Capítulo 12
A Esfera Negra
Paulo M. Goulart, ©2008
A Esfera Negra
Paulo M. Goulart, ©2008
- Lukas!!! Lukas!!! Cadê você, onde você se meteu... – Renato falava desesperadamente enquanto corria em direção ao lugar onde o guardião sumira.
Marine e Lana vieram atrás, correndo com passos longos, encontrar Renato. Todos procuravam para todos os lados sinais de Lukas, mas nada encontravam. A densa nevoa negra começou a se dissipar, deixando mais claro onde eles estavam.
Renato gritava o nome do amigo para todos os lados, esperando que de algum lugar ele pudesse sair e dizer que tudo havia sido uma brincadeira, mas nada. Lukas não apareceu, nenhum dos seus pertences foi encontrado. E sumiu após descobrir a identidade da carta que procuravam e foi antes de poder dizer a todos qual era.
Os garotos ainda estavam confusos com o que tinha acontecido, tudo foi muito rápido. Renato se culpava por deixar o amigo ir sozinho, queria estar com ele para não deixar que fosse “seqüestrado”, essa era a melhor palavra que vinha em sua cabeça. A floresta os mantinham reféns e agora a carta seqüestrou seu melhor amigo. Marine começou a chorar sem nenhum receio ou vergonha, escorou-se no ombro de Lana derramou seu pranto; estava muito assustada, o dia anterior ainda estava muito forte em sua cabeça e não conseguia esquecer o desastre causado pela chuva, tinha medo que algo de ruim pudesse acontecer com Lukas.
Lana mantinha-se impassível, não chorava, muito menos demonstrava qualquer sinal de fraqueza. Estava com os olhos fixos a frente, onde supostamente algo chamava sua atenção. Colocou a mão na cabeça da amiga e pronunciou alguma coisa que ela não conseguiu escutar, nem Renato que não parava um minuto de gritar e se lamentar pelo sumiço do amigo.
- Lukas!!! Droga, - falou entre soluços, as lágrimas começaram a escorrer do nada de seus olhos – foi tudo culpa minha... Se eu tivesse com ele, talvez eu poderia salvá-lo.
- Não chore agora Renato... – Lana disse com toda a seriedade que tinha, longe das risadas e das habituais brincadeiras, o que fez a atenção do garoto recair sobre ela. – Você precisa ser forte agora. Eles foram por ali – disse apontando para o lugar onde tanto olhava. – Vamos segui-los ainda dá para alcançá-los. Eu trouxe nossas mochilas...
- Como você sabe que eles foram por ali Lana? – Marine levantou a cabeça para perguntar à amiga, pegando a sua mochila da mão da garota. Queria ter certeza de que havia chances de Lukas ainda estar vivo.
- Eu posso sentir um pequeno fragmento da magia dele... Mínima, quase imperceptível, isso quer dizer que ele ainda está vivo... Ainda podemos alcançá-lo.
- Certo! – Disse Renato enxugando suas lágrimas e tomando a liderança do grupo. – É por aqui mesmo...?
- É... Está bem a frente de nós, por isso é melhor corrermos... – Lana puxou Marine pelo braço e começou a acelerar as passadas, logo estavam correndo.
Renato a frente, olhando para todos os lados, liderava o grupo com coragem e garra, nem parecia o mesmo que agora apouco chorava como uma criança indefesa.
“É... Chorar não resolverá nada... Eu sou forte e vou conseguir salvar você Lukas, pode ficar tranqüilo.” Os pensamentos de Renato estavam concentrados em salvar Lukas, custasse o que custar.
Correram, sempre em frente, mudando o curso algumas vezes por causa de galhos e pedras que surgiam no caminho. As vezes as mochilas ficavam presas nas árvores, mas a pressa era tanta e a preocupação era imensa que eles mal se preocupavam em tirá-las com cuidado; destruíam os galhos que as prendiam e seguiam correndo, nem ao menos olhavam o estado que ficava seus pertences.
- Por aqui! – gritou Lana entre Marine e Renato. – Está ficando mais forte...
Lana tomou a frente e mudou um pouco a rota.
- Ele ainda está vivo, eu sei que está! – Renato falava entre os dentes, suas lágrimas não caiam mais. Agora seu semblante era de severidade e determinação. Tinham que encontrar Lukas a todo custo, a vida do amigo dependia deles.
Renato foi se cansando, o grupo já havia corrido por um longo percurso e nenhum sinal deles, mas Lana não cansava de dizer que sentia um mínimo do fragmento de magia de Lukas e afirmava que estavam bem próximos. A cada galho afiado que passavam em seus corpos se formava um novo corte, no entanto isso não tinha importância, a vida de Lukas era mais importante que qualquer pequeno corte que viesse a ocorrer. As mochilas já apresentavam sinais de desgaste, a velocidade intensa fazia com que elas se prendessem com mais freqüência em alguns galhos, por causa disso estavam rasgando suas laterais. A mochila de Marine parecia não agüentar por muito tempo, o bolso lateral já estava quase todo corroído e uma das alças estava por um fio.
Lana mudou mais uma vez a direção, entrando em uma clareira que ficava cada vez mais aberta. Logo puderam avistar uma coisa que flutuava em sua frente. Dentro dela algo se mexia violentamente, tentava com todas suas forças se soltar, mas nada resolvia, suas forças não eram suficiente para escapar de dentro da esfera negra.
- Alí estão eles – gritou Lana, correndo mais rápido do que podia -, vamos corram! Precisamos alcançar-los...
