Capítulo 15
Caminhos Sem Fim
Paulo M. Goulart, ©2009
Caminhos Sem Fim
Paulo M. Goulart, ©2009
“Over Night foi um grupo de musica pop de Stockholm, Suécia, formado em 1998 como ‘Til the Pop in the Over Night e mais tarde renomeado para Over Night. Os 4 membros desse grupo vieram de todos os cantos do mundo: Suécia, Brasil, Japão e França. Venderam mais de 156,2 milhões de álbuns e 38 milhões de singles no mundo. Os membros eram: Mayumi, Japão; Amit, França; Dominik, Suécia; e Sara, Brasil.
Agora, anos de ausência e de especulações dos fãs envolvendo o extinto grupo e a gravadora, um novo recomeço estar por vir... É isso mesmo! Em uma coletiva de impressa foi anunciado o retorno de Over Night ao mundo do pop music.
O próximo single, Angel Eyes será lançado no próximo mês, dia 18 de março...”
Um aperto em um botão e a TV foi desligada pelo controle remoto na mão direita de Leonardo. A outra estava completamente engessada junto com seu braço quebrado.
Os ferimentos já não doíam mais. A dor do braço passou, agora ficou apenas um desconfortável gesso o impedindo de fazer muitas coisas. De acordo com a recomendação médica ficaria com aquilo por 2 semanas.
A fome e a sede tinham desaparecido, fora embora junto com o cansaço. Realmente o hospital fez um bem enorme, agora estava descansando em uma cama comportável e aconchegante, com um travesseiro que parecia ter sido presente de um deus do sono. A comida era magnífica, parecia como se um banquete fora feito para ele em comemoração a sua chegada... – Na verdade a fome faz parecer um banquete uma simples e humilde comida.
O quarto não era muito grande, tinha apenas duas camas. Uma era ocupada por ele e a outra estava vazia. A porta ficava ao lado, próximo a uma mesa onde era guardados os medicamentos. Sua cama ficava no centro do quarto, diferente da outra que ficava a beira da janela. Mais ao fundo, em frente a outra cama ficava um pequeno banheiro, para o garoto era ideal. Em seu estado fazer o menor esforço era a melhor coisa que podia desejar.
- “Amit...” “Amit...” “Amit...” – Repetiu várias vezes para si mesmo. – Esse nome... Porque não me é estranho? Eu tenho a impressão que... – pensou mais um pouco. – Não, eu tenho certeza que já vi esse nome antes. E porque ele não sai da minha cabeça...? parece que foi um nome que marcou muito...
Leonardo não parava de pensar no nome, repetia constantemente para ver se alguma lembrança vinha a sua cabeça. O que conseguia era apenas flashes do nome e mais dor de cabeça. A reportagem na TV não tinha mexido assim com ele, afinal nunca fora fã de A-Teens, mas o nome Amit, cujo um dos integrantes da banda chamava, lhe deixava inquieto...
- É melhor eu deixar isso pra lá... E é melhor eu parar com essa mania de conversar sozinho. Desse jeito os médicos me removerão para uma clinica psiquiatra.
A carta do bosque estava em seu bolso, segura e cuidadosamente guardada. A chave da lua estava pendura na fina corrente que contornava o seu pescoço. Vista nesse estado era quase impossível imaginar que se transformava em um báculo capaz de aprisionar entidades mágicas.
Leonardo retirou a carta do bolso e passou a analisá-la. Ficou cerca de meia hora preso aos detalhes, cada folha merecia sua total dedicação, cada traço merecia ser apreciado uma vez mais, tudo era perfeito.
- Queria poder usá-la... Denny me disse que agora eu poderia usar essa carta para me ajudar a capturar as outras... Se bem que essa não foi difícil, eu só tive que capturá-la e só...
