Capítulo 1
O Misterioso Sonho
Paulo M. Goulart, ©2008
O Misterioso Sonho
Paulo M. Goulart, ©2008
A noite estava fria, mais do que ultimamente fora. O vento, que vinha do norte, cortava a pele como navalhas. A noite estava clara, a presença da lua cheia iluminava tudo o que podia ser visto. Via-se lá do alto as casas, os parques, os prédios e uma enorme torre. Sua cor era rosa e não podia ver seu o topo, bem no seu centro estava uma garota que estendeu sua mão chamando um jovem garoto que se encontrava do lado oposto contemplando a visão. Ela o chamava e este criava coragem para ir ao seu encontro. Ele era um garoto que apresentava ter 19 anos, seu aspecto atlético se misturava com suas feições suaves.
Notou que não estava só e que não era o único a ser chamado pela garota que estava na torre. Ao seu lado estavam mais três pessoas, as quais não conhecia. Só deu para notar de que se tratavam de dois garotos e uma garota que apresentavam a mesma idade que ele. Uma chuva de cartas, de cor rosa, começou a cair, nelas se viam imagens variadas, às vezes de pessoas ou de mulheres. Quanto mais tentava segura-las mais elas se afastavam de seu alcance.
Algo então aconteceu. Em sua mão começou a brilhar um objeto que nela continha, não sabia bem o que era. Notou que a mão dos demais também começou a brilhar. Cada um tinha um brilho de cor diferente, o seu era azulado. Olhou em volta e viu que um dos garotos segurava o objeto com um brilho azul, parecia que estava contente, tinha um semblante de conformidade, ao qual não demonstrava medo ou fraqueza. Olhou para o outro lado e viu que a garota segurava o objeto com um brilho vermelho, parecia que estava contente por ter aquilo em mãos. Suas expressões eram de total altivez e um pouco de arrogância. Ele queria ver a cor de todos os brilhos e procurou pelo ultimo garoto que ale se encontrava. O viu um pouco afastado dos demais, estava escorado, diferente dos outros, em um suporte de metal que o deixava com uma expressão de total desanimo e desinteresse pelo o que acontecia. Seu objeto brilhava em um verde muito intenso, bem mais intenso do que todos os outros, mas ele nem dava atenção, nem se quer olhava com curiosidade para sua mão. Sem duvida esse ultimo garoto fugia da regra de todos ali presente, não demonstrava espanto, medo, altivez, demonstrava apenas indiferença quanto a situação, não o importava de estar ou não estar ali.
Lembrou que em sua mão ainda continha um objeto com um brilho amarelo. Ficou tão curioso que procurou observar os dos outros e esqueceu-se do seu. Ao abrir viu uma pequena chave em suas mãos. Era perfeitamente talhada em um material, impossível distinguir de que era feito. Ao lado oposto dos dentes da chave se encontrava um apoio em forma de um sol muito bem feito também, tinha um designe diferente do convencional, totalmente azul e com umas inscrições em japonês que concluiu ser “sol”. A curiosidade o invadiu novamente: se a sua era uma sol, o que seria a dos demais.
Não teve muito tempo para se pensar nisso... No momento em que tentava observar mais atentamente os outros uma grande criatura, com enormes asas que ocupavam grande parte do local onde se encontrava, acabara de pousar ao seu lado. Tinha a aparência de um feroz leão, mas era convidativo e este lhe fez uma reverencia, convidando a montar em seu lombo.
Escutou ao longe, mas em alto e bom som, a voz da garota que se encontrava na torre.
- Venham, não tenham medo. Dará tudo certo. Eu confio em vocês para salvar o mundo das catástrofes desta nova busca pelas cartas. Venham...
Ele olhou para os lados e viu que outras três criaturas também estavam ao lado dos outros garotos. Ao lado da garota se via um ser com grandes cabelos negros que chegavam a sua cintura, tinha grandes asas com a aparência de borboleta. Era toda colorida e em alguns pontos se via listras coloridas, que soltavam feixes de luz quando as balançavam. Ao lado do garoto que segurava o objeto com brilho azul encontrava-se um ser com a aparência de um unicórnio. Tinha o pelo todo prateado e seus olhos eram azuis, o que demonstrava total pureza e serenidade.
Ao lado do garoto, que ainda estava escorado na pilastra de metal segurando seu objeto, talvez ainda nem olhado por ele, estava um magnífico ser, que sem duvida se assimilava a um anjo, isso se não fosse realmente um. Tinha grandes cabelos brancos brilhantes como a lua, seus olhos se perdiam no horizonte, eram azuis e mostravam total coragem e sua mão segurava a do garoto lhe dando total confiança e apoio.
Novamente a voz da garota na torre ecoou por todo espaço, tirando todos eles de uma tamanha admiração e curiosidade que estavam sentindo.