E correram o mais que puderam, a ponto de suas pernas começarem a adormecer. Os olhos de Lana já estavam molhados de suor, o que dificultava um pouco sua visão; fez um gesto para que Renato passasse a sua frente, e este logo o fez. Renato tentava lutar contra os números galhos que vinham em sua direção, partindo de todos os lados. Com um gesto bem decido e levou a mão direita em seu pescoço e retirou a chave mágica do sol, segurando-a com as últimas de suas forças. Estava para se entregar, mas a amizade que sentia pelo garoto era forte demais para impedi-los.
- Parece que está parando... – Marine disse entre afagos, vendo que a esfera começara a parar. – é a nossa chance... temos que alcançá-los agora.
Marine tinha razão, a massa negra estava diminuindo sua velocidade, ficando cada vez mais lenta. Flutuava serenamente sobre algo desconhecido, apenas o reflexo de um pequeno feixe de luz era visível apesar de toda a escuridão e a densa camada de sombras que os cercavam. A imagem que tinham da carta ficava cada vez mais visível ao passo que os garotos corriam em sua direção.
A densa esfera, então, parou completo, permanecendo imóvel sobre alguma coisa. Ainda flutuando mostrava em seu interior a figura do guardião lutando para sair, mas era bem fácil perceber que a vida estava se extinguindo ali dentro. A cada segundo que passava era um tormento para Lukas que, ainda tentava desesperadamente tentava se libertar da armadilha da carta, mas já não tinha forças nem para levantar o braço.
Os garotos entraram por um pequeno corredor de folhas secas e chegaram a enorme clareira onde a esfera se encontrava. Tudo então se clareou e eles puderam ver onde a carta havia parado. Flutuava estaticamente no centro do lago da floresta, não muito longe da água, mas decididamente longe da margem.
- Ela está no meio do lago... – disse Lana pensativa, correndo os olhos a volta da clareira.
- Por que ela parou no meio dele...? – Marine revelou um pouco de medo ao pronunciar suas mínimas palavras –. Não estou gostando nadinha disso.
Os três garotos ficaram a observar algum movimento da carta. Entretanto nada acontecia. E Lukas se desesperava cada vez mais para sair. O ar estava acabando e o guardião, agora totalmente indefeso, respirava o que lhe restava e ficava inconsciente. Sua mão caiu para o lado, seus olhos se fecharam e seu corpo gelou como o mais gélido ar frio da noite.
- Não! Lukas... Não!!! – Renato gritou o mais alto que pode ao ver aquela cena a sua frente.
- Rápido! Temos que fazer alguma coisa... – Marine dizia já retirando sua chave do seu pescoço.
- Certo! – confirmou Renato.
Renato colocou sua mão a frente e a abriu, revelando a pequena chave caída sobre sua palma e com a voz firme pronunciou o encantamento que já ansiava por fazer a algum tempo.
- Chave que guarda o poder do Sol. Mostre seus verdadeiros poderes sobre nós. E ofereça-os ao valente Renato que aceitou essa missão. LIBERTE-SE!!!
O báculo seguro em uma de suas mãos apontava para o céu e com a outra pegou a sua única carta que estava dentro de seu bolso.
- Tomara que funcione... – pronunciou para si mesmo.
Desceu o báculo que estava no alto para sua frente em direção a carta que já estava no ar.
- Vento!
A delicada mulher com fios de brisa surgiu entre eles, trazendo uma leve e quente brisa a todos eles.
- Vento tente destruir a barreira da carta! Tente salvar o Lukas... Por favor...!
A carta nem esperou que Renato completasse e foi em direção a esfera negra no centro do lago. Suas brisas se tornaram fortes ventanias e mudaram do suave para o hostil. Em poucos segundos a encontrou, batendo de frete e empurrando-a para a margem do outro lado.
Em poucos segundos as duas Cartas começaram a brigar violentamente soltando raios de energia a todos os lados e grandes estrondos soavam a todos os cantos. A massa negra tentava desviar de todos os ataques de Vento, mas tudo era em vão, os movimentos de Vento eram totalmente calculados, cada investida, cada ataque, acertava em cheio a esfera, mas não estava sendo o suficiente para libertar Lukas.
- Vento tente transpassá-la...! Só assim você conseguirá tirar ele lá de dentro. – gritava Renato correndo em direção a margem onde elas brigavam em fúria.
Vento entendeu muito bem o recado de seu mago. Parou com as investidas, recuando uma pequena distância acima e voltando para o ataque decisivo. Com certeza não teriam mais chance de salvar Lukas com vida caso esse falhasse.
A carta avançou em direção a outra, mergulhando de cabeça com toda sua energia. De suas laterais saíram inúmeras correntes de vento, que com a velocidade se tornaram flechas prontas ao ataque. Em volta da carta as flechas estavam prontas e afiadas, todas elas circulando uma flecha ainda maior e mais poderosa, que era a própria Carta Vento.
A chuva de flechas estava caindo em um único alvo. A massa negra tentou desviar, porém sem nenhum sucesso. A Carta Vento desferiu um ataque certeiro, que atravessou por completo a esfera, provocando uma explosão. Rajadas de vento foi lançados para todos os lados, da mesma forma que traços da escuridão foram espalhados por todo o lago.
