Capítulo 14
A Última Folha
Paulo M. Goulart, ©2009
A Última Folha
Paulo M. Goulart, ©2009
- Então você é Leonardo...? – perguntou Renato assim que o guardião pousou ao lado deles, nem deu tempo para o garoto descer direito do lombo de Spinel. A ansiedade de Renato sempre atropelava tudo. – Capturou a Carta Sakura...?
- Si... si... sim... Eu... eu capturei sim a Carta Sakura. – respondeu meio atordoado. – Aqui está ela...
Leonardo colocou a Carta Bosque e o livro rosa a sua frente da forma que todos pudessem vê-la, provocando o espanto de todos. Lana e Lukas sentiram-se aliviados, era mais uma carta que havia sido capturada e mais um Card Captor que havia surgido para recuperar as Cartas Sakura.
O que houve com você...? Está todo machucado e com uma aparência horrível? – Perguntou Marine com seu doce ar de preocupação. – Parece até que saiu de uma guerra.
O garoto, ainda ao lado do Guardião em forma de leopardo, contou-lhes o que havia acontecido desde que saíra do clube dos contos. Sua história era surpreendente até mesmo para os garotos que já haviam passado por situações equivalentes. Marine se assustou ao ouvi-lo contar de sua queda do desfiladeiro. Renato, assim como a garota, demonstrava-se preocupado, porém enciumado pelo fato de Marine estar dando mais atenção ao novo garoto do que a ele próprio.
Lukas, enquanto Leonardo contava como foi capturar a carta, não deixou de fitar os olhos de Spinel um só instante. Um ar de competição, rivalidade e o prazer de reencontrar um velho amigo tomava conta dos sentimentos de Lukas. Lana não se continha mais para contar a Spinel sobre suas novas aparências como humanos, esse foi um dos motivos que deixou Spinel na dúvida em relação aos garotos, fazendo-os ficar irreconhecíveis aos seus olhos de leopardo.
- Meu Caro Spinel... – Disse Lukas com um enorme sorriso no rosto, era difícil identificar se era um sorriso de rivalidade ou de amizade. – Creio que você, com toda sua sabedoria transbordante esteja um tanto... cansado.
Spinel o olhou perguntando-se como que um estranho falava com tanta intimidade com ele. Talvez era extrovertido assim mesmo, pensou.
A aparência roqueira que Lukas havia adotado, com alguns piercings, roupas pretas, braceletes nos braços e um coturno preto não chamaria muita atenção em um show de rock, mas ali a história era diferente. Isso fez com que Spinel tivesse receio em perguntar ao garoto roqueiro o motivo de tamanha intimidade.
- Você fala comigo como se me conhecesse... Mas eu não me lembro de você... – replicou Spinel. – Mas tem um jeito muito parecido com um velho amigo meu.
- Spinel... – Chamou Lana – a quanto tempo não nos vemos... uns 50 anos, diria...
- Quem são vocês – Perguntou Spinel aos guardiões de modo intrigado – Falam comigo de um modo como se me conhecessem há muito tempo. Eu não lembro de vocês, apesar de possuírem maneiras bem semelhantes a uns velhos amigos.
- Ah! Corta essa – exclamou Lana – Você, com toda sabedoria, não consegue reconhecer a gente...?
- É isso mesmo – continuou Lukas –, perdeu tantas vezes para mim que agora nem me conhece mais... É isso Spinel? Tantas derrotas em jogos fez você perder a memória...?
- Vocês... São...?
- Sim, nós mesmos. Em carne, osso e com um novo visual, o que achou? – Lana mostrou seus cabelos negros e suas roupas, que na verdade eram emprestadas de Marine.
- Ruby-Moon... É você mesmo? – Spinel olhava para a garota a sua frente, com um novo visual, diferente do que conheceu a tempos atrás. Seus olhos de leopardo se fixava no longo cabelo da garota e em seus olhos bem vivos. Era difícil de acreditar que era ela... que era Ruby-Moon.
- Espantado...? – Perguntou Lukas passando a mão no lombo do guardião.
- Um pouco...
- Bem, temos que nos disfarçar nesse mundo... Você entende... nos misturar com as pessoas normais. Além do mais todos nós sabemos muito bem que não podemos ficar nesse corpo de guardião enquanto as quatro cartas dos elementos principais, que nos protegem, não forem recapturadas.