- Venham... O mundo estará em suas mãos jovens Card Captures.
Voltou seus olhos em direção ao enorme ser, ainda ao seu lado, amarelo como chamas. Este lançou-lhe um olhar convidando-o a montar em suas costas. Então o jovem garoto foi, meio receoso, ao seu encontro. A grande criatura estava se preparando para lhe dizer algo, sua voz soou suave e não demonstrava terror, pelo contrario, confiança era o que transmitia.
- Sou Querberos, um dos quatro guardiões das cartas...
Lembrou-se das cartas que caiam e não paravam um segundo se quer. Grande era a vontade de pegar uma. Diferentes brilhos começaram a sair das cartas e outros começaram a cair junto com elas. Tinham cores rosa e vagavam sem direção pelo céu semi nublado, onde a lua ainda brilhava com grande intensidade.
- Vamos, já está na hora – pronunciou Querberos abrindo suas asas e indo em direção ao limite do prédio onde estavam.
Sem muitas palavras acompanhou o guardião das cartas até a beirada do prédio. Com um grande impulso montou em suas costas. Pode notar que os outros também estavam se apoiando nos outros guardiões e se preparavam para partir. A chave em sua mão brilhava mais ainda. Pode ouvir seu nome ser chamado ao longe e aos poucos a voz se aproximava cada vez mais...
- RENATO!!!!!!!!! Já tem um tempão que eu to lhe chamando. Anda logo, você vai acabar perdendo o primeiro horário. ACORDA!!!
O quarto estava escuro, a única luz que se encontrava ali vinha através da porta que continuava aberta. Quando Renato conseguiu abrir os olhos e tentar distinguir, pela voz e pela silhueta que via na porta, quem era que estava lhe chamando uma pequena dor na mão o tirou toda a atenção. Não teve muito tempo para pensar, logo foi surpreendido com uma almofada que fora jogada em sua cara, fazendo cair na cama de novo.
- Vê se não dorme de novo. Eu não vou lhe chamar novamente – falava um jovem alto de cabelos castanhos e com um porte atlético, não chegava a ser como Renato, mas era bem malhado. – Ah! Já ia me esquecendo... A Flavia ligou hoje para você, como ainda tava dormindo não quis incomodar e disse para ela ligar depois.
- O que horas ela ligou? Ela queria o que? – Renato perguntou entre bocejos, sinal de que já acordara.
- Tem aproximadamente meia hora, eu estava na cozinha tomando café e preparando o seu, está lá em cima da mesa. Hoje não tem cereal, não se esquece de comprar depois. Ela não disse o que queria, disse que ligava depois. Mas mencionou algo de um trabalho, me pareceu estar bem irritada. O que houve? Você deu um fora nela?
- Cala a boca e sai logo daqui, deixa eu me vestir – tentava se levantar, ainda meio tonto e com os olhos ainda vermelhos. – Ela disse que horas ia ligar? Não posso ficar aqui a manhã toda esperando. Tenho um monte de coisas a fazer e nem sei por onde começar – seus olhos caíram em cima de uma pilha de livros meio bagunçada, onde havia rascunhos e projetos já concluídos, porém muitos ainda estavam a fazer.
- Eu não sei, não perguntei isso a ela. Além do mais, da ultima vez que eu perguntei ela me mandou largar de ser curioso. Mas ela disse que liga antes do almoço. Bom, eu já estou indo e não me espere hoje, não sei que horas chego. Tenho aula a tarde, que tédio, aquele professor é um saco, ainda procuro entender a razão de ele ter se formado e se tornado professor. Devia mais ser um bibliotecário, com aquele mau humor e falta de esportividade. – disse se retirando do quarto e se queixando até sua voz não ser mais ouvida no quarto.
Pode se ouvir a porta bater e um barulho de bicicleta na rua lá fora. O barulho foi ouvido até certo ponto, onde se ouviu um barulho diferente e algo caído no chão. Seguiu-se uma lamuria e um grito – Droga!!! – que ecoou pela rua que não apresentava muito movimento ainda pela manhã. Renato foi em direção a janela, abriu-a e a luz da manhã invadiu seu quarto e seus olhos, quase o cegando. Com muito esforço deu para ver Rodrigo ainda caído no chão, tentando tirar a bicicleta de cima de seu corpo inerte no asfalto. A cena era hilariante, ótima para se começar um dia.
- Eu disse para você trocar os freios dela, isso é o que dá economizar tanto e andar com uma bicicleta caindo aos pedaços – falou gritando da janela que estava no segundo andar da casa onde moravam. – Além do mais, os pneus estão lisos, pode acontecer outro acidente, tome cuidado...