O garoto, entediado em sua cama, via o dia passar por uma janela. A luz do sol informava que já devia ser umas três da tarde. O almoço fora servido mais cedo no horário de costume. Não havia nada a fazer naquele quarto, nenhum livro interessante, nenhuma revista, nenhum programa que passasse na TV conseguia prender sua atenção. No momento queria estar com os outros garotos, para poder lhe perguntar as coisas e estar com Denny para poder conversar e lhe mostrar tudo de novo em seu tempo.
Por cinco vezes folheou as anotações de sua mochila esperando que algo de interessante pudesse entretê-lo, mas nada.
Apesar do tédio e da falta o que fazer o nome Amit só ficava ainda mais forte em sua cabeça. De alguma forma aquele nome tinha um grau de significância enorme para ele, porém não sabia o que era, por mais que se esforçasse lembrar não conseguia nada.
- Que sede...
Por todo lado que o garoto olhava não conseguia encontrara a jarra de água. A mesinha onde ficava os medicamentos era o único lugar provável, mas havia somente uma pequena luminária com um monte de fichas para anotações dos pacientes.
- Acho que a enfermeira deve ter levado a água depois que veio buscar as coisas do almoço... Pelo jeito terei que procurar...
Olhou para todos os lados procurando uma saída, mas não encontrou nenhuma. Tinha água no banheiro, mas de forma alguma iria beber água lá, não era nenhuma situação de emergência, podia muito bem levantar-se e procurar por água. Com um salto levantou-se da cama e dirigiu-se para a porta. Abriu com um leve puxão e saiu para fora do aconchegante e caloroso quarto.
- Acho que vi um bebedouro em um desses corredores... Agora... qual corredor foi...? Boa pergunta...
O corredor onde estava era bem extenso, andava passando por várias encruzilhadas e por vários consultórios e enfermarias, mas nada do bebedouro. Por um breve momento sentiu como se estivesse andando em círculos ou perdido, mas não havia sentido, estava em um hospital, tudo foi planejado para dar perfeita comodidade aos funcionários e pacientes.
Havia quartos apenas no lado esquerdo do corredor, no lado direito havia somente uma perde que era enfeitada por quadros ao longo do caminho, as vezes dispunham de vasos com flores recém colhidas e em determinados pontos havia bifurcações, onde se formavam as encruzilhadas. Dessa forma o hospital dispunha de inúmeras enfermarias dispostas de forma extremamente organizada, que dava fácil acesso e uma boa circulação dos enfermeiros e pacientes em casos de emergências.
- Eu tenho certeza que vi um bebedouro por aqui... – disse procurando por todas as partes, mas não via nada além de portas e corredores e mais corredores que se cruzavam.
Por várias vezes acreditou que pudesse estar perdido, mas não havia razão já que o hospital e a ala das enfermarias não eram tão grandes assim.
- Tem alguma coisa errada... já tem muito tempo que estou andando e parece que nem sai do lugar...
Realmente parecia que Leonardo nem sai mesmo do lugar. Os quartos eram muito parecidos, os quadros na parede seguiam uma seqüência que se repetia de cinco em cinco, Leonardo notou essa seqüência quando passou pela terceira vez por um quadro que havia lhe chamado a atenção antes.
As mesas, na parte direita do corredor, estavam sempre na mesma posição e tinham sempre a mesma revista, um vazo com rosas vermelhas e dois copos vazios. O mais curioso é que todos estavam posicionados no mesmo lugar. Outro fato que deixou Leonardo um pouco assustado foi o de todas as mesas estarem com o mesmo número de flores, na mesma posição; e todas, sem exceção, estavam com uma perna manca, a mesma em todas elas.
- Parece até estou dando voltas...
O garoto procurou por todos os lados um enfermeiro ou um médico, mas não via ninguém, todos os corredores, e bifurcações estavam desertos.
- E também parece que existe só eu como paciente nesse hospital... Isso aqui está muito estranho... Estranho mesmo...
Continuou andando, procurando mais por uma saída, uma localização de onde estava do que pela água. Estava com muita sede ainda, a comida do hospital não era salgada, mas era costume próprio a ingestão exagerada de água.
