Paulo News
Capítulo 13
A Lua do Amanhecer
Paulo M. Goulart, ©2009

O sol surgiu mais cedo pela manhã, a floresta de Andara logo se iluminou, o brilho da folhas e o cheiro da relva ainda úmida acordaram Leonardo de seu profundo sono.
Tudo ainda passava em flashes em sua cabeça: a queda por um despenhadeiro, seu braço quebrado, o livro mágico, a marca em sua mão. E assim como nas outras noites de sono, essa também havia sido perturbada pelo mesmo sonho de três dias atrás.
Abriu um pouco seu olhos, seu braço ainda doía muito e seu corpo, todo ralado começou a arder assim que a sensibilidade, fornecida pelo sentido do tato apoderou de seu corpo.
- Ahh!
Um gemido forte foi a primeira coisa que conseguiu fazer. Ainda estava meio tonto e seu corpo todo dolorido o impedia de levantar.
- É melhor ficar deitado, os ferimentos são bem graves e profundos, você precisa de repouso. – partiu uma voz de algum lugar fora do alcance da visão do garoto caído. A voz era desconhecida, mas a dor que agora voltava a dominá-lo impedia o garoto de pensar de quem era.
A sensação de que algo o chamava ainda invadia seu corpo, sua mão ainda formigava; seus olhos embaçados tentavam se localizar, suas mãos procuravam por algo firme para se apoiar e levantar seu corpo recém despertado.
A visão de Leonardo recuperou completamente foco, mas o que viu o fez tremer, como nunca tinha feito antes, da cabeça aos pés de medo e de susto. Um grande leopardo negro estava em pé ao seu lado, fitando-o atentamente; não tinha aparência hostil e ferina, mas o medo fez com que Leonardo se levantasse de um salto e se recuasse alguns passos. Suas asas, avermelhadas, iluminava junto com os primeiros raios de sol, seu pelo negro também não ficava atrás, possuía uma lustrosidade impecável, seus olhos, negros e castanhos ajudavam o ser fabuloso a completar sua beleza descomunal.
- Quem é... ou... o que é você?! Sei lá...
O garoto tentava se afastar cada vez mais da figura a sua frente, esta por sua vez agia mansamente com seu nobre ar sereno e educadamente se apresentou ao assustado e indefeso Leonardo.
- Onde estou...!? Como vi parar aqui? Como você, ou seja lá o que for é possível de existir... ahhh...! – perguntava incessantemente, por hora a dor o impedia por intervalos. – e o que é você...?
- Ei! – disse o ser exasperado. – Eu sempre soube que para haver um dialogo duas pessoas precisam conversar, mas se uma pessoa só conversa isso não é um dialogo... então deixa eu falar para poder apresentar esse que vos fala...
“Esse que vos fala” pensou Leonardo. “É a primeira vez que ouço uma forma tão culta de linguagem fora da universidade, estou impressionado.”
- Bom, já que calou eu posso falar... – disse sentando-se, mantendo a posição de um leopardo atento. – Meu nome é Spinel, Spinel Sun. Mas me chame de Spinel, acho Spinel Sun muito formal e além do mais não gosto de ser chamado pelo nome completo... E você quem é?
- Bem – respondeu Leonardo, desconfiado e impressionado com a linguagem de Spinel. – Le... Le... Leonardo, meu nome é Leonardo.
- Prazer Leonardo – replicou o leopardo.
Leonardo nada respondeu ou disse, apenas olhava intensamente, detendo sua atenção as asas vermelhas que balançavam suavemente.
- Eu sou um dos quatro guardiões que foram criados a muito tempo para proteger as Cartas Clow. Essas cartas são muito especiais, elas guardam poderes mágicos de diferentes entidades da natureza. O Mago Clow as criou para poder ajudar a mundo com sua magia e trazer mais alegria e conforto as pessoas. Mas só que muito tempo depois uma jovem garotinha abriu o livro que as cartas estavam seladas e então começou...
Spinel contava a imensa história para Leonardo, mas o garoto não estava muito ligado para isso, olhava fielmente ao balançar uniforme das asas do guardião. Seu medo já tinha dado lugar a contemplação da figura mágica. E aquele balançar de asas, aquele corpo todo negro e aqueles olhos... Foi como se um choque acordasse de vez Leonardo. Um conjunto de imagens veio a sua mente, a torre rosa, os quatro garotos, a chave e o leopardo negro, o mesmo que estava a sua frente.
- Você!!! – cortou a história das Cartas Sakura que Spinel contava com entusiasmo...
- Como!? Eu não entendi...