A Carta Vento logo se refez como se nada tivesse acontecido, a frente dos garotos com seu rosto determinado e ameaçador. Lukas havia caído próximo a Renato e este foi ampará-lo o mais rápido que pode. Correu rapidamente entre os gravetos e arbustos. O medo o invadia, temia que algo de ruim pudesse ter acontecido. A figura de Lukas caído, imóvel, despertava nele a pior das sensações.
- Lukas! Lukas! Lukas! Você está bem...?! Fale comigo! Por favor...! – Renato tentava reanimar o garoto ainda inconsciente. Lágrimas escorriam por seu rosto. As palavras se misturavam com os soluços.
- Sombra... – gemeu Lukas, fazendo o máximo de esforço para pronunciar as poucas palavras que saiam de sua boca. – Sombra... É a Carta da Sombra...
- Lukas!!!
Um forte abraço envolveu os dois garotos, as palavras de Lukas, fracas e finas, foram sufocadas pelo forte abraço do garoto. Segurou-o bem forte, deixando que as lágrimas se seguissem por seus rostos.
- Acho que já disse isso... para você... Não vai ficar livre de mim tão cedo... – disse Lukas abrindo um pequeno sorriso.
- Nem você vai ficar livre de mim tão cedo. – replicou Renato entre soluços e sorrisos.
O medo que Renato sentiu foi um dos mais fortes de sua vida, só perdia para um que sentiu a quatro anos atrás, mas agora estava passando. Lukas com o enorme sorriso em seu colo fazia com que seu medo se transformasse em coragem e fúria. Depositou a cabeça do amigo no chão, ajeitando-o em uma posição confortável e levantou-se com os olhos ardendo em fúria.
- Temos que encontrar a carta, para onde ela foi – sussurrou para si mesmo.
Marine e Lana vinham correndo, circulando o lago e driblando os gravetos espalhados pelo chão. Lana vinha à frente, ofegante e preocupada. Pedia para que Lukas estivesse bem e que nada de mal acontecesse com ele. Apesar das discussões gostava muito dele, se conheciam a séculos, desde quando o Mago Clow os criou como guardiões das cartas. Não iria permitir que nada de mal acontecesse com ele.
Marine, por sua vez, estava muito atrás. Cada galho e arbusto faziam com que a garota se atrasasse cada vez mais. O fato de só viver na cidade e não ter o hábito de entrar na floresta fazia com que a garota ficasse meio desajeitada. De longe Marine pode ver Lana encontrando os garotos e dando um forte abraço em Lukas e também pode ver as lágrimas que escorreram dos olhos dela.
Mas agora outra coisa chamava mais a atenção da garota. O lago estava ficando, negro uma substancia cobria a superfície, como uma densa nevoa negra. Parecia que só Marine estava vendo aquilo se formando no lago. Claro, todos os três garotos estavam conversando euforicamente e não estavam prestando atenção no que acontecia atrás deles.
A substância negra começou a se juntar no centro do lago, tomando a forma de algum ser. Marine que já andava bem devagar parou completamente para observar o que estava acontecendo. Lukas e Lana conversavam e Renato os ouvia com um grande sorriso no rosto.
- O que está acontecendo...? Só pode ser ela...
Toda a névoa que cobria a superfície se juntou completamente construindo uma figura no centro do lago, parecia ser alguém envolto em uma capa, que o cobria da cabeça aos pés. A Carta Sombra tinha assumido sua verdadeira.
Marine pensou em avisar os garotos gritando-os, mas isso faria eles perderem tempo. A Carta Vento estava acima deles, girando em círculos desde que libertou Lukas, não podia contar com ela, já que só obedecia as ordens de Renato. Não demorou para que a Carta Sombra começasse a deslizar sobre a água indo em direção dos garotos. Aumentou sua velocidade, logo chegariam até eles e os pegariam de surpresa.
- Mas não vai mesmo...
- Chave que guarda o poder da Galáxia, mostre seus verdadeiros poderes sobre nós. E os ofereça-os a valente Marine que aceitou essa missão. LIBERTISSE!!!
O báculo da galáxia tinha tomado forma em suas mãos, as elipses começaram a circular o planeta avermelhado suavemente. Marine tirou sua carta do bolso e a jogou no ar.
- Chuva!!!
Os garotos viraram-se para a garota ao escutá-la dizer as palavras mágicas, o báculo do planeta já estava em suas mãos pronto para libertar uma das entidades mágicas. A carta da Chuva tomou forma, desta vez tinha a aparência dócil e comportada, sem nenhuma traquinagem.
Os garotos, principalmente Lana, não entendiam o que estava acontecendo. Tentavam imaginar o motivo que fez Marine libertar a carta da chuva.
- Cuidado! – Marine gritou apontando para o outro ser que avançava sobre eles. – Rápido!!! Saiam daí!!!
Renato e Marine não tiveram muito tempo para pensar, tampouco para agir, agarraram Lukas e o levantou pelos braços, fazendo o apoiar em seus ombros. Olharam por um pequeno instante para trás a tempo de ver a Carta Sombra surgir atrás deles, pronta para atacar. Do outro lado vinha rapidamente, impulsionada pela força da água do lago, a Carta Chuva, com seus ornamentos goticulares balançando e brilhando com as gotas de chuva, que já começavam a cair.
- Chuva faça do mesmo jeito que você fez ontem... crie uma tromba d’água para prender a Carta da Sombra... Você se lembra...
Marine fez gestos com as mãos para que a sua carta pudesse entender o que deveria ser feito, mas não era preciso. Sombra havia parado seu ataque e se preparava para um novo, mas dessa vez seu alvo era a carta que estava vindo em sua direção.