Os mesmo quadros, os mesmos quartos, as mesas flores e as mesmas mesas não mudaram nenhum pouco a medida que avançava pelo corredor. O garoto pode perceber que as bifurcações ficaram mais constantes, a cada três quadros e uma mesinha, abaixo do último, tinha um cruzamento de corredores.
- Esse hospital parece mais um labirinto... Acho melhor eu voltar e procurar por alguém...
Leonardo deu meia volta decidido, já tinha quase meia hora que andava e não encontrava nada, nem pessoas nem o bebedouro.
Voltou pelo mesmo caminho, na verdade era só seguir reto que logo encontraria seu quarto novamente.
A certeza que tinha que voltaria ao seu quarto novamente era plena. Isso fez que não se atentasse mais aos detalhes do imenso corredor, tudo agora passava despercebido aos seus olhos: as mesinhas, os quadros e os corredores não tinham mais nenhuma importância.
Agora que tomava o caminho de volta ocupou sua cabeça com novos pensamentos. Em um lapso de memória lembrou-se de Denny, o guardião que surgiu para proteger o Card Captor, a chave e as cartas que eram de tributos a Lua. No entanto o guardião estava completamente “desprotegido” nesse mundo novo. Não tinha lugar para ficar nem como se sustentar.
- Quanto a isso não tem problema... O Denny será muito bem vindo na minha casa. Sei que os meus pais e o Marcelo irão entender... Espero que ele goste de ir morar conosco... – pensou um pouco e riu – a família é bem doida... vamos acabar deixando ele doido também.
As roupas e tudo mais que tinha poderia ser dividido com o novo amigo, porém o que lhe preocupava era a identidade do amigo. Com certeza seus pais lhe perguntariam de onde ele vinha, o nome dos pais, onde estudou antes, o que faz, o que sabe fazer e mais uma série de coisas, um verdadeiro inquérito.
- Tenho que preparar o Denny pra isso... enfrentar meus pais é fogo...
Ainda planejando a estadia de Denny em sua casa Leonardo lembrou-se de outro detalhe que com certeza lhe daria dor de cabeça. Ele dividia o quarto com Marcelo, seu irmão mais novo. Quanto a aceitação e o temperamento do irmão não teria problemas. Entretanto não teria liberdade para conversar com o guardião sobre as cartas, magia e sobre os outros Card Captors. Isso sim seria um problema. Marcelo tinha uma personalidade dócil, porém a coisa mais difícil era tentar despistá-lo com falsas histórias.
- Quem sabe ele não ocupe o quarto vazio e deixa eu e o Denny no nosso... Não custa nada pedir para ele... – disse com um sorriso no rosto.
Como não estava prestando atenção os detalhes do corredor não pode perceber que algumas coisas haviam mudado. A estrutura ainda era a mesma: a cada três quadros e uma mesinha vinha um cruzamento de corredores. No entanto as imagens dos quadros haviam mudado, agora se via outros desenhos diferentes daqueles que Leonardo viu antes. As flores nos vasos tinham mudado de espécies, não eram mais rosas vermelhas e sim delicados copos-de-leite. As mesinhas agora estavam dispostas de forma diferentes, não tinham mais a perna manca, mas todas estavam tortas. Não havia mais nenhuma revista sobre elas, uma pequena escultura indiana ocupava o lugar ao lado de um pequeno calendário.
O garoto andava distraidamente, olhando apenas para o chão. O seu cadarço desamarrado lhe chamava mais atenção do que qualquer outra cosia a sua volta. Os pensamentos sobre a estadia de Denny já estavam todos arquitetados, só bastava colocá-los em prática.
- Ai, ai... quero logo um copo de água e dormir um pouco... – disse enquanto levantava a cabeça para olhar para frente. – Pelas minhas contas meus pais devem chegar daqui a pouco e o Marcelo vai... Mas o que significa isso!?
Uma parede, firme e branca como todas as outras, estava em sua frente impedindo a passagem do garoto. Não havia como aquela parede estar ali, pois não havia andado tanto como na última vez. Estava na verdade em um novo corredor que cortava transversamente o que ele estava andando, formando um T.
