Paulo News

Capítulo 16
O Truque do Labirinto
Paulo M. Goulart, ©2009

Isso não estava previsto nos planos do garoto. A reação seguinte foi um salto de susto, o que rendeu ao garoto um grito descomunal, não pelo susto, mas no impulso bateu seu braço engessado na parede.
- Ahhh!!! Droga de parede... Cadê aquela carta que não estava aqui para tirar essa parede daqui... Ai! Meu braço...
Passada a dor, o Card Captor, semi-armado, se dirigiu ao local onde a estatueta reaparecera. A adrenalina tomava conta de Leonardo, que agora teve certeza que mais outra coisa estava ali ajudando a outra carta a criar toda essa bagunça.
- Eu tenho certeza que eu joguei essa estatua para lá... e ela caiu desse lado... Posso conversar sozinho, mas ainda não estou louco... por enquanto... Vou ficar se que não conseguir sair daqui.
Os cacos do que era o objeto estava esparramados, o garoto procurou por todos o lugares, mas não encontrou nada. Decidiu voltar co lugar de onde jogou a peça. Pegou as flores do vazo para fazer novas tentativas. E as fez.
Com as flores aconteciam a mesma coisa, desaparecia logo a frente e reaparecia um pouco atrás. Uma a uma as flores foram jogas e cada vez mais o garoto se aproximava procurando a razão que fazia isso acontecer.
A presença da Carta Sakura que não parava de sentir ficava mais forte, cada vez mais viva. A cada passo Leonardo sentia que se aproximava de alguma coisa, seria a carta causadora de toda essa confusão?
Só tinha mais uma flor em sua mão, que arremessou com toda a força. A flor desapareceu um palmo de seu rosto, caindo junto das demais a uns 10 metros atrás.
- Então é aqui que elas somem... – disse pensativo. Uma idéia lhe ocorreu, seria infalível para comprovar o que suspeitava. Depois de tamanha bravura e garra o medo, que quase não existia, voltou a tomar um pouco de força. – Eu já passei por aqui antes... e todos as coisas que joguei reapareceram. Então o segredo está por aqui...
Leonardo levantou seu braço direito e aos poucos foi avançando em direção ao lugar em que as cosias sumia. Tinha um pouco de medo, não sabia o que aconteceria a seguir. Mesmo assim não recuou nem um pouco, pelo contrario, lançou seu braço totalmente no espaço vazio.
Como suspeitava o braço desapareceu. O garoto virou-se o suficiente para ver o que acontecia logo atrás: metade do seu braço flutuava no ar. Em seguida deu um chute no ar, dessa vez sua perna fez uma acrobacia no ar, uma perna sem corpo. Leonardo começou a fazer brincadeiras com os membros, tinha coisas mais importantes para fazer, mas quilo era divertido. Por fim, trouxe todo o seu corpo de volta e posicionou apenas a cabeça para frente.
- Nossa... Nunca mais consigo uma façanha dessas... – disse olhando para o próprio corpo bem mais a frente. – Estou me vendo de costas... – Olhando para os lados observando atentamente, continuou – Pelo visto foi isso aqui que fez eu correr em círculos... bem engenhoso... acho que deve ser a carta da armadilha...
O garoto voltou seu corpo para o lugar e começou a analisar com cuidado o lugar onde tudo desaparecia. Aparentemente não havia nada de errado como o lugar. Nem um portal era visto; no ponto em que os objetos retornavam não havia nenhuma barreira gelatinosa, liquida ou algo que despertasse uma sensação ruim... Simplesmente a passagem era feita sem nenhum tipo de incomodo ou obstáculo.
No teto não havia nada, tampouco as paredes tinham alguma coisa que pudesse servir como pista. Aos poucos foi descendo pelas paredes procurando por alguma coisa...
- Mas o que é isso...?
Uma fita bem delicada, vermelha, ligava as duas paredes do corredor. Tinha um pequeno brilho avermelhado de mesma tonalidade. Estava flutuando no ar, balançando suavemente com o pouquíssimo ar que por ali passava.
Leonardo lançou seu braço novamente, dessa vez o mais próximo possível da fita vermelha. Esta por sua vez teve uma alteração no brilho, ficando mais intenso e no movimento, balançando mais agitadamente. O braço não apareceu do outro lado, tornou a se materializar ao fundo. Mas estava bem claro que era está simples fita que o fazia voltar a todo instante ao ponto de partida.
Em um último teste, Leonardo enfiou a mão por debaixo da fita, no mínimo de espaço que existia entre o chão e a mesma. Como era de se imaginar a mão não retornou ao ponto de partida, segui em frente por um caminho desconhecido. O garoto se deitou para ver o que estava acontecendo em baixo do objeto flutuante.
