Paulo News

Capítulo 16
O Truque do Labirinto
Paulo M. Goulart, ©2009

Isso não estava previsto nos planos do garoto. A reação seguinte foi um salto de susto, o que rendeu ao garoto um grito descomunal, não pelo susto, mas no impulso bateu seu braço engessado na parede.
- Ahhh!!! Droga de parede... Cadê aquela carta que não estava aqui para tirar essa parede daqui... Ai! Meu braço...
Passada a dor, o Card Captor, semi-armado, se dirigiu ao local onde a estatueta reaparecera. A adrenalina tomava conta de Leonardo, que agora teve certeza que mais outra coisa estava ali ajudando a outra carta a criar toda essa bagunça.
- Eu tenho certeza que eu joguei essa estatua para lá... e ela caiu desse lado... Posso conversar sozinho, mas ainda não estou louco... por enquanto... Vou ficar se que não conseguir sair daqui.
Os cacos do que era o objeto estava esparramados, o garoto procurou por todos o lugares, mas não encontrou nada. Decidiu voltar co lugar de onde jogou a peça. Pegou as flores do vazo para fazer novas tentativas. E as fez.
Com as flores aconteciam a mesma coisa, desaparecia logo a frente e reaparecia um pouco atrás. Uma a uma as flores foram jogas e cada vez mais o garoto se aproximava procurando a razão que fazia isso acontecer.
A presença da Carta Sakura que não parava de sentir ficava mais forte, cada vez mais viva. A cada passo Leonardo sentia que se aproximava de alguma coisa, seria a carta causadora de toda essa confusão?
Só tinha mais uma flor em sua mão, que arremessou com toda a força. A flor desapareceu um palmo de seu rosto, caindo junto das demais a uns 10 metros atrás.
- Então é aqui que elas somem... – disse pensativo. Uma idéia lhe ocorreu, seria infalível para comprovar o que suspeitava. Depois de tamanha bravura e garra o medo, que quase não existia, voltou a tomar um pouco de força. – Eu já passei por aqui antes... e todos as coisas que joguei reapareceram. Então o segredo está por aqui...
Leonardo levantou seu braço direito e aos poucos foi avançando em direção ao lugar em que as cosias sumia. Tinha um pouco de medo, não sabia o que aconteceria a seguir. Mesmo assim não recuou nem um pouco, pelo contrario, lançou seu braço totalmente no espaço vazio.
Como suspeitava o braço desapareceu. O garoto virou-se o suficiente para ver o que acontecia logo atrás: metade do seu braço flutuava no ar. Em seguida deu um chute no ar, dessa vez sua perna fez uma acrobacia no ar, uma perna sem corpo. Leonardo começou a fazer brincadeiras com os membros, tinha coisas mais importantes para fazer, mas quilo era divertido. Por fim, trouxe todo o seu corpo de volta e posicionou apenas a cabeça para frente.
- Nossa... Nunca mais consigo uma façanha dessas... – disse olhando para o próprio corpo bem mais a frente. – Estou me vendo de costas... – Olhando para os lados observando atentamente, continuou – Pelo visto foi isso aqui que fez eu correr em círculos... bem engenhoso... acho que deve ser a carta da armadilha...
O garoto voltou seu corpo para o lugar e começou a analisar com cuidado o lugar onde tudo desaparecia. Aparentemente não havia nada de errado como o lugar. Nem um portal era visto; no ponto em que os objetos retornavam não havia nenhuma barreira gelatinosa, liquida ou algo que despertasse uma sensação ruim... Simplesmente a passagem era feita sem nenhum tipo de incomodo ou obstáculo.
No teto não havia nada, tampouco as paredes tinham alguma coisa que pudesse servir como pista. Aos poucos foi descendo pelas paredes procurando por alguma coisa...
- Mas o que é isso...?
Uma fita bem delicada, vermelha, ligava as duas paredes do corredor. Tinha um pequeno brilho avermelhado de mesma tonalidade. Estava flutuando no ar, balançando suavemente com o pouquíssimo ar que por ali passava.
Leonardo lançou seu braço novamente, dessa vez o mais próximo possível da fita vermelha. Esta por sua vez teve uma alteração no brilho, ficando mais intenso e no movimento, balançando mais agitadamente. O braço não apareceu do outro lado, tornou a se materializar ao fundo. Mas estava bem claro que era está simples fita que o fazia voltar a todo instante ao ponto de partida.
Em um último teste, Leonardo enfiou a mão por debaixo da fita, no mínimo de espaço que existia entre o chão e a mesma. Como era de se imaginar a mão não retornou ao ponto de partida, segui em frente por um caminho desconhecido. O garoto se deitou para ver o que estava acontecendo em baixo do objeto flutuante.
Deitou, fazendo o máximo de força para focalizar o pouco espaço em que sua mão tinha entrado. Pode ver sua mão intacta atravessando o espaço entre o chão e a fita e uma nova ala do hospital mais adiante.
Com um pequeno toque levantou a fita. A presença da Carta Sakura atingiu seu ponto máximo, levando o garoto em um estado de pura adrenalina. A fita parecia seda, era leve, suave e bastante delicada. A impressão que tinha é que com o mínimo esforço poderia arrebentá-la.
- Então é isso... É uma Carta Sakura... Maravilha...
O mistério tinha se resolvido, uma carta que criava armadilhas que o prendia em um caminho sem volta, o fazendo andar sempre em círculos estava a sua frente...
- Ah! É... então é assim né... – disse se levantando. – veremos que vai correr agora... podem se preparar... Eu, o Card Captor Leonardo... adorei esse nome... – continuou depois de uma pausa. – Eu, o Card Captor Leonardo irá capturar você...
Leonardo retirou a corrente do pescoço, a qual a chave da lua estava presa. Desprendeu-a, colocando a corrente novamente no pescoço, mas deixando a chave bem presa em sua mão.
Estendeu seu braço a frente, com a palma da mão virada para cima com a chave no centro. O garoto começou a sentir a energia calorosa que havia sentido pela manha. Uma energia que acalentava suas dores e lhe deixava com a melhor das sensações: a de invencibilidade.
- “Chave que guarda o poder da Lua, mostre seus verdadeiros poderes sobre nós. E os ofereça-os ao valente Leonardo que aceitou essa missão. LIBERTISSE!!!”
O báculo, preso em sua mão direita, estava pronto para ser usado. Com um único movimento o ergueu até que ficasse sobre sua cabeça. Fixou seus olhos friamente na fita vermelha e desceu o báculo bruscamente até o chão, apontando diretamente para a carta
- Volte a forma humilde que mer...
Crash...
- Ahhh! Mas o que é isso...? – disse caindo sentado com o forte estrondo, seguido de um tremor continuo, que ia do teto até o chão.
As paredes voltaram a se mexer e a mudar de lugar, dessa vez mais ferozmente que da última. Em questão de segundos o local em que estava tinha sido todo tomado por uma destruição em massa. Parecia que o prédio estava entrando em colapso tudo estava se transformando em ruínas.
O báculo, preso em sua mão, o ajudou a levantar apoiando no chão, escapando por pouco de uma enorme pedra que caiu bem no lugar onde estava caído. A pedra logo desapareceu, no lugar, uma parede intacta, era reconstruída tijolo a tijolo, cada grão de areia e cimento usado se fundiam com o restante do material, como se nada tivesse acontecido com as paredes.
A toda volta tudo estava sendo modificado rapidamente. Os cruzamentos deixaram de existir, transformando em um imenso corredor. Do teto os lustres se estilhaçavam, chovendo cacos de vidro para todos os lados. Leonardo teve que correr para não ser pego por eles. Instantaneamente os cacos desapareciam e um novo lustre pendia de um novo teto formado. Os objetos desapareciam e reapareciam em locais diferentes, intactos sem nenhum arranhado.
Pedras caiam de todas as partes e paredes eram derrubadas. Tudo se fundia com o chão, em seguida novas construções eram levantadas no local onde as mesmas tinham caído, porém formando novos quartos e curvas a todos os lugares.
O garoto ficou atordoado com tamanha destruição, a sensação era de que estava em um prédio desmoronando. Sua atenção ficou redobrada, qualquer movimento em falso lhe custaria caro; as pedras e paredes, que agora eram arremessadas, não estavam nem um pouco se importando com a presença dele, pelo contrario, parecia querer atingi-lo.
A destruição e a conseguinte reconstrução parecia não ter fim. Por várias vezes tudo era destruído e reconstruído novamente. Leonardo pode notar que paredes estavam sendo derrubadas e em seguida eram reconstruídas rapidamente para depois serem novamente derrubadas, formando um ciclo que não teria fim.
E meio a toda a destruição Leonardo pode ver de relance a delicada fita voando pelo ar em meio a poeira e pedras que eram lançadas. Pode vê-la por completo: era uma fita que não tinha início, muito menos um fim, formava uma argola que girava lentamente sobre as ruínas.
A atenção que o garoto dava a fita logo foi tomada por algo mais sério. Uma parte desabou completamente, justamente onde estava.
- Ahh! Eu vou acabar morrendo desse jeito... – disse dando o salto mais rápido e desesperado que pode, caindo ao lado de uma parede que acabara de ser reconstruída.
Em um pequeno relance ele pode ver a fita voando sem rumo mais uma vez. Mas teve que mudar seus planos... Tinha problemas mais sérios para resolver...
- Ahh! Chega de caos...! – gritou.
Rapidamente enfiou a mão em seu bolso, retirando a Carta Bosque lá de dentro. O garoto a olhou seriamente. Era o momento esperado, era hora de usar sua Carta Sakura.
- Bosque!
A insígnia da lua surgiu aos pés de Leonardo. Um forte vento soprou pelas paredes derrubando alguns quadros, a ventania foi seguida por pequenos flashes azuis, ambos vindos do báculo da lua.
A carta tomou forma, se materializando em uma entidade mágica, coberta por folhas e com a coloração verde, um verde bem suave.
- Bosque, eu preciso de sua ajuda... – o garoto falou com a carta como se uma pessoa estivesse a sua frente... – será que você pode me ajudar...?
A pequena mulher, coberta por folhas acenou sua cabeça positivamente, esperando as ordens do garoto.
- É o seguinte... tem uma Carta Sakura aqui e ela não quer deixar a gente sair de maneira nenhuma. Então preciso que você nos tire daqui, só então eu poderei recapturá-la... Pelo visto estamos sobre o domínio dela... Se conseguimos sair dessa armadilha eu vou poder capturá-la
A Carta Bosque acatou como uma ordem o pedido de Leonardo. Saiu em disparada pelos corredores, desviando das pedras e paredes que caíam. Por onde passavam tudo estava sendo destruído, era um caos total.
No entanto as coisas não estavam saindo como planejavam. Por cada corredor que entravam, correndo na procura de uma saída, uma parede solida era construída no final barrando o caminho deles. Por inúmeras vezes foram barrados devido a modificação do lugar.
Depois de um bom tempo de insistência eles avistaram o que parecia ser um fragmento de luz. Estariam eles perto de alguma saída? Correram o máximo que puderam em direção ao feixe de luz, uma saída afinal.
Quando já estavam na reta final, faltando apenas atravessar o ultimo corredor as paredes laterais se moveram astuciosamente estreitando o caminho mais a frente. Foram se estreitando ao ponto de se fundirem, fechando totalmente o caminho. Deixando os garotos mais uma vez em um beco sem saída.
Deram a volta, pensando que poderiam ter mais sucesso. Mas o resultado foi ainda pior: uma serie de paredes e levantou cobrindo a saída. Mais uma vez uma tentativa frustrante...
- É impressão minha... ou essa... não quer que... a gente... saia... – disse sem ar. Apoiava-se no báculo com a mão que poderia usar e tentava ao máximo sugar todo o ar a sua volta.
Uma lembrança repentina passou pela cabeça do garoto, segui-se então uma nova idéia que com certeza daria certo.
- Você precisa de luz para restaurar suas energias né... – disse olhando para a figura mágica a sua frente. – Então... assuma a forma de arvore e vá procurar luz... Você não deve se preocupar com as paredes... Na forma de arvore, com aqueles enormes e grossos galhos você pode quebrar as paredes sem se preocupar com esses becos sem saída... Combinado...?
A carta balançou a cabeça confirmando o que o garoto disse e seguiu com fúria o caminho a diante. Logo a aparência delicada, cheia de folhas brilhantes espalhadas pelo seu corpo verde, deu lugar a fortes galhos ferozes e grossos, cheios de fúria, prontos para atacar e destruir tudo que estivesse a sua frente. E destruiu.
Uma a uma as paredes eram perfuradas e derrubadas pelos grossos galhos da Carta Bosque que mais pareciam flechas pontiagudas. Leonardo seguia logo atrás, passando pelos enormes buracos. Seguia rapidamente, pois logo após a quebra das paredes a outra carta, já furiosa, tratava de reconstruir as paredes.
- Vamos... Procure por luz... assim conseguiremos sair daqui...
E assim era feito. A carta não desviava seu percurso, seguia sempre em linha reta atravessando as grossas paredes, dessa vez nem a oura carta, já furiosa, não conseguia impedir Bosque de avançar até as fronteiras que os prendiam.
Leonardo não estava conseguindo acompanhar a velocidade da carta e estava tendo pouco tempo para passar pelos caminhos que eram abertos antes que as paredes se fechassem novamente. Em um salto, mais que preciso, pulou sobre um imenso tronco que passava ao seu lado, agarrando firmemente.
Seguiu, junto com os fortes e grossos galhos da carta bosque em busca de Luz. A carta que os prendia tentava a todo custo impedir que eles saíssem de seu domínio; criava barreiras a todo instante para impedi-los, porém tudo em vão, agora já era tarde. Ambos puderam ver uma janela, por onde entrava um pequeno raio de sol e era exatamente para lá que a carta se dirigia.
- Perfeito... Olhe lá... – disse Leonardo indicando com a cabeça para a luz, já que a outra mão segurava o báculo e os galhos. – Agora é só a gente ir para lá... Continue assim... está perfeito...
Já estavam se aproximando da última parede, lá seria a saída. Por um mínimo instante O garoto pode ver algo voado em meio as ruínas, a mesma cosia que viu antes: Uma fita vermelha pairando sobre os destroços. Formava um círculo, vermelho brilhante, que girava sobre eles.
A visão foi logo interrompida com uma grande explosão de luz. A claridade do lado de fora era intensa. Finalmente tinham quebrado a última parede e se encontrava em um pequeno jardim de arbustos em um canto do hospital.
O garoto desceu do galho em que segurava, no mesmo instante a Carta Bosque voltou a sua verdadeira forma, muito contente por conseguir fazer o que o garoto pedira.
As folhas verdes começaram a brilhar no mesmo instante que o garoto levantou o báculo sobre sua cabeça. Era a hora do show, pensou ele.
- Agora você vai ver sua carta traiçoeira...
Mais uma vez viu a fita vermelha pairando sobre o ar, dando voltas sem direção, rumo a um desconhecido. Reluzindo os suaves raios de luz do por do sol.
As paredes revelaram uma coloração que o garoto não havia notado: um verde não muito escuro tomava conta de todo o piso, teto e paredes. A forte penumbra em que se encontrava dentro do hospital não tinha permitido que ele pudesse ver esse detalhe. Também, havia coisa mais importante com o que se preocupar do que as paredes, por exemplo escapar de pedras que voavam em direção a ele. As constantes transformações do ambiente também impediram o garoto de observar esse pequeno detalhe.
- Nem notei que essas paredes eram verdes... Estranho... – disse pensativo, o báculo ainda erguido. - eu me lembro de serem brancas...
A cratera formada na parede estava se fechando, a fita vermelha ainda pairava em seu interior.
- Mas o que a bendita da parede tem a ver com isso... Em que estou pensando... Agora é hora...
Posicionou o báculo firmemente, apesar de ser erguido por apenas uma mão, estava encaixado em sua mão, pronto para usá-lo novamente, duas vezes no mesmo dia. Fitou as paredes veres, a cratera e a fita vermelha. Uma sensação de despertar de magia invadiu seu corpo...
- ...de mandar ver...
Leonardo desceu o báculo da lua, direcionando a sua frente.
- Volte a forma humilde que merece, Carta Sakura!!!
A insígnia da lua surgiu aos céus pés, girando e soltando faíscas luminosas, azuis como cristais de gelo. Uma carta vazia se materializou entre as duas pontas da lua, apontadas para frente. Seguiu-se uma forte ventania, parecia que estavam no meio de um tornado, que ganhava cada vez mais força. Tudo a frente começou a ser arrastado pelos raios luminosos e por correntes de ar que se prendiam no interior das paredes teto e na fita vermelha, estavam sendo laçados pela magia azul do garoto e trazidos de volta para a carta, ainda vazia, a frente do báculo.
As paredes do hospital foram deixando sua cor esverdeada a medida que a magia presente em seu interior era sugada pelo báculo, aprisionando na carta. Assim como na floresta, a magia estava toda espalhada pelo local, vinha de todos os lugares, o verde esmeralda logo se misturou com o vermelho rubi, deixando o garoto assustado.
Realmente a magia era muito grande. Aos poços o garoto estava perdendo as forças, não conseguia segurar o báculo, que ainda laçava focas mágicas em todos os cantos. Por fim, uma grande luz verde brilhou por todos os corredores, trazendo os últimos vestígios da entidade mágica.
As paredes do local eram reconstruídas da maneira correta, brancas como neve, na medida em que a carta era aprisionada novamente na Carta Sakura. O último raio luminoso surgiu formando uma labareda de energia e entrou na carta, que agora estava completa. A magia da carta foi totalmente recapturada.
Um portal surgiu no local onde o grande buraco estava, Leonardo então percebeu que estava em um jardim no interior do hospital, dedicado a pacientes que gostariam de respirar um pouco melhor e se distrair. Tudo estava intacto; as paredes, os objetos, e o teto... Era difícil de acreditar que algumas horas atrás tudo ruía e desmoronava...
O sol estava se pondo... Na direção oposta a lua cheia surgia no horizonte.
A carta, na ponta do báculo deu várias voltas no ar, e estava indo em direção ao garoto. Leonardo segurou o báculo com a outra mão, meio desajeitado, tudo era bem mais difícil fazer com o braço e parte da mão engessada. Posicionou o braço são para frente com a palma da mão aberta para receber a carta que ia caindo em sua direção.
- Perfeito...! – exclamou alto. – Mais uma carta..., mais uma carta... Mandei ver... Mandei ver... Até que enfim te capturei carta da armadilha...
A carta, que acompanhava as correntes do vento, conseguiu surpreender o garoto mais uma vez naquele dia.
Na descida, em direção a palma da mão, uma outra surgiu atrás da que o garoto fixava seus olhos. Estavam coladas, mas com a força da brisa se soltaram e agora vinham duas cartas em vez de uma.
- Mas... Mas como... São duas cartas.
Realmente era isso. O báculo não havia capturado apenas uma carta como o Leonardo tinha pensado, mas sim eram duas entidades mágicas que foram seladas ao mesmo tempo. Isso explicava o fato do garoto se desgastar mais do que da última vez. A força que vinha do báculo e das correntes mágicas haviam se formado uma pressão muito grande. Por momentos Leonardo pensou que ele seria levado e não a carta seria puxado para o seu selo. Mas agora estava explicado...
- Foi por isso que tava tendo dificuldade... e também parecia que eles iam me arrastar em vez de eu puxá-los...
Uma das cartas caiu em sua mão. A outra veio logo em seguida.
- O que temos aqui...
Leonardo transformou seu báculo em chave novamente. Com cuidado a prendeu em sua corrente dourada, colocando no pescoço, a salvo de todos.
As cartas estavam viradas na palma da mão, mostrando a bela estrela dourada no centro da insígnia das cartas, se destacando de todo o contorno rosa. A primeira carta que virou algumas lembranças vieram a sua mente. Lembranças da pequena fita vermelho brilhante, girando em círculos se direção, rumo ao desconhecido. E era essa mesma fita que ocupava o interior da carta. Era impossível dizer onde era o começo, onde era o fim; era um caminho que não saia de lugar algum e não levava a lugar nenhum. A fita estava com uma de suas metades torcida formando um símbolo, o símbolo do infinito.
- The Loop... – O garoto leu nos pés da carta.
De imediato retirou uma caneta azulada do seu bolso esquerdo e tentou caprichar na caligrafia de seu nome, assinando a carta que capturou.
A segunda carta provocou o dobro de surpresa. Sua imagem era composta por paredes com tos esverdeados que se cruzavam e se cortavam entre si. A imagem estava desenhada de tal forma que o olho do garoto não conseguia encontrara o fim, parecia que nunca se chegaria ao final do desenho. Isso graças ao efeito em três dimensões que a carta tinha.
As curvas eram constantes, cruzamentos eram comuns e o tamanho era imenso. Leonardo se sentiu como se tivesse lutado contra um mago poderosíssimo devido a imensidão de espaço que a carta despertava. Por mais que virasse a carta procurando uma saída em meio as parede ou procurando um caminho a seguir, sempre se perdia em meio ao desenho.
- The Maze...
Foi o que leu na fita que indicava o nome da entidade mágica. Assim como na primeira, caprichou o máximo que pode para construir uma bela caligrafia para assinar seu nome na outra carta.
Tudo estava terminado, sem corredores, sem ruínas, sem objetos que se repetem infinitamente, agora sim, poderia ter descanso...