- Você... Era você... Era você que estava no meu sonho, você era o ser mágico que me levou no seu lombo até uma alta torre rosa. Você estava no meu sonho...
- Sonho... que sonho – replicou Spinel.
- É uma longa história... E... bem, eu nem sei por onde começar...
- Mas eu sei... toda história começa pelo começo! – disse com seu sorriso sínico.
- Desculpa, é que ainda é meio confuso para mim, ainda mais agora que estou vendo você na minha frente... – disse ainda mantendo distancia e se afastou mais um pouco.
- Não se preocupe, não vou te matar, morder, torturar, comer, ou coisa do gênero, até porque não sou canibal.
- Tá bom... me... me desculpa, ah... – soltou uma pequena exclamação de dor e sentou-se um pouco mais perto do guardião, mas ainda tomando suas cautelas que ele achava pertinente.
O sol já estava no céu por completo, devia ser umas sete da manhã. Era incrível como o calor matinal tinha o poder de reavivar e acender tudo, Leonardo até se sentia melhor sendo aquecido enquanto contava sua história para o guardião.
Começou contando o sonho e dos três garotos e guardiões que estavam com ele, depois passou para a cena que havia presenciado no dia anterior, ter visto uma trança de galhos levantar e mergulhar na floresta, fazendo um arco, tinha sido muito incrível. E por fim mostrou a sua mão direita com a marca de uma chave com uma lua em sua ponta.
Spinel ficava impressionado a cada palavra que Leonardo dizia, e a cada frase lhe ficava mais claro o motivo de ter sido despertado novamente.
- Uma nova busca pelas cartas começou... – disse para Leonardo, que não entendeu muito bem. – Mas como isso é possível? Como essas cartas, aprisionadas a 50 anos atrás foram libertadas.
Leonardo não entendia tudo o que Spinel estava dizendo apenas em partes.
- Ah! Você mencionou um livro...
- Sim, o livro mágico onde as cartas foram lacradas e aprisionadas. – replicou Spinel.
- Eu estava com ele, quando... – Leonardo olhou para cima e, pela primeira vez, pode analisar o despenhadeiro que o fez sofrer duas quedas. - ...quando eu cai lá de cima...
- Eu fui libertado no exato momento que você foi libertado, parecia que alguma aqui fora clamava por minha ajuda, alguém precisava de mim e eu estava certo. Se eu não tivesse sido libertado você teria...
- Entendo... Obrigado!
Spinel retribuiu com um aceno leve de sua cabeça, sem duvida alguma aquele leopardo era dotado de excepcional inteligência e educação. Leonardo começou a procurar o livro, que o encontrou em alguns ramos de vinha logo a frente dos dois.
- Aqui! É esse o livro...
Spinel o analisou com bastante cuidado, observando cuidadosamente os detalhes da capa e as quatro insígnias desenhadas. Por fim abriu a boca para falar.
- É esse livro mesmo... Esse é o livro das Cartas Sakura – disse um pouco nervoso. – Aí dentro deviam estar guardadas as 52 cartas criadas pelo mago Clow e transformadas pela Maga Sakura... Mas evidentemente você não poderá abrir esse livro, só quem é dotado de alguma magia pode abri-lo...
- Me desculpa Spinel, mas... Eu posso abri-lo
Com um leve toque o lacre dourado soltou pequenas faíscas e o livro se abriu nas mãos de Leonardo.
- E aqui, - Leonardo mostrou o livro aberto para o guardião – não há nenhuma carta das que você me disse.
Seria difícil definir a expressão de Spinel, o abalo tomou conta do guardião que o deixou super alvoroçado.
- Mas como, como você conseguiu abrir esse livro... quer dizer que... quer dizer... Quer dizer que você é o novo Card Captor...
- Como... Me desculpe, mas eu não te entendi...
- Uma vez libertadas, as cartas precisam ser seladas o quanto antes e apenas os dotados de magia podem fazer. Isso quer dizer que você recebeu a missão de recapturar todas as Cartas Sakura antes que seus poderes tornem o mundo em trevas.
Leonardo não sabia ao certo o que dizer, responder ou pensar. O mundo dava volta em suas cabeças, tudo era novidade para ele, e a dúvida o invadia. Acreditar em tudo isso ou não acreditar estava sendo difícil; primeiro por que um ser fantástico de seus sonhos havia tomado forma, mas era uma história tão surreal que até uma criancinha teria dificuldade em acreditar em tudo que Spinel havia dito.
Leonardo, ainda com o livro aberto nas mãos perguntou a última curiosidade que o afligia.
- Spinel..., como são essas Cartas Sakura...?