- Mas como... meu quarto era o último do corredor... e ele não tinha essa bifurcação que tem aqui... Mas que droga! O que está acontecendo?
Ao gritar reparou no vazo que estava em cima da mesinha com os copos-de-leite brancos. Era quase impossível acreditar no que via. Leonardo olhou para trás como primeira reação e confirmou o que suspeitava: todas as flores que estavam atrás era as mesmas. As imagens dos quadros foram a surpresa seguinte; do nada haviam mudado, e todas as outras por quais passou eram idênticas. O garoto pegou a escultura indiana no impulso e percebeu que inúmeras replicas desta se encontravam nas outras mesinhas.
- Alguma coisa está acontecendo... de algum modo todas as coisas mudaram quando eu voltei... o caminho que eu fiz de volta foi bem menor e eu já cheguei no final... como isso é possível...?
Uma a uma as luzes no teto dos corredores foram se apagando seguindo de uma brisa gelada.
De longe podia ver o efeito dominó das luzes. Era uma após a outra, não tão rápido, mas com uma velocidade gradual que avançava em direção a Leonardo.
- É melhor eu sair daqui... parece que não vem boa coisa por aí...
Deixou a estatueta jogada sobre a mesinha e saiu com uma velocidade maior, quase correndo pelo corredor da esquerda. A queda de energia logo o alcançou, transformando todo o local em uma forte penumbra; não era difícil enxergar, mas a baixa luminosidade tornava as coisas difíceis, ambientava uma cena de terror. Agora o garoto tinha a certeza que alguma coisa errada estava acontecendo, algo que se ligava diretamente com forças mágicas.
Os passos foram acelerados, Leonardo tinha a sensação de que alguma coisa o seguia a passos largos, seu instinto lhe dizia que boa coisa não era.
- Mas essa agora... o que está havendo... Será que eu não vou ter mais sossego...? Nem para dormir mais...? – disse correndo, entrando por um corredor a direita. – Denny... você podia estar aqui... E agora...? Como vou sair dessa...?
Infelizmente o guardião não estava ali para ajudá-lo, dessa vez seria somente ele, ele e sua própria confiança em si mesmo. Os outros Card Captors não poderiam ajudá-lo e definitivamente o hospital havia ficado deserto.
O garoto corria sem parar, sem olhar para trás para ver o que o seguia. Os cruzamentos de corredores tornaram a aparecer assim que passou por uma maca encostada na parede. Leonardo decidiu não pensar mais em qual corredor deveria entrar, a situação o obrigava a escolhê-los aleatoriamente e o que seu interior indicava como melhor caminho. Por alguma razão sabia que estava correndo para algum lugar, algum lugar que tivesse a solução de toda essa confusão.
Ali e aqui ia virando, invadindo a penumbra de cada área. Derrubando algumas coisas que cruzavam seu caminho ele encontrou o bebedouro que procurava no inicio de todo esse desafio, mais um para se somar aos que já tinham passado e “mais um dos que eu enfrentarei daqui para frente”, pensava.
- Logo agora essa droga me aparece...
Algo ainda se movia atrás do garoto, mas estava bem lento. Instantes depois parou totalmente, era como se estivesse a espreita, esperando por um passo em faço para dar um ataque certeiro. Sentia como se estivesse em uma emboscada, proto para cair na armadilha a qualquer momento.
Leonardo aproveitou que a “coisa” havia silenciado e deixado ele de lado, pelo menos por enquanto, para tomar água. Esta, por sua vez, veio em boa hora. Desceu como seda por sua garganta; a correria nos últimos minutos o deixou mais doido de sede ainda.
- Alguma coisa está vindo... Mas o que será que é...? – perguntou para si, examinando o espaço que ficou para trás, competindo sua visão com a forte penumbra. – É estranho... eu não vejo ninguém nem nada, mas ainda assim eu sinto que alguma coisa lá atrás se mexe e me persegue...