Então pessoal... To aproveitando minha útima semana de férias [até que enfim] para postar ais um capítulo aqui... Parece que tem gente lendo o blog... Confesso que to surpreso... Enfim, com esse capítulo chegamos
Quero dedicar esse capítulo a 3 pessoas muito especiais que sempre estão perto de mim. Riam quando tem que rir, brigam comigo quando tem que brigar, aturam quando não tem saída [rsrs]. Mas acimas de tudo somos grandes amigos: Fernando, Julia e Victor.
Paulo M. Goulart







Cards Infinity
O Lago de Cristal
Capítulo 16
O Truque do Labirinto
Paulo M. Goulart ©2007 – 2009
Finalizada em 26 de Agosto de 2008
Cards Infinity – O Lago de Cristal
TryMax ©2009
Paulo M. Goulart ©2007 – 2009
História Original: Clamp ©1996; Japão
Alguns nomes e imagens são de autoria do Estúdio Clamp e possuem direitos autorais reservados as autoras. Os demais nomes, tipologias e símbolos são de direitos autorais do autor desta história


Brasil, 2009
Paulo News
Capítulo 15
Caminhos Sem Fim
Paulo M. Goulart, ©2009

“Over Night foi um grupo de musica pop de Stockholm, Suécia, formado em 1998 como ‘Til the Pop in the Over Night e mais tarde renomeado para Over Night. Os 4 membros desse grupo vieram de todos os cantos do mundo: Suécia, Brasil, Japão e França. Venderam mais de 156,2 milhões de álbuns e 38 milhões de singles no mundo. Os membros eram: Mayumi, Japão; Amit, França; Dominik, Suécia; e Sara, Brasil.
Agora, anos de ausência e de especulações dos fãs envolvendo o extinto grupo e a gravadora, um novo recomeço estar por vir... É isso mesmo! Em uma coletiva de impressa foi anunciado o retorno de Over Night ao mundo do pop music.
O próximo single, Angel Eyes será lançado no próximo mês, dia 18 de março...”