O arrepio, um frio na barriga, uma sensação mais forte do que nunca invadiu o subconsciente do garoto, sentiu que algo o espreitasse, o observava; sentiu que havia alguma coisa por perto que o atraia. Spinel também não foi salvo de tais sensações, sentiu quase a mesma coisa que Leonardo, porém ele sabia do que se tratava. De um lugar qualquer vinha aquela sensação, a sensação de uma presença de mais um ser entre eles. As folhas, nas arvores, e os galhos começaram a se agitar freneticamente.
- O que está acontecendo?! –pergunta Leonardo surpreso com todo o alvoroço que acontecia.
- Sua pergunta está sendo respondida – respondeu Spinel, risonho.
- Como assim...?
Spinel não devolveu a resposta. Também não havia necessidade, atrás do guardião surgia a mesma trança de galhos, se arrastando pelas pedras e enroscando pela parede do despenhadeiro como uma violenta trepadeira. Correu por todo paredão até parar sobre o lugar onde estava Spinel.
Leonardo deu velozes passos para trás, estava assustado, além do mais, a agressividade com que os galhos perfuravam o imenso paredão não eram nem um pouco delicadas.
- O que é isso Spinel...? – perguntou assustado e curioso ao mesmo tempo.
- Isso... – respondeu apontando uma de suas patas para os galhos que seguiam rastejando em torno deles. – É uma Carta Sakura.
A trepadeira que havia se formado parou de se mexer, suas folhas apenas seguia a direção do vento suave pela manhã. As folhas, flores, e galhos se posicionaram onde a luz do sol incidia completamente sobre elas, podendo assim realizar um fenômeno fundamental para sobrevivência das plantas. Bem no alto das folhagens uma imagem humana surgiu. Cobertas de folhas e com aparência bem delicada uma mulher se erguia, com seus olhos fechados, para poder sentir o calor do sol e absorver sua energia. Em poucos segundos suas folhas começaram a brilhar intensamente, assumindo uma coloração verde-dourado.
- Ela... Ela... é... a carta Sakura...?
- Ela mesmo Leonardo. A Carta Bosque. – Spinel olhou para o livro pensativo, lançou um olhar para o garoto, ainda atrás, e caminhou em sua direção. – Mostre-me o livro...
Sem objeção Leonardo estendeu o livro a sua frente. Spinel cerrou seus olhos, concentrando todas as suas energias, direcionando-as para o livro. Depois de um intervalo de tempo concentrando e sendo analisado pelo menino curioso a sua frente, Spinel pronunciou suas primeiras palavras como um forte brado, uma ordem para o objeto.
- Oh! Chave mágica que guardas os poderes luminosos da lua, retorne novamente ao mundo material e conceda seus poderes ao novo card captor que lhe necessita para cumprir sua função.
Uma minúscula chave saiu da terceira insígnia do livro, esta já era a terceira chave que surgia no mundo material, as quais eram desconhecidas para o guardião. Uma lua era o que mais se destacava em todo corpo brilhante, azul claro, como água-marinha. A chave parou um pouco acima do livro, seus dentes seguravam a fina haste que levava até a lua da outra ponta. Ao olhar mais atentamente, Leonardo percebeu que se tratavam de dois círculos – um maior e um menor – inserido um dentro do outro, porém o menos estava totalmente preso as bordas do circulo maior, como isso formava-se o desenho gracioso de uma lua minguante, azulada e brilhante.
- Pegue-a Leonardo... É sua. Essa é a sua chave mágica. Tente usá-la...
- Tudo bem... Mas não machuca não é...?
Leonardo pegou a chave ainda com medo que algo de ruim acontecesse, mas foi totalmente ao contrário. Ao pegá-la soltou o livro, que estava firme em sua mão, e imediatamente, diferente dos outros card capators, as frases surgiram formadas em boca, prontas para serem pronunciadas.
- “Chave que guarda o poder da Lua, mostre seus verdadeiros poderes sobre nós. E os ofereça-os ao valente Leonardo que aceitou essa missão. LIBERTE-SE!!!”
A minúscula chave absorveu toda a energia que saia da insígnia mágica aos pés do garoto, desaparecendo completamente, dando lugar ao báculo que se materializava sobre as mãos do garoto. A empunhadura tinha pequenas espirais que circulavam o báculo até a lua sua ponta. A lua, por sua vez, era dotada de uma beleza fora do comum, ainda que fosse de manhã era possível ver o brilho azul, que pairava suavemente no ar. Na forma de báculo a lua assumiu completamente a forma minguante, fazendo um pequeno arco em seu interior, o efeito criava duas pontas que quase se encontravam, a não ser por um pequeno espaço bem estreito.