- Vai cuidar da sua vida!!! Já cai mesmo, não precisa ficar dizendo “eu lhe avisei” tomara que você caia da sua hoje também. – Rodrigo respondeu gritando na mesma intensidade, montando-a novamente e seguindo em direção à avenida que tinha ali perto. - E isso é uma praga que estou lhe jogando, vai cair também por ter rido de mim – e seguiu, emburrado e com raiva, em direção a avenida.
Renato abriu a boca para responder, mas deixou de lado, viu que não adiantaria brigar com Rodrigo logo pela manhã, ainda mais tendo um monte de trabalhos a fazer. Dirigiu-se à porta do quarto, desceu as escadas e seguiu em direção da cozinha. O café que Rodrigo havia feito estava em cima da mesa, assim como o mesmo dissera. Ao lado havia um bilhete:
Não se esqueça de comprar o cereal...
Do jeito que é... É capaz de esquecer a cabeça em casa um dia desses...
Mas não se esqueça...
Se eu chegar à noite e não tiver comprado o cereal pode ter certeza que ficará uma semana sem café
- Se eu um dia esquecer minha cabeça em casa com certeza ele levará para mim, preocupado e insistente daquela maneira não há perigo de sair sem ela, além de não deixar que eu me esqueça de minhas obrigações. Bem que podia se esquecer de pegar no meu pé... Mas isso já seria pedir para que um milagre aconteça.
Seguiu para a geladeira para pegar um copo de suco que tinha feito no dia anterior, na esperança de ter sobrado algo. Ao chegar perto viu outro bilhete igual ao que estava na mesa, era idêntico, parecia uma cópia exata do outro. Renato o ignorou e abriu a geladeira e viu lá no fundo um jarro com liquido vermelho. Um sorriso estampou seu rosto e levou sua mão para pega-la. Estava meio difícil, muitas coisas estavam impedindo a retirada do jarro de suco. Com um pouco de jeito conseguiu retirar e com a outra mão segurou uma tigela com doce, que por pouco quase caiu ao tentar pegar o suco. Com o pé empurrou a porta e foi em direção a mesa.
Ao colocar o doce e o suco na mesa sentiu novamente um formigamento na mão. O mesmo que havia sentido mais cedo. Olhou com curiosidade para a palma de sua mão e viu que havia uma marca, como se houvesse apertado algo com muita força. Ao colocar a outra mão em cima para analisar melhor percebeu que as marcas estavam recentes e ainda estavam doloridas. Tinham a forma de uma chave e sua ponta havia um sol com um designe muito diferente. Então se lembrou do sonho da noite passada e um calafrio passou pelo seu corpo ao perceber que a chave era a mesma de seu sonho. Não conseguia pensar o que poderia ter acontecido. Várias hipóteses já se formavam em sua cabeça.
- Talvez eu tenha apertado algo com esse formato antes de dormir... Mas não justifica estar dolorido até agora, além de ser muito recente...
Sua concentração se desfez ao escutar o telefone tocando. Correu até a sala procurando-o, mas o barulho não vinha dali. Saiu correndo pela casa em busca do telefone, que tocava incessantemente. Achou-o no quarto do Rodrigo em cima de uma escrivaninha, que estava lotada de livros e papeis jogados por todos os lados. Pego-o bem a tempo de atender.
- Alô – falou com uma voz cansada e com pouco fôlego.
- O que você estava fazendo para estar tão cansado desse jeito? Parece que correu uma maratona inteira. E por que demorou atender ao telefone, tava me ignorando?
- Me desculpe, é que estava correndo pela casa procurando o telefone, mas não o achava. Achei-o no quarto do Rodrigo em cima de uma pilha de livros. Além disso, não há como lhe ignorar, você ligaria até eu atender e...
- Não sei não... Você está é com algum rolo e não quer me contar. Com quem está aí? Estão de roupa? E claro que vão se cuidar não é? Lembres-se que é importante ser responsável...
- Ta, já chega Flavia. Eu não estou com rolo nenhum aqui e não me chame de irresponsável.
- Eu não lhe chamei de irresponsável, apenas para se lembrar de ser...
- Para mim dá no mesmo. Mas agora falando ao que interessa... O Rodrigo me contou que você ligou mais cedo me procurando. O que queria?
- É verdade. Eu liguei e aquele ser bruto atendeu, ele é grosso e insensível. Além de muito curioso.
- Acho que você alimenta uma antipatia ilusória por ele. O Rodrigo não é tão ruim assim como fala. É uma cara legal, você deveria conhecê-lo melhor. Mas diga, o que queria falar comigo.
- Ah sim! É para você passar na biblioteca e pegar esses livros para nossa pesquisa. Eu pegaria, mas não estou na cidade e também não teria paciência para isso.
- Está se aproveitando de mim só porque tenho mais paciência para procurar as coisas?