Um aperto em um botão e a TV foi desligada pelo controle remoto na mão direita de Leonardo. A outra estava completamente engessada junto com seu braço quebrado.
Os ferimentos já não doíam mais. A dor do braço passou, agora ficou apenas um desconfortável gesso o impedindo de fazer muitas coisas. De acordo com a recomendação médica ficaria com aquilo por 2 semanas.
A fome e a sede tinham desaparecido, fora embora junto com o cansaço. Realmente o hospital fez um bem enorme, agora estava descansando em uma cama comportável e aconchegante, com um travesseiro que parecia ter sido presente de um deus do sono. A comida era magnífica, parecia como se um banquete fora feito para ele em comemoração a sua chegada... – Na verdade a fome faz parecer um banquete uma simples e humilde comida.
O quarto não era muito grande, tinha apenas duas camas. Uma era ocupada por ele e a outra estava vazia. A porta ficava ao lado, próximo a uma mesa onde era guardados os medicamentos. Sua cama ficava no centro do quarto, diferente da outra que ficava a beira da janela. Mais ao fundo, em frente a outra cama ficava um pequeno banheiro, para o garoto era ideal. Em seu estado fazer o menor esforço era a melhor coisa que podia desejar.
- “Amit...” “Amit...” “Amit...” – Repetiu várias vezes para si mesmo. – Esse nome... Porque não me é estranho? Eu tenho a impressão que... – pensou mais um pouco. – Não, eu tenho certeza que já vi esse nome antes. E porque ele não sai da minha cabeça...? parece que foi um nome que marcou muito...
Leonardo não parava de pensar no nome, repetia constantemente para ver se alguma lembrança vinha a sua cabeça. O que conseguia era apenas flashes do nome e mais dor de cabeça. A reportagem na TV não tinha mexido assim com ele, afinal nunca fora fã de A-Teens, mas o nome Amit, cujo um dos integrantes da banda chamava, lhe deixava inquieto...
- É melhor eu deixar isso pra lá... E é melhor eu parar com essa mania de conversar sozinho. Desse jeito os médicos me removerão para uma clinica psiquiatra.
A carta do bosque estava em seu bolso, segura e cuidadosamente guardada. A chave da lua estava pendura na fina corrente que contornava o seu pescoço. Vista nesse estado era quase impossível imaginar que se transformava em um báculo capaz de aprisionar entidades mágicas.
Leonardo retirou a carta do bolso e passou a analisá-la. Ficou cerca de meia hora preso aos detalhes, cada folha merecia sua total dedicação, cada traço merecia ser apreciado uma vez mais, tudo era perfeito.
- Queria poder usá-la... Denny me disse que agora eu poderia usar essa carta para me ajudar a capturar as outras... Se bem que essa não foi difícil, eu só tive que capturá-la e só...
O garoto, entediado em sua cama, via o dia passar por uma janela. A luz do sol informava que já devia ser umas três da tarde. O almoço fora servido mais cedo no horário de costume. Não havia nada a fazer naquele quarto, nenhum livro interessante, nenhuma revista, nenhum programa que passasse na TV conseguia prender sua atenção. No momento queria estar com os outros garotos, para poder lhe perguntar as coisas e estar com Denny para poder conversar e lhe mostrar tudo de novo em seu tempo.
Por cinco vezes folheou as anotações de sua mochila esperando que algo de interessante pudesse entretê-lo, mas nada.
Apesar do tédio e da falta o que fazer o nome Amit só ficava ainda mais forte em sua cabeça. De alguma forma aquele nome tinha um grau de significância enorme para ele, porém não sabia o que era, por mais que se esforçasse lembrar não conseguia nada.
- Que sede...
Por todo lado que o garoto olhava não conseguia encontrara a jarra de água. A mesinha onde ficava os medicamentos era o único lugar provável, mas havia somente uma pequena luminária com um monte de fichas para anotações dos pacientes.
- Acho que a enfermeira deve ter levado a água depois que veio buscar as coisas do almoço... Pelo jeito terei que procurar...
Olhou para todos os lados procurando uma saída, mas não encontrou nenhuma. Tinha água no banheiro, mas de forma alguma iria beber água lá, não era nenhuma situação de emergência, podia muito bem levantar-se e procurar por água. Com um salto levantou-se da cama e dirigiu-se para a porta. Abriu com um leve puxão e saiu para fora do aconchegante e caloroso quarto.
- Acho que vi um bebedouro em um desses corredores... Agora... qual corredor foi...? Boa pergunta...
O corredor onde estava era bem extenso, andava passando por várias encruzilhadas e por vários consultórios e enfermarias, mas nada do bebedouro. Por um breve momento sentiu como se estivesse andando em círculos ou perdido, mas não havia sentido, estava em um hospital, tudo foi planejado para dar perfeita comodidade aos funcionários e pacientes.
Havia quartos apenas no lado esquerdo do corredor, no lado direito havia somente uma perde que era enfeitada por quadros ao longo do caminho, as vezes dispunham de vasos com flores recém colhidas e em determinados pontos havia bifurcações, onde se formavam as encruzilhadas. Dessa forma o hospital dispunha de inúmeras enfermarias dispostas de forma extremamente organizada, que dava fácil acesso e uma boa circulação dos enfermeiros e pacientes em casos de emergências.
- Eu tenho certeza que vi um bebedouro por aqui... – disse procurando por todas as partes, mas não via nada além de portas e corredores e mais corredores que se cruzavam.
Por várias vezes acreditou que pudesse estar perdido, mas não havia razão já que o hospital e a ala das enfermarias não eram tão grandes assim.
- Tem alguma coisa errada... já tem muito tempo que estou andando e parece que nem sai do lugar...
Realmente parecia que Leonardo nem sai mesmo do lugar. Os quartos eram muito parecidos, os quadros na parede seguiam uma seqüência que se repetia de cinco em cinco, Leonardo notou essa seqüência quando passou pela terceira vez por um quadro que havia lhe chamado a atenção antes.
As mesas, na parte direita do corredor, estavam sempre na mesma posição e tinham sempre a mesma revista, um vazo com rosas vermelhas e dois copos vazios. O mais curioso é que todos estavam posicionados no mesmo lugar. Outro fato que deixou Leonardo um pouco assustado foi o de todas as mesas estarem com o mesmo número de flores, na mesma posição; e todas, sem exceção, estavam com uma perna manca, a mesma em todas elas.
- Parece até estou dando voltas...
O garoto procurou por todos os lados um enfermeiro ou um médico, mas não via ninguém, todos os corredores, e bifurcações estavam desertos.
- E também parece que existe só eu como paciente nesse hospital... Isso aqui está muito estranho... Estranho mesmo...
Continuou andando, procurando mais por uma saída, uma localização de onde estava do que pela água. Estava com muita sede ainda, a comida do hospital não era salgada, mas era costume próprio a ingestão exagerada de água.
Os mesmo quadros, os mesmos quartos, as mesas flores e as mesmas mesas não mudaram nenhum pouco a medida que avançava pelo corredor. O garoto pode perceber que as bifurcações ficaram mais constantes, a cada três quadros e uma mesinha, abaixo do último, tinha um cruzamento de corredores.
- Esse hospital parece mais um labirinto... Acho melhor eu voltar e procurar por alguém...
Leonardo deu meia volta decidido, já tinha quase meia hora que andava e não encontrava nada, nem pessoas nem o bebedouro.
Voltou pelo mesmo caminho, na verdade era só seguir reto que logo encontraria seu quarto novamente.
A certeza que tinha que voltaria ao seu quarto novamente era plena. Isso fez que não se atentasse mais aos detalhes do imenso corredor, tudo agora passava despercebido aos seus olhos: as mesinhas, os quadros e os corredores não tinham mais nenhuma importância.
Agora que tomava o caminho de volta ocupou sua cabeça com novos pensamentos. Em um lapso de memória lembrou-se de Denny, o guardião que surgiu para proteger o Card Captor, a chave e as cartas que eram de tributos a Lua. No entanto o guardião estava completamente “desprotegido” nesse mundo novo. Não tinha lugar para ficar nem como se sustentar.
- Quanto a isso não tem problema... O Denny será muito bem vindo na minha casa. Sei que os meus pais e o Marcelo irão entender... Espero que ele goste de ir morar conosco... – pensou um pouco e riu – a família é bem doida... vamos acabar deixando ele doido também.
As roupas e tudo mais que tinha poderia ser dividido com o novo amigo, porém o que lhe preocupava era a identidade do amigo. Com certeza seus pais lhe perguntariam de onde ele vinha, o nome dos pais, onde estudou antes, o que faz, o que sabe fazer e mais uma série de coisas, um verdadeiro inquérito.
- Tenho que preparar o Denny pra isso... enfrentar meus pais é fogo...
Ainda planejando a estadia de Denny em sua casa Leonardo lembrou-se de outro detalhe que com certeza lhe daria dor de cabeça. Ele dividia o quarto com Marcelo, seu irmão mais novo. Quanto a aceitação e o temperamento do irmão não teria problemas. Entretanto não teria liberdade para conversar com o guardião sobre as cartas, magia e sobre os outros Card Captors. Isso sim seria um problema. Marcelo tinha uma personalidade dócil, porém a coisa mais difícil era tentar despistá-lo com falsas histórias.
- Quem sabe ele não ocupe o quarto vazio e deixa eu e o Denny no nosso... Não custa nada pedir para ele... – disse com um sorriso no rosto.
Como não estava prestando atenção os detalhes do corredor não pode perceber que algumas coisas haviam mudado. A estrutura ainda era a mesma: a cada três quadros e uma mesinha vinha um cruzamento de corredores. No entanto as imagens dos quadros haviam mudado, agora se via outros desenhos diferentes daqueles que Leonardo viu antes. As flores nos vasos tinham mudado de espécies, não eram mais rosas vermelhas e sim delicados copos-de-leite. As mesinhas agora estavam dispostas de forma diferentes, não tinham mais a perna manca, mas todas estavam tortas. Não havia mais nenhuma revista sobre elas, uma pequena escultura indiana ocupava o lugar ao lado de um pequeno calendário.
O garoto andava distraidamente, olhando apenas para o chão. O seu cadarço desamarrado lhe chamava mais atenção do que qualquer outra cosia a sua volta. Os pensamentos sobre a estadia de Denny já estavam todos arquitetados, só bastava colocá-los em prática.
- Ai, ai... quero logo um copo de água e dormir um pouco... – disse enquanto levantava a cabeça para olhar para frente. – Pelas minhas contas meus pais devem chegar daqui a pouco e o Marcelo vai... Mas o que significa isso!?
Uma parede, firme e branca como todas as outras, estava em sua frente impedindo a passagem do garoto. Não havia como aquela parede estar ali, pois não havia andado tanto como na última vez. Estava na verdade em um novo corredor que cortava transversamente o que ele estava andando, formando um T.
- Mas como... meu quarto era o último do corredor... e ele não tinha essa bifurcação que tem aqui... Mas que droga! O que está acontecendo?
Ao gritar reparou no vazo que estava em cima da mesinha com os copos-de-leite brancos. Era quase impossível acreditar no que via. Leonardo olhou para trás como primeira reação e confirmou o que suspeitava: todas as flores que estavam atrás era as mesmas. As imagens dos quadros foram a surpresa seguinte; do nada haviam mudado, e todas as outras por quais passou eram idênticas. O garoto pegou a escultura indiana no impulso e percebeu que inúmeras replicas desta se encontravam nas outras mesinhas.
- Alguma coisa está acontecendo... de algum modo todas as coisas mudaram quando eu voltei... o caminho que eu fiz de volta foi bem menor e eu já cheguei no final... como isso é possível...?
Uma a uma as luzes no teto dos corredores foram se apagando seguindo de uma brisa gelada.
De longe podia ver o efeito dominó das luzes. Era uma após a outra, não tão rápido, mas com uma velocidade gradual que avançava em direção a Leonardo.
- É melhor eu sair daqui... parece que não vem boa coisa por aí...
Deixou a estatueta jogada sobre a mesinha e saiu com uma velocidade maior, quase correndo pelo corredor da esquerda. A queda de energia logo o alcançou, transformando todo o local em uma forte penumbra; não era difícil enxergar, mas a baixa luminosidade tornava as coisas difíceis, ambientava uma cena de terror. Agora o garoto tinha a certeza que alguma coisa errada estava acontecendo, algo que se ligava diretamente com forças mágicas.
Os passos foram acelerados, Leonardo tinha a sensação de que alguma coisa o seguia a passos largos, seu instinto lhe dizia que boa coisa não era.