Leonardo pegou o báculo pode sentir a magia que ele emanava que se completava com a sua. Pode sentir uma espécie de poder, uma sensação boa que percorria seu corpo. A dor foi aliviada e sentiu como se nada estivesse acontecido, tudo isso era o efeito da magia que vinha do báculo da lua.
Analisou o báculo minuciosamente, passando os olhos por todos os seus detalhes, era algo extremamente belo. Porém, o que ele deveria fazer com aquilo ele ainda não sabia, ainda não entendia qual era a relação do artefato mágico com a Carta Bosque.
- Agora é só você capturá-la... – disse Spinel confiante para o garoto.
- Capturar...? A carta? Mas... como assim capturar...?
- Claro, é só usar o báculo...
- Você só pode estar brincando, ou então deve ter batido com a cabeça... – disse Leonardo em um tom irônico. – tem certeza que estamos falando o mesmo idioma...?
- Não me chame de burro se moleque – disse Spinel ofendido. – Estou tentando te ajudar, se você não quiser eu posso muito bem deixar você sozinho...
- Não... desculpa. É que isso parece meio impossível, você tem que concordar comigo. – disse Leonardo tentando concertar que tinha dito.
- Não, não concordo...
- Então me diz o que fazer...
- Olha... – Suspirou Spinel. – A Carta Bosque é a mais dócil entre todas as cartas, então não precisa batalhar com ela e deixá-la enfraquecida, basta capturá-la. Aproveite agora que ela está parada absorvendo a luz do sol para obter sua energia.
- Tá legal..., mas como eu faço isso? – replicou o garoto fixando-se na carta que estava no auto deles, entrelaçada ao paredão do desfiladeiro.
- Concentre-se no báculo... Você é capaz Leonardo, basta se concentrar e você saberá o que fazer.
“Concentrar no báculo, concentrar no báculo...”
- Concentre-se Leonardo, você pode... Você possui a magia de um Card Captor...
“Concentrar no báculo, concentrar no báculo... Magia de um Card Captor...”
- Concentre-se Leonardo, se você não fosse capaz, a chave não o teria escolhido para portar o seu grande poder e você não seria escolhido para recapturar as cartas... – Spinel cerrou os olhos, observando o báculo, o garoto e a Carta – Você é capaz garoto... Você é capaz!
Leonardo levou o báculo ao alto e apontou para a carta, descendo levemente.
- Volte à forma humilde que merece... Carta Sakura!!!
Uma tempestade irrompeu das pontas da lua e fez com que um turbilhão agitasse tudo a volta do garoto e do guardião. A força da ventania foi o suficiente para desprender a imensa trepadeira o paredão e fazê-la entrar na carta vazia, que se materializara entre as duas pontas da lua. Vários galhos e folhas surgiram de todos os lugares. Para a surpresa de todos a Carta Bosque não era só aquela materialização que estavam a sua frente, mas havia se alastrado por todo o bosque de Andara.
No alto do desfiladeiro, os outros garotos que dormiam candidamente acordaram com as rajadas de ventos e puderam ver várias folhas e galhos que estavam espalhados pelo lago e pela orla da floresta serem arrastados para desfiladeiro abaixo.
Rapidamente todos se aprontaram para o penhasco, que eles ainda não sabiam que existiam e examinaram o que acontecia lá embaixo.
- O que é isso, o que está acontecendo...? – Marine perguntou assustada. Não só ela, mas todos ali tinham se assustado com a tremenda quebra de silêncio.
- É outra Carta Sakura... é a Carta Bosque... – Disse Lukas um pouco sonolento.
- Está sendo capturada nesse momento... – concluiu Lana.
- Então precisamos ir até lá. – disse procurando algo para poder descer até o local onde força atraia as folhas.
- Não! – Gritou Lukas. – Essa briga não é nossa... Seja quem for que estiver lá já conseguiu tirar a chave, libertá-la e está capturando a Carta, seja quem for já tem tudo sobre controle.
- Então, só podemos assistir. – olhou Marine com medo para os fechos de luz que vinham de lá de baixo.
- Exatamente... – replicou Lana.
A visão da parte de baixo era muito diferente, Leonardo podia sentir todo o poder que o báculo possuía ao tentar sugar todos os vestígios de magia deixado pela Carta Bosque.
