perdendo no seu interior e reaparecendo dias mais tarde com caras petrificadas de pavor e espanto. Afirmavam que a floresta de Andara era assombrada; alguns contavam que viam espíritos, outros diziam ter visto seres fantásticos, cada história mais absurda que outra. E cada grupo de guardas não se fixava no posto de protetores nem mesmo seis meses. Os cargos se tornaram indesejados por muito, ninguém queria ir para esse lugar tampouco apareciam candidatos dispostos a encarar a imensidão verde. Sem duvida a floresta possuía um tom de mistério e de segredos, isso era o suficiente para assustar a todos. Os que freqüentavam o lugar nem se atreviam a adentrá-la a noite.
Por causa disso, a floresta localizada ao sul de Andara, abria as portas para exploradores que burlavam as suas leis de proteção, retirando o que tinha de mais precioso: a vida. Grande número de piratas saqueavam flores raras, ervas medicinais, animais em extinção e vendiam por preços absurdos no mercado negro; destruindo toda a vida da floresta, e tornado-a cada vez mais sombria.
Ainda não era nem sete horas e um garoto com cabelos bagunçado espiava por entre o vidro da janela o movimento e o ruído das árvores do lado de fora. Vestia um suéter azul devido ao frio intenso daquela manhã, seu corpo estava quase todo coberto por grossas roupas. Em seu peito uma fina corrente dourada sustentava um pingente em forma de lua, subindo e descendo ao compasso de sua respiração. Seus olhos combinavam com o cabelo teimoso. E suas expressões eram de ansiedade, ternura e curiosidade.
- Porque está acordado a essa hora...? – partiu uma voz de uma cama ao lado da outra vazia. - ...ainda são seis e meia... você não disse que a palestra começa as dez?
- É... Devo ter mencionado... - disse virando-se para o irmão e dando um largo sorriso. – A floresta está linda... a chuva de ontem deu um novo animo a ela...
O garoto virou-se para o outro lado e voltou a dormir resmungando coisas indecifráveis pela sonolência.
- Leonardo eu já te disse que você é doido? – perguntou, virando-se novamente para o irmão, que ainda contemplava a imagem da floresta.
- Sim... Muitas vezes. Você faz questão de me lembrar. – Leonardo virou-se novamente para o irmão lhe dando um sorriso sincero. – Sabe... é por isso que somos irmãos. Sua loucura é tão maior quanto a minha...
- Não... Nem se compara...
- Claro que se compara... – Leonardo replicou enquanto voltava a sua cama, sentando-a. – Veja bem, quem foi que pulou de uma cachoeira só para saber o que era queda livre?
- Bem, é... Eu!
- E quem saiu correndo em meio a um estouro de touros para poder encostar em um só para saber o que é emoção...?
- É... eu...
- Quem invadiu um palco de Teatro só para conseguir o autografo de um ator...?
- Eu... também...
- E quem... – Leonardo já estava com o dedo levantado, sabatinando sem parar o irmão.
- Tá, tá... Tudo bem, você venceu...
- Isso... o que me deixa com o posto de doido número dois... – A cara de Leonardo não poderia demonstrar mais satisfação. Geralmente sempre ganhava do irmão mais novo em discussões.
- Seu poder de argumento é incrível... Parece até um promotor... – O garoto virou-se ficando de frente para o irmão – Acho que você me faria confessar até o que eu não fiz...
- Esse é um dom que eu prezo muito meu caro Marcelo... – Leonardo disse passando as mãos sobre a cabeça do irmão, fazendo um leve carinho.
Leonardo voltou-se para uma mesinha de ameixeira postada ao lado de sua cama, com uma pequena iluminaria e decorações apontavam a toda volta: miniaturas de animais de varias espécies e tamanhos; vasos com pequenas plantas bem cuidadas, era visível o quanto se sentiam bem naquele simples ambiente; alguns CDs se misturam com os livros. Em cada canto da mesinha havia um porta-retratos, um deles com uma foto sua abraçando o irmão e os pais e a outra com uma turma de amigos, sorrindo e alegres. Escorado aos pés da mesinha, uma mochila abarrotada de livros e papeis sobre fundamentos científicos, aos quais ele passara o dia anterior, em meio toda aquela chuva, escrevendo na universidade.