Deitou, fazendo o máximo de força para focalizar o pouco espaço em que sua mão tinha entrado. Pode ver sua mão intacta atravessando o espaço entre o chão e a fita e uma nova ala do hospital mais adiante.
Com um pequeno toque levantou a fita. A presença da Carta Sakura atingiu seu ponto máximo, levando o garoto em um estado de pura adrenalina. A fita parecia seda, era leve, suave e bastante delicada. A impressão que tinha é que com o mínimo esforço poderia arrebentá-la.
- Então é isso... É uma Carta Sakura... Maravilha...
O mistério tinha se resolvido, uma carta que criava armadilhas que o prendia em um caminho sem volta, o fazendo andar sempre em círculos estava a sua frente...
- Ah! É... então é assim né... – disse se levantando. – veremos que vai correr agora... podem se preparar... Eu, o Card Captor Leonardo... adorei esse nome... – continuou depois de uma pausa. – Eu, o Card Captor Leonardo irá capturar você...
Leonardo retirou a corrente do pescoço, a qual a chave da lua estava presa. Desprendeu-a, colocando a corrente novamente no pescoço, mas deixando a chave bem presa em sua mão.
Estendeu seu braço a frente, com a palma da mão virada para cima com a chave no centro. O garoto começou a sentir a energia calorosa que havia sentido pela manha. Uma energia que acalentava suas dores e lhe deixava com a melhor das sensações: a de invencibilidade.
- “Chave que guarda o poder da Lua, mostre seus verdadeiros poderes sobre nós. E os ofereça-os ao valente Leonardo que aceitou essa missão. LIBERTISSE!!!”
O báculo, preso em sua mão direita, estava pronto para ser usado. Com um único movimento o ergueu até que ficasse sobre sua cabeça. Fixou seus olhos friamente na fita vermelha e desceu o báculo bruscamente até o chão, apontando diretamente para a carta
- Volte a forma humilde que mer...
Crash...
- Ahhh! Mas o que é isso...? – disse caindo sentado com o forte estrondo, seguido de um tremor continuo, que ia do teto até o chão.
As paredes voltaram a se mexer e a mudar de lugar, dessa vez mais ferozmente que da última. Em questão de segundos o local em que estava tinha sido todo tomado por uma destruição em massa. Parecia que o prédio estava entrando em colapso tudo estava se transformando em ruínas.
O báculo, preso em sua mão, o ajudou a levantar apoiando no chão, escapando por pouco de uma enorme pedra que caiu bem no lugar onde estava caído. A pedra logo desapareceu, no lugar, uma parede intacta, era reconstruída tijolo a tijolo, cada grão de areia e cimento usado se fundiam com o restante do material, como se nada tivesse acontecido com as paredes.
A toda volta tudo estava sendo modificado rapidamente. Os cruzamentos deixaram de existir, transformando em um imenso corredor. Do teto os lustres se estilhaçavam, chovendo cacos de vidro para todos os lados. Leonardo teve que correr para não ser pego por eles. Instantaneamente os cacos desapareciam e um novo lustre pendia de um novo teto formado. Os objetos desapareciam e reapareciam em locais diferentes, intactos sem nenhum arranhado.
Pedras caiam de todas as partes e paredes eram derrubadas. Tudo se fundia com o chão, em seguida novas construções eram levantadas no local onde as mesmas tinham caído, porém formando novos quartos e curvas a todos os lugares.
O garoto ficou atordoado com tamanha destruição, a sensação era de que estava em um prédio desmoronando. Sua atenção ficou redobrada, qualquer movimento em falso lhe custaria caro; as pedras e paredes, que agora eram arremessadas, não estavam nem um pouco se importando com a presença dele, pelo contrario, parecia querer atingi-lo.
A destruição e a conseguinte reconstrução parecia não ter fim. Por várias vezes tudo era destruído e reconstruído novamente. Leonardo pode notar que paredes estavam sendo derrubadas e em seguida eram reconstruídas rapidamente para depois serem novamente derrubadas, formando um ciclo que não teria fim.
E meio a toda a destruição Leonardo pode ver de relance a delicada fita voando pelo ar em meio a poeira e pedras que eram lançadas. Pode vê-la por completo: era uma fita que não tinha início, muito menos um fim, formava uma argola que girava lentamente sobre as ruínas.
A atenção que o garoto dava a fita logo foi tomada por algo mais sério. Uma parte desabou completamente, justamente onde estava.
- Ahh! Eu vou acabar morrendo desse jeito... – disse dando o salto mais rápido e desesperado que pode, caindo ao lado de uma parede que acabara de ser reconstruída.