- Vamos Lukas, tente andar mais rápido... – Lana dizia em suspiros ao amigo; do seu lado, Renato já demonstrava sinais de cansaço. – Vamos deixá-lo ali...! – Lana apontou para uma árvore que estava adiante deles.
Renato e Lana deixaram Lukas, ainda sem forças, encostado na árvore, acomodando seu corpo suavemente sobre os galhos e folhas. Lukas sentiu algo o incomodar, mas logo passou.
A Carta Chuva alcançou Sombra, a qual fugiu para o centro do lago, mas definitivamente havia sido uma péssima escolha. Chuva iniciou uma espécie de dança, circulando em torno da de Sombra, já no meio do lago. Os círculos ficaram mais velozes e mais vorazes, em poucos segundos a tromba d’água foi tomando forma, encurralando a Carta Sombra.
- Perfeito Chuva, continue assim! – disse Marine ao ver seu plano dando certo. – Agora feche mais o circulo e prenda a prenda de vez...!
E assim a carta obedeceu sua dona. Chuva subiu até o alto da tromba, suas gotas de chuva caiam por todos os lados e aumentou a velocidade dos círculos, com isso fez o que Marine ordenara: a tromba estava fechando seu cerco e prendia em seu interior, agora indefesa, a Carta Sombra.
- Renato use o báculo agora! – Gritou Lukas, que agora se levantava para não perder a cena que veria a seguir.
- Certo... – Renato tomou o báculo em suas mãos e o ergueu em direção a tromba d’água. – Volte à forma humilde que merece... Carta Sakura!!!
Uma carta vazia se materializou na ponta do báculo do sol e uma forte rajada de vento, um pouco amarelado, atingiu em cheio o turbilhão de água, arrastando-os para a direção de Renato.
- Chuva solte-a... deixe agora com Renato. – disse Marine para a carta e esta fez o que sua mestra dizia.
A entidade mágica ainda tentava fugir, mas a forma que a puxava era maior e mais resistente. Em poucos segundos a carta vazia era preenchida com mais uma das entidades criada por Clow Red e transformada por Sakura Kinomoto. A carta, agora aprisionada deus alguns giros no ar, as cartas chuva e vento, libertas sobre o lago, a faziam rodopiar por todos os lados, até que voltou ao lugar e que Renato estava. A carta caiu lentamente, encaixando em suas mãos prontas a apará-la.
- Até que enfim... – falou Renato, enquanto se jogava na margem do lago, deitando de costas sobre a relva molhada pela chuva.
- Bota enfim nisso, já não agüentava mais correr atrás dessa carta, pelo amor de Deus, a gente passou horrores... Olha só o nosso estado, olha só meus pés! Estão me matando e além do mais eu preciso daquele seu creme de mãos Marine para... – Lana falava e falava, feito um brinquedo que acabou de ganhar pilhas novas.
Só Lukas, ainda tonto, e Marine, que já se reunia ao grupo, davam atenção ao discurso inacabado da guardiã. Renato detinha toda sua atenção a carta rosa e a entidade mágica, agora aprisionada em seu interior, tinha o formato de uma capa de viagem, vazia, a não ser por uma escuridão que preenchia todo seu interior. Em baixo da figura do ser mágico uma tira, assim como nas outras cartas, informava o nome do ser: The Shadow; e em cima, no centro da estrela uma inscrição Kanji dizia o mesmo, porém em japonês. Renato rapidamente retirou uma caneta de seu bolso e com ela escreveu seu nome na sua nova carta, logo abaixo da fita de identificação.
As cartas Vento e Chuva voltaram ao seu estado de carta. Renato tinha agora, duas, das 52 cartas, em suas mãos e Marine apenas uma. “Até quando isso vai durar” pensou ele, recordando-se dos últimos três dias desde aquele sonho.
- E agora, o que faremos...? Devem ser umas três horas da manhã... como sairemos daqui. – Lana ainda continuava a falar, de certo não havia parado um segundo se quer com o seu monologo de reclamações e exigências.
- Bom... – disse Renato se levantando e se juntando ao grupo. – Já que já são três da manhã não custa nada esperar o amanhecer, que por sinal não deve demorar muito.
- Eu também concordo com o Renato – disse Marine, fazendo com que o inevitável acontecesse, o encontro de seus olhos com os de Renato. – Assim a gente pode descansar um pouco... – disse com seu rosto já avermelhado.
- Então está certo, ficaremos aqui até que amanheça. – disse Lukas, se ajeitando um pouco, para tirar um pouco do incomodo que sentia. – Podemos beber água desse lago e dormir um pouco... por que, sinceramente, estou muito cansado. – disse soltando um bocejo e fechando seus olhos.
- Ei!!! Então quer dizer que ainda ficaremos aqui nessa prisão até de manhã. – Disse Lana em replica aos argumentos dos garotos. – Eu não acredito! Eu quero logo um banho quente... Ei!!! Vocês três não durmam, não me deixem falando sozinha... Acordem!!!
Agora sim, o final do arco 4... Até que enfim... Mas não pensem que a aventura termina aqui, ainda tem muita pedra no caminho! Aguardem e comentem!
Marine e Lana vieram atrás, correndo com passos longos, encontrar Renato. Todos procuravam para todos os lados sinais de Lukas, mas nada encontravam. A densa nevoa negra começou a se dissipar, deixando mais claro onde eles estavam.