O próximo cruzamento que o garoto encontrou a sua frente o fez refletir. Se tomasse a direita ou a esquerda o resultado seria o mesmo: ambos poderiam a dar em lugar nenhum e isso o faria se perder mais ainda. Seguir em frente não parecia ser uma boa opção, provavelmente voltaria a andar em círculos novamente. Voltar era a pior opção, seja lá o que estivesse atrás dele só estava esperando o garoto se movimentar para voltar a persegui-lo e voltar seria entrar na toca do leão.
Como seguir em frente e voltar eram as piores escolhas o garoto tomou o caminho da direita, sem saber ao certo onde o levaria dessa vez, porém algo o dizia que era o caminho certo a ser tomado. Mas em uma situação assim a auto confiança parece desaparecer, e foi o que o garoto sentiu ao entrar pela nova ala do hospital.
- Queira os deuses que eu encontre alguma coisa por aqui... – disse em tom sarcástico, andando calmamente, mas pronto para correr quando “coisa” que o perseguia voltasse a correr atrás dele novamente.
Um pequeno lustre cristalino descia bem no meio do corredor, logo a frente seguia dois móbiles – um de ágatas e outro de tubos de metal. A familiaridade dos objetos despertou no card captor um novo animo. Leonardo não sabia onde tinha visto esses objetos, mas sabia que em algum momento eles tinham tomado sua atenção, não tinha como se enganar, era os mesmo que pela manhã.
A intuição e o palpite que estava chegando perto de uma solução se confirmaram quando avistou uma porta entreaberta a poucos metros de distância; era a única aberta, todas as outras estavam traçadas e vazias, então, supostamente, neste quarto deveria ter alguém.
Empurrou a porta levemente, bateu uma vez para avisar que estava entrando. Porém no quarto havia somente duas camas vazias e uma mesinha que guardava os remédios. Uma porta mais ao fundo, dando acesso ao banheiro. Mas não havia ninguém, estava vazio como todos os outros.
No entanto uma das camas estava desarrumada, o lençol parcialmente caído no chão. No chão, um copo vazio ajeitado perto da cabeceira da cama. Sobre a mesinha alguns medicamentos e materiais para fazer curativos estavam organizados de forma que logo seriam usados. Não havia janela, nem um espaço por onde podia entrar alguma luminosidade ou entrada para ventilação, a semelhança era mais de um calabouço.
- Nossa... que falta de sorte... Parece que o paciente daqui acabou de sair...
O garoto já ia saindo quando um objeto azulado com um zíper laranja o fez entrar no quarto novamente.
- Mas como... Essa é a minha mochila que eu deixei no meu quarto...
A mochila do garoto estava aos pés da cama perto do copo vazio. Na mesma posição e no mesmo lugar que garoto havia deixado a quase uma hora atrás, nada tinha sido mudado.
- Mas isso é impossível...! Eu corri e andei muito tempo, passei por tantos lugares e como que eu chego aqui novamente...? – disse enquanto analisava a mochila. – Mas... e a janela... onde foi parar...!? – exclamou para si mesmo quando lembrou que na parede do fundo havia uma grande janela por onde a luz entrava e tornava o ambiente aconchegante, mesmo sendo um hospital.
Mas a janela era o grande problema, como que algo tão grande poderia ter saído dalí? Além do mais não havia sinal de nenhuma reforma ou obra por ali. E o tempo que passou fora não teria sido o suficiente para tirá-la da parede.
- Tenho que descobrir o que está acontecendo aqui e achar uma solução... pelo visto isso é obra de magia. – disse saindo do quarto. – De alguma forma, que eu não sei como, alguma coisa ou alguém com poderes mágicos está me prendendo aqui e enquanto eu não acabar com isso eu não vou conseguir sair desse labirinto...
Após pensar um pouco, decidiu seguir em frente de novo, assim como antes, mas dessa vez observando os mínimos detalhes para encontrar alguma pista que o levasse a solução do mistério.