Em um pequeno relance ele pode ver a fita voando sem rumo mais uma vez. Mas teve que mudar seus planos... Tinha problemas mais sérios para resolver...
- Ahh! Chega de caos...! – gritou.
Rapidamente enfiou a mão em seu bolso, retirando a Carta Bosque lá de dentro. O garoto a olhou seriamente. Era o momento esperado, era hora de usar sua Carta Sakura.
- Bosque!
A insígnia da lua surgiu aos pés de Leonardo. Um forte vento soprou pelas paredes derrubando alguns quadros, a ventania foi seguida por pequenos flashes azuis, ambos vindos do báculo da lua.
A carta tomou forma, se materializando em uma entidade mágica, coberta por folhas e com a coloração verde, um verde bem suave.
- Bosque, eu preciso de sua ajuda... – o garoto falou com a carta como se uma pessoa estivesse a sua frente... – será que você pode me ajudar...?
A pequena mulher, coberta por folhas acenou sua cabeça positivamente, esperando as ordens do garoto.
- É o seguinte... tem uma Carta Sakura aqui e ela não quer deixar a gente sair de maneira nenhuma. Então preciso que você nos tire daqui, só então eu poderei recapturá-la... Pelo visto estamos sobre o domínio dela... Se conseguimos sair dessa armadilha eu vou poder capturá-la
A Carta Bosque acatou como uma ordem o pedido de Leonardo. Saiu em disparada pelos corredores, desviando das pedras e paredes que caíam. Por onde passavam tudo estava sendo destruído, era um caos total.
No entanto as coisas não estavam saindo como planejavam. Por cada corredor que entravam, correndo na procura de uma saída, uma parede solida era construída no final barrando o caminho deles. Por inúmeras vezes foram barrados devido a modificação do lugar.
Depois de um bom tempo de insistência eles avistaram o que parecia ser um fragmento de luz. Estariam eles perto de alguma saída? Correram o máximo que puderam em direção ao feixe de luz, uma saída afinal.
Quando já estavam na reta final, faltando apenas atravessar o ultimo corredor as paredes laterais se moveram astuciosamente estreitando o caminho mais a frente. Foram se estreitando ao ponto de se fundirem, fechando totalmente o caminho. Deixando os garotos mais uma vez em um beco sem saída.
Deram a volta, pensando que poderiam ter mais sucesso. Mas o resultado foi ainda pior: uma serie de paredes e levantou cobrindo a saída. Mais uma vez uma tentativa frustrante...
- É impressão minha... ou essa... não quer que... a gente... saia... – disse sem ar. Apoiava-se no báculo com a mão que poderia usar e tentava ao máximo sugar todo o ar a sua volta.
Uma lembrança repentina passou pela cabeça do garoto, segui-se então uma nova idéia que com certeza daria certo.
- Você precisa de luz para restaurar suas energias né... – disse olhando para a figura mágica a sua frente. – Então... assuma a forma de arvore e vá procurar luz... Você não deve se preocupar com as paredes... Na forma de arvore, com aqueles enormes e grossos galhos você pode quebrar as paredes sem se preocupar com esses becos sem saída... Combinado...?
A carta balançou a cabeça confirmando o que o garoto disse e seguiu com fúria o caminho a diante. Logo a aparência delicada, cheia de folhas brilhantes espalhadas pelo seu corpo verde, deu lugar a fortes galhos ferozes e grossos, cheios de fúria, prontos para atacar e destruir tudo que estivesse a sua frente. E destruiu.
Uma a uma as paredes eram perfuradas e derrubadas pelos grossos galhos da Carta Bosque que mais pareciam flechas pontiagudas. Leonardo seguia logo atrás, passando pelos enormes buracos. Seguia rapidamente, pois logo após a quebra das paredes a outra carta, já furiosa, tratava de reconstruir as paredes.
- Vamos... Procure por luz... assim conseguiremos sair daqui...
E assim era feito. A carta não desviava seu percurso, seguia sempre em linha reta atravessando as grossas paredes, dessa vez nem a oura carta, já furiosa, não conseguia impedir Bosque de avançar até as fronteiras que os prendiam.
Leonardo não estava conseguindo acompanhar a velocidade da carta e estava tendo pouco tempo para passar pelos caminhos que eram abertos antes que as paredes se fechassem novamente. Em um salto, mais que preciso, pulou sobre um imenso tronco que passava ao seu lado, agarrando firmemente.