Renato gritava o nome do amigo para todos os lados, esperando que de algum lugar ele pudesse sair e dizer que tudo havia sido uma brincadeira, mas nada. Lukas não apareceu, nenhum dos seus pertences foi encontrado. E sumiu após descobrir a identidade da carta que procuravam e foi antes de poder dizer a todos qual era.
Os garotos ainda estavam confusos com o que tinha acontecido, tudo foi muito rápido. Renato se culpava por deixar o amigo ir sozinho, queria estar com ele para não deixar que fosse “seqüestrado”, essa era a melhor palavra que vinha em sua cabeça. A floresta os mantinham reféns e agora a carta seqüestrou seu melhor amigo. Marine começou a chorar sem nenhum receio ou vergonha, escorou-se no ombro de Lana derramou seu pranto; estava muito assustada, o dia anterior ainda estava muito forte em sua cabeça e não conseguia esquecer o desastre causado pela chuva, tinha medo que algo de ruim pudesse acontecer com Lukas.
Lana mantinha-se impassível, não chorava, muito menos demonstrava qualquer sinal de fraqueza. Estava com os olhos fixos a frente, onde supostamente algo chamava sua atenção. Colocou a mão na cabeça da amiga e pronunciou alguma coisa que ela não conseguiu escutar, nem Renato que não parava um minuto de gritar e se lamentar pelo sumiço do amigo.
- Lukas!!! Droga, - falou entre soluços, as lágrimas começaram a escorrer do nada de seus olhos – foi tudo culpa minha... Se eu tivesse com ele, talvez eu poderia salvá-lo.
- Não chore agora Renato... – Lana disse com toda a seriedade que tinha, longe das risadas e das habituais brincadeiras, o que fez a atenção do garoto recair sobre ela. – Você precisa ser forte agora. Eles foram por ali – disse apontando para o lugar onde tanto olhava. – Vamos segui-los ainda dá para alcançá-los. Eu trouxe nossas mochilas...
- Como você sabe que eles foram por ali Lana? – Marine levantou a cabeça para perguntar à amiga, pegando a sua mochila da mão da garota. Queria ter certeza de que havia chances de Lukas ainda estar vivo.
- Eu posso sentir um pequeno fragmento da magia dele... Mínima, quase imperceptível, isso quer dizer que ele ainda está vivo... Ainda podemos alcançá-lo.
- Certo! – Disse Renato enxugando suas lágrimas e tomando a liderança do grupo. – É por aqui mesmo...?
- É... Está bem a frente de nós, por isso é melhor corrermos... – Lana puxou Marine pelo braço e começou a acelerar as passadas, logo estavam correndo.
Renato a frente, olhando para todos os lados, liderava o grupo com coragem e garra, nem parecia o mesmo que agora apouco chorava como uma criança indefesa.
“É... Chorar não resolverá nada... Eu sou forte e vou conseguir salvar você Lukas, pode ficar tranqüilo.” Os pensamentos de Renato estavam concentrados em salvar Lukas, custasse o que custar.
Correram, sempre em frente, mudando o curso algumas vezes por causa de galhos e pedras que surgiam no caminho. As vezes as mochilas ficavam presas nas árvores, mas a pressa era tanta e a preocupação era imensa que eles mal se preocupavam em tirá-las com cuidado; destruíam os galhos que as prendiam e seguiam correndo, nem ao menos olhavam o estado que ficava seus pertences.
- Por aqui! – gritou Lana entre Marine e Renato. – Está ficando mais forte...
Lana tomou a frente e mudou um pouco a rota.
- Ele ainda está vivo, eu sei que está! – Renato falava entre os dentes, suas lágrimas não caiam mais. Agora seu semblante era de severidade e determinação. Tinham que encontrar Lukas a todo custo, a vida do amigo dependia deles.
Renato foi se cansando, o grupo já havia corrido por um longo percurso e nenhum sinal deles, mas Lana não cansava de dizer que sentia um mínimo do fragmento de magia de Lukas e afirmava que estavam bem próximos. A cada galho afiado que passavam em seus corpos se formava um novo corte, no entanto isso não tinha importância, a vida de Lukas era mais importante que qualquer pequeno corte que viesse a ocorrer. As mochilas já apresentavam sinais de desgaste, a velocidade intensa fazia com que elas se prendessem com mais freqüência em alguns galhos, por causa disso estavam rasgando suas laterais. A mochila de Marine parecia não agüentar por muito tempo, o bolso lateral já estava quase todo corroído e uma das alças estava por um fio.
Lana mudou mais uma vez a direção, entrando em uma clareira que ficava cada vez mais aberta. Logo puderam avistar uma coisa que flutuava em sua frente. Dentro dela algo se mexia violentamente, tentava com todas suas forças se soltar, mas nada resolvia, suas forças não eram suficiente para escapar de dentro da esfera negra.
- Alí estão eles – gritou Lana, correndo mais rápido do que podia -, vamos corram! Precisamos alcançar-los...
E correram o mais que puderam, a ponto de suas pernas começarem a adormecer. Os olhos de Lana já estavam molhados de suor, o que dificultava um pouco sua visão; fez um gesto para que Renato passasse a sua frente, e este logo o fez. Renato tentava lutar contra os números galhos que vinham em sua direção, partindo de todos os lados. Com um gesto bem decido e levou a mão direita em seu pescoço e retirou a chave mágica do sol, segurando-a com as últimas de suas forças. Estava para se entregar, mas a amizade que sentia pelo garoto era forte demais para impedi-los.