- Você tem razão... – replicou Spinel. – Eles sabem disso...? – disse olhando para o outro grupo de garotos um pouco a frente. Renato, Marine e Leonardo ainda conversavam sobre a Carta Boque.
- Não... Ainda não tivemos oportunidades para contar isso a eles... – Lana respondeu pensativa.
- É melhor que seja rápido... Vocês sabem que não podem mais voltar a sua forma original caso as quatro cartas principais não tenham sido recapturadas...
- Claro... – Lukas interveio. – Mas olhe para eles Spinel... Não formam uma excelente equipe? E se eu não estiver enganado ainda contaremos com mais um Card Captor.
- Claro que são... Desde salvei e conheci o Leonardo que senti que aquele garoto é capaz de coisas até mesmo impossíveis. E agora que vejo esses três reunidos eu sinto que eles darão conta do trabalho de recapturar as cartas. – Spinel olhava os garotos conversando animadamente, algo dentro dele dizia que eles seriam capaz, bem mais do que eles imaginavam.
Marine e Renato não saiam de perto de Leonardo, se comportavam como perfeitos ouvintes de uma história, não era por nada que Leonardo era membro do Clube dos Contos.
- E aí... o que achou da minha nova... digamos, versão. – perguntou Lukas para o grande leopardo alado. – Pelo visto já sabe quem eu sou...
Foi então que Spinel se deu conta de que aquele garoto roqueiro a sua frente era Quérberos, o guardião do fogo. Assim como Ruby-Moon, Quérberos estava irreconhecível. Os piercings, os braceletes, anéis e as roupas que usavam não condiziam com antiga personalidade do guardião. O cabelo, loiro, mostrava, aos olhos de Spinel, a mudança mais radical. Não só o cabelo, mas os olhos, que agora eram verdes e bem mais vivos, tinham sede de ação. Foi mais difícil ainda acreditar que aquele garoto era o mesmo Quérberos de 50 anos atrás.
O novo visual dos guardiões significava para Spinel que era tempo de mudanças, grandes mudanças... Sentia que algo muito grande estaria por vir e que mudaria muitas coisas na vida de todos, mas especialmente na vida dos novos Card Captors. O que estaria por vir? Spinel não sabia, mas tinha certeza que não demoraria.
- Spinel... – chamou Leonardo. – Será que... talvez... a gente possa ir embora? Meu corpo está um pouquinho dolorido e quero colocar alguns curativos nesses machucados.
- Não...! – exclamou Marine seguida de Lana, que notou os ferimentos do garoto. – Você não pode ir para casa... Você precisa ir a um hospital... olhe só para você, está todo machucado...
- Acho que não seja necessário... é só uns ferimentos leves... – respondeu com um sorriso forçado no rosto, na verdade a dor era muita.
- Acho que a Marine tem razão Leonardo. Você precisa é ir a um hospital para ser tratado melhor. Vamos... – Renato chamou o garoto e por azar pegou no braço fraturado do garoto, fazendo-o soltar um gemido de dor e angustia.
- O que houve com seu braço!? – perguntou Renato preocupado. Apesar de um pouco de ciúmes encontrava cada vez mais em Renato uma amizade, que com certeza seria duradora.
- Não... Não foi nada, não se preocupe.
- Como assim, nada...? – Renato o fitava nos olhos esperando uma resposta. – Ele parece que está... – continuou segurando novamente no braço do garoto, dessa vez com o dobro de cuidado. – quebrado...
- Acho que deve ter sido quando eu cai – respondeu virando-se para o desfiladeiro e olhando sua imensidão que parecia não ter fim.
- Então está combinado... – Disse Lukas. – Vamos sair daqui direto para um hospital e cuidar desses seus ferimentos.
Os garotos se juntaram e começaram a discutir planos de como sairiam do interior da floresta. Mas a maioria era um fracasso eminente, havia amanhecido e eles ainda estavam completamente perdidos.
Para todos os lados que olhavam a visão da selva densa era a mesma. As árvores pareciam ter crescido mais aquela noite, era quase impossível ver o céu, os galhos e as folhas tampavam toda a clareira. A única visão ampla que tinham era do desfiladeiro as costas deles, mas por ali não tinham como passar. A única solução que viam era adentrar pela densa selva novamente.
- Espere um pouco... – disse Spinel. – Estou quase sem energias, mas consigo levar todos você daqui, voando...