Seguiu, junto com os fortes e grossos galhos da carta bosque em busca de Luz. A carta que os prendia tentava a todo custo impedir que eles saíssem de seu domínio; criava barreiras a todo instante para impedi-los, porém tudo em vão, agora já era tarde. Ambos puderam ver uma janela, por onde entrava um pequeno raio de sol e era exatamente para lá que a carta se dirigia.
- Perfeito... Olhe lá... – disse Leonardo indicando com a cabeça para a luz, já que a outra mão segurava o báculo e os galhos. – Agora é só a gente ir para lá... Continue assim... está perfeito...
Já estavam se aproximando da última parede, lá seria a saída. Por um mínimo instante O garoto pode ver algo voado em meio as ruínas, a mesma cosia que viu antes: Uma fita vermelha pairando sobre os destroços. Formava um círculo, vermelho brilhante, que girava sobre eles.
A visão foi logo interrompida com uma grande explosão de luz. A claridade do lado de fora era intensa. Finalmente tinham quebrado a última parede e se encontrava em um pequeno jardim de arbustos em um canto do hospital.
O garoto desceu do galho em que segurava, no mesmo instante a Carta Bosque voltou a sua verdadeira forma, muito contente por conseguir fazer o que o garoto pedira.
As folhas verdes começaram a brilhar no mesmo instante que o garoto levantou o báculo sobre sua cabeça. Era a hora do show, pensou ele.
- Agora você vai ver sua carta traiçoeira...
Mais uma vez viu a fita vermelha pairando sobre o ar, dando voltas sem direção, rumo a um desconhecido. Reluzindo os suaves raios de luz do por do sol.
As paredes revelaram uma coloração que o garoto não havia notado: um verde não muito escuro tomava conta de todo o piso, teto e paredes. A forte penumbra em que se encontrava dentro do hospital não tinha permitido que ele pudesse ver esse detalhe. Também, havia coisa mais importante com o que se preocupar do que as paredes, por exemplo escapar de pedras que voavam em direção a ele. As constantes transformações do ambiente também impediram o garoto de observar esse pequeno detalhe.
- Nem notei que essas paredes eram verdes... Estranho... – disse pensativo, o báculo ainda erguido. - eu me lembro de serem brancas...
A cratera formada na parede estava se fechando, a fita vermelha ainda pairava em seu interior.
- Mas o que a bendita da parede tem a ver com isso... Em que estou pensando... Agora é hora...
Posicionou o báculo firmemente, apesar de ser erguido por apenas uma mão, estava encaixado em sua mão, pronto para usá-lo novamente, duas vezes no mesmo dia. Fitou as paredes veres, a cratera e a fita vermelha. Uma sensação de despertar de magia invadiu seu corpo...
- ...de mandar ver...
Leonardo desceu o báculo da lua, direcionando a sua frente.
- Volte a forma humilde que merece, Carta Sakura!!!
A insígnia da lua surgiu aos céus pés, girando e soltando faíscas luminosas, azuis como cristais de gelo. Uma carta vazia se materializou entre as duas pontas da lua, apontadas para frente. Seguiu-se uma forte ventania, parecia que estavam no meio de um tornado, que ganhava cada vez mais força. Tudo a frente começou a ser arrastado pelos raios luminosos e por correntes de ar que se prendiam no interior das paredes teto e na fita vermelha, estavam sendo laçados pela magia azul do garoto e trazidos de volta para a carta, ainda vazia, a frente do báculo.
As paredes do hospital foram deixando sua cor esverdeada a medida que a magia presente em seu interior era sugada pelo báculo, aprisionando na carta. Assim como na floresta, a magia estava toda espalhada pelo local, vinha de todos os lugares, o verde esmeralda logo se misturou com o vermelho rubi, deixando o garoto assustado.
Realmente a magia era muito grande. Aos poços o garoto estava perdendo as forças, não conseguia segurar o báculo, que ainda laçava focas mágicas em todos os cantos. Por fim, uma grande luz verde brilhou por todos os corredores, trazendo os últimos vestígios da entidade mágica.
As paredes do local eram reconstruídas da maneira correta, brancas como neve, na medida em que a carta era aprisionada novamente na Carta Sakura. O último raio luminoso surgiu formando uma labareda de energia e entrou na carta, que agora estava completa. A magia da carta foi totalmente recapturada.
Um portal surgiu no local onde o grande buraco estava, Leonardo então percebeu que estava em um jardim no interior do hospital, dedicado a pacientes que gostariam de respirar um pouco melhor e se distrair. Tudo estava intacto; as paredes, os objetos, e o teto... Era difícil de acreditar que algumas horas atrás tudo ruía e desmoronava...
O sol estava se pondo... Na direção oposta a lua cheia surgia no horizonte.