- A paciência é uma virtude que não tenho e você tem de sobra. Mas foi só uma brincadeira. Iria se estivesse na cidade, mas volto só daqui a duas semanas.
- E como está aí em Londres? Muito frio? Esquiando?
- Está muito bom, muito bom mesmo, nunca me diverti tanto como estou agora. Mas não está tão frio assim, ta um clima ameno. Dá até para usar apenas um agasalho leve ao sair de casa. Mas esquiar? Estou em Londres e não nos Alpes da Suíça, mas pelo menos neva algumas vezes na semana.
- É mesmo! Não tem como esquiar em Londres, que burrice minha... Então, me fala aí o nome dos livros para eu poder anotar, vou procurá-los hoje.
- São apenas três, não acho que será difícil de encontrá-los. Anota aí. Cálculo Numérico na Química de Dan Lincoln, Termoquímica e Cinética Química de Luiz Ricardo e Os Segredos do Balanceamento de Wiliam Marco.
- Ta anotado, vou procurá-los ainda hoje – anotou em um papel que o guardou no bolso de sua calça.
- Procura mesmo, não se esqueça que temos que entregar esse trabalho daqui a um mês. E você tem que convir que é muita coisa a fazer.
- É sim. Detesto trabalho grande desse jeito, e se não fizermos ficaremos para recuperação.
- Cala essa boca e procura um jeito de bater três vezes na madeira. Deus me livre ficar para recuperação. Foi por um triz que não fiquei em Eletroquímica.
- É claro, dormindo em toda aula, como queria passar tranqüila nessa matéria?
- Isso não vem ao caso... Ou, vou desligar agora. Estão me chamando ali. Mas vê se não se esquece dos livros. Depois t ligo de novo...
- Certinho. Pode ficar tranqüila que eu não me esquecerei. Um abração e até mais.
- Até mais... Já lhe falei que estarei de volta daqui duas semanas, então não morra de saudades por mim. Eu sei que sou importante e essencial vital a todos vocês...
- Você não tem nada de prepotência...
- Nadinha. Um abraço e não se esqueça dos livros.
- Já disse que não me esquecerei! – falou com certa alteração na voz, demonstrando uma perda de paciência.
- Ta certo, ta certo. Até mais.
- Até...
Ia dizer mais uma coisa, mas antes de poder dizer mais alguma coisa o telefone havia desligado e escutava somente o barulho da linha telefônica. Colocou o telefone no aparelho que ficava na sala, mas sabendo que a noite não estaria mais ali.
Voltou para cozinha, onde seu suco e seu doce os esperavam na mesa. Foi ao armário e pegou algumas torradas que havia escondido no dia anterior. Era o preço por morar com um amigo, tudo devia ser bem guardado, ou melhor, escondido se quisesse conservá-las bem.
- Acho que vou ter que comprar mais torradas – disse colocando a mão dentro do pote e retirando algumas. – Acho que já é o suficiente.
Sentou-se à mesa e pegou o jornal que estava jogando a um canto, estava meio amassado, provavelmente Rodrigo já o lera e o deixou ali. Começou a passar as folhas procurando algo que lhe chamasse a atenção, mas nada além de noticias desagradáveis, economia e política estavam no jornal. Já estava quase terminando, quando uma noticia que diferia das outras lhe chamou a atenção.
O volta da cidade mística por Anna Nicassa
Parece até um conto de fadas, mas é real... A antiga mansão da família Kinomoto, situada na parte norte da cidade foi comprada esta semana por um milhão de Reais pela família Tominy na sede da Corporação Imobiliária de Andara. O evento ocorreu por volta das oito horas da noite e teve a participação do prefeito da cidade juntamente com secretário de urbanização da cidade.
A antiga mansão da família Kinomoto completará nesta semana o seu centenário. Após a morte dos Kinomoto a mansão foi habitada por diferentes famílias, mas elas logo a vendiam legando estar assombrada pelo casal Kinomoto. Houve inúmeros rumores de que vozes ecoavam pela casa, objetos que desapareciam e outros quebravam, mas nada foi comprovado. Com isso ficou desabitada por durante 50 anos e devido a sua misticidade foi obtendo estórias ao decorrer das décadas e cada vez mais seu valor foi crescendo chegando a um número astronômico ao qual foi desembolsado e comprado pela Família Tominy.
Eles afirmam que mudarão para a mansão ainda este mês e asseguraram que não modificarão a estrutura preservando o valor histórico contido nas construções. Os bens que a contem também serão preservados, apenas alguns serão doados para o museu com a finalidade de preservar a história da Família Kinomoto. Com certeza será um novo marco na história de Andara, novos mitos certamente irão surgir trazendo de volta a mística cidade Andara.