- Mas essa agora... o que está havendo... Será que eu não vou ter mais sossego...? Nem para dormir mais...? – disse correndo, entrando por um corredor a direita. – Denny... você podia estar aqui... E agora...? Como vou sair dessa...?
Infelizmente o guardião não estava ali para ajudá-lo, dessa vez seria somente ele, ele e sua própria confiança em si mesmo. Os outros Card Captors não poderiam ajudá-lo e definitivamente o hospital havia ficado deserto.
O garoto corria sem parar, sem olhar para trás para ver o que o seguia. Os cruzamentos de corredores tornaram a aparecer assim que passou por uma maca encostada na parede. Leonardo decidiu não pensar mais em qual corredor deveria entrar, a situação o obrigava a escolhê-los aleatoriamente e o que seu interior indicava como melhor caminho. Por alguma razão sabia que estava correndo para algum lugar, algum lugar que tivesse a solução de toda essa confusão.
Ali e aqui ia virando, invadindo a penumbra de cada área. Derrubando algumas coisas que cruzavam seu caminho ele encontrou o bebedouro que procurava no inicio de todo esse desafio, mais um para se somar aos que já tinham passado e “mais um dos que eu enfrentarei daqui para frente”, pensava.
- Logo agora essa droga me aparece...
Algo ainda se movia atrás do garoto, mas estava bem lento. Instantes depois parou totalmente, era como se estivesse a espreita, esperando por um passo em faço para dar um ataque certeiro. Sentia como se estivesse em uma emboscada, proto para cair na armadilha a qualquer momento.
Leonardo aproveitou que a “coisa” havia silenciado e deixado ele de lado, pelo menos por enquanto, para tomar água. Esta, por sua vez, veio em boa hora. Desceu como seda por sua garganta; a correria nos últimos minutos o deixou mais doido de sede ainda.
- Alguma coisa está vindo... Mas o que será que é...? – perguntou para si, examinando o espaço que ficou para trás, competindo sua visão com a forte penumbra. – É estranho... eu não vejo ninguém nem nada, mas ainda assim eu sinto que alguma coisa lá atrás se mexe e me persegue...
O próximo cruzamento que o garoto encontrou a sua frente o fez refletir. Se tomasse a direita ou a esquerda o resultado seria o mesmo: ambos poderiam a dar em lugar nenhum e isso o faria se perder mais ainda. Seguir em frente não parecia ser uma boa opção, provavelmente voltaria a andar em círculos novamente. Voltar era a pior opção, seja lá o que estivesse atrás dele só estava esperando o garoto se movimentar para voltar a persegui-lo e voltar seria entrar na toca do leão.
Como seguir em frente e voltar eram as piores escolhas o garoto tomou o caminho da direita, sem saber ao certo onde o levaria dessa vez, porém algo o dizia que era o caminho certo a ser tomado. Mas em uma situação assim a auto confiança parece desaparecer, e foi o que o garoto sentiu ao entrar pela nova ala do hospital.
- Queira os deuses que eu encontre alguma coisa por aqui... – disse em tom sarcástico, andando calmamente, mas pronto para correr quando “coisa” que o perseguia voltasse a correr atrás dele novamente.
Um pequeno lustre cristalino descia bem no meio do corredor, logo a frente seguia dois móbiles – um de ágatas e outro de tubos de metal. A familiaridade dos objetos despertou no card captor um novo animo. Leonardo não sabia onde tinha visto esses objetos, mas sabia que em algum momento eles tinham tomado sua atenção, não tinha como se enganar, era os mesmo que pela manhã.
A intuição e o palpite que estava chegando perto de uma solução se confirmaram quando avistou uma porta entreaberta a poucos metros de distância; era a única aberta, todas as outras estavam traçadas e vazias, então, supostamente, neste quarto deveria ter alguém.
Empurrou a porta levemente, bateu uma vez para avisar que estava entrando. Porém no quarto havia somente duas camas vazias e uma mesinha que guardava os remédios. Uma porta mais ao fundo, dando acesso ao banheiro. Mas não havia ninguém, estava vazio como todos os outros.
No entanto uma das camas estava desarrumada, o lençol parcialmente caído no chão. No chão, um copo vazio ajeitado perto da cabeceira da cama. Sobre a mesinha alguns medicamentos e materiais para fazer curativos estavam organizados de forma que logo seriam usados. Não havia janela, nem um espaço por onde podia entrar alguma luminosidade ou entrada para ventilação, a semelhança era mais de um calabouço.
- Nossa... que falta de sorte... Parece que o paciente daqui acabou de sair...
O garoto já ia saindo quando um objeto azulado com um zíper laranja o fez entrar no quarto novamente.
- Mas como... Essa é a minha mochila que eu deixei no meu quarto...
A mochila do garoto estava aos pés da cama perto do copo vazio. Na mesma posição e no mesmo lugar que garoto havia deixado a quase uma hora atrás, nada tinha sido mudado.
- Mas isso é impossível...! Eu corri e andei muito tempo, passei por tantos lugares e como que eu chego aqui novamente...? – disse enquanto analisava a mochila. – Mas... e a janela... onde foi parar...!? – exclamou para si mesmo quando lembrou que na parede do fundo havia uma grande janela por onde a luz entrava e tornava o ambiente aconchegante, mesmo sendo um hospital.
Mas a janela era o grande problema, como que algo tão grande poderia ter saído dalí? Além do mais não havia sinal de nenhuma reforma ou obra por ali. E o tempo que passou fora não teria sido o suficiente para tirá-la da parede.
- Tenho que descobrir o que está acontecendo aqui e achar uma solução... pelo visto isso é obra de magia. – disse saindo do quarto. – De alguma forma, que eu não sei como, alguma coisa ou alguém com poderes mágicos está me prendendo aqui e enquanto eu não acabar com isso eu não vou conseguir sair desse labirinto...
Após pensar um pouco, decidiu seguir em frente de novo, assim como antes, mas dessa vez observando os mínimos detalhes para encontrar alguma pista que o levasse a solução do mistério.
Enfiou sua mão por dentro da gola da camisa e retirou sua chave mágica. A lua brilhava em um azul suave, a espera de ser libertada pelos poderes do garoto.
- Além do mais... Só a magia derrota a magia... – riu para si mesmo. – E o principal Leonardo! – Falou para si. – Parar de conversar sozinho... Eu to falando ainda vão me transferir daqui para um sanatório.
Atento aos detalhes, o garoto seguia pelo corredor conversando sozinho e planejando o que faria quando encontrasse o que estivesse por trás de tudo isso. O báculo e a carta era a primeira coisa que vinha em sua cabeça, mas não sabia ao certo como usá-los, Denny ainda não havia lhe ensinado sobre isso.
- Mas será a hora perfeita para eu usar essa belezinha... – a carta já estava a mão, porém como tinha apenas um dos braços disponível para livre movimento resolveu guardá-la no bolso novamente e tirá-la quando foi preciso.
BAM!!!
Um estrondo veio logo atrás do garoto. Os barulhos se tornaram mais freqüentes e mais fortes. O garoto se virou e pode presenciar a luminosidade caindo ainda mais. Sentiu alguns tremores nas paredes e no chão, mas não tirou os pés do lugar, pelo contrario assumiu uma posição de ataque...
- Seja á o que for está se aproximando... Ah seu desgraçado, dessa vez eu não vou correr... Pode vir que eu to te aguardando aqui para dar uma lição... espero que não seja ele que me dê uma lição...
Algo se mexia vorazmente e estava chegando perto. As paredes tremiam mais ainda, pareciam que iriam sair do lugar. O chão também estava em choque, a impressão é que um terremoto estava prestes a acontecer.
A determinação e a coragem de Leonardo fez seu medo desaparecer por completo, iria enfrentar o que estivesse pela frente seja lá o que for...
- Vem... Pode vir... – disse desafiando. – Mas o que é isso...
Não havia nenhum ser gigante, ou um mago correndo atrás dele como ele esperava, pelo contrario, nenhuma criatura apareceu, mas o que viu era algo medonho e assustador.
As paredes estavam se mexendo e mudando de lugar, formando novos corredores e cruzamentos por todos os lados, algumas paredes se juntavam outras se separavam. Algumas chegavam a se dobrar formando curvas. Alguns caminhos eram fechados, aparecendo decorações pelas paredes, enquanto que sumia em outras. Outros caminhos e bifurcações eram criados, dando a cesso a mais corredores e a novas alas do hospital. O teto também mudava, os lustres e os móbiles sumiram dando lugar a um simples teto com uma lâmpada no centro. O chão foi todo repaginado, desde a cor do piso até sua espessura, ficando mais largo. Os objetos sumiam e reapareciam em outros lugares. Os quartos eram apagados e reconstruídos nas novas paredes que se formavam. As mesinhas se desintegravam e reapareciam abaixo dos quadros, exatamente como era antes, sem nenhum arranhado e nada fora do lugar. Nenhum pó ou vestígio da brusca mudança era encontrado, tudo que caia e desaparecia, era apenas mudado de lugar.
O caminho a frente do garoto foi tomado por uma grande parede impedindo toda a passagem, em seguida algo se materializou nela. Os lados tomaram uma maior espessura e em ambos novos caminhos eram formados. Luzes, castiçais e lustres surgiram caindo delicadamente do teto, sem ao menos se mexerem. A visão era parecida com uma transferência de dados. Tudo era dissipado e destruído seguido da reconstrução do ambiente.
O cruzamento em que estava deixou de existir e o em segundos estava em frente a porta de um quarto vazio. A porta se materializou perfeitamente a sua frente assim como os quadros e os demais objetos. O garoto se virou para os corredores procurando pelo ser
A transformação ambiente seguiu em frente deixando o garoto, atordoado, para trás. Este nem sabia o que fazer ou dizer. Ficou parado, impressionado com tamanha violência com que tudo aconteceu e com tamanha perfeição que se deu a reconstrução do local. Leonardo nem se quer lembrou da chave em sua mão e da carta em seu bolso.
- Karaka!!! O que foi isso... – gritou impressionado. – Pareceu que um furacão passou por aqui e arrebentou com...
Antes de terminar de falar o garoto foi paralisado por um calafrio que subiu pelo seu corpo... A sensação de que alguma coisa o observava, a sensação de que algo estava por perto, que alguma força estava agindo por ali, veio a tona.
O garoto sentiu essa sensação poucas vezes, e uma delas foi quando a Carta Bosque se materializou em frente ele e Denny. Era uma presença, uma presença que despertava todos os seus instintos de magia, o transformado em um guerreiro pronto para o combate, pronto para lutar. Uma Carta Sakura estava tinha aparecido para ele.
- Isso... é a presença de uma Carta Sakura... – disse procurando por todos os lados...
Para todos os lados que procurava não via nada, mas ainda assim a presença da Carta Sakura estava forte.
- Perfeito... Não sei se digo “irado” por que agora vou poder usar minha carta... Ou se digo “lascou” por que estou numa baita encrenca...
O garoto continuou seu caminho pelo corredor, dessa vez tinha o alvo certo. Ainda sim observava todos os detalhes procurando por uma pista e procurando pela Carta, seja lá qual era.
- Acho que essa carta tem o poder de destruir e reconstruir as paredes e o teto... Deve ser a carta da parede... – disse rindo ironicamente. – E... acho que estou mesmo com a corda no pescoço... Mas eu vou sair daqui... Preciso de sossego!!! Pelo menos por um dia...
O corredor, na penumbra não parecia ter fim. Assim como antes, o garoto andava e andava e tudo se repetia, e nenhum sinal da carta.
- Mas que coisa!!! Eu ando, ando e ando e não saio do mesmo lugar. E ainda por cima sinto a presença da Carta Sakura perto de mim, mas quem disse que eu encontro essa carta... – Disse se irritando um pouco... – Mas espera só... você vai ver quando eu encontrar você... eu vou... – parou em frente a uma mesinha observando as flores, pequenas margaridas. – É mesmo... O que eu vou fazer quando encontrar... Boa pergunta...
No impulso, pegou uma estatueta de cristal que estava ao lado do vazo de margaridas, apertando em sua mão.
- Deixa só essa carta aparecer... a carta bosque dará conta do recado... – levantou o braço para cima... – então terei duas Cartas Sakura... – disse levando o braço para frente. – Opa...!
Sem querer Leonardo soltou a estatueta, deixando-a cair mais a frente. Porém ela não caiu da maneira que esperava.! Ao passar pelo último quadro a peça de cristal desapareceu. E reapareceu instantaneamente um pouco atrás do garoto, se quebrando totalmente com a queda.