- Você tem certeza Spinel...? – perguntou Lana desconfiada. – Você precisará de um pouco de energia para assumir uma forma humana.
- Eu sei disso... estou calculando isso também... Não haverá problemas, levarei de dois em dois para que eu não gaste muita força voando por aí.
- Certo... É meio arriscado... – continuou Lukas. – Mas não temos outra saída. O Leonardo precisa ser cuidado com urgência e se ficarmos aqui nos perderemos ainda mais.
- Então é melhor não perdemos tempo. – Renato disse indo em direção às árvore onde dormiram. – Vamos pegar nossas coisas e sair logo daqui.
As mochilas estavam sobre as raízes de uma grande árvore com cipós que caiam de todos os lados.
- Pessoal! – gritou – eu vou pegar as mochilas de vocês, esperem aí. – A minha a da Marine, Lukas e a da Lana. Ué... e essa outra... Se parece... com a minha...
Na árvore, onde os garotos tinham passado o resto da agitada noite uma quinta mochila se encontrava um pouco mais adiante das outras. Estava justamente no lugar onde Lukas havia dormido, por isso não viram. Na confusão e preocupação em repousar o amigo em um lugar não viram que eles o colocaram sobre a mochila.
Renato logo reconheceu os detalhes personalizados que ele havia feito meses atrás. Sua mochila estava entreaberta e um pouco amassada. A ansiedade o fez abrir para conferir se estava tudo ok. O livro ele já tinha visto com o Leonardo, então não esperava encontrar o mesmo na mochila. As demais coisas – papéis, revistas e anotações – se encontravam soltas em seu interior, todas amassadas e dobradas...
- Também... com o peso do Lukas em cima disso... que mochila e papel resistiria.
As canetas e outras tranqueiras estavam no mesmo lugar. Percebeu que o conteúdo de um dos bolsos estava revirado, mas não faltava nada. Logo percebeu que Leonardo devia ter procurado por algo em sua mochila, algo que não achou.
Agarrou a sua mochila e a prendeu em seu braço assim como as outras. Voltou apressado para o grupo que o esperava, todos ansiosos para sair daquela floresta que os mantinha prisioneiros.
- O que houve...? Por que você demorou...? – perguntou Lukas fazendo o garoto se apressar ainda mais.
- Olha só... – disse erguendo a mochila para todos verem. – Encontrei minha mochila. Estava ali o tempo todo... Não a vivos por que colocamos o Lukas para descansar em cima dela.
- Aff... Foi por isso que senti algo desconfortável nas minhas costas a noite toda. – disse Lukas meio contrariado.
- Me desculpe Renato... – Leonardo cortou o assunto. – Ontem eu peguei sua mochila por engano na pressa de ir embora... se parece muito com a minha...
- Ah... Sem problemas... Na pressa não nos atentamos aos mínimos detalhes. Você não iria adivinhar que teria outra mochila igual a sua naquele monte...
Parecia que o ciúmes estava sumindo. Renato já não via mais Leonardo como um rival, apesar de lamentar pela atenção maior que Marine dava a ele.
Os garotos ainda conversaram sobre o incidente da mochila. Leonardo contou como foi ter encontrado o livro e explicou para Renato que procurou por frascos dentro da mochila dele e por comida também.
- Ou!!! – gritou Lana... – Vamos parar de conversar sair logo daqui, vocês querem morrer nessa floresta? Não... Então vamos vazar daqui... Pegar o beco... Dar o fora... Tá difícil de entender...?
De dois a dois Spinel tirou todos os garotos da densa floresta, que parecia ter ficado mais selvagem na última noite. Talvez tenha sido as constantes aventuras que camuflaram a densa mata por onde se embrenharam.
Por insistência de Renato Lukas subiu no lombo de Spinel, Renato insistia que ele ainda estava meio fraco por conta da luta contra a Carta Sombra e por isso deveria ir logo para um local seguro. Leonardo foi logo atrás, tirá-lo dalí e levá-lo para um local mais seguro onde pudesse descansar e cuidar dos ferimentos era a prioridade do grupo. Spinel levantou vôo cruzando toda a floresta rumo a cidade, sendo orientado por Leonardo o melhor lugar para se pousar com segurança sem serem vistos.