Enfiou sua mão por dentro da gola da camisa e retirou sua chave mágica. A lua brilhava em um azul suave, a espera de ser libertada pelos poderes do garoto.
- Além do mais... Só a magia derrota a magia... – riu para si mesmo. – E o principal Leonardo! – Falou para si. – Parar de conversar sozinho... Eu to falando ainda vão me transferir daqui para um sanatório.
Atento aos detalhes, o garoto seguia pelo corredor conversando sozinho e planejando o que faria quando encontrasse o que estivesse por trás de tudo isso. O báculo e a carta era a primeira coisa que vinha em sua cabeça, mas não sabia ao certo como usá-los, Denny ainda não havia lhe ensinado sobre isso.
- Mas será a hora perfeita para eu usar essa belezinha... – a carta já estava a mão, porém como tinha apenas um dos braços disponível para livre movimento resolveu guardá-la no bolso novamente e tirá-la quando foi preciso.
BAM!!!
Um estrondo veio logo atrás do garoto. Os barulhos se tornaram mais freqüentes e mais fortes. O garoto se virou e pode presenciar a luminosidade caindo ainda mais. Sentiu alguns tremores nas paredes e no chão, mas não tirou os pés do lugar, pelo contrario assumiu uma posição de ataque...
- Seja á o que for está se aproximando... Ah seu desgraçado, dessa vez eu não vou correr... Pode vir que eu to te aguardando aqui para dar uma lição... espero que não seja ele que me dê uma lição...
Algo se mexia vorazmente e estava chegando perto. As paredes tremiam mais ainda, pareciam que iriam sair do lugar. O chão também estava em choque, a impressão é que um terremoto estava prestes a acontecer.
A determinação e a coragem de Leonardo fez seu medo desaparecer por completo, iria enfrentar o que estivesse pela frente seja lá o que for...
- Vem... Pode vir... – disse desafiando. – Mas o que é isso...
Não havia nenhum ser gigante, ou um mago correndo atrás dele como ele esperava, pelo contrario, nenhuma criatura apareceu, mas o que viu era algo medonho e assustador.
As paredes estavam se mexendo e mudando de lugar, formando novos corredores e cruzamentos por todos os lados, algumas paredes se juntavam outras se separavam. Algumas chegavam a se dobrar formando curvas. Alguns caminhos eram fechados, aparecendo decorações pelas paredes, enquanto que sumia em outras. Outros caminhos e bifurcações eram criados, dando a cesso a mais corredores e a novas alas do hospital. O teto também mudava, os lustres e os móbiles sumiram dando lugar a um simples teto com uma lâmpada no centro. O chão foi todo repaginado, desde a cor do piso até sua espessura, ficando mais largo. Os objetos sumiam e reapareciam em outros lugares. Os quartos eram apagados e reconstruídos nas novas paredes que se formavam. As mesinhas se desintegravam e reapareciam abaixo dos quadros, exatamente como era antes, sem nenhum arranhado e nada fora do lugar. Nenhum pó ou vestígio da brusca mudança era encontrado, tudo que caia e desaparecia, era apenas mudado de lugar.
O caminho a frente do garoto foi tomado por uma grande parede impedindo toda a passagem, em seguida algo se materializou nela. Os lados tomaram uma maior espessura e em ambos novos caminhos eram formados. Luzes, castiçais e lustres surgiram caindo delicadamente do teto, sem ao menos se mexerem. A visão era parecida com uma transferência de dados. Tudo era dissipado e destruído seguido da reconstrução do ambiente.
O cruzamento em que estava deixou de existir e o em segundos estava em frente a porta de um quarto vazio. A porta se materializou perfeitamente a sua frente assim como os quadros e os demais objetos. O garoto se virou para os corredores procurando pelo ser
A transformação ambiente seguiu em frente deixando o garoto, atordoado, para trás. Este nem sabia o que fazer ou dizer. Ficou parado, impressionado com tamanha violência com que tudo aconteceu e com tamanha perfeição que se deu a reconstrução do local. Leonardo nem se quer lembrou da chave em sua mão e da carta em seu bolso.