Notou que não estava só e que não era o único a ser chamado pela garota que estava na torre. Ao seu lado estavam mais três pessoas, as quais não conhecia. Só deu para notar de que se tratavam de dois garotos e uma garota que apresentavam a mesma idade que ele. Uma chuva de cartas, de cor rosa, começou a cair, nelas se viam imagens variadas, às vezes de pessoas ou de mulheres. Quanto mais tentava segura-las mais elas se afastavam de seu alcance.
Algo então aconteceu. Em sua mão começou a brilhar um objeto que nela continha, não sabia bem o que era. Notou que a mão dos demais também começou a brilhar. Cada um tinha um brilho de cor diferente, o seu era azulado. Olhou em volta e viu que um dos garotos segurava o objeto com um brilho azul, parecia que estava contente, tinha um semblante de conformidade, ao qual não demonstrava medo ou fraqueza. Olhou para o outro lado e viu que a garota segurava o objeto com um brilho vermelho, parecia que estava contente por ter aquilo em mãos. Suas expressões eram de total altivez e um pouco de arrogância. Ele queria ver a cor de todos os brilhos e procurou pelo ultimo garoto que ale se encontrava. O viu um pouco afastado dos demais, estava escorado, diferente dos outros, em um suporte de metal que o deixava com uma expressão de total desanimo e desinteresse pelo o que acontecia. Seu objeto brilhava em um verde muito intenso, bem mais intenso do que todos os outros, mas ele nem dava atenção, nem se quer olhava com curiosidade para sua mão. Sem duvida esse ultimo garoto fugia da regra de todos ali presente, não demonstrava espanto, medo, altivez, demonstrava apenas indiferença quanto a situação, não o importava de estar ou não estar ali.
Lembrou que em sua mão ainda continha um objeto com um brilho amarelo. Ficou tão curioso que procurou observar os dos outros e esqueceu-se do seu. Ao abrir viu uma pequena chave em suas mãos. Era perfeitamente talhada em um material, impossível distinguir de que era feito. Ao lado oposto dos dentes da chave se encontrava um apoio em forma de um sol muito bem feito também, tinha um designe diferente do convencional, totalmente azul e com umas inscrições em japonês que concluiu ser “sol”. A curiosidade o invadiu novamente: se a sua era uma sol, o que seria a dos demais.
Não teve muito tempo para se pensar nisso... No momento em que tentava observar mais atentamente os outros uma grande criatura, com enormes asas que ocupavam grande parte do local onde se encontrava, acabara de pousar ao seu lado. Tinha a aparência de um feroz leão, mas era convidativo e este lhe fez uma reverencia, convidando a montar em seu lombo.
Escutou ao longe, mas em alto e bom som, a voz da garota que se encontrava na torre.
- Venham, não tenham medo. Dará tudo certo. Eu confio em vocês para salvar o mundo das catástrofes desta nova busca pelas cartas. Venham...
Ele olhou para os lados e viu que outras três criaturas também estavam ao lado dos outros garotos. Ao lado da garota se via um ser com grandes cabelos negros que chegavam a sua cintura, tinha grandes asas com a aparência de borboleta. Era toda colorida e em alguns pontos se via listras coloridas, que soltavam feixes de luz quando as balançavam. Ao lado do garoto que segurava o objeto com brilho azul encontrava-se um ser com a aparência de um unicórnio. Tinha o pelo todo prateado e seus olhos eram azuis, o que demonstrava total pureza e serenidade.
Ao lado do garoto, que ainda estava escorado na pilastra de metal segurando seu objeto, talvez ainda nem olhado por ele, estava um magnífico ser, que sem duvida se assimilava a um anjo, isso se não fosse realmente um. Tinha grandes cabelos brancos brilhantes como a lua, seus olhos se perdiam no horizonte, eram azuis e mostravam total coragem e sua mão segurava a do garoto lhe dando total confiança e apoio.
Novamente a voz da garota na torre ecoou por todo espaço, tirando todos eles de uma tamanha admiração e curiosidade que estavam sentindo.
- Venham... O mundo estará em suas mãos jovens Card Captures.
Voltou seus olhos em direção ao enorme ser, ainda ao seu lado, amarelo como chamas. Este lançou-lhe um olhar convidando-o a montar em suas costas. Então o jovem garoto foi, meio receoso, ao seu encontro. A grande criatura estava se preparando para lhe dizer algo, sua voz soou suave e não demonstrava terror, pelo contrario, confiança era o que transmitia.
- Sou Querberos, um dos quatro guardiões das cartas...
Lembrou-se das cartas que caiam e não paravam um segundo se quer. Grande era a vontade de pegar uma. Diferentes brilhos começaram a sair das cartas e outros começaram a cair junto com elas. Tinham cores rosa e vagavam sem direção pelo céu semi nublado, onde a lua ainda brilhava com grande intensidade.