Do alto puderam ver o quão perdidos estavam, praticamente no coração da floresta. Nem mesmos os caçadores se atreviam a invadir aquela área; os mitos, na maioria provinham sempre do interior da floresta, onde os espíritos dormiam e que uma vez acordados derramariam sua cólera sobre os mortais.
Renato, Marine e Lana esperaram na clareira a volta do guardião para poderem se juntar aos garotos que já estavam fora da selva.
Assim que Spinel pousou na clareira Renato fez com que Marine subisse no lombo do leopardo alado, entregou sua mochila e já se preparava para subir. Voar com Marine seria verdadeiramente a melhor coisa que poderia lhe acontecer nesse dia. Sentir seu delicado perfume de rosas, sentir o calor de seu corpo e abraçá-la para protegê-la de todos os perigos que poderiam ameaçá-los...
- O que!!! – exclamou a mesma voz descontrolada de antes. – Vocês não pensam em me deixar aqui sozinha...!?
Lana não estava para bons amigos, a expressão desafiadora nos olhos intimidavam qualquer um que resolvesse encarar a garota.
- Podem esquecer! Eu não fico aqui sozinha de jeito nenhum. Eu vou com a Marie agora e você fica Renato, além do mais essa flores...
“Não vai ter jeito... Ela vai ter que ir. Não posso pedir para Marine ir comigo, ficaria muito estranho...” pensou Leonardo enquanto Lana ainda fazia um discurso listando todas as coisas ruins da floresta e por que ela tinha que ir primeiro.
Como se previa Lana e Marine voaram com Spinel para fora dalí, alcançado a cidade quente, aconchegante e familiar. As garotas puderam sentir como era bom a brisa do céu, como era bom voar... Em poucos instantes estavam junto dos garotos, sentados na grama de um imenso jardim.
Renato não parava de pensar em Marine, mas sua volta para casa lhe despertava mais atenção.
- Será que deram por minha falta
Perguntou para si mesmo. Não se importou com a altura da voz, ale era somente ele e a selva.
Enquanto Spinel não voltava para tirá-lo dali, começou a pensar sobre a conversa que os guardiões tiveram a pouco. Apesar de estar conversando com Leonardo e este estar relando tudo o que aconteceu, Renato não deixou de ouvir algumas partes da conversa de Lukas a respeito das formas originais. Eram fragmentos desconexas, isto fez que tudo ficasse ainda mais sem sentido em sua cabeça, por mais que tentasse estabelecer um sentido lógico mais complicado ficava o assunto.
Alguma coisa o incomodava. Desde que Lukas e Lana assumiram a forma humana não voltara mais para a forma de guardião, perderam mais da metade de seus poderes e se tornaram quase comuns quanto ele e Marine.
Outra coisa que o intrigava era as cartas dos elementos principais. O que tinham a haver com isso? Renato não se lembrava muito bem de uma parte que Lukas havia comentado de relação com as cartas dos elementos principais com as formas originais dos guardiões...
- Mas porque eles tem que assumirem outra forma? E o que as cartas principais tem a ver com isso...?
Renato puxou do bolso suas cartas já capturadas, segurando uma em cada mão. Passou a analisá-las lentamente se atentando a todos os detalhes. “Como são lindas”, pensou.
- De todo modo se as quatro cartas principais tem algo a ver com isso nós já temos uma... – disse olhando para a Carta Vento.
Renato logo avistou Spinel retornando para buscá-lo, em breve se uniria aos outros, então poderia perguntar sobre as formas humanas dos guardiões.
Spinel pousou na relva recém-nascida ao lado de Renato. Com uma única tentativa subiu no lombo do leopardo, colocou sua mochila nas costas e se preparava para o vôo. Estava ansioso... Sempre quis voar, mas imaginava que seria de helicóptero ou asa-delta, mas não em uma fera alada.
No alto Renato pode apreciar a paisagem sobre seus pés, deixava a linda e feroz floresta de Andara para trás, voando em direção a cidade.
- Seria perfeito se eu estivesse com a Marine agora...
- Você disse alguma coisa...? – perguntou Spinel ao escutar um leve murmurar do garoto.
- Não... nada...
- Se segure, vamos descer.
O pouso foi tão suave quanto a decolada, voar tinha sido uma experiência fantástica. Pena estar sozinho...