A carta, na ponta do báculo deu várias voltas no ar, e estava indo em direção ao garoto. Leonardo segurou o báculo com a outra mão, meio desajeitado, tudo era bem mais difícil fazer com o braço e parte da mão engessada. Posicionou o braço são para frente com a palma da mão aberta para receber a carta que ia caindo em sua direção.
- Perfeito...! – exclamou alto. – Mais uma carta..., mais uma carta... Mandei ver... Mandei ver... Até que enfim te capturei carta da armadilha...
A carta, que acompanhava as correntes do vento, conseguiu surpreender o garoto mais uma vez naquele dia.
Na descida, em direção a palma da mão, uma outra surgiu atrás da que o garoto fixava seus olhos. Estavam coladas, mas com a força da brisa se soltaram e agora vinham duas cartas em vez de uma.
- Mas... Mas como... São duas cartas.
Realmente era isso. O báculo não havia capturado apenas uma carta como o Leonardo tinha pensado, mas sim eram duas entidades mágicas que foram seladas ao mesmo tempo. Isso explicava o fato do garoto se desgastar mais do que da última vez. A força que vinha do báculo e das correntes mágicas haviam se formado uma pressão muito grande. Por momentos Leonardo pensou que ele seria levado e não a carta seria puxado para o seu selo. Mas agora estava explicado...
- Foi por isso que tava tendo dificuldade... e também parecia que eles iam me arrastar em vez de eu puxá-los...
Uma das cartas caiu em sua mão. A outra veio logo em seguida.
- O que temos aqui...
Leonardo transformou seu báculo em chave novamente. Com cuidado a prendeu em sua corrente dourada, colocando no pescoço, a salvo de todos.
As cartas estavam viradas na palma da mão, mostrando a bela estrela dourada no centro da insígnia das cartas, se destacando de todo o contorno rosa. A primeira carta que virou algumas lembranças vieram a sua mente. Lembranças da pequena fita vermelho brilhante, girando em círculos se direção, rumo ao desconhecido. E era essa mesma fita que ocupava o interior da carta. Era impossível dizer onde era o começo, onde era o fim; era um caminho que não saia de lugar algum e não levava a lugar nenhum. A fita estava com uma de suas metades torcida formando um símbolo, o símbolo do infinito.
- The Loop... – O garoto leu nos pés da carta.
De imediato retirou uma caneta azulada do seu bolso esquerdo e tentou caprichar na caligrafia de seu nome, assinando a carta que capturou.
A segunda carta provocou o dobro de surpresa. Sua imagem era composta por paredes com tos esverdeados que se cruzavam e se cortavam entre si. A imagem estava desenhada de tal forma que o olho do garoto não conseguia encontrara o fim, parecia que nunca se chegaria ao final do desenho. Isso graças ao efeito em três dimensões que a carta tinha.
As curvas eram constantes, cruzamentos eram comuns e o tamanho era imenso. Leonardo se sentiu como se tivesse lutado contra um mago poderosíssimo devido a imensidão de espaço que a carta despertava. Por mais que virasse a carta procurando uma saída em meio as parede ou procurando um caminho a seguir, sempre se perdia em meio ao desenho.
- The Maze...
Foi o que leu na fita que indicava o nome da entidade mágica. Assim como na primeira, caprichou o máximo que pode para construir uma bela caligrafia para assinar seu nome na outra carta.
Tudo estava terminado, sem corredores, sem ruínas, sem objetos que se repetem infinitamente, agora sim, poderia ter descanso...



Então pessoal... To aproveitando minha útima semana de férias [até que enfim] para postar ais um capítulo aqui... Parece que tem gente lendo o blog... Confesso que to surpreso... Enfim, com esse capítulo chegamos
Quero dedicar esse capítulo a 3 pessoas muito especiais que sempre estão perto de mim. Riam quando tem que rir, brigam comigo quando tem que brigar, aturam quando não tem saída [rsrs]. Mas acimas de tudo somos grandes amigos: Fernando, Julia e Victor.
Paulo M. Goulart







Cards Infinity
O Lago de Cristal
Capítulo 16
O Truque do Labirinto
Paulo M. Goulart ©2007 – 2009
Finalizada em 26 de Agosto de 2008
Cards Infinity – O Lago de Cristal
TryMax ©2009
Paulo M. Goulart ©2007 – 2009
História Original: Clamp ©1996; Japão
Alguns nomes e imagens são de autoria do Estúdio Clamp e possuem direitos autorais reservados as autoras. Os demais nomes, tipologias e símbolos são de direitos autorais do autor desta história


Brasil, 2009