- Vamos, já está na hora – pronunciou Querberos abrindo suas asas e indo em direção ao limite do prédio onde estavam.
Sem muitas palavras acompanhou o guardião das cartas até a beirada do prédio. Com um grande impulso montou em suas costas. Pode notar que os outros também estavam se apoiando nos outros guardiões e se preparavam para partir. A chave em sua mão brilhava mais ainda. Pode ouvir seu nome ser chamado ao longe e aos poucos a voz se aproximava cada vez mais...
- RENATO!!!!!!!!! Já tem um tempão que eu to lhe chamando. Anda logo, você vai acabar perdendo o primeiro horário. ACORDA!!!
O quarto estava escuro, a única luz que se encontrava ali vinha através da porta que continuava aberta. Quando Renato conseguiu abrir os olhos e tentar distinguir, pela voz e pela silhueta que via na porta, quem era que estava lhe chamando uma pequena dor na mão o tirou toda a atenção. Não teve muito tempo para pensar, logo foi surpreendido com uma almofada que fora jogada em sua cara, fazendo cair na cama de novo.
- Vê se não dorme de novo. Eu não vou lhe chamar novamente – falava um jovem alto de cabelos castanhos e com um porte atlético, não chegava a ser como Renato, mas era bem malhado. – Ah! Já ia me esquecendo... A Flavia ligou hoje para você, como ainda tava dormindo não quis incomodar e disse para ela ligar depois.
- O que horas ela ligou? Ela queria o que? – Renato perguntou entre bocejos, sinal de que já acordara.
- Tem aproximadamente meia hora, eu estava na cozinha tomando café e preparando o seu, está lá em cima da mesa. Hoje não tem cereal, não se esquece de comprar depois. Ela não disse o que queria, disse que ligava depois. Mas mencionou algo de um trabalho, me pareceu estar bem irritada. O que houve? Você deu um fora nela?
- Cala a boca e sai logo daqui, deixa eu me vestir – tentava se levantar, ainda meio tonto e com os olhos ainda vermelhos. – Ela disse que horas ia ligar? Não posso ficar aqui a manhã toda esperando. Tenho um monte de coisas a fazer e nem sei por onde começar – seus olhos caíram em cima de uma pilha de livros meio bagunçada, onde havia rascunhos e projetos já concluídos, porém muitos ainda estavam a fazer.
- Eu não sei, não perguntei isso a ela. Além do mais, da ultima vez que eu perguntei ela me mandou largar de ser curioso. Mas ela disse que liga antes do almoço. Bom, eu já estou indo e não me espere hoje, não sei que horas chego. Tenho aula a tarde, que tédio, aquele professor é um saco, ainda procuro entender a razão de ele ter se formado e se tornado professor. Devia mais ser um bibliotecário, com aquele mau humor e falta de esportividade. – disse se retirando do quarto e se queixando até sua voz não ser mais ouvida no quarto.
Pode se ouvir a porta bater e um barulho de bicicleta na rua lá fora. O barulho foi ouvido até certo ponto, onde se ouviu um barulho diferente e algo caído no chão. Seguiu-se uma lamuria e um grito – Droga!!! – que ecoou pela rua que não apresentava muito movimento ainda pela manhã. Renato foi em direção a janela, abriu-a e a luz da manhã invadiu seu quarto e seus olhos, quase o cegando. Com muito esforço deu para ver Rodrigo ainda caído no chão, tentando tirar a bicicleta de cima de seu corpo inerte no asfalto. A cena era hilariante, ótima para se começar um dia.
- Eu disse para você trocar os freios dela, isso é o que dá economizar tanto e andar com uma bicicleta caindo aos pedaços – falou gritando da janela que estava no segundo andar da casa onde moravam. – Além do mais, os pneus estão lisos, pode acontecer outro acidente, tome cuidado...
- Vai cuidar da sua vida!!! Já cai mesmo, não precisa ficar dizendo “eu lhe avisei” tomara que você caia da sua hoje também. – Rodrigo respondeu gritando na mesma intensidade, montando-a novamente e seguindo em direção à avenida que tinha ali perto. - E isso é uma praga que estou lhe jogando, vai cair também por ter rido de mim – e seguiu, emburrado e com raiva, em direção a avenida.
Renato abriu a boca para responder, mas deixou de lado, viu que não adiantaria brigar com Rodrigo logo pela manhã, ainda mais tendo um monte de trabalhos a fazer. Dirigiu-se à porta do quarto, desceu as escadas e seguiu em direção da cozinha. O café que Rodrigo havia feito estava em cima da mesa, assim como o mesmo dissera. Ao lado havia um bilhete:
Não se esqueça de comprar o cereal...