- Parece que está parando... – Marine disse entre afagos, vendo que a esfera começara a parar. – é a nossa chance... temos que alcançá-los agora.
Marine tinha razão, a massa negra estava diminuindo sua velocidade, ficando cada vez mais lenta. Flutuava serenamente sobre algo desconhecido, apenas o reflexo de um pequeno feixe de luz era visível apesar de toda a escuridão e a densa camada de sombras que os cercavam. A imagem que tinham da carta ficava cada vez mais visível ao passo que os garotos corriam em sua direção.
A densa esfera, então, parou completo, permanecendo imóvel sobre alguma coisa. Ainda flutuando mostrava em seu interior a figura do guardião lutando para sair, mas era bem fácil perceber que a vida estava se extinguindo ali dentro. A cada segundo que passava era um tormento para Lukas que, ainda tentava desesperadamente tentava se libertar da armadilha da carta, mas já não tinha forças nem para levantar o braço.
Os garotos entraram por um pequeno corredor de folhas secas e chegaram a enorme clareira onde a esfera se encontrava. Tudo então se clareou e eles puderam ver onde a carta havia parado. Flutuava estaticamente no centro do lago da floresta, não muito longe da água, mas decididamente longe da margem.
- Ela está no meio do lago... – disse Lana pensativa, correndo os olhos a volta da clareira.
- Por que ela parou no meio dele...? – Marine revelou um pouco de medo ao pronunciar suas mínimas palavras –. Não estou gostando nadinha disso.
Os três garotos ficaram a observar algum movimento da carta. Entretanto nada acontecia. E Lukas se desesperava cada vez mais para sair. O ar estava acabando e o guardião, agora totalmente indefeso, respirava o que lhe restava e ficava inconsciente. Sua mão caiu para o lado, seus olhos se fecharam e seu corpo gelou como o mais gélido ar frio da noite.
- Não! Lukas... Não!!! – Renato gritou o mais alto que pode ao ver aquela cena a sua frente.
- Rápido! Temos que fazer alguma coisa... – Marine dizia já retirando sua chave do seu pescoço.
- Certo! – confirmou Renato.
Renato colocou sua mão a frente e a abriu, revelando a pequena chave caída sobre sua palma e com a voz firme pronunciou o encantamento que já ansiava por fazer a algum tempo.
- Chave que guarda o poder do Sol. Mostre seus verdadeiros poderes sobre nós. E ofereça-os ao valente Renato que aceitou essa missão. LIBERTE-SE!!!
O báculo seguro em uma de suas mãos apontava para o céu e com a outra pegou a sua única carta que estava dentro de seu bolso.
- Tomara que funcione... – pronunciou para si mesmo.
Desceu o báculo que estava no alto para sua frente em direção a carta que já estava no ar.
- Vento!
A delicada mulher com fios de brisa surgiu entre eles, trazendo uma leve e quente brisa a todos eles.
- Vento tente destruir a barreira da carta! Tente salvar o Lukas... Por favor...!
A carta nem esperou que Renato completasse e foi em direção a esfera negra no centro do lago. Suas brisas se tornaram fortes ventanias e mudaram do suave para o hostil. Em poucos segundos a encontrou, batendo de frete e empurrando-a para a margem do outro lado.
Em poucos segundos as duas Cartas começaram a brigar violentamente soltando raios de energia a todos os lados e grandes estrondos soavam a todos os cantos. A massa negra tentava desviar de todos os ataques de Vento, mas tudo era em vão, os movimentos de Vento eram totalmente calculados, cada investida, cada ataque, acertava em cheio a esfera, mas não estava sendo o suficiente para libertar Lukas.
- Vento tente transpassá-la...! Só assim você conseguirá tirar ele lá de dentro. – gritava Renato correndo em direção a margem onde elas brigavam em fúria.
Vento entendeu muito bem o recado de seu mago. Parou com as investidas, recuando uma pequena distância acima e voltando para o ataque decisivo. Com certeza não teriam mais chance de salvar Lukas com vida caso esse falhasse.
A carta avançou em direção a outra, mergulhando de cabeça com toda sua energia. De suas laterais saíram inúmeras correntes de vento, que com a velocidade se tornaram flechas prontas ao ataque. Em volta da carta as flechas estavam prontas e afiadas, todas elas circulando uma flecha ainda maior e mais poderosa, que era a própria Carta Vento.
A chuva de flechas estava caindo em um único alvo. A massa negra tentou desviar, porém sem nenhum sucesso. A Carta Vento desferiu um ataque certeiro, que atravessou por completo a esfera, provocando uma explosão. Rajadas de vento foi lançados para todos os lados, da mesma forma que traços da escuridão foram espalhados por todo o lago.
A Carta Vento logo se refez como se nada tivesse acontecido, a frente dos garotos com seu rosto determinado e ameaçador. Lukas havia caído próximo a Renato e este foi ampará-lo o mais rápido que pode. Correu rapidamente entre os gravetos e arbustos. O medo o invadia, temia que algo de ruim pudesse ter acontecido. A figura de Lukas caído, imóvel, despertava nele a pior das sensações.
- Lukas! Lukas! Lukas! Você está bem...?! Fale comigo! Por favor...! – Renato tentava reanimar o garoto ainda inconsciente. Lágrimas escorriam por seu rosto. As palavras se misturavam com os soluços.
- Sombra... – gemeu Lukas, fazendo o máximo de esforço para pronunciar as poucas palavras que saiam de sua boca. – Sombra... É a Carta da Sombra...