Todos esperavam Renato e Spinel sentados na grama, próximo a campo florido. Andara possuía bairros famosos por seus jardins bem cuidados e planejados. Muitas flores, arbustos e árvores frutíferas faziam parte da decoração, dando um tom tranqüilo e romântico à cidade, principalmente onde estavam. O local era conhecido pela ótima paisagem, tranquilidade e beleza. O silencio parecia que era lei, não se ouvia quase nenhum tipo de ruído, apenas o cantar dos pássaros e o som do vento balançando as folhas das árvores.
- Onde estamos...? – perguntou Lukas. – Que lugar lindo...
- Estamos em Lavender. – disse Renato descendo do lombo de Spinel.
- É... Realmente aqui é muito lindo... – disse Spinel ofegante. Três viagens levando adolescentes de aproximadamente 20 anos tinha o esgotado. Estava quase sem forças, o que o fez deitar na grama...
- Spinel!? – O que está esperando...? – Disse Lana exasperada. – Você tem que mudar de forma agora, não pode esperar mais... Você está quase sem energia.
- Ela tem razão... – disse Marine, um pouco preocupada e olhando para os lados. – Não entendo nada sobre a energia de vocês, mas eu digo isso porque estamos na cidade agora...
- É verdade Spinel... – continuou Leonardo. – Se alguém nos ver com você teremos graves problemas. Sabe... o pessoal de Andara não está acostumado com leopardos negros alados.
- Certo... – disse o guardião.
Spinel se levantou da grama. Estava tão macia, tão suave em seu corpo, era tão reconfortante que poderia ficar ali o resto do dia.
Em um impulso suas asas de mariposa se abriram mostrando, reluzindo com luz solar da manhã. Os detalhes das asas refletiam a luz para todos os lados, dando ao imenso jardim flashes de luzes em todas as direções, luzes de todas as cores.
Em instantes seu grande corpo subiu no ar a media que suas asas duplicavam de tamanho. Uma esfera dourada, semi-transparente, envolveu todo o guardião; o calor que emanava era suave assim como a luz, que agora era apenas um dourado límpido.
Spinel fechou seus olhos, o que restava de energia em seu corpo começou a ser liberada produzindo uma alra cintilante no guardião. Suas imensas asas se fecharam encobrindo todo o corpo do leopardo, formando uma espécie de casulo para proteger a vida que estava em seu interior. A alra ficou mais intensa e a luz dourada aumentou sua tonalidade.
Instantes depois as asas se abriram revelando um novo ser em seu interior, um garoto de aparecia não muito rebelde e com cabelos comportados surgia na frente deles. A visão era espetacular, a alra e a esfera de luz dourada se dissipavam a medida que o garoto voltava à terra firme.
Spinel abriu seus olhos, agora castanho-claros, no instante que colocou seus pés no suave gramado. No geral tinha a aparência de um garoto comum, mais com suas particularidades. Uma delas era um fino óculos que usava, o deixando com um ar de intelectualidade. Seu cabelo era um pouco espetado, totalmente bagunçado, não muito grande nem muito curto, e um piercing transversal em sua orelha esquerda completava a face do garoto.
Usava uma regata branca, definindo seu corpo atlético. Não tinha muito músculos, mas era o ideal do que se esperava de um garoto. A calça era de um tecido leve, o que lhe permitia movimentos mais soltos e suaves. E o tênis branco, com detalhes vermelhos, completava todo seu visual. Em detalhes, usava uma corrente prateada no pescoço e outra do mesmo modelo no punho esquerdo.
A transformação estava completa, Spinel havia se transformado em um perfeito atleta intelectual: malhado, lindo, atraente e inteligente. Marine e Lana ficaram espantadas em que o leopardo havia se transformado, para elas era quase que inacreditável. Não tiravam os olhos do corpo definido de Spinel, principalmente do belo rosto do garoto, não conseguiam disfarçar tamanha admiração por tamanha beleza.
- Bem... – disse o garoto olhando para as roupas e o próprio corpo. – Acho que ficou bom...
- Esta brincando...! Bom...! Ficou... ficou perfeito!!! – Disse Lana com os olhos brilhando de admiração. – Minha nossa. Como você ficou... ficou...
- Lindo...? – perguntou Spinel olhando para os músculos...
Lana não conseguiu dizer mais nada, apenas balançou a cabeça com a boca aberta afirmando.
- É... ficou muito bom mesmo Spinel... – afirmou Leonardo. – Será fácil arrumar muitas gatinhas desse jeito...