- Karaka!!! O que foi isso... – gritou impressionado. – Pareceu que um furacão passou por aqui e arrebentou com...
Antes de terminar de falar o garoto foi paralisado por um calafrio que subiu pelo seu corpo... A sensação de que alguma coisa o observava, a sensação de que algo estava por perto, que alguma força estava agindo por ali, veio a tona.
O garoto sentiu essa sensação poucas vezes, e uma delas foi quando a Carta Bosque se materializou em frente ele e Denny. Era uma presença, uma presença que despertava todos os seus instintos de magia, o transformado em um guerreiro pronto para o combate, pronto para lutar. Uma Carta Sakura estava tinha aparecido para ele.
- Isso... é a presença de uma Carta Sakura... – disse procurando por todos os lados...
Para todos os lados que procurava não via nada, mas ainda assim a presença da Carta Sakura estava forte.
- Perfeito... Não sei se digo “irado” por que agora vou poder usar minha carta... Ou se digo “lascou” por que estou numa baita encrenca...
O garoto continuou seu caminho pelo corredor, dessa vez tinha o alvo certo. Ainda sim observava todos os detalhes procurando por uma pista e procurando pela Carta, seja lá qual era.
- Acho que essa carta tem o poder de destruir e reconstruir as paredes e o teto... Deve ser a carta da parede... – disse rindo ironicamente. – E... acho que estou mesmo com a corda no pescoço... Mas eu vou sair daqui... Preciso de sossego!!! Pelo menos por um dia...
O corredor, na penumbra não parecia ter fim. Assim como antes, o garoto andava e andava e tudo se repetia, e nenhum sinal da carta.
- Mas que coisa!!! Eu ando, ando e ando e não saio do mesmo lugar. E ainda por cima sinto a presença da Carta Sakura perto de mim, mas quem disse que eu encontro essa carta... – Disse se irritando um pouco... – Mas espera só... você vai ver quando eu encontrar você... eu vou... – parou em frente a uma mesinha observando as flores, pequenas margaridas. – É mesmo... O que eu vou fazer quando encontrar... Boa pergunta...
No impulso, pegou uma estatueta de cristal que estava ao lado do vazo de margaridas, apertando em sua mão.
- Deixa só essa carta aparecer... a carta bosque dará conta do recado... – levantou o braço para cima... – então terei duas Cartas Sakura... – disse levando o braço para frente. – Opa...!
Sem querer Leonardo soltou a estatueta, deixando-a cair mais a frente. Porém ela não caiu da maneira que esperava.! Ao passar pelo último quadro a peça de cristal desapareceu. E reapareceu instantaneamente um pouco atrás do garoto, se quebrando totalmente com a queda.
Olha eu de volta na ára pessoal, sumi né...? Pois é... Mas estou aqui de volta e já trago mais um capítulo para vocês. Como eu havia prometido eu liberria os capítulos 13, 14, 15, 16 e 17, aguardem que logo logo eles estão pintando por aí. O motivo dessademora foi a morte do meu pc. Mas agora já está tudo melhor. Bem, esse capítulo eu dedico a dois grandes amigos meus que estiveram presente em um momento que precisei muito: Fábio Alessandro e Pedro Ernesto. Espero sempre contar com vocês. Bye:)
Paulo M. oulart
Cards Infinity
O Lago de Cristal
Capítulo 15
Caminhos Sem Fim
Paulo M. Goulart ©2007 – 2009
Finalizada em 07 de Agosto de 2008
Cards Infinity – O Lago de Cristal
TryMax ©2009
Paulo M. Goulart ©2007 – 2009
História Original: Clamp ©1996; Japão
Alguns nomes e imagens são de autoria do Estúdio Clamp e possuem direitos autorais reservados as autoras. Os demais nomes, tipologias e símbolos são de direitos autorais do autor desta história
Brasil, 2009