Olha eu de volta na ára pessoal, sumi né...? Pois é... Mas estou aqui de volta e já trago mais um capítulo para vocês. Como eu havia prometido eu liberria os capítulos 13, 14, 15, 16 e 17, aguardem que logo logo eles estão pintando por aí. O motivo dessademora foi a morte do meu pc. Mas agora já está tudo melhor. Bem, esse capítulo eu dedico a dois grandes amigos meus que estiveram presente em um momento que precisei muito: Fábio Alessandro e Pedro Ernesto. Espero sempre contar com vocês. Bye:)
Paulo M. oulart



Cards Infinity
O Lago de Cristal
Capítulo 15
Caminhos Sem Fim
Paulo M. Goulart ©2007 – 2009
Finalizada em 07 de Agosto de 2008

Cards Infinity – O Lago de Cristal
TryMax ©2009
Paulo M. Goulart ©2007 – 2009
História Original: Clamp ©1996; Japão
Alguns nomes e imagens são de autoria do Estúdio Clamp e possuem direitos autorais reservados as autoras. Os demais nomes, tipologias e símbolos são de direitos autorais do autor desta história

Brasil, 2009
Paulo News
Capítulo 14
A Última Folha
Paulo M. Goulart, ©2009

- Então você é Leonardo...? – perguntou Renato assim que o guardião pousou ao lado deles, nem deu tempo para o garoto descer direito do lombo de Spinel. A ansiedade de Renato sempre atropelava tudo. – Capturou a Carta Sakura...?
- Si... si... sim... Eu... eu capturei sim a Carta Sakura. – respondeu meio atordoado. – Aqui está ela...
Leonardo colocou a Carta Bosque e o livro rosa a sua frente da forma que todos pudessem vê-la, provocando o espanto de todos. Lana e Lukas sentiram-se aliviados, era mais uma carta que havia sido capturada e mais um Card Captor que havia surgido para recuperar as Cartas Sakura.
O que houve com você...? Está todo machucado e com uma aparência horrível? – Perguntou Marine com seu doce ar de preocupação. – Parece até que saiu de uma guerra.
O garoto, ainda ao lado do Guardião em forma de leopardo, contou-lhes o que havia acontecido desde que saíra do clube dos contos. Sua história era surpreendente até mesmo para os garotos que já haviam passado por situações equivalentes. Marine se assustou ao ouvi-lo contar de sua queda do desfiladeiro. Renato, assim como a garota, demonstrava-se preocupado, porém enciumado pelo fato de Marine estar dando mais atenção ao novo garoto do que a ele próprio.
Lukas, enquanto Leonardo contava como foi capturar a carta, não deixou de fitar os olhos de Spinel um só instante. Um ar de competição, rivalidade e o prazer de reencontrar um velho amigo tomava conta dos sentimentos de Lukas. Lana não se continha mais para contar a Spinel sobre suas novas aparências como humanos, esse foi um dos motivos que deixou Spinel na dúvida em relação aos garotos, fazendo-os ficar irreconhecíveis aos seus olhos de leopardo.
- Meu Caro Spinel... – Disse Lukas com um enorme sorriso no rosto, era difícil identificar se era um sorriso de rivalidade ou de amizade. – Creio que você, com toda sua sabedoria transbordante esteja um tanto... cansado.
Spinel o olhou perguntando-se como que um estranho falava com tanta intimidade com ele. Talvez era extrovertido assim mesmo, pensou.
A aparência roqueira que Lukas havia adotado, com alguns piercings, roupas pretas, braceletes nos braços e um coturno preto não chamaria muita atenção em um show de rock, mas ali a história era diferente. Isso fez com que Spinel tivesse receio em perguntar ao garoto roqueiro o motivo de tamanha intimidade.
- Você fala comigo como se me conhecesse... Mas eu não me lembro de você... – replicou Spinel. – Mas tem um jeito muito parecido com um velho amigo meu.
- Spinel... – Chamou Lana – a quanto tempo não nos vemos... uns 50 anos, diria...
- Quem são vocês – Perguntou Spinel aos guardiões de modo intrigado – Falam comigo de um modo como se me conhecessem há muito tempo. Eu não lembro de vocês, apesar de possuírem maneiras bem semelhantes a uns velhos amigos.
- Ah! Corta essa – exclamou Lana – Você, com toda sabedoria, não consegue reconhecer a gente...?
- É isso mesmo – continuou Lukas –, perdeu tantas vezes para mim que agora nem me conhece mais... É isso Spinel? Tantas derrotas em jogos fez você perder a memória...?
- Vocês... São...?
- Sim, nós mesmos. Em carne, osso e com um novo visual, o que achou? – Lana mostrou seus cabelos negros e suas roupas, que na verdade eram emprestadas de Marine.
- Ruby-Moon... É você mesmo? – Spinel olhava para a garota a sua frente, com um novo visual, diferente do que conheceu a tempos atrás. Seus olhos de leopardo se fixava no longo cabelo da garota e em seus olhos bem vivos. Era difícil de acreditar que era ela... que era Ruby-Moon.
- Espantado...? – Perguntou Lukas passando a mão no lombo do guardião.
- Um pouco...
- Bem, temos que nos disfarçar nesse mundo... Você entende... nos misturar com as pessoas normais. Além do mais todos nós sabemos muito bem que não podemos ficar nesse corpo de guardião enquanto as quatro cartas dos elementos principais, que nos protegem, não forem recapturadas.
- Você tem razão... – replicou Spinel. – Eles sabem disso...? – disse olhando para o outro grupo de garotos um pouco a frente. Renato, Marine e Leonardo ainda conversavam sobre a Carta Boque.
- Não... Ainda não tivemos oportunidades para contar isso a eles... – Lana respondeu pensativa.
- É melhor que seja rápido... Vocês sabem que não podem mais voltar a sua forma original caso as quatro cartas principais não tenham sido recapturadas...
- Claro... – Lukas interveio. – Mas olhe para eles Spinel... Não formam uma excelente equipe? E se eu não estiver enganado ainda contaremos com mais um Card Captor.
- Claro que são... Desde salvei e conheci o Leonardo que senti que aquele garoto é capaz de coisas até mesmo impossíveis. E agora que vejo esses três reunidos eu sinto que eles darão conta do trabalho de recapturar as cartas. – Spinel olhava os garotos conversando animadamente, algo dentro dele dizia que eles seriam capaz, bem mais do que eles imaginavam.
Marine e Renato não saiam de perto de Leonardo, se comportavam como perfeitos ouvintes de uma história, não era por nada que Leonardo era membro do Clube dos Contos.
- E aí... o que achou da minha nova... digamos, versão. – perguntou Lukas para o grande leopardo alado. – Pelo visto já sabe quem eu sou...
Foi então que Spinel se deu conta de que aquele garoto roqueiro a sua frente era Quérberos, o guardião do fogo. Assim como Ruby-Moon, Quérberos estava irreconhecível. Os piercings, os braceletes, anéis e as roupas que usavam não condiziam com antiga personalidade do guardião. O cabelo, loiro, mostrava, aos olhos de Spinel, a mudança mais radical. Não só o cabelo, mas os olhos, que agora eram verdes e bem mais vivos, tinham sede de ação. Foi mais difícil ainda acreditar que aquele garoto era o mesmo Quérberos de 50 anos atrás.
O novo visual dos guardiões significava para Spinel que era tempo de mudanças, grandes mudanças... Sentia que algo muito grande estaria por vir e que mudaria muitas coisas na vida de todos, mas especialmente na vida dos novos Card Captors. O que estaria por vir? Spinel não sabia, mas tinha certeza que não demoraria.
- Spinel... – chamou Leonardo. – Será que... talvez... a gente possa ir embora? Meu corpo está um pouquinho dolorido e quero colocar alguns curativos nesses machucados.
- Não...! – exclamou Marine seguida de Lana, que notou os ferimentos do garoto. – Você não pode ir para casa... Você precisa ir a um hospital... olhe só para você, está todo machucado...
- Acho que não seja necessário... é só uns ferimentos leves... – respondeu com um sorriso forçado no rosto, na verdade a dor era muita.
- Acho que a Marine tem razão Leonardo. Você precisa é ir a um hospital para ser tratado melhor. Vamos... – Renato chamou o garoto e por azar pegou no braço fraturado do garoto, fazendo-o soltar um gemido de dor e angustia.
- O que houve com seu braço!? – perguntou Renato preocupado. Apesar de um pouco de ciúmes encontrava cada vez mais em Renato uma amizade, que com certeza seria duradora.
- Não... Não foi nada, não se preocupe.
- Como assim, nada...? – Renato o fitava nos olhos esperando uma resposta. – Ele parece que está... – continuou segurando novamente no braço do garoto, dessa vez com o dobro de cuidado. – quebrado...
- Acho que deve ter sido quando eu cai – respondeu virando-se para o desfiladeiro e olhando sua imensidão que parecia não ter fim.
- Então está combinado... – Disse Lukas. – Vamos sair daqui direto para um hospital e cuidar desses seus ferimentos.
Os garotos se juntaram e começaram a discutir planos de como sairiam do interior da floresta. Mas a maioria era um fracasso eminente, havia amanhecido e eles ainda estavam completamente perdidos.
Para todos os lados que olhavam a visão da selva densa era a mesma. As árvores pareciam ter crescido mais aquela noite, era quase impossível ver o céu, os galhos e as folhas tampavam toda a clareira. A única visão ampla que tinham era do desfiladeiro as costas deles, mas por ali não tinham como passar. A única solução que viam era adentrar pela densa selva novamente.
- Espere um pouco... – disse Spinel. – Estou quase sem energias, mas consigo levar todos você daqui, voando...
- Você tem certeza Spinel...? – perguntou Lana desconfiada. – Você precisará de um pouco de energia para assumir uma forma humana.
- Eu sei disso... estou calculando isso também... Não haverá problemas, levarei de dois em dois para que eu não gaste muita força voando por aí.
- Certo... É meio arriscado... – continuou Lukas. – Mas não temos outra saída. O Leonardo precisa ser cuidado com urgência e se ficarmos aqui nos perderemos ainda mais.
- Então é melhor não perdemos tempo. – Renato disse indo em direção às árvore onde dormiram. – Vamos pegar nossas coisas e sair logo daqui.
As mochilas estavam sobre as raízes de uma grande árvore com cipós que caiam de todos os lados.
- Pessoal! – gritou – eu vou pegar as mochilas de vocês, esperem aí. – A minha a da Marine, Lukas e a da Lana. Ué... e essa outra... Se parece... com a minha...
Na árvore, onde os garotos tinham passado o resto da agitada noite uma quinta mochila se encontrava um pouco mais adiante das outras. Estava justamente no lugar onde Lukas havia dormido, por isso não viram. Na confusão e preocupação em repousar o amigo em um lugar não viram que eles o colocaram sobre a mochila.
Renato logo reconheceu os detalhes personalizados que ele havia feito meses atrás. Sua mochila estava entreaberta e um pouco amassada. A ansiedade o fez abrir para conferir se estava tudo ok. O livro ele já tinha visto com o Leonardo, então não esperava encontrar o mesmo na mochila. As demais coisas – papéis, revistas e anotações – se encontravam soltas em seu interior, todas amassadas e dobradas...
- Também... com o peso do Lukas em cima disso... que mochila e papel resistiria.
As canetas e outras tranqueiras estavam no mesmo lugar. Percebeu que o conteúdo de um dos bolsos estava revirado, mas não faltava nada. Logo percebeu que Leonardo devia ter procurado por algo em sua mochila, algo que não achou.
Agarrou a sua mochila e a prendeu em seu braço assim como as outras. Voltou apressado para o grupo que o esperava, todos ansiosos para sair daquela floresta que os mantinha prisioneiros.
- O que houve...? Por que você demorou...? – perguntou Lukas fazendo o garoto se apressar ainda mais.
- Olha só... – disse erguendo a mochila para todos verem. – Encontrei minha mochila. Estava ali o tempo todo... Não a vivos por que colocamos o Lukas para descansar em cima dela.
- Aff... Foi por isso que senti algo desconfortável nas minhas costas a noite toda. – disse Lukas meio contrariado.
- Me desculpe Renato... – Leonardo cortou o assunto. – Ontem eu peguei sua mochila por engano na pressa de ir embora... se parece muito com a minha...
- Ah... Sem problemas... Na pressa não nos atentamos aos mínimos detalhes. Você não iria adivinhar que teria outra mochila igual a sua naquele monte...
Parecia que o ciúmes estava sumindo. Renato já não via mais Leonardo como um rival, apesar de lamentar pela atenção maior que Marine dava a ele.
Os garotos ainda conversaram sobre o incidente da mochila. Leonardo contou como foi ter encontrado o livro e explicou para Renato que procurou por frascos dentro da mochila dele e por comida também.
- Ou!!! – gritou Lana... – Vamos parar de conversar sair logo daqui, vocês querem morrer nessa floresta? Não... Então vamos vazar daqui... Pegar o beco... Dar o fora... Tá difícil de entender...?
De dois a dois Spinel tirou todos os garotos da densa floresta, que parecia ter ficado mais selvagem na última noite. Talvez tenha sido as constantes aventuras que camuflaram a densa mata por onde se embrenharam.
Por insistência de Renato Lukas subiu no lombo de Spinel, Renato insistia que ele ainda estava meio fraco por conta da luta contra a Carta Sombra e por isso deveria ir logo para um local seguro. Leonardo foi logo atrás, tirá-lo dalí e levá-lo para um local mais seguro onde pudesse descansar e cuidar dos ferimentos era a prioridade do grupo. Spinel levantou vôo cruzando toda a floresta rumo a cidade, sendo orientado por Leonardo o melhor lugar para se pousar com segurança sem serem vistos.
Do alto puderam ver o quão perdidos estavam, praticamente no coração da floresta. Nem mesmos os caçadores se atreviam a invadir aquela área; os mitos, na maioria provinham sempre do interior da floresta, onde os espíritos dormiam e que uma vez acordados derramariam sua cólera sobre os mortais.
Renato, Marine e Lana esperaram na clareira a volta do guardião para poderem se juntar aos garotos que já estavam fora da selva.
Assim que Spinel pousou na clareira Renato fez com que Marine subisse no lombo do leopardo alado, entregou sua mochila e já se preparava para subir. Voar com Marine seria verdadeiramente a melhor coisa que poderia lhe acontecer nesse dia. Sentir seu delicado perfume de rosas, sentir o calor de seu corpo e abraçá-la para protegê-la de todos os perigos que poderiam ameaçá-los...
- O que!!! – exclamou a mesma voz descontrolada de antes. – Vocês não pensam em me deixar aqui sozinha...!?
Lana não estava para bons amigos, a expressão desafiadora nos olhos intimidavam qualquer um que resolvesse encarar a garota.
- Podem esquecer! Eu não fico aqui sozinha de jeito nenhum. Eu vou com a Marie agora e você fica Renato, além do mais essa flores...