Todos riram com o comentários de Leonardo. Os garotos também elogiaram o novo visual do guardião, porém o fizeram de forma mais reservado que as garotas.
Lukas não resistiu em anunciar uma nova rivalidade a vista. Quem conquistaria mais garotas. Marine ficou furiosa com o garoto iniciando uma discussão, a qual entou Lana a favor de marine...
- Bem... você precisa de um nome... – Leonardo interrompeu a discussão. – Spinel também não é um nome muito comum...
Todos param de discutir e começaram a pensar um nome ideal para o guardião. Momentos de silencio tomaram conta da situação. Por mais que olhassem para o garoto não conseguiam encontrar um nome certo. Por muitas vezes Marine abriu a boca para falar, mas fechou logo em seguida.
Leonardo notou que o Spinel estava ficando desconfortável com aquela situação, ter que mudar o nome não era uma tarefa difícil. Decidiu que estava na ora de começar a retribuir o que o guardião havia feito por ele. Procurou em toda sua memória um nome que combinasse, um nome que correspondesse ao estereótipo do guardião.
- Acho que... – disse enfim, quebrando o silêncio. – Denny seria um bom nome... o que acha Spinel...?
- Humm! Denny é muito bom... Combinado!!! – exclamou agarrando na mão de Leonardo. – De agora em diante meu nome é Denny.
- Ahh...! – Leonardo soltou um pequeno gemido. – Não aperte muito... ainda doi um pouco...
- Pessoal o que estamos esperando... já perdemos tempo demais, temos que levá-lo a um hospital. – interveio Marine.
- Não acho que seja necessário... – disse Leonardo segurando seu braço quebrado...
- É claro que é... – replicou Renato... – Se eu não estiver enganado tem um hospital aqui perto...
E não estava enganado. O grupo, agora composto por seis pessoas saíram do jardim e seguiram rua acima, virando na primeira esquina. Logo a frente Renato pode confirmar sua suspeita: havia um hospital local naquela parte da Cida, onde eram atendidas pequenas emergências e casos não muito graves.
Por sorte estava vazio, não havia ninguém na sala de espera, a não ser pelos funcionários. Ainda estava meio cedo, já tinha passado das oito da manhã. Pelo visto havia sido uma noite tranqüila para a população local, diferente da deles.
Os atendentes colheram as informações com os garotos enquanto Leonardo era atendido e medicado pelos enfermeiros e médicos. Pouco tempo depois já estava com curativos pelo corpo todo e com o braço engessado. Porém tiveram que encarar o inquérito do médico a respeito o que estavam fazendo para aparecer com um garoto todo machucado e porque não trouxeram ele assim que quebrou o braço.
Gastaram um certo tempo para contar toda a história ao médico, omitindo as partes de magia e criaturas fantásticas. O médico responsável não era nenhuma criança que poderia ser levado com qualquer historinha, já era profissional na área a muito anos, a idade denunciava isto. Renato e Marine se esforçaram ao máximo para convencer o médico de que toda a história que haviam contado era verdade.
- Muito bem... – disse o médico. – acho melhor vocês voltarem para a casa de vocês. O paciente ficará aqui até o fim do dia em observação. – pegou a ficha em suas mãos e continuou. – Já avisamos a família por telefone, é importante que os pais ou responsáveis, caso ele seja menor, saiba que o garoto esteja aqui. Isso evitará problemas futuros...
Os garotos se reuniram em outra sala mais vazia, a que estavam, com o passar do tempo, começou a se encher – de curiosos por sinal. Não havia mais nada a fazer no hospital o novo amigo já estava sendo tratado por profissionais e lês não podiam fazer mais nada, Leonardo estava em boas mãos.
- É melhor a gente ir para casa. A tarde voltamos e fazemos uma visita... – disse Marine pensativa. – Além do mais nossos pais devem estar preocupados conosco...
- Não moro com meus pais... – replicou Leonardo. – É uma longa história... Não faltará oportunidades para que eu a conte. Agora é melhor que todos nós vamos embora, estamos muito cansados e acho que merecemos um descanso também. O Leonardo estará em boas mãos aqui e logo os pais deles chegarão.
- Tá certo... preciso de um banho de sais urgente... – concordou Lana se espreguiçando. – Marine você prepara aquele chá de ervas quando chegarmos em casa?
A garota concordou com a cabeça e todos dirigiram para a saída do hospital. Sentiram o ar quente ao abrirem a porta, até que enfim aquela noite turbulenta havia acabado de vez.