O garoto analisou os papeis da mochila e mais alguns que estavam na mesinha, depois de um longo período lendo e fazendo algumas correções os guardou na mochila. Organizou seus livros para que coubessem tudo que seria colocado. Em instantes a mochila havia chegado ao seu limite, fez força para conseguir fechar o zíper sem quebrá-lo. O peso tornou-se algo descomunal, fez um poço de força para colocá-la sobre cama, onde permaneceu sentado por um pequeno período lembrando-se de coisas que deixavam intrigado e preocupado.
Nesses dois dias, logo após a uma noite mal dormida por causa de um estranho sonho havia sentido estranha sensações nos dois dias que se seguiram. Primeiro em uma tarde ensolarada e depois no meio daquele temporal que o ilhou na biblioteca da universidade. Seus olhos cerraram fitando a mão aberta a sua frente. A estranha marca ainda não desaparecera, há dois estava ali nem se quer diminuíra sua intensidade. Finos traços marcavam uma Lua de forma peculiar na palma de sua mão. Possuía um circulo menor inscrito em um maior, mais ao canto desenhando uma de suas fases: crescente ou minguante. Aos extremos lados da lua outros traços desenhavam delicadas asas entreabertas, não muito grandes, mas proporcional ao objeto. Em sua base encontrava uma haste que a ligava a outra ponta disforme, com minúsculos dentes formando uma chave.
A chave era a mesma que segurou com firmeza no sonho daquela noite. Tinha uma luz azulada e vibrava em sua mão, como se sentisse feliz por ser segura por ele. Ao seu lado uma enorme criatura que lembrava um unicórnio postava-se gentilmente convidando a montar em seu lombo. No horizonte uma garota destacava em uma imensa torre rosa e do céu caiam cartas que soltavam faíscas ao tocar uma nas outras. A visão era incrível, só em um sonho para presenciar algo desta forma. Ao longe podia ver os contornos difusos de mais três pessoas com um ser diferente seu lado. Seus pensamento se perdiam à medida que recordava cada lembrança, tudo era perfeitamente nítido: os detalhes, as imagens, as cores tudo era totalmente visível ainda.
- OIII!!! Tem alguém aí...? Você ainda está nesse mundo Leo?
- Acho que viajei um pouco... – respondeu o garoto voltando para a mochila em sua cama, retirando de um dos bolsos um convite. – Já ia me esquecendo... – entregou o papel ao seu irmão, ainda na cama – você vai à palestra sobre a preservação da floresta, né?
- Ah! Vou sim, pode ter certeza... A turma do curso de Geopolítica também vai a esse evento. Pode ter certeza que estarei lá... – Marcelo replicou pegando o papel da mão do irmão.
- Parece que não é só a turma de Geopolítica que estará lá, soube que os Institutos de Química e de História estarão lá, – Leonardo fez uma careta e completou – quero até ver como vai ser...
- Não se preocupe Leo, você fez um ótimo trabalho para essa palestra, vai dar tudo certo... – replicou enquanto sentava na cama. – Eu confio em você, você também devia ter mais alto confiança...
- Isso é uma das virtudes que não tenho... – Ambos riram com a afirmação.
Leonardo era estudante de biologia, no seu segundo ano já era o mais bem visto de todo o Instituto, sendo querido e invejado por muitos. Seus amigos, poucos, eram pessoas amáveis. Seu irmão Marcelo, um ano mais velho, estudava Geopolítica na mesma universidade. Amável e carinhoso, quase nunca brigavam, um entendia o outro e se apoiavam em momentos difíceis.
A manhã foi normal como todas as outras, exceto pelos acidentes no banheiro: a mãe dos garotos foi lavar o rosto e quebrou a torneira da pia ao fechar, jatos de água jorraram por todos os lados; todos tentaram consertá-la, por fim decidiram chamar um bombeiro. “Eu disse, eu avisei que aquela torneira estava com defeito. Mas não, vocês não quiseram me ouvir e olha agora... Estou toda molhada...” resmungava a única mulher da casa por todos os cantos.
O relógio já marcava 9h45min, todos já haviam saído da casa deixando Leonardo sozinho. Marcelo saiu minutos antes, alegando ter um encontro com um grupo de amigos antes da palestra do irmão. O irmão sabia que o outro estava mentindo, mas não contestava, afinal, além de saber da mentira, sabia o que estaria fazendo e não o julgava por isso. Pelo contrario, o apoiava e acreditava nele. Leonardo descobriu o que o irmão fazia em uma vez que foi à floresta, e ao entrar mais em seu interior se surpreendeu ao ver o irmão mais velho próximo a uma enorme árvore. Espiou sem saber que era visto e soube o que o irmão fazia quando sumia de repente. Por um pequeno instante lembrou-se da cena enquanto voltava para mesma janela que estava hoje cedo.