- Lukas!!!
Um forte abraço envolveu os dois garotos, as palavras de Lukas, fracas e finas, foram sufocadas pelo forte abraço do garoto. Segurou-o bem forte, deixando que as lágrimas se seguissem por seus rostos.
- Acho que já disse isso... para você... Não vai ficar livre de mim tão cedo... – disse Lukas abrindo um pequeno sorriso.
- Nem você vai ficar livre de mim tão cedo. – replicou Renato entre soluços e sorrisos.
O medo que Renato sentiu foi um dos mais fortes de sua vida, só perdia para um que sentiu a quatro anos atrás, mas agora estava passando. Lukas com o enorme sorriso em seu colo fazia com que seu medo se transformasse em coragem e fúria. Depositou a cabeça do amigo no chão, ajeitando-o em uma posição confortável e levantou-se com os olhos ardendo em fúria.
- Temos que encontrar a carta, para onde ela foi – sussurrou para si mesmo.
Marine e Lana vinham correndo, circulando o lago e driblando os gravetos espalhados pelo chão. Lana vinha à frente, ofegante e preocupada. Pedia para que Lukas estivesse bem e que nada de mal acontecesse com ele. Apesar das discussões gostava muito dele, se conheciam a séculos, desde quando o Mago Clow os criou como guardiões das cartas. Não iria permitir que nada de mal acontecesse com ele.
Marine, por sua vez, estava muito atrás. Cada galho e arbusto faziam com que a garota se atrasasse cada vez mais. O fato de só viver na cidade e não ter o hábito de entrar na floresta fazia com que a garota ficasse meio desajeitada. De longe Marine pode ver Lana encontrando os garotos e dando um forte abraço em Lukas e também pode ver as lágrimas que escorreram dos olhos dela.
Mas agora outra coisa chamava mais a atenção da garota. O lago estava ficando, negro uma substancia cobria a superfície, como uma densa nevoa negra. Parecia que só Marine estava vendo aquilo se formando no lago. Claro, todos os três garotos estavam conversando euforicamente e não estavam prestando atenção no que acontecia atrás deles.
A substância negra começou a se juntar no centro do lago, tomando a forma de algum ser. Marine que já andava bem devagar parou completamente para observar o que estava acontecendo. Lukas e Lana conversavam e Renato os ouvia com um grande sorriso no rosto.
- O que está acontecendo...? Só pode ser ela...
Toda a névoa que cobria a superfície se juntou completamente construindo uma figura no centro do lago, parecia ser alguém envolto em uma capa, que o cobria da cabeça aos pés. A Carta Sombra tinha assumido sua verdadeira.
Marine pensou em avisar os garotos gritando-os, mas isso faria eles perderem tempo. A Carta Vento estava acima deles, girando em círculos desde que libertou Lukas, não podia contar com ela, já que só obedecia as ordens de Renato. Não demorou para que a Carta Sombra começasse a deslizar sobre a água indo em direção dos garotos. Aumentou sua velocidade, logo chegariam até eles e os pegariam de surpresa.
- Mas não vai mesmo...
- Chave que guarda o poder da Galáxia, mostre seus verdadeiros poderes sobre nós. E os ofereça-os a valente Marine que aceitou essa missão. LIBERTISSE!!!
O báculo da galáxia tinha tomado forma em suas mãos, as elipses começaram a circular o planeta avermelhado suavemente. Marine tirou sua carta do bolso e a jogou no ar.
- Chuva!!!
Os garotos viraram-se para a garota ao escutá-la dizer as palavras mágicas, o báculo do planeta já estava em suas mãos pronto para libertar uma das entidades mágicas. A carta da Chuva tomou forma, desta vez tinha a aparência dócil e comportada, sem nenhuma traquinagem.
Os garotos, principalmente Lana, não entendiam o que estava acontecendo. Tentavam imaginar o motivo que fez Marine libertar a carta da chuva.
- Cuidado! – Marine gritou apontando para o outro ser que avançava sobre eles. – Rápido!!! Saiam daí!!!
Renato e Marine não tiveram muito tempo para pensar, tampouco para agir, agarraram Lukas e o levantou pelos braços, fazendo o apoiar em seus ombros. Olharam por um pequeno instante para trás a tempo de ver a Carta Sombra surgir atrás deles, pronta para atacar. Do outro lado vinha rapidamente, impulsionada pela força da água do lago, a Carta Chuva, com seus ornamentos goticulares balançando e brilhando com as gotas de chuva, que já começavam a cair.
- Chuva faça do mesmo jeito que você fez ontem... crie uma tromba d’água para prender a Carta da Sombra... Você se lembra...
Marine fez gestos com as mãos para que a sua carta pudesse entender o que deveria ser feito, mas não era preciso. Sombra havia parado seu ataque e se preparava para um novo, mas dessa vez seu alvo era a carta que estava vindo em sua direção.
- Vamos Lukas, tente andar mais rápido... – Lana dizia em suspiros ao amigo; do seu lado, Renato já demonstrava sinais de cansaço. – Vamos deixá-lo ali...! – Lana apontou para uma árvore que estava adiante deles.
Renato e Lana deixaram Lukas, ainda sem forças, encostado na árvore, acomodando seu corpo suavemente sobre os galhos e folhas. Lukas sentiu algo o incomodar, mas logo passou.