Do jeito que é... É capaz de esquecer a cabeça em casa um dia desses...
Mas não se esqueça...
Se eu chegar à noite e não tiver comprado o cereal pode ter certeza que ficará uma semana sem café
- Se eu um dia esquecer minha cabeça em casa com certeza ele levará para mim, preocupado e insistente daquela maneira não há perigo de sair sem ela, além de não deixar que eu me esqueça de minhas obrigações. Bem que podia se esquecer de pegar no meu pé... Mas isso já seria pedir para que um milagre aconteça.
Seguiu para a geladeira para pegar um copo de suco que tinha feito no dia anterior, na esperança de ter sobrado algo. Ao chegar perto viu outro bilhete igual ao que estava na mesa, era idêntico, parecia uma cópia exata do outro. Renato o ignorou e abriu a geladeira e viu lá no fundo um jarro com liquido vermelho. Um sorriso estampou seu rosto e levou sua mão para pega-la. Estava meio difícil, muitas coisas estavam impedindo a retirada do jarro de suco. Com um pouco de jeito conseguiu retirar e com a outra mão segurou uma tigela com doce, que por pouco quase caiu ao tentar pegar o suco. Com o pé empurrou a porta e foi em direção a mesa.
Ao colocar o doce e o suco na mesa sentiu novamente um formigamento na mão. O mesmo que havia sentido mais cedo. Olhou com curiosidade para a palma de sua mão e viu que havia uma marca, como se houvesse apertado algo com muita força. Ao colocar a outra mão em cima para analisar melhor percebeu que as marcas estavam recentes e ainda estavam doloridas. Tinham a forma de uma chave e sua ponta havia um sol com um designe muito diferente. Então se lembrou do sonho da noite passada e um calafrio passou pelo seu corpo ao perceber que a chave era a mesma de seu sonho. Não conseguia pensar o que poderia ter acontecido. Várias hipóteses já se formavam em sua cabeça.
- Talvez eu tenha apertado algo com esse formato antes de dormir... Mas não justifica estar dolorido até agora, além de ser muito recente...
Sua concentração se desfez ao escutar o telefone tocando. Correu até a sala procurando-o, mas o barulho não vinha dali. Saiu correndo pela casa em busca do telefone, que tocava incessantemente. Achou-o no quarto do Rodrigo em cima de uma escrivaninha, que estava lotada de livros e papeis jogados por todos os lados. Pego-o bem a tempo de atender.
- Alô – falou com uma voz cansada e com pouco fôlego.
- O que você estava fazendo para estar tão cansado desse jeito? Parece que correu uma maratona inteira. E por que demorou atender ao telefone, tava me ignorando?
- Me desculpe, é que estava correndo pela casa procurando o telefone, mas não o achava. Achei-o no quarto do Rodrigo em cima de uma pilha de livros. Além disso, não há como lhe ignorar, você ligaria até eu atender e...
- Não sei não... Você está é com algum rolo e não quer me contar. Com quem está aí? Estão de roupa? E claro que vão se cuidar não é? Lembres-se que é importante ser responsável...
- Ta, já chega Flavia. Eu não estou com rolo nenhum aqui e não me chame de irresponsável.
- Eu não lhe chamei de irresponsável, apenas para se lembrar de ser...
- Para mim dá no mesmo. Mas agora falando ao que interessa... O Rodrigo me contou que você ligou mais cedo me procurando. O que queria?
- É verdade. Eu liguei e aquele ser bruto atendeu, ele é grosso e insensível. Além de muito curioso.
- Acho que você alimenta uma antipatia ilusória por ele. O Rodrigo não é tão ruim assim como fala. É uma cara legal, você deveria conhecê-lo melhor. Mas diga, o que queria falar comigo.
- Ah sim! É para você passar na biblioteca e pegar esses livros para nossa pesquisa. Eu pegaria, mas não estou na cidade e também não teria paciência para isso.
- Está se aproveitando de mim só porque tenho mais paciência para procurar as coisas?
- A paciência é uma virtude que não tenho e você tem de sobra. Mas foi só uma brincadeira. Iria se estivesse na cidade, mas volto só daqui a duas semanas.
- E como está aí em Londres? Muito frio? Esquiando?
- Está muito bom, muito bom mesmo, nunca me diverti tanto como estou agora. Mas não está tão frio assim, ta um clima ameno. Dá até para usar apenas um agasalho leve ao sair de casa. Mas esquiar? Estou em Londres e não nos Alpes da Suíça, mas pelo menos neva algumas vezes na semana.
- É mesmo! Não tem como esquiar em Londres, que burrice minha... Então, me fala aí o nome dos livros para eu poder anotar, vou procurá-los hoje.