A transparência do vidro o convidava a olhar para a floresta. Suas folhas mexiam e remexiam em compasso com o vento fazendo um barulho calmo e suave, passava tranqüilidade a quem o observasse. Foi mesmo sorte poder morar em um lugar como esse, pesava o garoto espiando a selva. A visão era barrada pelos grossos troncos, limitava-se um pouco além do perímetro, escondendo seus segredos.
Um galho pulou do meio da floresta e ricocheteou no ar, parecia ter ganhado vida. Outro galho surgiu entrelaçando o primeiro formando uma trança, em seguida mergulhou de volta na floresta descrevendo um arco que durou alguns segundos. Leonardo observou tudo com a boca aberta, seu cérebro trabalhava o mais rápido possível para processar todas as informações, sua expressão foi de total espanto, recuou um pouco ao perceber o que acontecia lá fora. Não acreditava no que acabara de ver, seus olhos se esforçavam o máximo para ver mais além das folhas e ultrapassar os troncos procurando pela trança de galhos. Mas não conseguiu encontrá-la, nada se mexia em seu interior, apenas as folhas se moviam executando uma canção suave.
As mãos do garoto se esforçaram para empurrar as janelas, destravando algumas fechaduras e abrindo alguns cadeados. Após aberta colocou sua cabeça para fora ainda procurando pelos galhos, mas nada além das folhas e troncos estáticos era visível. Leonardo procurava respostas em sua cabeça para compreender o que tinha visto, mas nenhuma lhe surgiu.
BIP! BIP! BIP!
O relógio acima da mesinha acionou seu alarme trazendo o garoto de volta para o quarto e fechando a janela. Seus ponteiros marcavam 10 horas em ponto. Ao perceber o horário Leonardo agarrou a pesada mochila sobre a cama colocando-as nas costas, que a principio o puxou para trás, mas logo conseguiu controlar seu peso. Saiu correndo do quarto passando pela cozinha para pegar um pedaço de bolo em uma forma sobre a mesa. Pegou seus patins próximos à porta e os calçou, fechou a porta e saiu deslizando pelas ruas comendo seu pedaço de bolo. Ia à alta velocidade para a universidade, a palestra começaria em poucos minutos.
Passou por varias ruas até avistar um grandioso prédio em meio a árvores e lagos. Ainda rolou nos seus patins até alcançar a entrada, onde uma enorme placa erguia-se sobre um pequeno campo com flores vermelhas. Na superfície plana havia grandes escritas em verde vibrante que se lia “Universidade de Ciências e Tecnologia de Andara”. Muitos outros estudantes passavam por ali; alguns andavam tranqüilamente enquanto outros corriam para todos os lados nem se importando em quem esbarrava ou até mesmo derrubava no chão.
Leonardo alcançou a portaria sem pressa seguindo para o auditório que ficava na parte leste da Instituição, em breves intervalos de tempo consultando seu relógio. Conseguira chegar a tempo de se preparar para sua apresentação que se iniciaria daqui a meia hora. Seus patins jamais o decepcionava, além do mais era um ótimo patinador, mais uma qualidade para se somar a tantas outras admiradas por seus amigos. Esses diziam que o garoto possuía gostos difusos: estuda biologia, mas gosta de história; é amante da música pop, mas toca guitarra; por fim é simples e tímido, mas é excelente em esportes radicais... E inúmeras outras coisas que citavam, formando uma pequena lista que, em certas ocasiões seus amigos mais um contraste do garoto.
Os acontecimentos na floresta que viu a pouco tempo tinham sumido de sua cabeça, não tinha tempo para pensar neles agora. Tinha algo mais importante para fazer: apresentar o seu projeto a uma multidão de acadêmicos que por sinal eram muito críticos, teria que se esforçar para fazer seu melhor...
Ao passar por um grupo de garotas que comentavam sobre a chuva de dia anterior uma voz conhecida gritou se nome, fazendo-o parar e virar-se para esperar o irmão que descia as escadas da portaria correndo.