O grupo discutia o melhor caminho para chegar em casa. Renato e Marine moravam mais ou menos perto, por isso decidiram pegar o mesmo caminho.
Denny, por sua vez, parou a entrada do hospital e não se moveu. O grupo já estava no meio da rua quando deram por sua falta.
- Denny...! – Gritou Lana – vai ficar ai fazendo o que?
O guardião foi até onde os garotos estavam, seus cabelos bagunçados realçava ainda mais na luz do sol, seu corpo realizava um perfeito movimento pela rua, o que deixou Lana paralisada.
- Bem... – disse ele. – Vou ficar por aqui, quero ver como o Leonardo vai ficar... quero ter certeza se ele melhorou... alem do mais...
- Além do mais...? – perguntou Lukas.
- Diferente de vocês dois – disse olhando de Lana para Lukas – eu não tenho para onde ir, então vou ter que ficar aqui... Não se preocupem... ficarei bem...
- Nossa...! – exclamou Renato. – Eu não tinha pensado nisso... Mas não se preocupe. É claro que não vamos te deixar aqui, você virá conosco para minha casa. O que acha...?
- Não sei... não quero dar trabalho...
- Ah! Corta essa – disse Lukas. – não será nenhum trabalho, você é nosso amigo Denny. Além disso, você não ajudará em nada ficando aqui. Você não ouviu o que o médico disse? O Leonardo está bem e logo a família vai chegar... – Lukas passou o baço nas costas do amigo e continuou. – Vamos, você também precisa descansar... Mais tarde a gente volta para visitá-lo.
- É, ele tem razão Denny. – completou Marine – E olha não se preocupe com um lugar para ficar, tenho certeza que o Leonardo não irá deixar você não mão.
- Está certo então... – concordou Denny, seguindo andando com os outros. – E sabem...? Preciso dormir...
Sem mais discussões os cinco entraram em uma rua logo acima ao hospital que dava acesso a uma das principais avenidas de Andara. Voltar para casa por esse caminho seria bem mais fácil. Como estavam na parte sul da cidade só precisavam subir a avenida e depois seguir rumos diferentes.
Os garotos não sabiam mais de onde tirar forças para continuar andando. Uma noite mal dormida junto com intensas aventuras e, o principal, fome deixaram todos a beira de ataque emocional de stress e fadiga muscular, mas nada do que boas horas dormindo e uma boa comida não resolvesse o problema. E também eles deixaram de ser garotos normais assim que tiveram aquele sonho três noites atrás, agora era Card Captors; as cartas capturadas e as chaves penduradas em seus pescoços dizia isso.
- Estou louca por aquele chá relaxante Marine...
- Eu também Lana... eu também...
- Eu... só que dormir... – Spinel disse em um enorme bocejo. – Espero que o Leonardo esteja bem...
E aí pessoal, como anda as coisas? Como eu disse que seria todos os sabados agora estou aqui marcando presença... espero que gostem [esse capitulo não é muito de ação, mas sim de interligação]
Esse capítulo eu dedico aos meus irmãos que, apesar de não estarem perto e não gostarem de mim, eu os guardo no peito com muito carinho..
Ok, bye-cha!
Paulo M. Goulart
Cards Infinity
O Lago de Cristal
Capítulo 14
A Última Folha
Paulo M. Goulart ©2007 – 2009
Finalizada em 26 de Julho de 2008
Cards Infinity – O Lago de Cristal
TryMax ©2009
Paulo M. Goulart ©2007 – 2009
História Original: Clamp ©1996; Japão
Alguns nomes e imagens são de autoria do Estúdio Clamp e possuem direitos autorais reservados as autoras. Os demais nomes, tipologias e símbolos são de direitos autorais do autor desta história
Brasil, 2009
O Lago de Cristal
Capítulo 14
A Última Folha
Paulo M. Goulart ©2007 – 2009
Finalizada em 26 de Julho de 2008
Cards Infinity – O Lago de Cristal
TryMax ©2009
Paulo M. Goulart ©2007 – 2009
História Original: Clamp ©1996; Japão
Alguns nomes e imagens são de autoria do Estúdio Clamp e possuem direitos autorais reservados as autoras. Os demais nomes, tipologias e símbolos são de direitos autorais do autor desta história
Brasil, 2009