A linda moça, que havia se materializado no alto, começou a movimentar delicadamente em direção ao báculo e a carta, vinha sem nenhuma objeção. As folhas e galhos ainda continuavam a vir de todos os lugares e aos pouco a carta era preenchida com a magia da entidade magia. Por fim, todas as folhas, flores, galhos e a linda mulher entraram por completo na carta vazia. A rajada de vento cessou e o garoto pode deixar o báculo repousar em suas mãos.
A carta balançou com a pequena brisa até cair suavemente em suas mãos. No alto se via um kanji no centro da estrela dourada, e na parte inferior “The Wood” estava escrito no fino pergaminho. A mulher que estava no centro da carta ainda estava com os olhos fechados. Uma tiara de folhas a embelezava mais, deixando Leonardo cada vez mais admirado.
- Wood... Então essa é a Carta Bosque.
- Essa mesmo Leonardo, meus parabéns, você se dará muito bem como Card Captor. Possui garra, força de vontade, perseverança e acredita em um futuro melhor... É a receita ideal para alguém que porta um báculo mágico.
- Muito obrigado... – disse sem tirar os olhos da carta. – Ela é muito linda Spinel...
- Muito mesmo... Mas para ser totalmente sua e para que obedeça a suas ordens você deve escrever seu nome nela. Pode ser com uma caneta qualquer. Também é importante que você assine seu nome para evitar que ela se liberte novamente.
- Se libertar! – disse assustado. – Nem pensar, tenho uma caneta aqui.
Tirou uma caneta de seu bolso e rapidamente assinou seu nome em uma caligrafia bem desenhada. Pronto, tudo havia acabado, pelo menos por agora. Poderia voltar para casa. O clima de perigo e aquele ambiente selvagem lhe dava ânsias para sair logo dalí.
- EI!!! Vocês aí em baixo!!!
- Hã? Quem está gritando? – Perguntou Spinel procurando pela voz.
- Não sei, parece que vem...
- AQUI EM CIMA... AQUI!!!
Spinel e Leonardo conseguiram ver os garotos no alto do desfilando acenando freneticamente.
- Quem serão eles...?
- Não faço a mínima idéia Spinel.
- Então vamos até lá... sejam quem for talvez precise de nossa ajuda.
- Mas e a Carta Bosque...! Acho que eles viram o que aconteceu aqui... Com certeza nos encherão de perguntas e não compreenderão o que aconteceu... – Refletiu um pouco e continuou. – Ah! Nem eu ainda entendi direito o que aconteceu aqui, é tudo muito fantasioso, fantasioso demais para minha cabeça.
- Não se preocupe Leonardo, com o tempo você se acostumará com a idéia de ser um Card Captor... E por hora acho que é melhor subir, tenho uma certa impressão que aqueles garotos sabem mais do que a gente imagina.
Leonardo não quis discutir, nem estava em condições para isso. Após ter lacrado a carta e o báculo ter voltado ao estado de chave a dor invadiu seu corpo novamente, agora mais intensamente. Não havia dúvida, o seu estado havia piorado, as feridas estavam se infeccionando e ele precisava de cuidados médicos com urgência. Pegou o livro caído e colocou entre os braços.
Com um sinal de Spinel, o garoto foi em direção ao guardião e subiu em seu macio lombo. O pelo era sedoso como nuvens e o vôo era leve, Leonardo sentiu como se tivesse sendo levado por um brisa para um reino distante.


E aí pessoal, tudo em cima? Bom, ano novo, vida nova tudo novo. Posso dizer que esse ano eu espero terminar essa história que já está caminhando para o fim, garanto que muitas surpresas estarão vindo e que vocês nem imaginem. Nossos herois (sem acento agora) estão com gás total e quem sabe uma segunda temporada talvez esteja a caminho.
Outra coisa que tenho que dizer é que os capítulos passarão a ser SEMANAIS. Isso mesmo! Todo Sábado um capítulo novo. Tenho alguns prontos e prometo que pelo menos 6 semanas estará garantido.
Esse capítulo13, A Lua do Amanhecer, Eu ofereço ao meus amigos que são sempre inseparaveis Victor, Pedro e Fred, o quarteto louco!

Paulo M. Goulart


Cards Infinity
O Lago de Cristal
Capítulo 13
A Lua do Amanhecer
Paulo M. Goulart ©2007 – 2009
Finalizada em 11 de Julho de 2008

Cards Infinity – O Lago de Cristal
TryMax ©2009
Paulo M. Goulart ©2007 – 2009
História Original: Clamp ©1996; Japão
Alguns nomes e imagens são de autoria do Estúdio Clamp e possuem direitos autorais reservados as autoras. Os demais nomes, tipologias e símbolos são de direitos autorais do autor desta história

Brasil, 2009