- Achei... que não... chegaria a... tempo – Marcelo falou em grandes pausas para recuperar o ar que usava. – Desculpe eu... ter me... atrasado. Mas estou aqui.
- Não se preocupe mano, como você vê eu ainda estou do lado de fora do auditório. Isso significa que...
- Que você está encrencado Leonardo!
Uma voz feminina surgiu atrás dele, ecoando sobre o pequeno jardim à frente da entrada do Teatro.
Leonardo virou-se e avistou uma garota parada à porta com as mãos nas cinturas fazendo uma pose de desafio. Conheceu logo a silhueta que apontava o dedo para ele de cima das escadas. Era Lúcia, uma de suas melhores amigas e companheiras das horas difíceis, agia como uma mãe a todos os seus amigos. Estudava biologia na mesma turma que ele e não perdoava por descuidos do garoto.
- Leonardo você sabe que horas são...? – perguntou descendo as escadas, caminhando até o encontro dos dois irmãos. – Já são dez e vinte, sua apresentação começa em vinte minutos. Já estava quase chamando o exercito para lhe buscar...
- É Leonardo... Você tem uma amiga pior que a mamãe em questão de pontualidade. – Marcelo disse rindo para o irmão.
- Você se preocupa de mais Lúcia, eu disse que chegaria por volta desse horário. – Replicou procurando não se abalar com as investidas da amiga. – Quem já se apresentou...?
- Teve uma apresentação de uma garota da turma de Química sobre lixo tóxico. Outra da turma de História sobre o passado do país e o legado das antigas civilizações. A próxima será uma garota do Instituto de Geopolítica que falará sobre a importância da preservação para a sociedade; ela vai arrebentar com o governo, do jeito que esse povo é doido...
- Minha apresentação é depois da dela... por isso não há motivos com o que se preocupar... – Leonardo contra-argumentou – Já tenho tudo preparado, não fique nervosa Lúcia, nem é você que vai falar sobre a biodiversidade na frente de toda aquela gente.
- Eu, mas eu me preocupo sim com você Leo, não só com você, mas com todos... – Lúcia corou um pouco e continuou – Quero que tudo dê certo para todos vocês, de coração...
Leonardo decidiu não contra-argumentar mais, percebeu que isso deixava Lúcia com envergonhada de estar tão preocupada com ele daquela forma.
Subiram os três pela a escada chegando a um saguão todo iluminado por grandes lustres de cristais, o hall de entrada era forrado com um tapete verde claro e as paredes eram cercadas por quadro de grandes nomes da universidade.
- Marcelo... – Leonardo pousou a mão nas costas do irmão e continuou com um sorriso terno – Eu queria lhe dizer que eu te apoio em todas as suas...
- LEO!!! Anda logo, desse jeito vai acabar se atrasando de verdade. – gritou Lúcia na entrada da porta reservada aos palestrantes.
- É melhor você ir Leonardo... – Marcelo disse olhando de lado para ver a garota que o esperava impaciente. – Depois você me fala tudo bem...
- Mas eu precisava falar isso...
- Não... depois você me fala. É melhor ir, Lúcia tem razão, você vai acabar se atrasando de verdade. – disse entrado pelo grande portal que dava acesso ao auditório. – Verei você daqui... Faça o melhor que puder irmãozão. Entrou acenando para o outro.
Leonardo acenou para o irmão e encontrou Lúcia furiosa encostada na porta reservada para os palestrantes, seguiu por um caminho até chegar a uma pequena sala onde os demais se encontravam concentrando e repassando o que tinham que falar. Leonardo puxou uma folha meio amassada da mochila e começou a analisá-la pela última vez antes de subir ao palco.
***
- Por que eu tinha que vir nisso aqui...? Por que não podia ficar na sua casa...? – Lana perguntava desapontada para uma garota com longos cabelos castanhos.
- Por que minha mãe acha que você é minha colega de faculdade... Você tem que vir comigo a esses lugares para que ela não desconfie... Via ser legal, não se preocupe, tem muita gente doida aqui... – Replicou Marine que procurava um lugar vazio no auditório lotado.
- Tudo bem... – Lana ficou uns minutos em silencio e continuou. – Isso me deu uma idéia... – sussurrou para si mesma. – Preciso falar isso com o Lukas...
- MARINE!!! LANA!!!
Uma voz soou da entre a multidão de alunos. Elas olharam para todas as direções procurando a voz que as chamava, mas não encontraram nada.