- São apenas três, não acho que será difícil de encontrá-los. Anota aí. Cálculo Numérico na Química de Dan Lincoln, Termoquímica e Cinética Química de Luiz Ricardo e Os Segredos do Balanceamento de Wiliam Marco.
- Ta anotado, vou procurá-los ainda hoje – anotou em um papel que o guardou no bolso de sua calça.
- Procura mesmo, não se esqueça que temos que entregar esse trabalho daqui a um mês. E você tem que convir que é muita coisa a fazer.
- É sim. Detesto trabalho grande desse jeito, e se não fizermos ficaremos para recuperação.
- Cala essa boca e procura um jeito de bater três vezes na madeira. Deus me livre ficar para recuperação. Foi por um triz que não fiquei em Eletroquímica.
- É claro, dormindo em toda aula, como queria passar tranqüila nessa matéria?
- Isso não vem ao caso... Ou, vou desligar agora. Estão me chamando ali. Mas vê se não se esquece dos livros. Depois t ligo de novo...
- Certinho. Pode ficar tranqüila que eu não me esquecerei. Um abração e até mais.
- Até mais... Já lhe falei que estarei de volta daqui duas semanas, então não morra de saudades por mim. Eu sei que sou importante e essencial vital a todos vocês...
- Você não tem nada de prepotência...
- Nadinha. Um abraço e não se esqueça dos livros.
- Já disse que não me esquecerei! – falou com certa alteração na voz, demonstrando uma perda de paciência.
- Ta certo, ta certo. Até mais.
- Até...
Ia dizer mais uma coisa, mas antes de poder dizer mais alguma coisa o telefone havia desligado e escutava somente o barulho da linha telefônica. Colocou o telefone no aparelho que ficava na sala, mas sabendo que a noite não estaria mais ali.
Voltou para cozinha, onde seu suco e seu doce os esperavam na mesa. Foi ao armário e pegou algumas torradas que havia escondido no dia anterior. Era o preço por morar com um amigo, tudo devia ser bem guardado, ou melhor, escondido se quisesse conservá-las bem.
- Acho que vou ter que comprar mais torradas – disse colocando a mão dentro do pote e retirando algumas. – Acho que já é o suficiente.
Sentou-se à mesa e pegou o jornal que estava jogando a um canto, estava meio amassado, provavelmente Rodrigo já o lera e o deixou ali. Começou a passar as folhas procurando algo que lhe chamasse a atenção, mas nada além de noticias desagradáveis, economia e política estavam no jornal. Já estava quase terminando, quando uma noticia que diferia das outras lhe chamou a atenção.
O volta da cidade mística por Anna Nicassa
Parece até um conto de fadas, mas é real... A antiga mansão da família Kinomoto, situada na parte norte da cidade foi comprada esta semana por um milhão de Reais pela família Tominy na sede da Corporação Imobiliária de Andara. O evento ocorreu por volta das oito horas da noite e teve a participação do prefeito da cidade juntamente com secretário de urbanização da cidade.
A antiga mansão da família Kinomoto completará nesta semana o seu centenário. Após a morte dos Kinomoto a mansão foi habitada por diferentes famílias, mas elas logo a vendiam legando estar assombrada pelo casal Kinomoto. Houve inúmeros rumores de que vozes ecoavam pela casa, objetos que desapareciam e outros quebravam, mas nada foi comprovado. Com isso ficou desabitada por durante 50 anos e devido a sua misticidade foi obtendo estórias ao decorrer das décadas e cada vez mais seu valor foi crescendo chegando a um número astronômico ao qual foi desembolsado e comprado pela Família Tominy.
Eles afirmam que mudarão para a mansão ainda este mês e asseguraram que não modificarão a estrutura preservando o valor histórico contido nas construções. Os bens que a contem também serão preservados, apenas alguns serão doados para o museu com a finalidade de preservar a história da Família Kinomoto. Com certeza será um novo marco na história de Andara, novos mitos certamente irão surgir trazendo de volta a mística cidade Andara.
Pessoal, começo agora a escrever minha primeira história, quem sabe eu consiga terminá-la, tomara que eu não perca o animo!
Esse primeiro capítulo eu dedico a um conhecido do passado, cujo nome é um dos personagens da história, Renato.
Paulo M. Goulart
Cards Infinity
O Lago de Cristal
Capítulo 1
O Misterioso Sonho
Paulo M. Goulart ©2007 – 2008
Finalizada em 25 de Novembro de 2007
Cards Infinity – O Lago de Cristal
TryMax ©2008
Paulo M. Goulart ©2007 – 2008
História Original: Clamp ©1996; Japão
Alguns nomes e imagens são de autoria do Estúdio Clamp e possuem direitos autorais reservados as autoras. Os demais nomes, tipologias e símbolos são de direitos autorais do autor desta história
Brasil, 2008