A Carta Chuva alcançou Sombra, a qual fugiu para o centro do lago, mas definitivamente havia sido uma péssima escolha. Chuva iniciou uma espécie de dança, circulando em torno da de Sombra, já no meio do lago. Os círculos ficaram mais velozes e mais vorazes, em poucos segundos a tromba d’água foi tomando forma, encurralando a Carta Sombra.
- Perfeito Chuva, continue assim! – disse Marine ao ver seu plano dando certo. – Agora feche mais o circulo e prenda a prenda de vez...!
E assim a carta obedeceu sua dona. Chuva subiu até o alto da tromba, suas gotas de chuva caiam por todos os lados e aumentou a velocidade dos círculos, com isso fez o que Marine ordenara: a tromba estava fechando seu cerco e prendia em seu interior, agora indefesa, a Carta Sombra.
- Renato use o báculo agora! – Gritou Lukas, que agora se levantava para não perder a cena que veria a seguir.
- Certo... – Renato tomou o báculo em suas mãos e o ergueu em direção a tromba d’água. – Volte à forma humilde que merece... Carta Sakura!!!
Uma carta vazia se materializou na ponta do báculo do sol e uma forte rajada de vento, um pouco amarelado, atingiu em cheio o turbilhão de água, arrastando-os para a direção de Renato.
- Chuva solte-a... deixe agora com Renato. – disse Marine para a carta e esta fez o que sua mestra dizia.
A entidade mágica ainda tentava fugir, mas a forma que a puxava era maior e mais resistente. Em poucos segundos a carta vazia era preenchida com mais uma das entidades criada por Clow Red e transformada por Sakura Kinomoto. A carta, agora aprisionada deus alguns giros no ar, as cartas chuva e vento, libertas sobre o lago, a faziam rodopiar por todos os lados, até que voltou ao lugar e que Renato estava. A carta caiu lentamente, encaixando em suas mãos prontas a apará-la.
- Até que enfim... – falou Renato, enquanto se jogava na margem do lago, deitando de costas sobre a relva molhada pela chuva.
- Bota enfim nisso, já não agüentava mais correr atrás dessa carta, pelo amor de Deus, a gente passou horrores... Olha só o nosso estado, olha só meus pés! Estão me matando e além do mais eu preciso daquele seu creme de mãos Marine para... – Lana falava e falava, feito um brinquedo que acabou de ganhar pilhas novas.
Só Lukas, ainda tonto, e Marine, que já se reunia ao grupo, davam atenção ao discurso inacabado da guardiã. Renato detinha toda sua atenção a carta rosa e a entidade mágica, agora aprisionada em seu interior, tinha o formato de uma capa de viagem, vazia, a não ser por uma escuridão que preenchia todo seu interior. Em baixo da figura do ser mágico uma tira, assim como nas outras cartas, informava o nome do ser: The Shadow; e em cima, no centro da estrela uma inscrição Kanji dizia o mesmo, porém em japonês. Renato rapidamente retirou uma caneta de seu bolso e com ela escreveu seu nome na sua nova carta, logo abaixo da fita de identificação.
As cartas Vento e Chuva voltaram ao seu estado de carta. Renato tinha agora, duas, das 52 cartas, em suas mãos e Marine apenas uma. “Até quando isso vai durar” pensou ele, recordando-se dos últimos três dias desde aquele sonho.
- E agora, o que faremos...? Devem ser umas três horas da manhã... como sairemos daqui. – Lana ainda continuava a falar, de certo não havia parado um segundo se quer com o seu monologo de reclamações e exigências.
- Bom... – disse Renato se levantando e se juntando ao grupo. – Já que já são três da manhã não custa nada esperar o amanhecer, que por sinal não deve demorar muito.
- Eu também concordo com o Renato – disse Marine, fazendo com que o inevitável acontecesse, o encontro de seus olhos com os de Renato. – Assim a gente pode descansar um pouco... – disse com seu rosto já avermelhado.
- Então está certo, ficaremos aqui até que amanheça. – disse Lukas, se ajeitando um pouco, para tirar um pouco do incomodo que sentia. – Podemos beber água desse lago e dormir um pouco... por que, sinceramente, estou muito cansado. – disse soltando um bocejo e fechando seus olhos.
- Ei!!! Então quer dizer que ainda ficaremos aqui nessa prisão até de manhã. – Disse Lana em replica aos argumentos dos garotos. – Eu não acredito! Eu quero logo um banho quente... Ei!!! Vocês três não durmam, não me deixem falando sozinha... Acordem!!!
Agora sim, o final do arco 4... Até que enfim... Mas não pensem que a aventura termina aqui, ainda tem muita pedra no caminho! Aguardem e comentem!
Bem pessoal, estou em uma correria agora, estão chegando as provas finais e estou ficando louco com isso (tomare que eu passe em IEL).
Esse capítulo só pode ir para essa galera que passamos 4 meses juntos. Até agora, os 4 meses melhores que já tive. Turma do 1° Periodo A, vocês são um máximo!
Paulo M. Goulart
Cards Infinity
O Lago de Cristal
Capítulo 12
A Esfera Negra
Paulo M. Goulart ©2007 – 2008
Finalizada em 15 de Junho de 2008
Cards Infinity – O Lago de Cristal
TryMax ©2008
Paulo M. Goulart ©2007 – 2008
História Original: Clamp ©1996; Japão
Alguns nomes e imagens são de autoria do Estúdio Clamp e possuem direitos autorais reservados as autoras. Os demais nomes, tipologias e símbolos são de direitos autorais do autor desta história
Brasil, 2008