- AQUI!!!
Marine avistou Renato sentado próximo ao palco principal, na terceira fila, não muito longe de onde estavam. O coração da garota deu um salto de felicidade. Segurou firme no braço de Lana, arrastando entre os alunos, atravessando toda a multidão indo de encontro ao outro Card Captor. Com muito custo elas conseguiram desviar de todos os estudantes que lotavam o auditório.
Chegaram próximo ao garoto e viram Lukas sentado ao seu lado, inquieto e impaciente. Renato usava roupas azuis com um boné laranja e Lukas, ao estilo roqueiro, usava uma jaqueta de couro preta com uma calça jeans rasgada, seus piercings reluziam a luz do auditório. Ambos sorriram ao ver as garotas, Renato mais do que Lukas, concentrando-se nos olhos castanhos de Marine.
- Oi Renato, como foi sua noite depois daquela chuva... – perguntou Marine apertando sua mão. – Ou melhor, temporal...
- Minha noite foi bem... E a sua...? – devolveu a pergunta ficando um pouco corado.
- Dormi muito bem, acordei só hoje e...
- É verdade... Tivemos que acordá-la hoje... Parecia uma pedra suspirando na cama... – Lana cortou Marine. – Afinal, você devia estar sonhando com alguma coisa para estar daquele jeito... O que era...? Um príncipe encantado...?
- Cala a boca Lana! – respondeu a garota no exato momento ficando vermelha, assim como Renato estava. – Eu não estava sonhando com nada...
A atitude da garota em dar uma resposta tão rápida e alta gerou risos em Lana, por pouco não desencadeou uma crise de risos na guardiã. Lukas que olhava tudo pelo canto dos olhos levantou-se e seguiu para o encontro das garotas, juntando-se com Renato, ainda muito vermelho.
- Bom dia Marine... Como ta sendo a vida de Card Captor...? – Lukas estendeu a mão para a garota que logo a pegou.
- Como assim...? A vida...? Marine dormiu a noite toda, nem teve tempo de usar a carta ainda... – Lana respondeu na sua frente, deixando Marine um pouco irritada.
- E bom dia para você também Lana, você está muito linda... – Lukas a cumprimentou observando seu longo vestido lilás com detalhes brancos.
- Bom dia... E muito obrigada... – respondeu olhando para o próprio corpo e continuou – Foi Marine que me emprestou... Você não sabe o tanto de artifícios que essa época tem... Estou encantada...
- Se a Lana me deixar falar... – Marine lançou um olhar mortal à garota. – Bom dia Lukas... Estou bem sim... É um máximo ser uma Card Captor, ainda nem consigo acreditar direito... É... É...
- Fantástico... Essa seria a palavra... – interpôs Renato. – Me sinto assim também...
Os olhares dos dois se cruzaram, fixando-se um ao outro. O barulho a volta dos garotos parecia ter se dissipado; os assuntos sobre tendências de moda que Lana comentava com Lukas tinham desaparecido. Nada era escutado por eles, exceto os batimentos dos seus corações ritmados com as suas respirações, tornando cada vez mais pesadas. Seus corpos se aproximavam inevitavelmente a ponto de um sentir a respiração e o perfume do outro. Mas algo os tirou desse estado de êxtase trazendo de volta a realidade, trazendo-os de volta ao auditório repleto de alunos. Uma voz grave emergiu das caixas de som espalhadas por todo o ambiente, invadindo todos os cantos do teatro, recobrando a atenção dos garotos.
Espero que um dia todos tenham os seus sonhos realizados, mesmo que eles sejam impossíveis.
Esse capítulo vai para meu melhor amigo de todos os tempos, o nome dele é Leonardo. Cara, quero que saiba que tenho você como irmão, aconteça o que acontecer pode sempre contar comigo. Seremos sempre amigos!
Paulo M. Goulart
Cards Infinity
O Lago de Cristal
Capítulo 7
O Manto Verde
Paulo M. Goulart ©2007 – 2008
Finalizada em 23 de Dezembro de 2007
Cards Infinity – O Lago de Cristal
TryMax ©2008
Paulo M. Goulart ©2007 – 2008
História Original: Clamp ©1996; Japão
Alguns nomes e imagens são de autoria do Estúdio Clamp e possuem direitos autorais reservados as autoras. Os demais nomes, tipologias e símbolos são de direitos autorais do autor desta história
Brasil, 2008