“Não vai ter jeito... Ela vai ter que ir. Não posso pedir para Marine ir comigo, ficaria muito estranho...” pensou Leonardo enquanto Lana ainda fazia um discurso listando todas as coisas ruins da floresta e por que ela tinha que ir primeiro.
Como se previa Lana e Marine voaram com Spinel para fora dalí, alcançado a cidade quente, aconchegante e familiar. As garotas puderam sentir como era bom a brisa do céu, como era bom voar... Em poucos instantes estavam junto dos garotos, sentados na grama de um imenso jardim.
Renato não parava de pensar em Marine, mas sua volta para casa lhe despertava mais atenção.
- Será que deram por minha falta
Perguntou para si mesmo. Não se importou com a altura da voz, ale era somente ele e a selva.
Enquanto Spinel não voltava para tirá-lo dali, começou a pensar sobre a conversa que os guardiões tiveram a pouco. Apesar de estar conversando com Leonardo e este estar relando tudo o que aconteceu, Renato não deixou de ouvir algumas partes da conversa de Lukas a respeito das formas originais. Eram fragmentos desconexas, isto fez que tudo ficasse ainda mais sem sentido em sua cabeça, por mais que tentasse estabelecer um sentido lógico mais complicado ficava o assunto.
Alguma coisa o incomodava. Desde que Lukas e Lana assumiram a forma humana não voltara mais para a forma de guardião, perderam mais da metade de seus poderes e se tornaram quase comuns quanto ele e Marine.
Outra coisa que o intrigava era as cartas dos elementos principais. O que tinham a haver com isso? Renato não se lembrava muito bem de uma parte que Lukas havia comentado de relação com as cartas dos elementos principais com as formas originais dos guardiões...
- Mas porque eles tem que assumirem outra forma? E o que as cartas principais tem a ver com isso...?
Renato puxou do bolso suas cartas já capturadas, segurando uma em cada mão. Passou a analisá-las lentamente se atentando a todos os detalhes. “Como são lindas”, pensou.
- De todo modo se as quatro cartas principais tem algo a ver com isso nós já temos uma... – disse olhando para a Carta Vento.
Renato logo avistou Spinel retornando para buscá-lo, em breve se uniria aos outros, então poderia perguntar sobre as formas humanas dos guardiões.
Spinel pousou na relva recém-nascida ao lado de Renato. Com uma única tentativa subiu no lombo do leopardo, colocou sua mochila nas costas e se preparava para o vôo. Estava ansioso... Sempre quis voar, mas imaginava que seria de helicóptero ou asa-delta, mas não em uma fera alada.
No alto Renato pode apreciar a paisagem sobre seus pés, deixava a linda e feroz floresta de Andara para trás, voando em direção a cidade.
- Seria perfeito se eu estivesse com a Marine agora...
- Você disse alguma coisa...? – perguntou Spinel ao escutar um leve murmurar do garoto.
- Não... nada...
- Se segure, vamos descer.
O pouso foi tão suave quanto a decolada, voar tinha sido uma experiência fantástica. Pena estar sozinho...
Todos esperavam Renato e Spinel sentados na grama, próximo a campo florido. Andara possuía bairros famosos por seus jardins bem cuidados e planejados. Muitas flores, arbustos e árvores frutíferas faziam parte da decoração, dando um tom tranqüilo e romântico à cidade, principalmente onde estavam. O local era conhecido pela ótima paisagem, tranquilidade e beleza. O silencio parecia que era lei, não se ouvia quase nenhum tipo de ruído, apenas o cantar dos pássaros e o som do vento balançando as folhas das árvores.
- Onde estamos...? – perguntou Lukas. – Que lugar lindo...
- Estamos em Lavender. – disse Renato descendo do lombo de Spinel.
- É... Realmente aqui é muito lindo... – disse Spinel ofegante. Três viagens levando adolescentes de aproximadamente 20 anos tinha o esgotado. Estava quase sem forças, o que o fez deitar na grama...
- Spinel!? – O que está esperando...? – Disse Lana exasperada. – Você tem que mudar de forma agora, não pode esperar mais... Você está quase sem energia.
- Ela tem razão... – disse Marine, um pouco preocupada e olhando para os lados. – Não entendo nada sobre a energia de vocês, mas eu digo isso porque estamos na cidade agora...
- É verdade Spinel... – continuou Leonardo. – Se alguém nos ver com você teremos graves problemas. Sabe... o pessoal de Andara não está acostumado com leopardos negros alados.
- Certo... – disse o guardião.
Spinel se levantou da grama. Estava tão macia, tão suave em seu corpo, era tão reconfortante que poderia ficar ali o resto do dia.
Em um impulso suas asas de mariposa se abriram mostrando, reluzindo com luz solar da manhã. Os detalhes das asas refletiam a luz para todos os lados, dando ao imenso jardim flashes de luzes em todas as direções, luzes de todas as cores.
Em instantes seu grande corpo subiu no ar a media que suas asas duplicavam de tamanho. Uma esfera dourada, semi-transparente, envolveu todo o guardião; o calor que emanava era suave assim como a luz, que agora era apenas um dourado límpido.
Spinel fechou seus olhos, o que restava de energia em seu corpo começou a ser liberada produzindo uma alra cintilante no guardião. Suas imensas asas se fecharam encobrindo todo o corpo do leopardo, formando uma espécie de casulo para proteger a vida que estava em seu interior. A alra ficou mais intensa e a luz dourada aumentou sua tonalidade.
Instantes depois as asas se abriram revelando um novo ser em seu interior, um garoto de aparecia não muito rebelde e com cabelos comportados surgia na frente deles. A visão era espetacular, a alra e a esfera de luz dourada se dissipavam a medida que o garoto voltava à terra firme.
Spinel abriu seus olhos, agora castanho-claros, no instante que colocou seus pés no suave gramado. No geral tinha a aparência de um garoto comum, mais com suas particularidades. Uma delas era um fino óculos que usava, o deixando com um ar de intelectualidade. Seu cabelo era um pouco espetado, totalmente bagunçado, não muito grande nem muito curto, e um piercing transversal em sua orelha esquerda completava a face do garoto.
Usava uma regata branca, definindo seu corpo atlético. Não tinha muito músculos, mas era o ideal do que se esperava de um garoto. A calça era de um tecido leve, o que lhe permitia movimentos mais soltos e suaves. E o tênis branco, com detalhes vermelhos, completava todo seu visual. Em detalhes, usava uma corrente prateada no pescoço e outra do mesmo modelo no punho esquerdo.
A transformação estava completa, Spinel havia se transformado em um perfeito atleta intelectual: malhado, lindo, atraente e inteligente. Marine e Lana ficaram espantadas em que o leopardo havia se transformado, para elas era quase que inacreditável. Não tiravam os olhos do corpo definido de Spinel, principalmente do belo rosto do garoto, não conseguiam disfarçar tamanha admiração por tamanha beleza.
- Bem... – disse o garoto olhando para as roupas e o próprio corpo. – Acho que ficou bom...
- Esta brincando...! Bom...! Ficou... ficou perfeito!!! – Disse Lana com os olhos brilhando de admiração. – Minha nossa. Como você ficou... ficou...
- Lindo...? – perguntou Spinel olhando para os músculos...
Lana não conseguiu dizer mais nada, apenas balançou a cabeça com a boca aberta afirmando.
- É... ficou muito bom mesmo Spinel... – afirmou Leonardo. – Será fácil arrumar muitas gatinhas desse jeito...
Todos riram com o comentários de Leonardo. Os garotos também elogiaram o novo visual do guardião, porém o fizeram de forma mais reservado que as garotas.
Lukas não resistiu em anunciar uma nova rivalidade a vista. Quem conquistaria mais garotas. Marine ficou furiosa com o garoto iniciando uma discussão, a qual entou Lana a favor de marine...
- Bem... você precisa de um nome... – Leonardo interrompeu a discussão. – Spinel também não é um nome muito comum...
Todos param de discutir e começaram a pensar um nome ideal para o guardião. Momentos de silencio tomaram conta da situação. Por mais que olhassem para o garoto não conseguiam encontrar um nome certo. Por muitas vezes Marine abriu a boca para falar, mas fechou logo em seguida.
Leonardo notou que o Spinel estava ficando desconfortável com aquela situação, ter que mudar o nome não era uma tarefa difícil. Decidiu que estava na ora de começar a retribuir o que o guardião havia feito por ele. Procurou em toda sua memória um nome que combinasse, um nome que correspondesse ao estereótipo do guardião.
- Acho que... – disse enfim, quebrando o silêncio. – Denny seria um bom nome... o que acha Spinel...?
- Humm! Denny é muito bom... Combinado!!! – exclamou agarrando na mão de Leonardo. – De agora em diante meu nome é Denny.
- Ahh...! – Leonardo soltou um pequeno gemido. – Não aperte muito... ainda doi um pouco...
- Pessoal o que estamos esperando... já perdemos tempo demais, temos que levá-lo a um hospital. – interveio Marine.
- Não acho que seja necessário... – disse Leonardo segurando seu braço quebrado...
- É claro que é... – replicou Renato... – Se eu não estiver enganado tem um hospital aqui perto...
E não estava enganado. O grupo, agora composto por seis pessoas saíram do jardim e seguiram rua acima, virando na primeira esquina. Logo a frente Renato pode confirmar sua suspeita: havia um hospital local naquela parte da Cida, onde eram atendidas pequenas emergências e casos não muito graves.
Por sorte estava vazio, não havia ninguém na sala de espera, a não ser pelos funcionários. Ainda estava meio cedo, já tinha passado das oito da manhã. Pelo visto havia sido uma noite tranqüila para a população local, diferente da deles.
Os atendentes colheram as informações com os garotos enquanto Leonardo era atendido e medicado pelos enfermeiros e médicos. Pouco tempo depois já estava com curativos pelo corpo todo e com o braço engessado. Porém tiveram que encarar o inquérito do médico a respeito o que estavam fazendo para aparecer com um garoto todo machucado e porque não trouxeram ele assim que quebrou o braço.
Gastaram um certo tempo para contar toda a história ao médico, omitindo as partes de magia e criaturas fantásticas. O médico responsável não era nenhuma criança que poderia ser levado com qualquer historinha, já era profissional na área a muito anos, a idade denunciava isto. Renato e Marine se esforçaram ao máximo para convencer o médico de que toda a história que haviam contado era verdade.
- Muito bem... – disse o médico. – acho melhor vocês voltarem para a casa de vocês. O paciente ficará aqui até o fim do dia em observação. – pegou a ficha em suas mãos e continuou. – Já avisamos a família por telefone, é importante que os pais ou responsáveis, caso ele seja menor, saiba que o garoto esteja aqui. Isso evitará problemas futuros...
Os garotos se reuniram em outra sala mais vazia, a que estavam, com o passar do tempo, começou a se encher – de curiosos por sinal. Não havia mais nada a fazer no hospital o novo amigo já estava sendo tratado por profissionais e lês não podiam fazer mais nada, Leonardo estava em boas mãos.
- É melhor a gente ir para casa. A tarde voltamos e fazemos uma visita... – disse Marine pensativa. – Além do mais nossos pais devem estar preocupados conosco...
- Não moro com meus pais... – replicou Leonardo. – É uma longa história... Não faltará oportunidades para que eu a conte. Agora é melhor que todos nós vamos embora, estamos muito cansados e acho que merecemos um descanso também. O Leonardo estará em boas mãos aqui e logo os pais deles chegarão.
- Tá certo... preciso de um banho de sais urgente... – concordou Lana se espreguiçando. – Marine você prepara aquele chá de ervas quando chegarmos em casa?
A garota concordou com a cabeça e todos dirigiram para a saída do hospital. Sentiram o ar quente ao abrirem a porta, até que enfim aquela noite turbulenta havia acabado de vez.
O grupo discutia o melhor caminho para chegar em casa. Renato e Marine moravam mais ou menos perto, por isso decidiram pegar o mesmo caminho.
Denny, por sua vez, parou a entrada do hospital e não se moveu. O grupo já estava no meio da rua quando deram por sua falta.
- Denny...! – Gritou Lana – vai ficar ai fazendo o que?
O guardião foi até onde os garotos estavam, seus cabelos bagunçados realçava ainda mais na luz do sol, seu corpo realizava um perfeito movimento pela rua, o que deixou Lana paralisada.
- Bem... – disse ele. – Vou ficar por aqui, quero ver como o Leonardo vai ficar... quero ter certeza se ele melhorou... alem do mais...
- Além do mais...? – perguntou Lukas.
- Diferente de vocês dois – disse olhando de Lana para Lukas – eu não tenho para onde ir, então vou ter que ficar aqui... Não se preocupem... ficarei bem...
- Nossa...! – exclamou Renato. – Eu não tinha pensado nisso... Mas não se preocupe. É claro que não vamos te deixar aqui, você virá conosco para minha casa. O que acha...?
- Não sei... não quero dar trabalho...
- Ah! Corta essa – disse Lukas. – não será nenhum trabalho, você é nosso amigo Denny. Além disso, você não ajudará em nada ficando aqui. Você não ouviu o que o médico disse? O Leonardo está bem e logo a família vai chegar... – Lukas passou o baço nas costas do amigo e continuou. – Vamos, você também precisa descansar... Mais tarde a gente volta para visitá-lo.
- É, ele tem razão Denny. – completou Marine – E olha não se preocupe com um lugar para ficar, tenho certeza que o Leonardo não irá deixar você não mão.
- Está certo então... – concordou Denny, seguindo andando com os outros. – E sabem...? Preciso dormir...
Sem mais discussões os cinco entraram em uma rua logo acima ao hospital que dava acesso a uma das principais avenidas de Andara. Voltar para casa por esse caminho seria bem mais fácil. Como estavam na parte sul da cidade só precisavam subir a avenida e depois seguir rumos diferentes.
Os garotos não sabiam mais de onde tirar forças para continuar andando. Uma noite mal dormida junto com intensas aventuras e, o principal, fome deixaram todos a beira de ataque emocional de stress e fadiga muscular, mas nada do que boas horas dormindo e uma boa comida não resolvesse o problema. E também eles deixaram de ser garotos normais assim que tiveram aquele sonho três noites atrás, agora era Card Captors; as cartas capturadas e as chaves penduradas em seus pescoços dizia isso.
- Estou louca por aquele chá relaxante Marine...
- Eu também Lana... eu também...
- Eu... só que dormir... – Spinel disse em um enorme bocejo. – Espero que o Leonardo esteja bem...


E aí pessoal, como anda as coisas? Como eu disse que seria todos os sabados agora estou aqui marcando presença... espero que gostem [esse capitulo não é muito de ação, mas sim de interligação]
Esse capítulo eu dedico aos meus irmãos que, apesar de não estarem perto e não gostarem de mim, eu os guardo no peito com muito carinho..
Ok, bye-cha!
Paulo M. Goulart


Cards Infinity
O Lago de Cristal
Capítulo 14
A Última Folha
Paulo M. Goulart ©2007 – 2009
Finalizada em 26 de Julho de 2008

Cards Infinity – O Lago de Cristal
TryMax ©2009
Paulo M. Goulart ©2007 – 2009
História Original: Clamp ©1996; Japão
Alguns nomes e imagens são de autoria do Estúdio Clamp e possuem direitos autorais reservados as autoras. Os demais nomes, tipologias e símbolos são de direitos autorais do autor desta história

Brasil, 2009
Paulo News
Capítulo 13
A Lua do Amanhecer
Paulo M. Goulart, ©2009

O sol surgiu mais cedo pela manhã, a floresta de Andara logo se iluminou, o brilho da folhas e o cheiro da relva ainda úmida acordaram Leonardo de seu profundo sono.
Tudo ainda passava em flashes em sua cabeça: a queda por um despenhadeiro, seu braço quebrado, o livro mágico, a marca em sua mão. E assim como nas outras noites de sono, essa também havia sido perturbada pelo mesmo sonho de três dias atrás.
Abriu um pouco seu olhos, seu braço ainda doía muito e seu corpo, todo ralado começou a arder assim que a sensibilidade, fornecida pelo sentido do tato apoderou de seu corpo.
- Ahh!
Um gemido forte foi a primeira coisa que conseguiu fazer. Ainda estava meio tonto e seu corpo todo dolorido o impedia de levantar.
- É melhor ficar deitado, os ferimentos são bem graves e profundos, você precisa de repouso. – partiu uma voz de algum lugar fora do alcance da visão do garoto caído. A voz era desconhecida, mas a dor que agora voltava a dominá-lo impedia o garoto de pensar de quem era.
A sensação de que algo o chamava ainda invadia seu corpo, sua mão ainda formigava; seus olhos embaçados tentavam se localizar, suas mãos procuravam por algo firme para se apoiar e levantar seu corpo recém despertado.
A visão de Leonardo recuperou completamente foco, mas o que viu o fez tremer, como nunca tinha feito antes, da cabeça aos pés de medo e de susto. Um grande leopardo negro estava em pé ao seu lado, fitando-o atentamente; não tinha aparência hostil e ferina, mas o medo fez com que Leonardo se levantasse de um salto e se recuasse alguns passos. Suas asas, avermelhadas, iluminava junto com os primeiros raios de sol, seu pelo negro também não ficava atrás, possuía uma lustrosidade impecável, seus olhos, negros e castanhos ajudavam o ser fabuloso a completar sua beleza descomunal.
- Quem é... ou... o que é você?! Sei lá...
O garoto tentava se afastar cada vez mais da figura a sua frente, esta por sua vez agia mansamente com seu nobre ar sereno e educadamente se apresentou ao assustado e indefeso Leonardo.
- Onde estou...!? Como vi parar aqui? Como você, ou seja lá o que for é possível de existir... ahhh...! – perguntava incessantemente, por hora a dor o impedia por intervalos. – e o que é você...?
- Ei! – disse o ser exasperado. – Eu sempre soube que para haver um dialogo duas pessoas precisam conversar, mas se uma pessoa só conversa isso não é um dialogo... então deixa eu falar para poder apresentar esse que vos fala...
“Esse que vos fala” pensou Leonardo. “É a primeira vez que ouço uma forma tão culta de linguagem fora da universidade, estou impressionado.”
- Bom, já que calou eu posso falar... – disse sentando-se, mantendo a posição de um leopardo atento. – Meu nome é Spinel, Spinel Sun. Mas me chame de Spinel, acho Spinel Sun muito formal e além do mais não gosto de ser chamado pelo nome completo... E você quem é?
- Bem – respondeu Leonardo, desconfiado e impressionado com a linguagem de Spinel. – Le... Le... Leonardo, meu nome é Leonardo.
- Prazer Leonardo – replicou o leopardo.
Leonardo nada respondeu ou disse, apenas olhava intensamente, detendo sua atenção as asas vermelhas que balançavam suavemente.
- Eu sou um dos quatro guardiões que foram criados a muito tempo para proteger as Cartas Clow. Essas cartas são muito especiais, elas guardam poderes mágicos de diferentes entidades da natureza. O Mago Clow as criou para poder ajudar a mundo com sua magia e trazer mais alegria e conforto as pessoas. Mas só que muito tempo depois uma jovem garotinha abriu o livro que as cartas estavam seladas e então começou...
Spinel contava a imensa história para Leonardo, mas o garoto não estava muito ligado para isso, olhava fielmente ao balançar uniforme das asas do guardião. Seu medo já tinha dado lugar a contemplação da figura mágica. E aquele balançar de asas, aquele corpo todo negro e aqueles olhos... Foi como se um choque acordasse de vez Leonardo. Um conjunto de imagens veio a sua mente, a torre rosa, os quatro garotos, a chave e o leopardo negro, o mesmo que estava a sua frente.
- Você!!! – cortou a história das Cartas Sakura que Spinel contava com entusiasmo...
- Como!? Eu não entendi...
- Você... Era você... Era você que estava no meu sonho, você era o ser mágico que me levou no seu lombo até uma alta torre rosa. Você estava no meu sonho...
- Sonho... que sonho – replicou Spinel.
- É uma longa história... E... bem, eu nem sei por onde começar...
- Mas eu sei... toda história começa pelo começo! – disse com seu sorriso sínico.
- Desculpa, é que ainda é meio confuso para mim, ainda mais agora que estou vendo você na minha frente... – disse ainda mantendo distancia e se afastou mais um pouco.
- Não se preocupe, não vou te matar, morder, torturar, comer, ou coisa do gênero, até porque não sou canibal.
- Tá bom... me... me desculpa, ah... – soltou uma pequena exclamação de dor e sentou-se um pouco mais perto do guardião, mas ainda tomando suas cautelas que ele achava pertinente.
O sol já estava no céu por completo, devia ser umas sete da manhã. Era incrível como o calor matinal tinha o poder de reavivar e acender tudo, Leonardo até se sentia melhor sendo aquecido enquanto contava sua história para o guardião.
Começou contando o sonho e dos três garotos e guardiões que estavam com ele, depois passou para a cena que havia presenciado no dia anterior, ter visto uma trança de galhos levantar e mergulhar na floresta, fazendo um arco, tinha sido muito incrível. E por fim mostrou a sua mão direita com a marca de uma chave com uma lua em sua ponta.
Spinel ficava impressionado a cada palavra que Leonardo dizia, e a cada frase lhe ficava mais claro o motivo de ter sido despertado novamente.
- Uma nova busca pelas cartas começou... – disse para Leonardo, que não entendeu muito bem. – Mas como isso é possível? Como essas cartas, aprisionadas a 50 anos atrás foram libertadas.
Leonardo não entendia tudo o que Spinel estava dizendo apenas em partes.
- Ah! Você mencionou um livro...
- Sim, o livro mágico onde as cartas foram lacradas e aprisionadas. – replicou Spinel.
- Eu estava com ele, quando... – Leonardo olhou para cima e, pela primeira vez, pode analisar o despenhadeiro que o fez sofrer duas quedas. - ...quando eu cai lá de cima...
- Eu fui libertado no exato momento que você foi libertado, parecia que alguma aqui fora clamava por minha ajuda, alguém precisava de mim e eu estava certo. Se eu não tivesse sido libertado você teria...
- Entendo... Obrigado!
Spinel retribuiu com um aceno leve de sua cabeça, sem duvida alguma aquele leopardo era dotado de excepcional inteligência e educação. Leonardo começou a procurar o livro, que o encontrou em alguns ramos de vinha logo a frente dos dois.
- Aqui! É esse o livro...
Spinel o analisou com bastante cuidado, observando cuidadosamente os detalhes da capa e as quatro insígnias desenhadas. Por fim abriu a boca para falar.
- É esse livro mesmo... Esse é o livro das Cartas Sakura – disse um pouco nervoso. – Aí dentro deviam estar guardadas as 52 cartas criadas pelo mago Clow e transformadas pela Maga Sakura... Mas evidentemente você não poderá abrir esse livro, só quem é dotado de alguma magia pode abri-lo...
- Me desculpa Spinel, mas... Eu posso abri-lo
Com um leve toque o lacre dourado soltou pequenas faíscas e o livro se abriu nas mãos de Leonardo.
- E aqui, - Leonardo mostrou o livro aberto para o guardião – não há nenhuma carta das que você me disse.
Seria difícil definir a expressão de Spinel, o abalo tomou conta do guardião que o deixou super alvoroçado.
- Mas como, como você conseguiu abrir esse livro... quer dizer que... quer dizer... Quer dizer que você é o novo Card Captor...
- Como... Me desculpe, mas eu não te entendi...
- Uma vez libertadas, as cartas precisam ser seladas o quanto antes e apenas os dotados de magia podem fazer. Isso quer dizer que você recebeu a missão de recapturar todas as Cartas Sakura antes que seus poderes tornem o mundo em trevas.
Leonardo não sabia ao certo o que dizer, responder ou pensar. O mundo dava volta em suas cabeças, tudo era novidade para ele, e a dúvida o invadia. Acreditar em tudo isso ou não acreditar estava sendo difícil; primeiro por que um ser fantástico de seus sonhos havia tomado forma, mas era uma história tão surreal que até uma criancinha teria dificuldade em acreditar em tudo que Spinel havia dito.
Leonardo, ainda com o livro aberto nas mãos perguntou a última curiosidade que o afligia.
- Spinel..., como são essas Cartas Sakura...?
O arrepio, um frio na barriga, uma sensação mais forte do que nunca invadiu o subconsciente do garoto, sentiu que algo o espreitasse, o observava; sentiu que havia alguma coisa por perto que o atraia. Spinel também não foi salvo de tais sensações, sentiu quase a mesma coisa que Leonardo, porém ele sabia do que se tratava. De um lugar qualquer vinha aquela sensação, a sensação de uma presença de mais um ser entre eles. As folhas, nas arvores, e os galhos começaram a se agitar freneticamente.
- O que está acontecendo?! –pergunta Leonardo surpreso com todo o alvoroço que acontecia.
- Sua pergunta está sendo respondida – respondeu Spinel, risonho.
- Como assim...?
Spinel não devolveu a resposta. Também não havia necessidade, atrás do guardião surgia a mesma trança de galhos, se arrastando pelas pedras e enroscando pela parede do despenhadeiro como uma violenta trepadeira. Correu por todo paredão até parar sobre o lugar onde estava Spinel.
Leonardo deu velozes passos para trás, estava assustado, além do mais, a agressividade com que os galhos perfuravam o imenso paredão não eram nem um pouco delicadas.
- O que é isso Spinel...? – perguntou assustado e curioso ao mesmo tempo.
- Isso... – respondeu apontando uma de suas patas para os galhos que seguiam rastejando em torno deles. – É uma Carta Sakura.
A trepadeira que havia se formado parou de se mexer, suas folhas apenas seguia a direção do vento suave pela manhã. As folhas, flores, e galhos se posicionaram onde a luz do sol incidia completamente sobre elas, podendo assim realizar um fenômeno fundamental para sobrevivência das plantas. Bem no alto das folhagens uma imagem humana surgiu. Cobertas de folhas e com aparência bem delicada uma mulher se erguia, com seus olhos fechados, para poder sentir o calor do sol e absorver sua energia. Em poucos segundos suas folhas começaram a brilhar intensamente, assumindo uma coloração verde-dourado.
- Ela... Ela... é... a carta Sakura...?
- Ela mesmo Leonardo. A Carta Bosque. – Spinel olhou para o livro pensativo, lançou um olhar para o garoto, ainda atrás, e caminhou em sua direção. – Mostre-me o livro...
Sem objeção Leonardo estendeu o livro a sua frente. Spinel cerrou seus olhos, concentrando todas as suas energias, direcionando-as para o livro. Depois de um intervalo de tempo concentrando e sendo analisado pelo menino curioso a sua frente, Spinel pronunciou suas primeiras palavras como um forte brado, uma ordem para o objeto.
- Oh! Chave mágica que guardas os poderes luminosos da lua, retorne novamente ao mundo material e conceda seus poderes ao novo card captor que lhe necessita para cumprir sua função.
Uma minúscula chave saiu da terceira insígnia do livro, esta já era a terceira chave que surgia no mundo material, as quais eram desconhecidas para o guardião. Uma lua era o que mais se destacava em todo corpo brilhante, azul claro, como água-marinha. A chave parou um pouco acima do livro, seus dentes seguravam a fina haste que levava até a lua da outra ponta. Ao olhar mais atentamente, Leonardo percebeu que se tratavam de dois círculos – um maior e um menor – inserido um dentro do outro, porém o menos estava totalmente preso as bordas do circulo maior, como isso formava-se o desenho gracioso de uma lua minguante, azulada e brilhante.
- Pegue-a Leonardo... É sua. Essa é a sua chave mágica. Tente usá-la...
- Tudo bem... Mas não machuca não é...?
Leonardo pegou a chave ainda com medo que algo de ruim acontecesse, mas foi totalmente ao contrário. Ao pegá-la soltou o livro, que estava firme em sua mão, e imediatamente, diferente dos outros card capators, as frases surgiram formadas em boca, prontas para serem pronunciadas.
- “Chave que guarda o poder da Lua, mostre seus verdadeiros poderes sobre nós. E os ofereça-os ao valente Leonardo que aceitou essa missão. LIBERTE-SE!!!”
A minúscula chave absorveu toda a energia que saia da insígnia mágica aos pés do garoto, desaparecendo completamente, dando lugar ao báculo que se materializava sobre as mãos do garoto. A empunhadura tinha pequenas espirais que circulavam o báculo até a lua sua ponta. A lua, por sua vez, era dotada de uma beleza fora do comum, ainda que fosse de manhã era possível ver o brilho azul, que pairava suavemente no ar. Na forma de báculo a lua assumiu completamente a forma minguante, fazendo um pequeno arco em seu interior, o efeito criava duas pontas que quase se encontravam, a não ser por um pequeno espaço bem estreito.
Leonardo pegou o báculo pode sentir a magia que ele emanava que se completava com a sua. Pode sentir uma espécie de poder, uma sensação boa que percorria seu corpo. A dor foi aliviada e sentiu como se nada estivesse acontecido, tudo isso era o efeito da magia que vinha do báculo da lua.
Analisou o báculo minuciosamente, passando os olhos por todos os seus detalhes, era algo extremamente belo. Porém, o que ele deveria fazer com aquilo ele ainda não sabia, ainda não entendia qual era a relação do artefato mágico com a Carta Bosque.
- Agora é só você capturá-la... – disse Spinel confiante para o garoto.
- Capturar...? A carta? Mas... como assim capturar...?
- Claro, é só usar o báculo...
- Você só pode estar brincando, ou então deve ter batido com a cabeça... – disse Leonardo em um tom irônico. – tem certeza que estamos falando o mesmo idioma...?
- Não me chame de burro se moleque – disse Spinel ofendido. – Estou tentando te ajudar, se você não quiser eu posso muito bem deixar você sozinho...
- Não... desculpa. É que isso parece meio impossível, você tem que concordar comigo. – disse Leonardo tentando concertar que tinha dito.
- Não, não concordo...
- Então me diz o que fazer...
- Olha... – Suspirou Spinel. – A Carta Bosque é a mais dócil entre todas as cartas, então não precisa batalhar com ela e deixá-la enfraquecida, basta capturá-la. Aproveite agora que ela está parada absorvendo a luz do sol para obter sua energia.
- Tá legal..., mas como eu faço isso? – replicou o garoto fixando-se na carta que estava no auto deles, entrelaçada ao paredão do desfiladeiro.
- Concentre-se no báculo... Você é capaz Leonardo, basta se concentrar e você saberá o que fazer.
“Concentrar no báculo, concentrar no báculo...”
- Concentre-se Leonardo, você pode... Você possui a magia de um Card Captor...
“Concentrar no báculo, concentrar no báculo... Magia de um Card Captor...”
- Concentre-se Leonardo, se você não fosse capaz, a chave não o teria escolhido para portar o seu grande poder e você não seria escolhido para recapturar as cartas... – Spinel cerrou os olhos, observando o báculo, o garoto e a Carta – Você é capaz garoto... Você é capaz!
Leonardo levou o báculo ao alto e apontou para a carta, descendo levemente.
- Volte à forma humilde que merece... Carta Sakura!!!
Uma tempestade irrompeu das pontas da lua e fez com que um turbilhão agitasse tudo a volta do garoto e do guardião. A força da ventania foi o suficiente para desprender a imensa trepadeira o paredão e fazê-la entrar na carta vazia, que se materializara entre as duas pontas da lua. Vários galhos e folhas surgiram de todos os lugares. Para a surpresa de todos a Carta Bosque não era só aquela materialização que estavam a sua frente, mas havia se alastrado por todo o bosque de Andara.
No alto do desfiladeiro, os outros garotos que dormiam candidamente acordaram com as rajadas de ventos e puderam ver várias folhas e galhos que estavam espalhados pelo lago e pela orla da floresta serem arrastados para desfiladeiro abaixo.
Rapidamente todos se aprontaram para o penhasco, que eles ainda não sabiam que existiam e examinaram o que acontecia lá embaixo.
- O que é isso, o que está acontecendo...? – Marine perguntou assustada. Não só ela, mas todos ali tinham se assustado com a tremenda quebra de silêncio.
- É outra Carta Sakura... é a Carta Bosque... – Disse Lukas um pouco sonolento.
- Está sendo capturada nesse momento... – concluiu Lana.
- Então precisamos ir até lá. – disse procurando algo para poder descer até o local onde força atraia as folhas.
- Não! – Gritou Lukas. – Essa briga não é nossa... Seja quem for que estiver lá já conseguiu tirar a chave, libertá-la e está capturando a Carta, seja quem for já tem tudo sobre controle.
- Então, só podemos assistir. – olhou Marine com medo para os fechos de luz que vinham de lá de baixo.
- Exatamente... – replicou Lana.
A visão da parte de baixo era muito diferente, Leonardo podia sentir todo o poder que o báculo possuía ao tentar sugar todos os vestígios de magia deixado pela Carta Bosque.
A linda moça, que havia se materializado no alto, começou a movimentar delicadamente em direção ao báculo e a carta, vinha sem nenhuma objeção. As folhas e galhos ainda continuavam a vir de todos os lugares e aos pouco a carta era preenchida com a magia da entidade magia. Por fim, todas as folhas, flores, galhos e a linda mulher entraram por completo na carta vazia. A rajada de vento cessou e o garoto pode deixar o báculo repousar em suas mãos.
A carta balançou com a pequena brisa até cair suavemente em suas mãos. No alto se via um kanji no centro da estrela dourada, e na parte inferior “The Wood” estava escrito no fino pergaminho. A mulher que estava no centro da carta ainda estava com os olhos fechados. Uma tiara de folhas a embelezava mais, deixando Leonardo cada vez mais admirado.
- Wood... Então essa é a Carta Bosque.
- Essa mesmo Leonardo, meus parabéns, você se dará muito bem como Card Captor. Possui garra, força de vontade, perseverança e acredita em um futuro melhor... É a receita ideal para alguém que porta um báculo mágico.
- Muito obrigado... – disse sem tirar os olhos da carta. – Ela é muito linda Spinel...
- Muito mesmo... Mas para ser totalmente sua e para que obedeça a suas ordens você deve escrever seu nome nela. Pode ser com uma caneta qualquer. Também é importante que você assine seu nome para evitar que ela se liberte novamente.
- Se libertar! – disse assustado. – Nem pensar, tenho uma caneta aqui.
Tirou uma caneta de seu bolso e rapidamente assinou seu nome em uma caligrafia bem desenhada. Pronto, tudo havia acabado, pelo menos por agora. Poderia voltar para casa. O clima de perigo e aquele ambiente selvagem lhe dava ânsias para sair logo dalí.
- EI!!! Vocês aí em baixo!!!
- Hã? Quem está gritando? – Perguntou Spinel procurando pela voz.
- Não sei, parece que vem...
- AQUI EM CIMA... AQUI!!!
Spinel e Leonardo conseguiram ver os garotos no alto do desfilando acenando freneticamente.
- Quem serão eles...?
- Não faço a mínima idéia Spinel.
- Então vamos até lá... sejam quem for talvez precise de nossa ajuda.
- Mas e a Carta Bosque...! Acho que eles viram o que aconteceu aqui... Com certeza nos encherão de perguntas e não compreenderão o que aconteceu... – Refletiu um pouco e continuou. – Ah! Nem eu ainda entendi direito o que aconteceu aqui, é tudo muito fantasioso, fantasioso demais para minha cabeça.
- Não se preocupe Leonardo, com o tempo você se acostumará com a idéia de ser um Card Captor... E por hora acho que é melhor subir, tenho uma certa impressão que aqueles garotos sabem mais do que a gente imagina.
Leonardo não quis discutir, nem estava em condições para isso. Após ter lacrado a carta e o báculo ter voltado ao estado de chave a dor invadiu seu corpo novamente, agora mais intensamente. Não havia dúvida, o seu estado havia piorado, as feridas estavam se infeccionando e ele precisava de cuidados médicos com urgência. Pegou o livro caído e colocou entre os braços.
Com um sinal de Spinel, o garoto foi em direção ao guardião e subiu em seu macio lombo. O pelo era sedoso como nuvens e o vôo era leve, Leonardo sentiu como se tivesse sendo levado por um brisa para um reino distante.


E aí pessoal, tudo em cima? Bom, ano novo, vida nova tudo novo. Posso dizer que esse ano eu espero terminar essa história que já está caminhando para o fim, garanto que muitas surpresas estarão vindo e que vocês nem imaginem. Nossos herois (sem acento agora) estão com gás total e quem sabe uma segunda temporada talvez esteja a caminho.
Outra coisa que tenho que dizer é que os capítulos passarão a ser SEMANAIS. Isso mesmo! Todo Sábado um capítulo novo. Tenho alguns prontos e prometo que pelo menos 6 semanas estará garantido.
Esse capítulo13, A Lua do Amanhecer, Eu ofereço ao meus amigos que são sempre inseparaveis Victor, Pedro e Fred, o quarteto louco!

Paulo M. Goulart


Cards Infinity
O Lago de Cristal
Capítulo 13
A Lua do Amanhecer
Paulo M. Goulart ©2007 – 2009
Finalizada em 11 de Julho de 2008

Cards Infinity – O Lago de Cristal
TryMax ©2009
Paulo M. Goulart ©2007 – 2009
História Original: Clamp ©1996; Japão
Alguns nomes e imagens são de autoria do Estúdio Clamp e possuem direitos autorais reservados as autoras. Os demais nomes, tipologias e símbolos são de direitos autorais do autor desta história

Brasil, 2009